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20210705

ERA UM VEZ UM MUDO



06 de julho de 2021,
Dia de Santa Maria Goretti

EVANGELHO


Mt 9,32-38

Naquele tempo, 32apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. 33Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu coisa igual em Israel”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
35Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo o tipo de doença e enfermidade. 36Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”

MEDITAÇÃO


Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)

Você é um cidadão. Você é uma cidadã. Coisa muito boa, parabéns. Mas, é um cidadão que participa ou que apenas assiste o que está acontecendo? Olha que aqui vai uma grande diferença, não é verdade? Há cidadãos que acompanham o movimento da sociedade, formam sua opinião, discutem, dão palpite... de alguma forma, participam. E há cidadãos que estão por fora, estão à margem, não se sentem em condições de dar sua opinião. Estão mudos, silenciosos. Não participam. Você conhece pessoas assim?

Por que será que há pessoas assim, mudas, num país democrático e numa Igreja de comunidades? Talvez o país não seja tão democrático assim. E a Igreja não esteja assim tão comunitária. O fato é este e é grave: há pessoas deixadas à margem, sem efetiva participação, que não têm opinião para dar ou que apenas repetem a visão dos grupos econômicos detentores dos grandes veículos de comunicação.

Esse problema, com certeza, havia no tempo de Jesus. Gente calada, silenciada por uma educação autoritária ou por uma situação política repressora. Gente acostumada a viver à margem, desconsiderada, só contada para os impostos, mas sem nenhuma participação e envolvimento na vida do país. No evangelho de hoje, está dito que Jesus, vendo o seu povo, compadeceu-se dele, vendo, naquela gente cansada e abatida, ovelhas sem pastor. E por onde ele andasse – povoados, cidades, sinagogas – ensinava, pregava o evangelho do Reino e curava todo tipo de doença e enfermidade. As curas eram uma forma de concretização do efeito da pregação. A Palavra de Deus resgata a dignidade da pessoa, acorda a sua condição de filho de Deus, devolve sua condição de protagonista de sua própria história. Boa parte das doenças se alimenta do abatimento das pessoas, de sua permanente humilhação, de sua falta de horizonte. Jesus, com a força divina, anunciava o amor de Deus, libertando, curando, expulsando o mal da vida das pessoas.

E é aí que entra a história do homem mudo que apresentaram a Jesus. Como eles entendiam, estava mudo porque estava possuído por um demônio. Justo. Povo calado, silencioso, sem opinião sobre nada de importante só pode mesmo estar possuído por uma força maligna que o impede de se sentir e de se expressar como filho de Deus, como cidadão participante e informado, capaz de dizer sua palavra sobre o mundo. Quando o demônio foi expulso, ele começou a falar.

É isso que ocorre com a pregação do Evangelho, o amor de Deus comunicado pela presença de Jesus... os que estão à margem são chamados para o centro; aos que não estão enxergando, os cegos, é dada a luz da fé; os que estão possuídos pelo mal, pela doença, experimentam o poder libertador de Deus. O mudo começa a falar... o cidadão passivo começa a participar.

Guardando a mensagem

Apresentaram um mudo a Jesus. Quase sempre a doença era explicada pela dominação de um mau espírito. Jesus expulsou o demônio e o mudo começou a falar. Em nossa sociedade, há um grande número de cidadãos mudos, silenciosos, à margem dos processos sociais. A verdadeira evangelização liberta essas pessoas de sua mudez, fazendo delas cidadãos participantes na sociedade e na Igreja.

Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar (Mt 9, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Ficamos felizes quando percebemos que a pregação da Palavra de Deus está gerando cristãos conscientes, responsáveis e participativos na vida da Igreja.  Ficamos felizes quando percebemos que cidadãos antes passivos, desconsiderados, começam a ter sua opinião, a se sentir envolvidos e participantes nos processos. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Sendo hoje o dia de Santa Maria Goretti, a menina de 12 anos que sofreu um assédio sexual e foi morta pelo agressor por reagir bravamente, nós te pedimos, Senhor, em favor de todas as vítimas de assédio e por todos os adolescentes, eles e elas, para que sejamos capazes de ajudá-los a viver santamente a sua sexualidade. Que os que foram emudecidos pelo abuso ou pelo assédio sexual, não se calem, denunciem, libertem-se. É assim que tu continuas curando os mudos, libertando-os das correntes da dominação do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Talvez hoje se apresente uma situação em que você precise emitir sua opinião. Faça um esforço para participar. Participando, a gente contribui, esclarece, aprende, forma opinião. A evangelização cura as pessoas de sua mudez.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20210704

A MENINA, A MULHER E A COMUNIDADE





05 de julho de 2021

EVANGELHO


Mt 9,18-26

18Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”.
19Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos. 20Nisto, uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos veio por trás dele e tocou a barra do seu manto. 21Ela pensava consigo: “Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada”. 22Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. E a mulher ficou curada a partir daquele instante.
23Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão alvoroçada, 24e disse: “Retirai-vos, porque a menina não morreu, mas está dormindo”. E começaram a caçoar dele. 25Quando a multidão foi afastada, Jesus entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26Essa notícia espalhou-se por toda aquela região.


MEDITAÇÃO


Coragem, filha! A tua fé te salvou! (Mt 9, 22)

O Chefe da Sinagoga chegou informando que sua filha acabara de morrer. E implorou que Jesus fosse à sua casa, trazer a menina de volta à vida. Jesus já seguia pra lá quando uma mulher que sofria de fluxo de sangue tocou na barra do seu manto e ficou curada. Na casa da menina falecida, Jesus dispensou o povo e os músicos que estavam no velório. E levantou a menina pela mão e ela voltou a viver.

São duas histórias entrelaçadas, a da filha do chefe da Sinagoga e a da mulher que sofria de hemorragia. Nos evangelhos de Marcos e Lucas, essa história tem mais detalhes. Fica-se sabendo, por exemplo, o nome do chefe da Sinagoga, Jairo e a idade da menina, 12 anos. As duas histórias estão juntas por alguma razão. As duas mulheres têm um impedimento grave para gerar a vida, para ter filhos. Na menina, aos 12 anos, idade da primeira menstruação, o organismo estaria se preparando para a futura maternidade. Morrendo, morrem as possibilidades de futuro, corta-se pela raiz a possibilidade de ser mãe. No tempo de Jesus, as mulheres se casavam muito cedo. E a mulher, sofrendo de perda de sangue há 12 anos, também não podia ser mãe, possivelmente por ter a sua menstruação desordenada. Afinal, as duas não podiam gerar vida, ser mãe.

E não poder ser mãe era realmente um problema? Ainda é um problema muito grande. Muitos casais hoje vivem em grande sofrimento, porque a esposa não consegue engravidar, não é verdade? Nem sempre a causa está na mulher. No tempo de Jesus, a coisa era ainda mais grave. A mulher não sendo mãe era completamente desconsiderada. A viúva sem filhos não tinha nem direito aos bens deixados pelo marido. E família sem filhos, como a de Abraão, não tinha futuro. Para nos darmos conta do drama, basta nos lembrar das mulheres estéreis da Bíblia, como Sara (a esposa de Abraão) no Antigo Testamento e de Izabel (a esposa de Zacarias) no Novo Testamento. As duas viviam tristes por não poderem dar filhos aos seus maridos, por não garantirem o futuro de suas famílias. Deus interveio na vida dessas duas mulheres estéreis, garantindo–lhes a fertilidade.

Então, eram duas mulheres: a menina de 12 anos e a mulher que perdia sangue há 12 anos. Elas estão impedidas de gerar filhos, descendentes. Por elas, não vai passar o futuro. Será que essas duas mulheres poderiam estar representando o povo de Deus? Bom, o número 12 é o número do povo de Deus, o povo das 12 tribos. Jesus escolheu 12 apóstolos, em seu trabalho de restauração do povo eleito. E a mulher muitas vezes aparece como representante da comunidade. É só pensar na mulher vestida de sol, coroada de 12 estrelas, em dores de parto, na visão que teve o apóstolo João. Então, essas duas histórias entrelaçadas podem estar representando a condição em que se encontrava o povo de Deus, a comunidade de Israel. Uma comunidade estéril, sem frutos como a figueira sem figos; sem filhos, como a história das duas mulheres Sara e Isabel.

Aí é que entra Jesus. Ele, o redentor, veio exatamente para isso: para restaurar o povo de Deus como comunidade fértil, capaz de gerar filhos para Deus. Por sua paixão, morte e ressurreição, comunicou vida nova à sua comunidade, o povo dos 12 apóstolos. Na primeira pregação de Pedro, anunciando Jesus morto e ressuscitado, no Pentecostes, foram gerados filhos sem conta para Deus... mais de três mil convertidos e batizados. Um útero fértil, o do povo de Deus restaurado.

Guardando a mensagem

A menina morreu na idade em que o seu corpo começava a se preparar para a maternidade. A mulher estava perdendo sangue, perdendo vida, sem condições de gerar filhos. A menina e a mulher representam bem o povo de Israel em sua condição de esterilidade e incapacidade de gerar descendência e futuro. Foi por meio de Jesus, que as duas mulheres reencontraram a vida. Pelo ministério de Jesus, particularmente por sua morte e ressurreição, o povo de Deus foi restaurado, ganhando a capacidade de gerar filhos, assegurar descendência e futuro como família de Deus.

Coragem, filha! A tua fé te salvou! (Mt 9, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na história da mulher do fluxo de sangue que tocou a barra de teu manto, tu lhe disseste “Coragem, minha filha, tua fé te salvou”. A fé é a primeira condição para acolhermos a vida nova que tu nos trazes. A fé é a condição para o batismo. Na fé, renascemos nas águas batismais, como novas criaturas. Dá-nos, Senhor, a graça de viver na fé, como filhos e filhas de Deus, renascidos pela água e pelo Espírito Santo. Senhor, há famílias e comunidades, hoje, que estão na condição das duas mulheres do evangelho. Não estão conseguindo gerar filhos na fé da Igreja, estão com dificuldade para evangelizar seus filhos. Dá, Senhor, que toda a Igreja continue sendo fértil em comunicar a fé e a vida de Deus às nossas gerações. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um momento de oração: pelas mulheres casadas que não estão conseguindo engravidar, para que o Senhor as abençoe com a maternidade; pelas Congregações Religiosas, para que sejam férteis na geração de novos filhos e filhas consagrados ao Senhor; por toda a Igreja que é nossa mãe, para que ela continue gerando muitos filhos para Deus pela pregação do evangelho e pelo batismo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20210626

O AMOR QUE VENCE A MORTE


27 de junho de 2021

EVANGELHO


Mc 5,21-43

Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!” 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia.
25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença.
30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?”
31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’”
32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade.
34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”. 35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João.
38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” – que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina.

MEDITAÇAO I


O AMOR QUE VENCE A MORTE


Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença! (Mc 5, 34)

No tempo de Jesus, havia um clima muito sofrido no meio do seu povo: medo, baixa estima, doença, um clima sombrio de morte. Medo da repressão dos romanos, baixa estima em relação à prática religiosa por causa das cobranças dos fariseus, doenças sem cura. Um clima de morte.

No evangelho de hoje, vê-se claramente esse clima de morte. A menina de 12 anos estava nas últimas. A mulher há 12 anos sofria de uma hemorragia. Para a cultura daquela gente, sangue era vida. Perder sangue era estar morrendo. A mulher gastou tudo quanto possuía com os médicos e piorava a cada dia. Na casa da menina, a multidão estava gritando e chorando, lamentando a morte da garota. O clima é de morte.

Pense um pouco. Veja como a menina e a mulher, na condição de estarem caminhando para a morte, para além dos seus dramas pessoais, representam a própria comunidade que está mergulhada num clima de morte. Percebe? É como se toda a comunidade estivesse representada nelas. Não é à toa que as duas estão ligadas pelo número doze, o número do povo de Deus, o povo das doze tribos. A menina tem doze anos. A mulher está doente há doze anos.

No meio dessa situação, encontramos Jesus. Jesus é a resposta de Deus ao seu povo que vive um clima de morte. No livro da Sabedoria (a primeira leitura) está dito: ‘Deus não fez a morte. Deus fez todas as suas criaturas saudáveis. Deus criou o homem para a imortalidade, não para a morte. A morte é coisa do inimigo invejoso e de quem pertence a ele’.

No evangelho, as pessoas vencem a morte unindo-se a Jesus, pela fé. Deus é a fonte da vida. Jesus é Deus que veio nos comunicar a vida plena que vence a morte. A fé é o modo como nos abrimos para o amor de Deus. Disseram a Jairo: ‘Não incomode mais Jesus, sua filha morreu”. Jesus disse a Jairo: “Não tenha medo. Basta ter fé”. Jairo tinha mostrado sua fé em Jesus caindo aos seus pés, pedindo sua ajuda. A mulher também tinha mostrado sua fé em Jesus tocando-lhe a barra de sua veste, numa atitude de quem se prostra a seus pés. A ela Jesus disse: “Minha filha, a tua fé te curou”.

No evangelho, dá pra ver como Jesus revelou o amor de Deus que nos comunica vida, vencendo a morte. O texto diz logo que Jesus chegou de barco da outra margem. Jesus está no meio do seu povo. É quase um comentário ao mistério de sua encarnação. Jesus se aproximou de nós. E ele atende o pedido de Jairo, dirigindo-se à sua casa. Mostra o amor de Deus que se preocupa conosco, que presta atenção às nossas dores. No caminho, parou querendo saber quem o tinha tocado de uma maneira tão especial. Ouviu o relato da mulher e a confortou. Um Deus que comunica vida. Na casa de Jairo, tomou a menina pelo braço e a levantou, pedindo que lhe dessem de comer. E não quis que saíssem espelhando o acontecido. Jesus está revelando e comunicando o amor de Deus que vence a nossa morte.

Estamos vivendo hoje num clima de morte, por causa dessa pandemia que se arrasta por quase um ano e meio. E ninguém sabe quando termina. Só sabemos que todo dia tem gente que adoece, enchendo os hospitais. E que tem morrido muita gente, em número tão elevado que assusta. A pandemia afetou a economia e aumentou o desemprego, a fome e desigualdade social. Vivemos um clima sombrio de morte.

É nestas condições que, neste domingo, nos encontramos com o Senhor ressuscitado.
Ele nos comunica a vida de Deus que vence a nossa morte. Com ele, nós sua Igreja, aprendemos a estar presentes nessa realidade, aproximando-nos de quem está enlutado, desempregado, faminto, desorientado. Com Jesus, aprendemos a ser solidários, a partilhar, a confortar, a socorrer. Somos testemunhas do Deus que toma a defesa dos humilhados. Somos, como Jesus e com ele, portadores do amor que restaura e liberta, amor que comunica luz e esperança.

Guardando a Mensagem

O povo de Jesus vivia num clima de sofrimento e morte. No evangelho de hoje, vemos duas mulheres sendo restauradas. Elas representam toda a comunidade do povo de Deus. Em suas histórias está todo o drama e sofrimento do seu povo: a humilhação, a exclusão, a doença, a morte. Na ação de Jesus, vemos o amor de Deus que vem ao nosso encontro, comunicando-nos a vida que vence a morte. Nossa condição humana e pecadora, particularmente nos dias atuais, está também marcada por um clima de morte. Com Jesus, aprendemos a nos comprometer com a vida e a saúde dos irmãos, a mantermos acesa a chama da fé, da fraternidade, da esperança.

Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença! (Mc 5, 34)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tu nos salvaste com teu amor, carregando-te de nossas dores, tomando nosso lugar na morte. Tu, Senhor, deste tua vida para nos resgatar do pecado, do domínio do mal, da morte. Contigo, aprendemos a não ser indiferentes à dor dos irmãos, a sermos solidários em suas situações de luto e sofrimento, a sermos comunicadores do amor de Deus que, na vida de quem crê, é perdão, paz, esperança. Senhor, neste difícil momento de nossa história, que nós, tua Igreja, fiquemos firmes na defesa dos humildes, na promoção da vida, no cuidado com a casa comum. Sejamos testemunhas do teu amor que vence a morte. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Recomendo que você leia o evangelho de hoje em sua Bíblia, mesmo que já vá ouvi-lo na Santa Missa. Lembrando: Marcos cap 5, versículos 21-43. Seria importante também você ler esta Meditação, não apenas ouvi-la. Lendo, a gente compreende melhor a mensagem. Vou deixar por escrito também uma segunda reflexão sobre o evangelho de hoje, que escrevi em outra ocasião. Para ler o texto, você sabe, é só clicar no link que estou lhe enviando. Talvez você queira ouvir minha música QUEM ME TOCOU por inteiro. Então, estou lhe enviando o áudio completo, em separado.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


MEDITAÇÃO II


QUEM ME TOCOU?


Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” (Mc 5, 31)

O Chefe da Sinagoga chegou informando que sua filha acabara de morrer. E implorou que Jesus fosse à sua casa, trazer a menina de volta à vida. Jesus já seguia pra lá quando uma mulher que sofria de fluxo de sangue tocou na barra do seu manto e ficou curada. Na casa da menina falecida, Jesus dispensou o povo e os músicos que estavam no velório. E levantou a menina pela mão e ela voltou a viver.

São duas histórias entrelaçadas, a da filha do chefe da Sinagoga e a da mulher que sofria de hemorragia. Nos evangelhos de Marcos e Lucas, essa história tem mais detalhes. Fica-se sabendo, por exemplo, o nome do chefe da Sinagoga, Jairo e a idade da menina, 12 anos. As duas histórias estão juntas por alguma razão. As duas mulheres têm um impedimento grave para gerar a vida, para ter filhos. Na menina, aos 12 anos, idade da primeira menstruação, o organismo estaria se preparando para a futura maternidade. Morrendo, morrem as possibilidades de futuro, corta-se pela raiz a possibilidade de ser mãe. No tempo de Jesus, as mulheres se casavam muito cedo. E a mulher, sofrendo de perda de sangue há 12 anos, também não podia ser mãe, possivelmente por ter a sua menstruação desordenada. Afinal, as duas não podiam gerar vida, ser mãe.

E não poder ser mãe era realmente um problema? Ainda é um problema muito grande. Muitos casais hoje vivem em grande sofrimento, porque a esposa não consegue engravidar, não é verdade? Nem sempre a causa está na mulher. No tempo de Jesus, a coisa era ainda mais grave. A mulher não sendo mãe era completamente desconsiderada. A viúva sem filhos não tinha nem direito aos bens deixados pelo marido. E família sem filhos, como a de Abraão, não tinha futuro. Para nos darmos conta do drama, basta nos lembrar das mulheres estéreis da Bíblia, como Sara (a esposa de Abraão) no Antigo Testamento e de Izabel (a esposa de Zacarias) no Novo Testamento. As duas viviam tristes por não poderem dar filhos aos seus maridos, por não garantirem o futuro de suas famílias. Deus interveio na vida dessas duas mulheres estéreis, garantindo–lhes a fertilidade.

Então, eram duas mulheres: a menina de 12 anos e a mulher que perdia sangue há 12 anos. Elas estão impedidas de gerar filhos, descendentes. Por elas, não vai passar o futuro. Será que essas duas mulheres poderiam estar representando o povo de Deus? Bom, o número 12 é o número do povo de Deus, o povo das 12 tribos. Jesus escolheu 12 apóstolos, em seu trabalho de restauração do povo eleito. E a mulher muitas vezes aparece como representante da comunidade. É só pensar na mulher vestida de sol, coroada de 12 estrelas, em dores de parto, na visão que teve o apóstolo João. Então, essas duas histórias entrelaçadas podem estar representando a condição em que se encontrava o povo de Deus, a comunidade de Israel. Uma comunidade estéril, sem frutos como a figueira sem figos; sem filhos, como a história das duas mulheres Sara e Isabel.

Aí é que entra Jesus. Ele, o redentor, veio exatamente para isso: para restaurar o povo de Deus como comunidade fértil, capaz de gerar filhos para Deus. Por sua paixão, morte e ressurreição, comunicou vida nova à sua comunidade, o povo dos 12 apóstolos. Na primeira pregação de Pedro, anunciando Jesus morto e ressuscitado, no Pentecostes, foram gerados filhos sem conta para Deus... mais de três mil convertidos e batizados. Um útero fértil, o do povo de Deus restaurado.

Guardando a mensagem

A menina morreu na idade em que o seu corpo começava a se preparar para a maternidade. A mulher estava perdendo sangue, perdendo vida, sem condições de gerar filhos. A menina e a mulher representam bem o povo de Israel em sua condição de esterilidade e incapacidade de gerar descendência e futuro. Foi por meio de Jesus, que as duas mulheres reencontraram a vida. Pelo ministério de Jesus, particularmente por sua morte e ressurreição, o povo de Deus foi restaurado, ganhando a capacidade de gerar filhos, assegurar descendência e futuro como família de Deus.

Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” (Mc 5, 31)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na história da mulher do fluxo de sangue que tocou a barra de teu manto, tu lhe disseste “Coragem, minha filha, tua fé te salvou”. A fé é a primeira condição para acolhermos a vida nova que tu nos trazes. A fé é a condição para o batismo. Na fé, renascemos nas águas batismais, como novas criaturas. Dá-nos, Senhor, a graça de viver na fé, como filhos e filhas de Deus, renascidos pela água e pelo Espírito Santo. Sendo hoje o dia de Santa Maria Goretti, a menina de 12 anos que sofreu um assédio sexual e foi morta pelo agressor por reagir bravamente, nós te pedimos, Senhor, em favor de todas as vítimas de assédio e por todos os adolescentes, eles e elas, para que sejamos capazes de ajudá-los a viver santamente a sua sexualidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um momento de oração: pelas mulheres casadas que não estão conseguindo engravidar, para que o Senhor as abençoe com a maternidade; pelas Congregações Religiosas, para que sejam férteis na geração de novos filhos e filhas consagrados ao Senhor; por toda a Igreja que é nossa mãe, para que ela continue gerando muitos filhos para Deus pela pregação do evangelho e pelo batismo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200706

A MENINA E A MULHER

“Coragem, filha! A tua fé te salvou” (Mt 9, 22)

06 de julho de 2020.

O Chefe da Sinagoga chegou informando que sua filha acabara de morrer. E implorou que Jesus fosse à sua casa, trazer a menina de volta à vida. Jesus já seguia pra lá quando uma mulher que sofria de fluxo de sangue tocou na barra do seu manto e ficou curada. Na casa da menina falecida, Jesus dispensou o povo e os músicos que estavam no velório. E levantou a menina pela mão e ela voltou a viver.

São duas histórias entrelaçadas, a da filha do chefe da Sinagoga e a da mulher que sofria de hemorragia. Nos evangelhos de Marcos e Lucas, essa história tem mais detalhes. Fica-se sabendo, por exemplo, o nome do chefe da Sinagoga, Jairo e a idade da menina, 12 anos. As duas histórias estão juntas por alguma razão. As duas mulheres têm um impedimento grave para gerar a vida, para ter filhos. Na menina, aos 12 anos, idade da primeira menstruação, o organismo estaria se preparando para a futura maternidade. Morrendo, morrem as possibilidades de futuro, corta-se pela raiz a possibilidade de ser mãe. No tempo de Jesus, as mulheres se casavam muito cedo. E a mulher, sofrendo de perda de sangue há 12 anos, também não podia ser mãe, possivelmente por ter a sua menstruação desordenada. Afinal, as duas não podiam gerar vida, ser mãe.

E não poder ser mãe era realmente um problema? Ainda é um problema muito grande. Muitos casais hoje vivem em grande sofrimento, porque a esposa não consegue engravidar, não é verdade? Nem sempre a causa está na mulher. No tempo de Jesus, a coisa era ainda mais grave. A mulher não sendo mãe era completamente desconsiderada. A viúva sem filhos não tinha nem direito aos bens deixados pelo marido. E família sem filhos, como a de Abraão, não tinha futuro. Para nos darmos conta do drama, basta nos lembrar das mulheres estéreis da Bíblia, como Sara (a esposa de Abraão) no Antigo Testamento e de Izabel (a esposa de Zacarias) no Novo Testamento. As duas viviam tristes por não poderem dar filhos aos seus maridos, por não garantirem o futuro de suas famílias. Deus interveio na vida dessas duas mulheres estéreis, garantindo–lhes a fertilidade.

Então, eram duas mulheres: a menina de 12 anos e a mulher que perdia sangue há 12 anos. Elas estão impedidas de gerar filhos, descendentes. Por elas, não vai passar o futuro. Será que essas duas mulheres poderiam estar representando o povo de Deus? Bom, o número 12 é o número do povo de Deus, o povo das 12 tribos. Jesus escolheu 12 apóstolos, em seu trabalho de restauração do povo eleito. E a mulher muitas vezes aparece como representante da comunidade. É só pensar na mulher vestida de sol, coroada de 12 estrelas, em dores de parto, na visão que teve o apóstolo João. Então, essas duas histórias entrelaçadas podem estar representando a condição em que se encontrava o povo de Deus, a comunidade de Israel. Uma comunidade estéril, sem frutos como a figueira sem figos; sem filhos, como a história das duas mulheres Sara e Isabel.

Aí é que entra Jesus. Ele, o redentor, veio exatamente para isso: para restaurar o povo de Deus como comunidade fértil, capaz de gerar filhos para Deus. Por sua paixão, morte e ressurreição, comunicou vida nova à sua comunidade, o povo dos 12 apóstolos. Na primeira pregação de Pedro, anunciando Jesus morto e ressuscitado, no Pentecostes, foram gerados filhos sem conta para Deus... mais de três mil convertidos e batizados. Um útero fértil, o do povo de Deus restaurado.

Guardando a mensagem

A menina morreu na idade em que o seu corpo começava a se preparar para a maternidade. A mulher estava perdendo sangue, perdendo vida, sem condições de gerar filhos. A menina e a mulher representam bem o povo de Israel em sua condição de esterilidade e incapacidade de gerar descendência e futuro. Foi por meio de Jesus, que as duas mulheres reencontraram a vida. Pelo ministério de Jesus, particularmente por sua morte e ressurreição, o povo de Deus foi restaurado, ganhando a capacidade de gerar filhos, assegurar descendência e futuro como família de Deus.

“Coragem, filha! A tua fé te salvou” (Mt 9, 22)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na história da mulher do fluxo de sangue que tocou a barra de teu manto, tu lhe disseste “Coragem, minha filha, tua fé te salvou”. A fé é a primeira condição para acolhermos a vida nova que tu nos trazes. A fé é a condição para o batismo. Na fé, renascemos nas águas batismais, como novas criaturas. Dá-nos, Senhor, a graça de viver na fé, como filhos e filhas de Deus, renascidos pela água e pelo Espírito Santo. Sendo hoje o dia de Santa Maria Goretti, a menina de 12 anos que sofreu um assédio sexual e foi morta pelo agressor por reagir bravamente, nós te pedimos, Senhor, em favor de todas as vítimas de assédio e por todos os adolescentes, eles e elas, para que sejamos capazes de ajudá-los a viver santamente a sua sexualidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça, hoje, um momento de oração: pelas mulheres casadas que não estão conseguindo engravidar, para que o Senhor as abençoe com a maternidade; pelas Congregações Religiosas, para que sejam férteis na geração de novos filhos e filhas consagrados ao Senhor; por toda a Igreja que é nossa mãe, para que ela continue gerando muitos filhos para Deus pela pregação do evangelho e pelo batismo.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200204

QUEM ME TOCOU?

Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” (Mc 5, 31)


04 de fevereiro de 2020.

Você recorda o evangelho de ontem? Naquela cena, Jesus estava em terras pagãs. Naquela região, ele encontrou um homem possuído por uma legião de espíritos maus que o mantinham morando no cemitério. O homem possuído pode muito bem ser uma representação do povo pagão. A cena ficou marcada pela presença dos porcos. O porco era sinal de impureza. Para os hebreus, os pagãos eram uma gente sem a bênção de Deus.

Hoje, Jesus volta à terra de Israel. Uma mulher e uma menina estão dolorosamente enfermas. A menina e a mulher podem estar representando o povo de Deus. E sabe por quê? As duas estão ligadas ao número 12. Doze é o número do povo de Deus, o povo das doze tribos. A comunidade de Jesus, a sua Igreja, está em torno dos doze apóstolos. 

Uma menina de doze anos estava morrendo. Ela era filha do chefe da sinagoga, Jairo. Uma mulher estava sofrendo de uma hemorragia há doze anos. O sangue era um problema grave na vida e na religião do povo da Bíblia. Qualquer contato com sangue gerava impureza nas pessoas. O impuro estava excluído do contato com os outros e das bênçãos de Deus. As mulheres eram as maiores prejudicadas por este sistema religioso da pureza legal, que vigorava no tempo de Jesus. E vou lhe dizer o porquê. Por causa da menstruação e do parto. Mensalmente, a mulher enfrenta a perda de sangue, na menstruação. Ficava impura. No parto, a mulher tinha que se purificar, com uma quarentena e sacrifícios no Templo. Sangue, que era sinal da vida, não podia ser desperdiçado, nem tocado. Gerava impureza. A impureza afastava a pessoa da bênção de Deus.

Então, no fundo, no fundo, o problema no texto de hoje é com o sangue, isto é com a impureza. Podemos imaginar, pensando um pouco ou seguindo os comentadores do evangelho, que a menina aos doze anos poderia estar na sua primeira menstruação. Poderia ser esse o seu problema, associado a alguma doença. E a mulher também sofria com uma hemorragia (de sangue) há muito tempo e já tinha gasto o que possuía com médicos e tratamentos. Pode-se pensar numa menstruação desordenada dessa senhora, um drama sem tamanho para sua vida religiosa.

Veja que imagem vai surgindo.... O povo de Deus está representado pela menina de 12 anos e pela mulher que sofria há 12 anos. O povo de Deus, em sua vivência religiosa, estava marcado pela lei da pureza legal, que acabava marginalizando muita gente, sobretudo as mulheres. A menina e a mulher estão em grande sofrimento por causa do sangue, por causa das leis de pureza. É em Jesus, que este povo encontrará vida, saúde, purificação. Jesus nos salvou assumindo nossos pecados, tomando nosso lugar. De certo modo, ao ser tocado pela mulher impura, ele assume a sua impureza. O mesmo se diga, tocando na menina como o fez, tomando-a pela mão.

Guardando a mensagem

Na terra dos pagãos, Jesus libertou o homem que vivia no cemitério, limpando simbolicamente toda aquela terra da impureza dos porcos. Na história do homem do cemitério, Jesus está libertando o povo pagão daquela região. Jesus purificou aquela terra vencendo e expulsando o maligno. Na terra do povo de Deus, Jesus liberta as duas mulheres, devolvendo-lhe a saúde e incluindo-as na família e na comunidade, libertando-as da impureza da sua perda de sangue. Nesta história das duas mulheres, Jesus está libertando todo o povo de Deus. Claro que o evangelho tem muitas mensagens maravilhosas para nossa vida, mas elas precisam partir de uma compreensão dos elementos do texto.

Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” (Mc 5, 31)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,

Tu és o redentor da humanidade. Redentor dos de longe, os pagãos, e dos de perto, os membros do povo eleito. Lá, na região dos pagãos, encontraste a opressão do mal sobre o ser humano. E o venceste, atraindo para ti a ira daquela gente que te expulsou de suas terras. Na terra do povo santo, também encontraste a opressão da lei religiosa da pureza, que causava exclusão e sofrimento, sobretudo das mulheres e dos doentes. E, pela fé, comunicaste vida e saúde, tomando o lugar dos pecadores, carregando-te de suas dores. Tu és o nosso redentor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Aparecendo uma oportunidade hoje, ajude alguma pessoa doente a viver o seu momento de enfermidade como verdadeiro encontro com o Senhor.

Sendo hoje o Dia Mundial de Combate ao Câncer, em nosso programa de rádio, nesta semana, estamos rezando por quem está lutando contra o câncer. Neste sentido, tendo algum pedido de oração, mande pra gente. 

04 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20190708

A TUA FÉ TE SALVOU

Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada (Mt 9, 21)

O8 de julho de 2019.
O Chefe da Sinagoga chegou informando que sua filha acabara de morrer. E implorou que Jesus fosse à sua casa, trazer a menina de volta para a vida. Jesus já seguia pra lá quando uma mulher que sofria de fluxo de sangue tocou na barra do seu manto e ficou curada. Na casa da menina falecida, Jesus dispensou o povo e os músicos que estavam no velório. E levantou a menina pela mão e ela voltou a viver.
São duas histórias entrelaçadas, a da filha do chefe da Sinagoga e a da mulher que sofria de hemorragia. Nos evangelhos de Marcos e Lucas, essa história tem mais detalhes. Fica-se sabendo, por exemplo, o nome do chefe da Sinagoga, Jairo e a idade da menina, 12 anos. As duas histórias estão juntas por alguma razão. As duas mulheres têm um impedimento grave para gerar a vida, para ter filhos. Na menina, aos 12 anos, idade da primeira menstruação, o organismo estaria se preparando para a futura maternidade. Morrendo, morrem as possibilidades de futuro, corta-se pela raiz a possibilidade de ser mãe. No tempo de Jesus, as mulheres se casavam muito cedo. E a mulher, sofrendo de perda de sangue há 12 anos, também não podia ser mãe, possivelmente por ter a sua menstruação desordenada.  Afinal, as duas não podem gerar vida, ser mãe.
E não poder ser mãe era realmente um problema? Ainda é um problema muito grande. Muitos casais hoje vivem em grande sofrimento, porque a esposa não consegue engravidar, não é verdade? Nem sempre a causa está na mulher. No tempo de Jesus, a coisa era ainda mais grave. A mulher não sendo mãe era completamente desconsiderada. A viúva sem filhos não tinha nem direito aos bens deixados pelo marido. E família sem filhos, como a de Abraão, não tinha futuro. Para nos darmos conta do drama, basta nos lembrarmos das mulheres estéreis da Bíblia, como Sara (a esposa de Abraão) no Antigo Testamento e de Izabel (a esposa de Zacarias) no Novo Testamento. As duas viviam tristes por não poderem dar filhos aos seus maridos, por não garantirem o futuro de suas famílias. Deus interveio na vida dessas duas mulheres estéreis, garantindo–lhes a fertilidade.
Então, eram duas mulheres: a menina de 12 anos e a mulher que perdia sangue há 12 anos. Elas estão impedidas de gerar filhos, descendentes. Por elas, não vai passar o futuro.  Será que essas duas mulheres poderiam estar representando o povo de Deus? Bom, o número 12 é o número do povo de Deus, o povo das 12 tribos. Jesus escolheu 12 apóstolos, em seu trabalho de restauração do povo eleito. E a mulher muitas vezes aparece como representante da comunidade. É só pensar na mulher vestida de sol, coroada de 12 estrelas, em dores de parto, na visão que teve o apóstolo João. Então, essas duas histórias entrelaçadas podem estar representando a condição em que se encontrava o povo de Deus, a comunidade de Israel. Uma comunidade estéril, sem frutos como a figueira sem figos; sem filhos, como a história das duas mulheres Sara e Isabel.
Aí é que entra Jesus. Ele, o redentor, veio exatamente para isso: para restaurar o povo de Deus como comunidade fértil, capaz de gerar filhos para Deus. Por sua paixão, morte e ressurreição, comunicou vida nova à sua comunidade, o povo dos 12 apóstolos. Na primeira pregação de Pedro, anunciando Jesus morto e ressuscitado, no Pentecostes, foram gerados filhos sem conta para Deus... mais de três mil convertidos e batizados. Um útero fértil, o do povo de Deus restaurado.
Guardando a mensagem
A menina morreu na idade em que o seu corpo começava a se preparar para a maternidade. A mulher estava perdendo sangue, perdendo vida, sem condições de gerar filhos. A menina e a mulher representam bem o povo de Israel em sua condição de esterilidade e incapacidade de gerar descendência e futuro. Foi por meio de Jesus, que as duas mulheres reencontraram a vida. Pelo ministério de Jesus, particularmente por sua morte e ressurreição, o povo de Deus foi restaurado, ganhando a capacidade de gerar filhos, assegurar descendência e futuro como família de Deus.
Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada (Mt 9, 21)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Na história da mulher do fluxo de sangue que tocou a barra de teu manto, tu lhe disseste “Coragem, minha filha, tua fé te salvou”. A fé é a primeira condição para acolhermos a vida nova que tu nos trazes. A fé é a condição para o batismo. Na fé, renascemos nas águas batismais, como novas criaturas. Dá-nos, Senhor, a graça de viver na fé, como filhos e filhas de Deus, renascidos pela água e pelo Espírito Santo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Faça, hoje, um momento de oração: pelas mulheres casadas que não estão conseguindo engravidar, para que o Senhor as abençoe com a maternidade; pelas Congregações Religiosas, para que sejam férteis na geração de novos filhos e filhas consagrados ao Senhor; por toda a Igreja que é nossa mãe, para que ela continue gerando muitos filhos para Deus pela pregação do evangelho e pelo batismo.

Pe. João Carlos Ribeiro – 08 de julho de 2019.

20190205

QUEM ME TOCOU?

Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” (Mc 5, 31)
05 de fevereiro de 2019.
Você recorda o evangelho de ontem? Naquela cena, Jesus estava em terras pagãs. Naquela região, ele encontrou um homem possuído por uma legião de espíritos maus que o mantinham morando no cemitério. O homem possuído pode muito bem ser uma representação do povo pagão. A cena ficou marcada pela presença dos porcos. O porco era sinal de impureza. Para os hebreus, os pagãos eram uma gente sem a bênção de Deus.
Hoje, Jesus volta à terra de Israel. Uma mulher e uma menina estão dolorosamente enfermas. A menina e a mulher podem estar representando o povo de Deus. E sabe por quê?  As duas estão ligadas ao número 12. Doze é o número do povo de Deus, o povo das doze tribos. A comunidade de Jesus, a sua Igreja, está em torno dos doze apóstolos.
Uma menina de doze anos estava morrendo. Ela era filha do chefe da sinagoga, Jairo. Uma mulher estava sofrendo de uma hemorragia há doze anos. O sangue era um problema grave na vida e na religião do povo da Bíblia. Qualquer contato com sangue gerava impureza nas pessoas. O impuro estava excluído do contato com os outros e das bênçãos de Deus. As mulheres eram as maiores prejudicadas por este sistema religioso da pureza legal, que vigorava no tempo de Jesus. E vou lhe dizer o porquê. Por causa da menstruação e do parto. Mensalmente, a mulher enfrenta a perda de sangue, na menstruação. Ficava impura. No parto, a mulher tinha que se purificar, com uma quarentena e sacrifícios no Templo. Sangue, que era sinal da vida, não podia ser desperdiçado, nem tocado. Gerava impureza. A impureza afastava a pessoa da bênção de Deus.
Então, no fundo, no fundo, o problema no texto de hoje é com o sangue, isto é com a impureza. Podemos imaginar, pensando um pouco ou seguindo os comentadores do evangelho, que a menina aos doze anos poderia estar na sua primeira menstruação. Poderia ser esse o seu problema, associado a alguma doença. E a mulher também sofria com uma hemorragia (de sangue) há muito tempo e já tinha gasto o que possuía com médicos e tratamentos. Pode-se pensar numa menstruação desordenada dessa senhora, um drama sem tamanho para sua vida religiosa.
Veja que imagem vai surgindo.... O povo de Deus está representado pela menina de 12 anos e pela mulher que sofria há 12 anos.  O povo de Deus, em sua vivência religiosa, estava marcado pela lei da pureza legal, que acabava marginalizando muita gente, sobretudo as mulheres. A menina e a mulher estão em grande sofrimento por causa do sangue, por causa das leis de pureza. É em Jesus, que este povo encontrará vida, saúde, purificação. Jesus nos salvou assumindo nossos pecados, tomando nosso lugar. De certo modo, ao ser tocado pela mulher impura, ele assume a sua impureza. O mesmo se diga, tocando na menina como o fez, tomando-a pela mão.
Guardando a mensagem
Na terra dos pagãos, Jesus libertou o homem que vivia no cemitério, limpando simbolicamente toda aquela terra da impureza dos porcos. Na história do homem do cemitério, Jesus está libertando o povo pagão daquela região. Jesus purificou aquela terra vencendo e expulsando o maligno. Na terra do povo de Deus, Jesus liberta as duas mulheres, devolvendo-lhe a saúde e incluindo-as na família e na comunidade, libertando-as da impureza da sua perda de sangue. Nesta história das duas mulheres, Jesus está libertando todo o povo de Deus. Claro que o evangelho tem muitas mensagens maravilhosas para nossa vida, mas elas precisam partir de uma compreensão dos elementos do texto.
Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” (Mc 5, 31)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Tu és o redentor da humanidade. Redentor dos de longe, os pagãos, e dos de perto, os membros do povo eleito. Lá, na região dos pagãos, encontraste a opressão do mal sobre o ser humano. E o venceste, atraindo para ti a ira daquela gente que te expulsou de suas terras. Na terra do povo santo, também encontraste a opressão da lei religiosa da pureza, que causava exclusão e sofrimento, sobretudo das mulheres e dos doentes. E, pela fé, comunicaste vida e saúde, tomando o lugar dos pecadores, carregando-te de suas dores.  Tu és o nosso redentor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Estamos numa semana dedicada aos enfermos, pela proximidade do Dia de N. Sra. de Lourdes, o Dia mundial do doente. Aparecendo uma oportunidade hoje, ajude alguma pessoa doente a viver o seu momento de enfermidade como verdadeiro encontro com o Senhor.
Pe. João Carlos Ribeiro – 05.02.2019

20170710

A MENINA E A MULHER

Uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos veio por trás dele e tocou a barra do seu manto (Mt 9, 20).
O Chefe da Sinagoga chegou informando que sua filha acabara de morrer. E implorou que Jesus fosse à sua casa, trazer a menina de volta para a vida. Jesus já seguia pra lá quando uma mulher que sofria de fluxo de sangue tocou na barra do seu manto e ficou curada. Na casa da menina falecida, Jesus dispensou o povo e os músicos que estavam no velório. E levantou a menina pela mão e ela voltou a viver.
São duas histórias entrelaçadas, a da filha do chefe da Sinagoga e a da mulher que sofria de hemorragia. Nos evangelhos de Marcos e Lucas, essa história tem mais detalhes. Fica-se sabendo, por exemplo, o nome do chefe da Sinagoga, Jairo e a idade da menina, 12 anos. As duas histórias estão juntas por alguma razão. As duas mulheres têm um impedimento grave para gerar a vida, para ter filhos. Na menina, aos 12 anos, idade da primeira menstruação, o organismo estaria se preparando para a futura maternidade. Morrendo, morrem as possibilidades de futuro, corta-se pela raiz a possibilidade de ser mãe. No tempo de Jesus, as mulheres se casavam muito cedo. E a mulher, sofrendo de perda de sangue há 12 anos, também não podia ser mãe, possivelmente por ter a sua menstruação desordenada.  Afinal, as duas não podem gerar vida, ser mãe.
E não poder ser mãe era realmente um problema? Ainda é um problema muito grande. Muitos casais hoje vivem em grande sofrimento, porque a esposa não consegue engravidar, não é verdade? Nem sempre a causa está na mulher. No tempo de Jesus, a coisa era ainda mais grave. A mulher não sendo mãe era completamente desconsiderada. A viúva sem filhos não tinha nem direito aos bens deixados pelo marido. E família sem filhos, como a de Abraão, não tinha futuro. Para nos darmos conta do drama, basta nos lembrarmos das mulheres estéreis da Bíblia, como Sara (a esposa de Abraão) no Antigo Testamento e de Izabel (a esposa de Zacarias) no Novo Testamento. As duas viviam tristes por não poderem dar filhos aos seus maridos, por não garantirem o futuro de suas famílias. Deus interveio na vida dessas duas mulheres estéreis, garantindo–lhes a fertilidade.

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