BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

A GRANDE CONVOCAÇÃO



11 de janeiro de 2021

EVANGELHO


Mc 1,14-20

14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”
16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

MEDITAÇÃO


E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus (Mc 1, 18)

Houve um momento em que Jesus começou a sua pregação. Ele tinha uma notícia pra dar. Avisou a todo mundo: O REINO DE DEUS CHEGOU! O fato que empurrou Jesus, por assim dizer, para encarar de vez a sua missão foi a prisão do profeta João Batista pelo violento tetrarca Herodes. A prisão do profeta criou uma grande crise no movimento do Batista, parecia o colapso daquela ebulição religiosa que preparava o povo para a chegada do Messias. Exatamente neste momento, quando o horizonte parecia se fechar, Jesus voltou para a Galileia e começou o seu ministério público.

Na sua pregação, ele começou dizendo quatro coisas: “O tempo já se completou, o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e creiam no evangelho”. Este é um resumo de tudo o que ele anunciaria com palavras e obras, em todo o seu ministério público. Finalmente, as promessas estavam se cumprindo: chegara a hora do reinado de Deus. Por sua presença de enviado e Messias, o novo tempo estava começando, o tempo da reconciliação, da graça, do perdão.

Essa comunicação de Jesus sobre a chegada o Reino não era apenas uma informação para se tomar conhecimento. Jesus, com essa maravilhosa notícia, estava convocando as pessoas para viverem esse novo momento. A boa notícia, isto é o evangelho, é uma grande convocação. Neste início da primeira parte do tempo comum, a Igreja nos recorda esse começo abençoado do ministério de Jesus, narrado no Evangelho de São Marcos. Ele anunciou a chegada do Reino e obteve uma adesão entusiasta de um grupo de pescadores: Simão e André, Tiago e João.

O bom exemplo dos quatro primeiros discípulos é uma proposta que o evangelho está nos apresentando para nossa imitação. É como se dissesse: “façam assim, respondam desse jeito à pregação de Jesus”. Na resposta deles, podemos destacar três passos.

O primeiro passo foi a CONVERSÃO. O anúncio do Reino é um convite à mudança de vida, nos pede conversão. ‘Convertam-se e creiam no evangelho’, disse Jesus. Pela conversão, fazemos opção pelo Reino, reorientamos a direção de nossa vida. Converter-se é fazer uma opção radical por Jesus. Isso muda muita coisa na vida de uma pessoa.

O segundo passo dos primeiros discípulos foi o SEGUIMENTO. A Simão e André, Jesus disse: “Sigam-me”. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. Jesus também chamou Tiago e João. Eles deixaram o pai na barca, com os empregados, e partiram, seguindo-o. Seguir Jesus é tornar-se seu discípulo, sua discípula, andando com ele e aprendendo com ele a viver e a realizar a obra de Deus.

O terceiro passo dos primeiros seguidores foi a MISSÃO. Jesus disse aos pescadores: ‘Sigam-me e eu farei de vocês pescadores de gente’. Como discípulos, aprendemos com Jesus, andamos com ele. Como missionários, participamos do seu ministério, agimos em seu nome, participamos do seu serviço de profeta, sacerdote e rei no mundo.

Guardando a mensagem

O evangelho de Marcos nos mostra Jesus começando sua pregação. Jesus fala do Tempo da espera que se cumpriu e do Reino que se aproximou. Em resposta, espera a nossa conversão e a nossa adesão ao evangelho. A narração da vocação dos quatro primeiros discípulos – Simão e André, Tiago e João – é uma apresentação de como deve ser nossa resposta à boa nova de Jesus. Nossa resposta deve ser a conversão, o seguimento e a participação na sua missão. Pela conversão, fazemos uma opção por Jesus e pelo Reino de Deus. Pelo seguimento, tornamo-nos discípulos do Senhor. Pela missão, participamos com ele no seu serviço de evangelização, santificação e senhorio no mundo.

E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus (Mc 1, 18)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,
Diante de teu convite, os teus primeiros seguidores foram generosos e prontos na resposta. É assim que temos que responder ao teu chamado. Está escrito que André e Simão “imediatamente deixaram as redes e te seguiram”. Os outros deixaram inclusive o pai na barca, com os empregados com quem trabalhavam e partiram te seguindo. Eles foram generosos nas renúncias que fizeram para te seguir. Senhor, pelo teu Santo Espírito, fortalece em nós a resposta ao teu convite para sermos teus discípulos e missionários. Que ela seja igualmente generosa, pronta e fiel. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Quinta-feira próxima, vamos festejar o aniversário do nosso programa de rádio, transmitido em rede, por muitas emissoras. Participe da Missa de Ação de Graças, na quinta-feira, às 9 horas da manhã, com transmissão por diversas emissoras, pelo Youtube e pela nossa Rádio Tempo de Paz. Aproveite para baixar o aplicativo da rádio no seu celular. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O BATISMO DE JESUS E O NOSSO BATISMO


10 de janeiro de 2021

EVANGELHO


Mc 1,7-11

Naquele tempo, 7João Batista pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. 9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. 10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.

MEDITAÇÃO


E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele (Mc 1, 10)

E este é o domingo do Batismo do Senhor. Uma bela oportunidade para nos darmos conta da beleza e da grandeza do nosso batismo. Somos batizados, temos parte com Jesus, somos filhos de Deus, membros da Igreja, habitados pelo Santo Espírito. Que grande graça sermos batizados!

Falando em batismo, grosso modo, podemos identificar quatro grupos entre nós. Os que são de família católica e não foram batizados. Os que foram batizados e não vivem na comunhão da Igreja. Os que foram batizados e migraram para outras igrejas. E os que foram batizados e vivem na fé católica. Será que você consegue se localizar em algum desses grupos?

No batismo de Jesus, ficamos sabendo quem ele é. Ele é o SERVO DE DEUS. Sobre ele, repousa o Santo Espírito. Sua missão é refazer a aliança com o povo, guiar as nações no caminho da justiça, libertar os oprimidos, ser uma luz para as nações. É o que está escrito no Profeta Isaías, no primeiro cântico do Servo de Javé (Isaías 42). Jesus é o SERVO DE DEUS.

Ele é o UNGIDO PELO ESPÍRITO. Ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder, ele andou por toda parte fazendo o bem e libertando as pessoas da dominação do mal. Ele é o Cristo, o Senhor de todos, não só de Israel. É o que Pedro disse na casa de Cornélio, em Cesareia, como está no livro dos Atos dos Apóstolos (Atos 10). Jesus é o UNGIDO PELO ESPÍRITO.

Ele é o FILHO AMADO. Depois do batismo no Rio Jordão, depois que saiu das águas, ele vê o Espírito Santo vindo sobre ele como pomba. Nesse momento, ouve-se a voz do Pai dizendo que ele é o seu Filho amado. Ele é o Emanuel, Deus encarnado, convivendo conosco. É o que está em Marcos, o evangelho de hoje (Marcos 1). Jesus é o FILHO AMADO.

No batismo, você fica sabendo quem você é, quem somos nós. Nós somos SERVOS DE DEUS. Maria, a primeira discípula de Jesus, nos dá o exemplo. Ela se colocou inteiramente a serviço de Deus: “Eu sou a serva do Senhor”. Nós somos os administradores, a quem o Senhor confiou o cuidado de sua casa e de sua família, em sua ausência. SERVO DE DEUS, SERVA DE DEUS é o que você é.

Nós somos UNGIDOS PELO ESPÍRITO. A palavra Cristo quer dizer ungido. Por isso, nos chamam de cristãos, somos ungidos por Deus com o seu Espírito, como Jesus. Ungidos para participar com ele de sua missão. Participamos do senhorio de Jesus, fazendo a nossa parte na manifestação do Reino neste mundo. Como Jesus, nós temos a missão de iluminar o mundo com a luz de Deus e fermentá-lo com o evangelho. Pelo batismo, temos parte com Jesus sacerdote, profeta e rei. UNGIDO PELO ESPÍRITO, UNGIDA PELO ESPÍRITO é o que você é.

Nós somos FILHOS AMADOS. Também no nosso batismo, o Pai nos disse que somos seus filhos amados. Pela ação do Santo Espírito, recebemos a adoção filial. Somos filhos adotivos, filhos no Filho, filhos amados. É assim que somos irmãos no Senhor e nos comprometemos com a fraternidade neste mundo. Pelo batismo, somos membros do único Corpo de Cristo, a sua Igreja. FILHO AMADO, FILHA AMADA é o que você é. 

Guardando a mensagem

Muita gente desconhece a grandeza e a dignidade que o batismo lhe conferiu. O batismo de Jesus no Jordão revela a sua identidade e a sua missão. Ele é o servo de Deus, o ungido pelo Espírito, o Filho amado do Pai. O sacramento do batismo também revela a nossa identidade e nossa missão de cristãos. Nós somos servos de Deus, ungidos pelo Espírito, filhos amados do Pai. 

E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele (Mc 1, 10)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
Hoje queremos te pedir, de maneira especial, pelos que não conhecem a beleza e a graça do santo batismo. Uns porque, mesmo sendo de famílias católicas, não se batizaram e outros porque, mesmo batizados, não vivem na fé, não participam da vida da Igreja. Senhor, não nos permitas que desistamos deles. Antes, dá-nos espírito missionário, paciência e perseverança para testemunharmos a todos como é maravilhoso te conhecer, te amar e te seguir como servos de Deus, ungidos pelo Espírito e filhos amados do Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Na celebração deste domingo, após a homilia, costuma haver a renovação das promessas do batismo. Vá se preparando para confirmar sua adesão a Cristo Jesus, ao seu evangelho e à sua Igreja. Não tendo jeito de participar da Santa Missa hoje, reze o ‘Creio em Deus Pai’, bem rezado. 

E nesta semana que está começando, vamos festejar o aniversário do nosso programa de rádio, transmitido em rede, por muitas emissoras. Participe da Missa de Ação de Graças, na quinta-feira, às 9 horas da manhã, com transmissão pelo Youtube e pela Rádio Tempo de Paz. Aproveite para baixar o aplicativo da rádio, conforme lhe indico na próxima postagem. 

Pela Rádio Tempo de Paz, também celebramos a Santa Missa aos domingos, às 17 horas.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A ALEGRIA DO AMIGO DO NOIVO


 09 de janeiro de 2021

EVANGELHO 


Jo 3,22-30


Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.

24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.

27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.


MEDITAÇÃO


Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)


Outro dia, eu presenciei o reencontro de uma professora minha amiga com sua antiga aluna. A professora, agora recém-aposentada e a aluna psicóloga, agora, em plena atuação profissional. Professora e ex-aluna ficaram felizes e eufóricas ao se reconhecerem e se reencontrarem. A Professora, muito feliz por encontrar sua antiga aluna tão bem colocada profissionalmente. 

Eu fiquei olhando a reação da professora. Talvez alguém em seu lugar tivesse se lamentado, imaginando que sua aluna podia estar numa posição melhor do que a sua. Mas, ela nem de longe demonstrou esse sentimento mesquinho de quem se sente deixado pra trás. Ela gostava de ensinar e tinha sido uma boa educadora. Foi sua missão. E a missão deu certo, pois uma aluna como aquela tinha encontrado seu lugar na sociedade. Nada de inveja, nada de complexo de inferioridade. A professora ficou feliz, muito feliz. Feliz por sua missão ter se realizado tão bem como demonstrava o êxito de sua aluna. 

Essa cena ilustra o evangelho de hoje. Os discípulos de João Batista vieram lhe contar que um dos que estivera com ele agora estava também batizando em outro local. Eles estavam irritados com isso: ‘João Batista deu todo cartaz a ele, deu testemunho sobre ele, até o tinha batizado. Agora, ele está reunindo muita gente e batizando’. Você nem precisa ler o evangelho de hoje para saber quem era esse pregador que estava despontando. Jesus, claro. 

João Batista pode ser comparado com a professora recém-aposentada. Ele recebeu com alegria a notícia de que Jesus, que ele batizara e apontara como Cordeiro de Deus, agora, estava reunindo muita gente e batizando. João Batista não ficou enciumado. Ficou feliz. Ele comentou que já lhes tinha dito que não era o Cristo, mas tinha sido enviado adiante dele. E se comparou com o amigo do noivo que fica responsável pela festa do casamento. Ele toma todas as providências para que tudo saia bem e que o noivo, seu amigo, fique satisfeito. Quando o noivo chega, ele sabe que sua missão está terminada. E fica particularmente feliz porque sua missão chegou ao ponto mais alto. Se a missão que recebera era preparar a chegada do Messias, missão cumprida. Ele chegou. Alegria completa. 

João Batista não se sentiu ameaçado ou traído por causa da atuação profética de Jesus, que estava aparentemente fazendo como ele, pregando e batizando. Sentiu-se feliz, reconhecendo que a tarefa que tinha recebido de Deus era preparar os caminhos para ele. E reconheceu, diante do povo e dos discípulos, ser apenas um servidor, indigno mesmo de desatar as correias de suas sandálias. Jesus, conhecido e reverenciado por tanta gente, também não se esqueceu de seu predecessor, nem desconsiderou a influência que teve o Batista na sua formação. 

Guardando a mensagem 

Os discípulos de João ficaram incomodados com o fato de Jesus estar reunindo o povo, pregando e batizando. Acharam que João ficaria aborrecido com essa atuação de Jesus, uma vez que o tinha batizado e recomendado ao povo. O Batista não se deixou guiar por esse sentimento mesquinho de ciúme ou de exclusividade. Soube reconhecer a grandeza de sua missão, que era preparar o povo para receber o Messias. Uma vez que o noivo chegou, o amigo do noivo que ficou responsável pela festa do casamento sabe, com humildade e alegria, que a sua missão está cumprida. 

Esta é a minha alegria, e ela é completa (Jo 3, 29)

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Foi bonito ver a professora ficar radiante com o reencontro com sua antiga aluna, agora uma psicóloga. Ela ficou feliz com o êxito de sua missão estampada na realização profissional de sua aluna. Foi o que aconteceu com o profeta João Batista ao ter conhecimento do sucesso que estavas alcançando com tuas pregações e curas. Ele soube, naquele momento, que sua missão estava plenamente realizada. Como ele disse: “minha alegria está completa”. Senhor, livra-nos desses sentimentos mesquinhos de inveja, ciúme, despeito pelos quais nos sentimos ameados pelo crescimento dos outros e entristecidos pelo seu sucesso. Dá-nos a alegria de ver nossa missão cumprida no êxito de nossos filhos, alunos, dependentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Amanhã, celebraremos a festa do Batismo do Senhor. Festeje também o seu batismo. Amanhã, não falte à celebração de sua comunidade. Não sendo possível, por essa situação do vírus, acompanhe pelas redes sociais a celebração de sua comunidade. Mantenha-se unido(a) ao seu rebanho e ao seu pastor.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

A HISTÓRIA DO LEPROSO



08 de janeiro de 2021

EVANGELHO


Lc 5,12-16

12Aconteceu que Jesus estava numa cidade, e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, o homem caiu a seus pés, e pediu: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 13Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fica purificado”. E, imediatamente, a lepra o deixou. 14E Jesus recomendou-lhe: “Não digas nada a ninguém. Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela purificação o prescrito por Moisés como prova de tua cura”.
15Não obstante, sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava à oração. —

MEDITAÇÃO


Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fica purificado” (Lc 5, 13)

Podemos olhar a história do leproso de muitos pontos de vista. Hoje, eu quero convidar você a pensar que você é o leproso da história do Evangelho. Então, você é o leproso dessa história, combinado? Então, vamos lá. O leproso se aproxima de Jesus, se ajoelha aos seus pés e pede para ser purificado. Três gestos simbólicos importantes: aproximar-se, ajoelhar-se e implorar o favor de Deus. Muita gente quer uma graça, mas não se aproxima de Deus, não se ajoelha e não pede o que precisa como deve. Vou me explicar.

Você aproximou-se de Jesus. Aproximar-se é buscar Deus. Buscar Deus é procurar encontrá-lo na oração, na meditação, na escuta de sua palavra. Lê-se assim no livro do Deuteronômio: “Quando então buscares o Senhor teu Deus, o encontrarás, se o buscares de todo o teu coração e com toda a tua alma” (Dt 4, 29). Então, sua primeira atitude, como o leproso, foi aproximar-se. Vou lhe dizer uma coisa. Foi muita coragem de sua parte, porque, por causa de sua doença, não lhe era permitido aproximar-se de pessoas sadias como você fez. Você passou por cima dessa norma social, você ultrapassou a faixa amarela e foi ao encontro de Jesus. Sim, é verdade, Jesus vinha passando com a multidão. Na verdade, é ele que vem ao seu encontro. Mas, é preciso a gente se aproximar, vencendo as barreiras que pretendem impedir esse encontro.

Você aproximou-se e ajoelhou-se diante de Jesus. Em todas as religiões, ajoelhar-se é um ato de adoração, de profunda reverência. Ajoelhar-se, prostrar-se é o reconhecimento da grandeza de Deus presente em Jesus, é um reconhecimento de sua divindade. Buscar Deus não para que Deus faça a nossa vontade, mas que a vontade de Deus se cumpra em nossa vida. Maria expressou esse sentimento ao dizer: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. Ajoelhar-se é um gesto de adoração, de humildade, de reconhecimento da grandeza de Deus e da disposição de estar a seu serviço.

Você aproximou-se, ajoelhou-se e fez um pedido a Jesus: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. Foi um pedido feito num contexto de quem se aproximou, de quem o está buscando; de quem se ajoelhou, isto é de quem presta ao Senhor um culto de adoração, reconhecendo-o seu Senhor. E o seu pedido foi humilde, “se queres”, se for da tua vontade. É, muita gente pede coisas importantes a Deus, mas não o busca para andar em seus caminhos, nem é um adorador desse Deus fiel que vem ao nosso encontro. Você pediu bem. E Jesus atendeu você. Ele estendeu a mão, tocou em você e disse: “Eu quero, fica purificado”. E, no mesmo instante, você ficou livre da lepra.

Guardando a mensagem

Jesus vinha com a multidão. Deus toma sempre a dianteira, dá sempre o primeiro passo. E você, superando as barreiras que o mundo criou para nos manter à distância de Deus, aproximou-se de Jesus. Com espírito de fé e de adoração, reconhecendo em Jesus o salvador que o Pai nos enviou, pediu-lhe uma coisa importante. Mas, pediu que se realizasse, antes de tudo, a vontade dele em sua vida. Lições importantes que aprendemos com o leproso do evangelho: aproximar-se, ajoelhar-se e pedir com humildade e espírito de obediência.

Jesus estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero, fica purificado” (Lc 5, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
O leproso somos nós. A lepra é um sinal de nossa condição de pecadores. E é do pecado que nos purificas com tua vinda e com o teu amor. Dá-nos, Senhor, a graça de não esquecermos que a ti e à tua cruz devemos a vida nova e a comunhão que temos com Deus nosso Pai. Que em todas as nossas necessidades, nós nos aproximemos de ti com espírito de fé, e peçamos o teu favor, desejosos de realizar, antes de tudo, a vontade de Deus. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, lembrando que você é o leproso, a leprosa, escreva uma breve oração a Jesus.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

FIEL À MISSA DOMINICAL


07 de janeiro de 2021

EVANGELHO


Lc 4,14-22a

Naquele tempo, 14Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16E veio à cidade de Nazaré onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura.
17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante, e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22aTodos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca.

MEDITAÇÃO


Conforme seu costume, Jesus entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura (Lc 4, 16)

O evangelho dá notícia que Jesus ensinava nas sinagogas da Galileia e era muito elogiado pelo povo. A Galileia é a região onde estava o povoado de Nazaré, onde morava sua família, onde ele tinha se criado. E é na Sinagoga de Nazaré que ele está, no evangelho de hoje.

Temos, neste evangelho, uma cena de uma celebração matinal na sinagoga de Nazaré. Jesus está presente, faz a leitura e está pregando. O livro santo é um rolo do profeta Isaías. E Jesus encontra e lê uma passagem que se refere à sua missão. A primeira reação das pessoas é de admiração pelas palavras de Jesus. Depois, a atitude da comunidade foi de rejeição, infelizmente.

Bom, está escrito que “conforme seu costume, Jesus entrou na Sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura”. Prestemos atenção a essa observação: “conforme seu costume”. Era, então, uma prática habitual sua, um costume, ir à sinagoga aos sábados, participar da celebração. Vindo a esse mundo, nascendo no seio do povo judeu, o nosso Jesus aprendeu com os seus pais e sua família a participar com assiduidade do ritmo religioso do seu povo. Só havia um Templo, para oferecimento de sacrifícios e esse era em Jerusalém. Para lá os fieis se dirigiam em peregrinação em três festas durante o ano, sobretudo na festa da páscoa. Nas cidades e povoados maiores, havia as sinagogas, casas de culto onde os judeus se reuniam, sobretudo para ouvir os textos sagrados, cantarem hinos e fazerem suas orações. Como você sabe, o dia santo do povo judeu é o sábado, como recordação da criação do mundo, o dia em que Deus contemplou sua obra e viu que tudo estava bem feito.

E eu estou chamando a atenção de vocês para essa observação do evangelista: “Conforme seu costume, Jesus entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura”. Vemos um jovem comprometido com a sua comunidade de fé, fiel às tradições religiosas do seu povo. E, mesmo sendo o filho de Deus, está integrado numa prática religiosa concreta, valorizando e participando das celebrações de sua comunidade. Claro, nós não somos judeus, embora conservemos os seus livros sagrados do Antigo Testamento. Nós cristãos, guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus que foi nesse dia, mas conservamos o mesmo ritmo de celebrações semanais em nossas igrejas.

Guardando a mensagem

Nós seguidores de Jesus estamos sempre aprendendo com ele sobre como nos conduzir nessa vida, como agradar a Deus, como viver em fraternidade com os nossos semelhantes. O bom seguidor de Jesus o imita também na fidelidade com que ele participava na celebração semanal de sua comunidade, na sinagoga de Nazaré. À sua imitação, procuramos ser fieis à celebração dominical. Nessa sagrada reunião semanal, ouvimos a Palavra de Deus e celebramos a Ceia do Senhor. Isso tem que ser um hábito na vida de cada um de nós, um compromisso semanal. Sem esse ritmo, nossa vida cristã se alimenta vaga e ocasionalmente. O resultado é uma vida espiritual fraca, apagada e desligada do ritmo litúrgico da Igreja. Precisamos aprender com Jesus. Ele não faltava, aos sábados, à celebração de sua comunidade. E veja que ele não apenas era um fiel presente, mas um fiel participante. Assumia tarefas na celebração. É o que lemos hoje: ele levantou-se para fazer a leitura bíblica e depois explicou a palavra, como era costume os leigos fazerem nas sinagogas. A nossa tem que ser também uma participação ativa: ouvindo, rezando, cantando, oferecendo, comungando.

Conforme seu costume, Jesus entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura (Lc 4, 16)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Vendo o modo com que habitualmente frequentavas a sinagoga, no dia santo dos judeus, aprendemos a ter um grande amor pela comunidade e pela igreja que frequentamos. Queremos aprender contigo, Senhor, esse compromisso com a celebração semanal, com a audição da palavra de Deus, com a oração em comunidade. Nossa mãe Igreja tem nos ensinado que é assim que santificamos o dia do Senhor, o dia da tua e nossa ressurreição. Ajuda-nos, Senhor, a vencer a preguiça, a acomodação e sempre dar prioridade ao encontro comunitário dominical acima de qualquer opção de lazer ou de descanso. Ensina-nos, Senhor, a amar a santa palavra de Deus e a respeitar e querer bem aos nossos ministros. Que no Livro da Vida, possa ficar escrito sobre cada um de nós: “Conforme o seu costume, esse filho de Deus (ou essa filha) estava na Igreja todo domingo e participava ativamente, inclusive com tarefas na liturgia”. O teu exemplo e a tua graça, Senhor, nisto nos sustentem. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Bom, hoje ainda é quinta-feira. Mas, você pode ir logo se programando. No final de semana, reserve sempre o melhor horário para a Santa Missa. Para Deus, o seu melhor. Faça como Jesus.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

DEUS NÃO ABANDONA OS SEUS FILHOS

 


06 de janeiro de 2020


EVANGELHO


Mc 6,45-52

Depois de saciar os cinco mil homens, 45Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. 46Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar.
47Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. 48Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles andando sobre as águas, e queria passar na frente deles.
49Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. 50Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo!” 51Então subiu com eles na barca, e o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, 52porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido.

MEDITAÇÃO


Jesus logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! (Mc 6, 50)

O evangelho de hoje conta que Jesus foi ao encontro dos discípulos, andando sobre o mar. E quando entrou na barca, o vento se acalmou. E que os discípulos estavam apavorados e assustados. E por quê? Disse o evangelho: porque eles não tinham compreendido nada a respeito dos pães. Vamos ver se a gente entende isso.

Você se lembra da cena dos pães, de ontem, não lembra? Jesus encontrou-se com um povo numeroso e encheu-se de compaixão. Ensinou muitas coisas e, no fim do dia, repartiu cinco pães e dois peixes com todo mundo. Foi uma refeição farta, pelas sobras que se recolheram. Quando tudo terminou, Jesus obrigou os discípulos a tomarem a barca e irem a uma cidade do outro lado do mar, o grande lago da Galileia. Depois que despediu o povo, Jesus foi rezar no monte.

A travessia na barca foi se complicando. Escureceu, o vento foi ficando forte e contrário. Já perto de amanhecer o dia, eles cansados de remar, viram um vulto andando sobre o mar, vindo na direção deles. Foi um medo só. Pensaram que fosse um fantasma. Jesus de lá gritou: “Tenham coragem. Sou eu. Tenham medo não”. Jesus se aproximou, subiu na barca e ficou com eles. O vento cessou e a viagem foi tranquila. Os discípulos estavam pasmos, espantados.

O que aconteceu com os discípulos, podemos resumir, foram duas coisas. Primeiro, eles não estavam conseguindo atravessar o lago, por causa da escuridão e do vento contrário. E segundo, eles não reconheceram Jesus que foi ajudá-los, por causa do medo de que estavam possuídos.

Eles remavam noite adentro e não conseguiam avançar. Essa travessia na barca é uma representação da missão que Jesus lhes confiou. Representa também as dificuldades que experimentamos hoje no cumprimento de nossa missão. As dificuldades vinham de fora (a ventania) e deles mesmos (a escuridão). Eles podiam ter pensado: ‘Gente, ontem, nós vimos aquele povo na mesma situação, ovelhas sem pastor, enfrentando a ventania da dispersão, da doença, da fome. E nós vimos: Deus mandou um pastor para cuidar do seu rebanho, Jesus ensinou e alimentou aquele povo todo. Ele não nos abandona. Deus está conosco’. Mas, eles não tinham aprendido a lição dos pães.

Aí Jesus, com pena deles, foi em seu socorro, andando sobre o mar. Eles conheciam as Escrituras. Sabiam que só Deus é quem anda sobre o mar. Já tinham ouvido isso no livro de Jó: “Só ele estende os céus e anda sobre as ondas do mar” (Jó 9,8). Mas, ao verem Jesus que vinha sobre as águas eles quase morreram de medo. Não tinham aprendido a lição da multiplicação dos pães. Em Jesus, age o próprio Deus, na sua grandeza, no seu poder. Jesus disse “Sou eu”, uma palavra que se repete na Bíblia como uma apresentação do próprio Deus.

Guardando a mensagem

Contando a história da travessia do lago, naquela noite de ventos fortes, o evangelista São Marcos comentou que os discípulos não tinham compreendido o que acontecera com os pães, estavam com o coração endurecido. E não entenderam, pelo menos, duas coisas. Primeiro, que Deus não abandona seus filhos. Foi o que Jesus tinha explicado e mostrado na prática: Deus, no seu amor de pai, não dá as costas ao povo necessitado, nem desampara seus filhos nas travessias difíceis. E a segunda coisa que eles não entenderam: Jesus é Deus que vem em nosso auxílio. De fato, mesmo depois da morte de Jesus, não foi fácil eles se convencerem da sua ressurreição. E quando não se crê no poder de Deus que nos liberta do mal e da morte, vive-se com medo.

Jesus logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo! (Mc 6, 50)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Tu acalmaste os discípulos, dizendo: “Sou eu. Não tenham medo”. Disseste SOU EU. O Pai tinha falado assim, no Monte Sinai, a Moisés: ‘Diga ao Faraó que EU SOU mandou dizer que liberte o meu povo'. EU SOU é Deus. No meio daquele vendaval, naquela noite escura, os discípulos fizeram uma experiência maravilhosa: a tua revelação como Deus. Tu, Senhor Jesus, és o Deus que domina o mar, que acalma a tempestade. Em nossas travessias difíceis, enche-nos de confiança. Em nossas noites escuras, reveste-nos da fé. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

É possível que, hoje, se apresente uma oportunidade para você dizer uma palavra de fé que ajude a acalmar alguma tempestade. Se aparecer essa oportunidade, dê seu testemunho sobre Jesus: anuncie que é ele quem acalma o mar.

E eu aproveito para convidar você para participar, amanhã, da Santa Missa dos Ouvintes que celebro todas as quintas-feiras às 11 horas, com transmissão por facebook, youtube e o aplicativo Tempo de Paz. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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