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23 agosto 2019

A PÉROLA PRECIOSA

O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas (Mt 13, 45)
23 de agosto de 2019 – Dia de Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina.
Jesus falava muito do Reino de Deus. Mas, muito mesmo. E para as pessoas entenderem melhor de que ele estava falando, recorria a comparações. Contava parábolas. Nas comunidades de Mateus, pela sensibilidade judaica que se tinha, evitava-se fazer referência direta a Deus. Então, em vez de Reino de Deus se dizia Reino dos Céus. O que seria o Reino de Deus? A gente vivendo no amor de Deus. Seria esta uma forma de dizer o que é o Reino. A gente vivendo no amor de Deus. A salvação que Deus nos oferece. A nossa comunhão com ele. Tudo isso aponta para o que é o Reino de Deus. Mas, Jesus não queria engessar o Reino de Deus numa definição. Contava parábolas para falar da riqueza e da beleza do Reino de Deus em nossa vida.
No evangelho de hoje, Jesus conta duas parábolas para falar do Reino de Deus: o tesouro e a pérola. Em cada uma, bilha algum aspecto do mistério do Reino de Deus. Vejamos.
O Reino de Deus é como um tesouro escondido no campo. O Reino é um dom, um presente do céu. O agricultor está trabalhando e dá com a enxada num tesouro escondido. Poderia ser uma botija, uma fortuna enterrada. Ou poderia ser um minério precioso. O tesouro estava ali. E ninguém sabia. Mas, agora o agricultor o descobriu. Mas, não basta descobrir. Para possuí-lo, ele precisa vender tudo o que tem para comprar aquele campo. Acolhe-se o Reino de Deus, colocando-o em primeiro lugar em nossa vida. Tudo o mais é reordenado em vista deste bem maior. O Reino é um dom, um tesouro escondido no campo.
O Reino de Deus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Ele está à procura de uma pedra especial, algo no qual valha a pena investir tudo. E na sua procura, encontra uma pérola imensamente valiosa. A pérola já existia, e ele a encontrou. O Reino não é o resultado de nossa busca, de nossos sonhos, ele já existe. Mas, precisa ser buscado... “Buscai primeiro o Reino de Deus”, falou Jesus em outro momento. Por um lado, o Reino é um dom com que nós esbarramos na vida; por outro, é a resposta às nossas buscas, aos nossos anseios, aos nossos sonhos. Dom e Resposta. Mas, para que eu tome posse desta pedra preciosa, preciso renunciar a todas as outras, a tudo o que tenho, para que ela seja o valor maior da minha vida. Na verdade, para que eu seja dela.
Guardando a mensagem
Jesus chamava o projeto de salvação do Pai de Reino de Deus. E contava parábolas, fazendo as pessoas perceberem aspectos fulgurantes dessa realidade que ele estava inaugurando, o Reino de Deus. O Reino é Dom de Deus, nós nos deparamos com ele... ele está escondido como um tesouro na terra. O Reino é a Resposta de Deus aos nossos sonhos, aos nossos anseios mais profundos... como o comerciante que encontrou a pérola mais preciosa que tanto procurava. Nós não compramos o direito de possuir o Reino. Nós nos entregamos a ele, pela conversão. Renunciamos a tudo o mais para possuí-lo, ou melhor, para sermos dele. Você com certeza já descobriu o seu tesouro, já encontrou a sua pérola... é o Reino de Deus que chegou pra você pela presença de Jesus em sua vida. Ponha-o em primeiro lugar. Comece deixando de ser o centro da própria vida... renuncie a si mesmo para seguir Jesus. O mais, o mais, como ele disse, será dado por acréscimo.
O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas (Mt 13, 45)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
É verdade. A gente não pode se contentar em viver superficialmente. Como agricultores, precisamos cavar mais fundo. Ou como disseste aos pescadores: navegar em águas mais profundas. Cavando mais, isto é, procurando viver com mais profundidade, encontramos o tesouro que está ali nos esperando. O tesouro do Reino. Como comerciantes, não podemos nos contentar com bijuterias ou pedrinhas semi-preciosas. Para nós está reservada a pedra mais preciosa. O Reino de Deus. Em tuas parábolas de hoje, aprendemos que para possuir este dom precioso do tesouro ou da pérola, nos entregamos com tudo o que temos e somos. Obrigado, Senhor, por nos revelares o Reino, por nos avisares que o Reino já está entre nós. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu caderno espiritual, responda a esta pergunta: Você já encontrou a pérola preciosa de que fala o evangelho?
A gente se vê no facebook, às dez da noite.

Pe. João Carlos Ribeiro – 23.08.2019

21 junho 2019

ONDE VOCÊ PÕE SUA CONFIANÇA

Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mt 6, 21)
21 de junho de 2019.
Depois de ter ensinado o Pai Nosso, como um modelo de oração, Jesus deu outro ensinamento importante, desenvolvendo um tema já presente no Pai Nosso. Toda atenção para não se enganar com a riqueza.
Ajuntar tesouros é uma tentação permanente. No ‘Pai Nosso’, Jesus nos ensinou a pedir ao Pai “o pão nosso de cada dia”, o necessário para a nossa sobrevivência, não riqueza, fortuna. Nossa confiança está em Deus, não no dinheiro. É o Senhor quem nos sustenta, quem nos guarda. Como disse Jesus, é só olhar como ele alimenta os pardais e veste belamente as flores do mato. Com maior empenho, ele cuida dos seus filhos e de suas filhas, de sua comida, de sua roupa, de suas contas. Nossa confiança não pode estar no dinheiro, na segurança econômica. Nossa confiança só pode estar em Deus, em nosso Pai providente.
Jesus sentenciou: “Mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. Não é ter muita coisa, muito dinheiro, muitos bens que resolve. A felicidade não está em ter bens. Precisamos, é certo, ter o suficiente para viver com dignidade. Mas, o acúmulo de coisas, de dinheiro, de valores pode nos dar a falsa impressão de segurança, de independência, de autonomia, de felicidade. De falsa felicidade. O coração humano não se contenta com coisas. Pode-se até ter a impressão que ao se ter a posse daquele bem, ou chegar àquele status, vai-se encontrar um grau de satisfação que vai ser a própria felicidade. Não é verdade. A felicidade não está em ter coisas, Jesus está nos lembrando.
Toda atenção: “Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração”. Se nos deixamos seduzir pelas coisas, pelo dinheiro, pela riqueza... nosso coração fica preso a esses bens. É a eles que amamos, é por eles que nos sacrificamos. Assim, desviamos o amor que devemos a Deus e ao próximo para o amor às coisas. E nos tornamos idólatras. No lugar do Deus vivo e verdadeiro, em quem devemos confiar, coloca-se a reserva que se tem no banco ou os imóveis que parecem conferir segurança. Logo, logo aparecem justificativas para o seu próprio egoísmo, para o isolamento e a insensibilidade para com a penúria do próximo.
Guardando a mensagem
A nossa escolha de vida é o trabalho honesto, no qual, com a providência de Deus, garantimos a sobrevivência de nossa casa, vivendo com sobriedade e essencialidade. Nosso ideal não é a riqueza e o luxo. Amamos o trabalho e valorizamos a partilha. Confiamos em Deus.
Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mt 6, 21)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A traça, a ferrugem e os ladrões destroem o tesouro que juntamos aqui na terra. O tesouro de boas obras, do amor a Deus, da nossa comunhão contigo, esse sim, ninguém destrói. Esse permanece. Continua, Senhor, nos ensinando a não servirmos às riquezas, nem nos sacrificarmos a elas, como novos ídolos. Baste-nos o pão de cada dia, com confiança na providência divina e compromisso com o trabalho honesto. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a Palavra
Que tal, hoje, oferecer uma ajuda mais substancial a alguém que lhe pede ou mesmo a alguém que precisa, mas não lhe estendeu ainda a mão?

Pe. João Carlos Ribeiro – 21 de junho de 2019.

03 março 2019

O CEGO NO DOMINGO DE CARNAVAL


O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração (Lc 6, 45)

03 de março de 2019

Com certeza, você guarda na memória ditados, provérbios, ditos populares que seus avós ou seus pais diziam. Por exemplo, esse: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Os provérbios ou ditos populares são fruto da experiência de vida das pessoas e expressam a sabedoria do povo diante da vida. Esse você já escutou: “A pressa é inimiga da perfeição”. Em geral, os provérbios têm rima, assim são mais facilmente lembrados, como esse: “Deus ajuda quem cedo madruga”. Os provérbios são passados oralmente de uma geração a outra. Olha o ditado de sua avó: “Escreveu, não leu; o pau comeu”. Esse era do meu pai: “O seguro morreu de velho”.

Bom, por que eu estou falando hoje de ditados populares? Porque neste 8º domingo do tempo comum, Jesus está instruindo os seus discípulos na base de provérbios, de ditos populares. Aliás, alguns livros do Antigo Testamento estão construídos exatamente valorizando este modo popular de comunicar e educar com conselhos, provérbios, ditos de sabedoria. Esses livros bíblicos nasceram para a instrução dos mais novos e do povo, no caminho de Deus. Assim, por exemplo, o livro do Eclesiastes, o livro do Eclesiástico, o livro dos Provérbios. Lemos hoje no Livro do Eclesiástico: “Quando a gente sacode a peneira, aparecem os refugos”. É a experiência do agricultor separando os grãos da palha. E “Como o forno prova os vasos do oleiro, assim o homem é provado em sua conversa”. É a experiência na olaria. Barro ruim ou com defeitos, no forno, racha, não tem jeito. Na conversa, as ruindades terminam se revelando.

No evangelho, Jesus começou falando do cego. “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco?”. Depois falou do cisco do olho do irmão. Quem está com sua vista tapada por uma trave (olha o exagero dessa comparação!), não pode ajudar o irmão a tirar o cisco do seu olho. E mais: “A árvore é reconhecida pelos seus frutos”. E: “A boca fala do que o coração está cheio”. Jesus ensinando, instruindo os discípulos, valendo-se de ditos populares, comparações engraçadas, provérbios de sabedoria.

O que Jesus está nos ensinando hoje? Uma coisa muito importante, com certeza, é a valorização dos recursos educativos da cultura popular. Em vez de se refugiar numa palavreado complicado de uma elite religiosa, como talvez fosse o caso dos mestres da Lei, Jesus lança mão da riqueza da sabedoria popular, expressa com tantas imagens, ditos, provérbios. Tomar consciência disso no domingo de carnaval pode aguçar nossa sensibilidade em relação a essa grandiosa festa popular. Claro, uma festa cheia de defeitos e problemas, como o crescimento da violência, o consumo exagerado de bebida alcóolica, o desregramento sexual. Mas, o carnaval é muito mais do que isso, não é verdade? E não tem esses defeitos em todo canto. E, afinal, alegria é coisa de Deus. De toda forma, é uma manifestação cultural surpreendente. E Jesus, com certeza, estaria atento para ver o que tem de bom no carnaval para ajudar os seus discípulos a estarem em condição de ajudar seus irmãos a tirar o cisco do olho.

Guardando a mensagem

Na instrução dos seus discípulos, Jesus vale-se também de ditos da sabedoria popular. Esse jeito de Jesus educar na fé os seus seguidores é um caminho importante também para nós hoje. Assim, nos damos conta que na experiência de vida das pessoas, já estão sementes do próprio evangelho, semeadas pelo Santo Espírito de Deus. Muitos ditos da sabedoria do povo instruem as pessoas a se conduzirem no caminho do bem, da verdade, da justiça. Com esses recursos da sabedoria popular, Jesus nos instrui, hoje, para estarmos em condição de ajudar os outros a viverem bem, segundo o propósito de Deus. Para isso, precisamos, por primeiro, nos corrigir de nossos defeitos, de nossos pecados. Só nos livrando da trave que cobre nossos olhos é que poderemos ajudar os outros a corrigir-se dos seus defeitos (talvez um cisco em comparação com a  trave dos nossos olhos). Só vendo bem, podemos conduzir quem não está enxergando.

O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração (Lc 6, 45)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Falaste do homem bom que tira coisas boas de seu tesouro, de seu baú de antiguidades. Assim, nos ensinas a valorizar as coisas sábias que estão no baú de nossa cultura popular. Este é um ensinamento precioso, Senhor, para vencermos qualquer tentação de desconsiderarmos os conselhos e ensinamentos dos nossos pais e avós e a riqueza da cultura da qual somos filhos. O que esperas de nós é que estejamos em condições, como teus discípulos, de ajudar as pessoas a enxergar melhor (a história do cisco), a caminhar mais seguros (a história do cego), a produzirmos frutos bons com a nossa vida (a história da árvore). Obrigado, Senhor. Seja  bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vamos viver a palavra

Veja se você recorda algum ditado popular que seus avós ou seus pais repetiam. Guarde esses ensinamentos no coração. Eles são expressão da sabedoria dos filhos de Deus, fruto de sua experiência e da assistência do Santo Espírito.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.03.2019

23 agosto 2018

A PÉROLA QUE GANHOU O COMERCIANTE


Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo (Mt 13, 44).
23 de agosto de 2018.
Duas parábolas parecidas, a do tesouro escondido e a da pérola preciosa. Comparações que Jesus fez sobre o Reino de Deus. O Reino dos Céus é um como um tesouro escondido no campo que o homem encontra. O Reino é um dom de Deus, um tesouro que está escondido em nossa vida, em nossa história. Nós só o encontramos, mas ele já estava lá. Nós nos deparamos com ele, nos surpreendemos com a sua existência. Não o produzimos. Ele é um tesouro que nós não amealhamos. Mas, ele está ali para nós, um grande dom em nossa vida. Assim é o Reino de Deus.
O Reino dos Céus é como um comprador que procura pérolas preciosas e encontra uma de grande valor. O homem procura pérolas preciosas. Em sua busca, encontra algo maravilhoso, a pérola dos seus sonhos. O Reino não deixa de ser dom, uma pedra preciosa de imenso valor que não é obra de nossas mãos. Mas, há uma detalhe nessa parábola. O homem a buscava... ela é a resposta aos seus sonhos, à sua busca. O Reino de Deus é uma resposta aos profundos anseios de nosso coração: o amor, a paz, a unidade, a comunhão, a fraternidade, a justiça... Assim é o Reino de Deus.  
As duas parábolas também nos dizem como teremos parte no Reino de Deus. O agricultor que encontrou o tesouro escondido no campo vendeu tudo quanto possuía e comprou o campo. O comerciante também vendeu tudo o que tinha  e comprou aquela pérola. Como podemos entender isso? O tesouro vale mais do que todos os bens que o agricultor possui. Será o grande bem de sua vida. A pérola preciosa vale mais do que todos os bens que o comerciante tem. Será o seu maior bem. Quando se encontra o Reino de Deus, que é o maior bem que a gente pode ter, a gente renuncia a qualquer outro valor para colocá-lo em primeiro lugar. Como disse Jesus: “Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais lhes será dado em acréscimo”. E Paulo apóstolo: “Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo” (Filipenses 3,7).

É claro, nós não compramos o Reino de Deus. Não é isto que a parábola está dizendo. Nós damos ao Reino de Deus o lugar mais importante, colocando o resto em segundo plano. Como disse Paulo: “por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo”. Na verdade, ao vender tudo para comprar o campo, é o tesouro que agora me tem. Ao vender tudo para comprar a pérola, é a pérola que agora me possui. Paulo não desprezou tudo para ser dono de Jesus. Pelo contrário, para ser completamente de Jesus é que renunciou a tudo.
Guardando a mensagem
Na parábola do tesouro, entendemos que o Reino de Deus é, em primeiro lugar, um dom de Deus em nossas vidas. Um dom, um tesouro encontrado pelo agricultor. Na parábola da pérola, entendemos que o Reino de Deus é uma resposta de Deus aos nossos anseios, aos nossos sonhos. É a resposta à busca do comerciante. Mas, não basta encontrar o Reino de Deus. Precisamos redimensionar tudo em nossa própria vida para que ele esteja em primeiro lugar. Para que nós pertençamos a ele.
Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo (Mt 13, 44).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós já encontramos o Reino de Deus ou ele nos encontrou. O Reino é a tua presença entre nós, nos comunicando o amor do Pai. Nós te descobrimos, como o agricultor cavando a terra. Nós te encontramos, como o comerciante procurando a pérola mais valiosa. Falta-nos ainda nos empenhar por completo, para colocar-te, para colocar o Reino de Deus como valor supremo de nossas vidas, não para te possuirmos, mas para pertencermos a ti. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
No seu diário espiritual (o seu caderno de anotações), escreva uma oração a Jesus, falando da pérola preciosa que você encontrou.

Pe. João Carlos Ribeiro – 01.08.2017

01 agosto 2018

O SEU TESOURO


O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo (Mt 13, 44)
01 de agosto de 2018.
Antigamente, contavam-se muitas histórias de botija: ouro, joias, dinheiro escondidos debaixo da terra. Isso era muito comum no tempo da Colônia e do Império no Brasil, quando não havia Banco ou não se tinha acesso a ele. Era uma forma de guardar a própria riqueza: escondia-se o tesouro em lugar que ninguém encontrasse. Meu pai mesmo era doido para achar uma botija. Sonhava com indicações de onde se encontrariam potes ou baús cheios de moedas de ouro. E as histórias eram muitas... A gente ficava na maior torcida... Mas, coitado, nunca achou nada.
Jesus contou a história da botija para compará-la com o Reino de Deus, um tesouro escondido que é preciso resgatar em seu favor. O Reino é um tesouro, mas precisa ser descoberto. E aquele homem da história de Jesus encontrou uma botija, um tesouro escondido no campo. São quatro as suas atitudes: encontra o tesouro, o mantém escondido, vende todos os seus bens e compra aquele campo. Assim, fica dono da botija.
Encontra o tesouro. Ao cavar a terra, trabalhando, dá com o tesouro. Descobre que uma riqueza o aguarda, um dom inteiramente gratuito e imensamente valioso. É preciso descobrir o Reino de Deus, encantar-se por ele, acolhê-lo como dom de Deus para a felicidade e a salvação. É preciso descobrir o tesouro. Ele está bem ali, onde você vive e trabalha. É só cavar... Muita gente não descobriu ainda esse tesouro. Passa pra lá, passa pra cá... e não se dá conta que tem um tesouro esperando para ser descoberto, bem debaixo do seu nariz.
Depois de encontrar o tesouro, o homem o mantém escondido. E o Reino de Deus não é para ser divulgado? Sim, mas antes precisa ser possuído. Um tesouro sem dono atrai muitas pessoas mal intencionadas. Quando alguém descobre a fé, precisa fortalecê-la, aprofundá-la, confirmá-la. Só então pode expô-la ao debate, às dúvidas, ao questionamento. Na sua fragilidade, é preciso protegê-la. A vocação, que é um tesouro, no começo precisa ser protegida... nem todo mundo entende, nem todo mundo dá força. A família também é um tesouro. Enquanto não possuir o tesouro, fique quieto. Esconda o seu tesouro.
Encontra o tesouro, esconde-o e vai vender todos os seus bens – para quê? Para adquirir o campo e ficar com o tesouro. Para possuir esse tesouro é preciso renunciar a muita coisa, investir tudo o que tem, entregar-se a si mesmo. Ao jovem rico, Jesus recomendou que vendesse tudo e desse o dinheiro aos pobres. Como ele poderia ter o tesouro do Reino, com tantos bens disputando sua atenção? Vender tudo é empenhar-se radicalmente, é dirigir todo o seu ser para Deus, é entregar-se com tudo que é, que tem e que ama.
E finalmente o agricultor compra o campo, para ficar com o tesouro. O Reino é um tesouro, é o dom de Deus. Para possui-lo é preciso entregar-se a si mesmo. Talvez seja por isso que tanta gente não abraça pra valer o Reino de Deus. Fica só olhando para o tesouro. Para possui-lo é precisa entregar-se a si mesmo. Dá para entender a palavra de Jesus: ‘Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo’.
Vamos guardar a mensagem
Jesus comparou o Reino de Deus com a história do trabalhador que encontrou um tesouro. Foram quatro as suas ações: encontrou o tesouro, o manteve escondido, vendeu todos os seus bens e comprou aquele campo. Assim, ficou dono do tesouro. Jesus tinha explicado: “O Reino de Deus já está no meio de vocês”. Ele está em nossa vida, como quê escondido, é preciso cavar mais fundo... navegar em águas mais profundas, como Jesus disse certa vez. E, claro, quando alguém encontra um grande amor, não o compra. Entrega-se a ele. Foi o que o agricultor fez. É o que temos que fazer.
O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo (Mt 13, 44)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Obrigado, Senhor, pelo tesouro que preparaste para nós, o teu Reino. Ele é um dom em nossa vida e em nossa história. Ele é um tesouro escondido no chão de nossa vida. Vivendo na superficialidade, não o encontramos. Só cavando mais profundamente, podemos encontra-lo. Mas, não o possuímos se não nos entregamos com tudo o que temos e somos. Senhor, rezamos contigo ao Pai: “Venha a nós o vosso Reino”. Amém.
Vamos viver a palavra
A intenção de oração deste mês de agosto é pelas famílias. O Papa Francisco chamou-a de tesouro, um tesouro da humanidade. Então, hoje, reze por sua família, o seu tesouro.

Pe. João Carlos Ribeiro – 01.08.2018.

22 junho 2018

TRABALHO, SIM - GANÂNCIA, NÃO


Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mt 6, 21)
22 de junho de 2108.
Depois de ter ensinado o Pai Nosso, como um modelo de oração, Jesus deu outro ensinamento importante, desenvolvendo um tema já presente no Pai Nosso. Toda atenção para não se enganar com a riqueza.
Ajuntar tesouros é uma tentação permanente. No ‘Pai Nosso’, Jesus nos ensinou a pedir ao Pai “o pão nosso de cada dia”, o necessário para a nossa sobrevivência, não riqueza, fortuna. Nossa confiança está em Deus, não no dinheiro. É o Senhor quem nos sustenta, quem nos guarda. Como disse Jesus, é só olhar como ele alimenta os pardais e veste belamente as flores do mato. Com maior empenho, ele cuida dos seus filhos e de suas filhas, de sua comida, de sua roupa, de suas contas. Nossa confiança não pode estar no dinheiro, na segurança econômica. Nossa confiança só pode estar em Deus, em nosso Pai providente.
Jesus sentenciou: “Mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. Não é ter muita coisa, muito dinheiro, muitos bens que resolve. A felicidade não está em ter bens. Precisamos, é certo, ter o suficiente para viver com dignidade. Mas, o acúmulo de coisas, de dinheiro, de valores pode nos dar a falsa impressão de segurança, de independência, de autonomia, de felicidade. De falsa felicidade. O coração humano não se contenta com coisas. Pode-se até ter a impressão que ao se ter a posse daquele bem, ou chegar àquele status, vai-se encontrar um grau de satisfação que vai ser a própria felicidade. Não é verdade. A felicidade não está em ter coisas, Jesus está nos lembrando.
Toda atenção: “Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração”. Se nos deixamos seduzir pelas coisas, pelo dinheiro, pela riqueza... nosso coração fica preso a esses bens. É a eles que amamos, é por eles que nos sacrificamos. Assim, desviamos o amor que devemos a Deus e ao próximo para o amor às coisas. E nos tornamos idólatras. No lugar do Deus vivo e verdadeiro, em quem devemos confiar, coloca-se a reserva que se tem no banco ou os imóveis que parecem conferir segurança. Logo, logo aparecem justificativas para o seu próprio egoísmo, para o isolamento e a insensibilidade para com a penúria do próximo.
Vamos guardar a mensagem
A nossa escolha de vida é o trabalho honesto, no qual, com a providência de Deus, garantimos a sobrevivência de nossa casa, vivendo com sobriedade e essencialidade. Nosso ideal não é a riqueza e o luxo. Amamos o trabalho e valorizamos a partilha. Confiamos em Deus.
Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração (Mt 6, 21)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,    
A traça, a ferrugem e os ladrões destroem o tesouro que juntamos aqui na terra. O tesouro de boas obras, do amor a Deus, da nossa comunhão contigo, esse sim, ninguém destrói. Esse permanece. Continua, Senhor, nos ensinando a não servirmos às riquezas, nem nos sacrificarmos a elas, como novos ídolos. Baste-nos o pão de cada dia, com confiança na providência divina e compromisso com o trabalho honesto. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
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Pe. João Carlos Ribeiro – 22.06.2018