27 junho 2012

Pedro pedra


Essa semana tem festa de São Pedro, o Simão Pedra. O Pedro das chaves. O confessor da fé no Jesus Messias. O discípulo que não queria que Jesus lhe lavasse os pés. O Pedro das três negações. O Pedro do galo. O Senhor São Pedro de muitas histórias da cultural popular oral. O padroeiro dos pescadores, festejado em centenas de Colônias por toda a orla marítima do país.
“Para quem tomou banho, disse-lhe Jesus, é bastante lavar os pés”. A palavra de Jesus tinha purifica os discípulos. Sua morte redentora é o banho purificador de quem desce às águas. Em sua morte, pelo batismo, descemos também nós. Pela Ressurreição, vestimo-nos do novo homem com ele. Do novo Adão. Estamos limpos, purificados, lavados. Prontos para a festa do Reino.

Pedro também estava purificado pela Palavra de Jesus. Mas, ainda assim, caiu na tentação. Negou o Mestre, por três vezes. Acovardou-se diante do perigo de ser uma testemunha do Galileu. Negou conhecê-lo. Ser seu discípulo. Ter parte com ele. E o galo cantou duas vezes. Denunciando a fraqueza do apóstolo. Reprovando a covardia do profeta. E a palavra de Jesus ecoou forte no coração de Pedro: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes”. E o olhar de Jesus cruzou com os olhos temerosos e assustados do pescador. Um olhar que lhe gelou o coração. Que lhe derreteu as entranhas. Que lhe desatou uma vontade louca de chorar, uma dor infinita pelo gesto mesquinho da traição. 

Ressuscitado, o Mestre voltou a olhá-lo de frente. E Pedro já não desviou o olhar. Suas lágrimas acompanharam o descimento de Jesus ao túmulo. Seu coração arrependido acompanhou o Mestre na descida à mansão dos mortos. Mas, subiu com ele. Ressuscitou com ele. Como nós fazemos quando descemos às águas no Batismo. Nascemos de novo. Já não tem mais vez o Adão que nos habitava. O Ressuscitado traz pela mão o Pedro renascido na sua morte redentora. Três vezes traiu. Três vezes vai declarar seu amor incondicional ao Mestre. Como um neófito, vai subindo degrau por degrau da piscina batismal. “Simão, tu me amas?”. “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo.” “Então, cuida dos meus carneirinhos”. Sim, é isso, nossa fraqueza não conta mais. Conta a força da ressurreição do Senhor que nos ergue. Conta o amor com que respondemos ao seu chamado. Mais um degrau. “Simão, tu me amas?”. “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. “Então, toma conta das minhas ovelhas”. Tantos quantos foram os degraus que descemos, tantos subimos, ressuscitando com ele. E assumindo a sua mesma missão. Identificando-nos com ele. “Já não sou eu que vivo. É Cristo que vive em mim”. “Simão, tu me amas?”. E Pedro um pouco entristecido: “Sim, Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”. “Então, toma conta do meu rebanho”. Apóstolo é que o foi escolhido. E enviado. Não porque era o melhor, o mais santo, o mais douto. Porque amado pelo Mestre. Porque escolhido por ele. Porque ama o Senhor. Porque confia apenas na fidelidade do seu Senhor. Não na sua força, no seu poder, na sua sabedoria.

Pedro. Pescador. Fraco e pecador. Escolhido para pastorear a Igreja de Deus. Para ser a pedra do testemunho, sobre a qual se edifica o novo povo de Deus. Por graça de Deus. Pelo amor misericordioso do coração de Cristo. Sustentado por ele. Ressuscitado com ele. Pastor com ele.
“Sim, Senhor, tu sabes tudo. Tu sabes que eu te amo”.

Pe. João Carlos Ribeiro
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