Mostrando postagens com marcador santa missa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador santa missa. Mostrar todas as postagens

14 março 2020

HORA DE VOLTAR PRA CASA



Tragam um novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete (Lc 15, 23)

14 de março de 2020.

A história que Jesus contou, você conhece bem. O filho mais novo saiu de casa. Gastou a sua herança toda e caiu em grande miséria. Mas, um dia, voltou arrependido. O pai o recebeu de braços abertos e fez uma festa para celebrar a sua volta. O filho mais velho estava fora, e ao voltar viu o barulho da festa e não quis entrar na casa. É a parábola do filho pródigo.

É claro que toda esta parábola tem no centro o tema da misericórdia. Deus é misericordioso, por excelência. E nós, apesar de pecadores, estamos sendo chamados a acolher o seu abraço de pai compassivo que nos restaura como filhos e a ser misericordiosos com os nossos irmãos, imitando o nosso bom pai.

Revendo esse texto hoje, me dou conta que no centro da história há uma festa, um banquete. Olha só as palavras que aparecem: festa, festejar, alegria, dança, música. Onde é a festa? Na casa do pai. Qual é ponto central da festa? O banquete. Olha o versículo 23: “Tragam um novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete”. E qual é o motivo da festa? A volta do filho, a acolhida do pecador arrependido. Há um intenso clima de alegria e de celebração pela volta do pecador. E foi por causa dessa comemoração, negando-se a aderir aos sentimentos do pai, que o outro filho não quis entrar na casa.

E você sabe por que esse “banquete” me chamou a atenção? Por causa da Santa Missa. A Eucaristia é um banquete, uma ceia festiva. “Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. Essa festa na casa do pai do filho pródigo está em continuidade com os banquetes que Jesus participava na casa dos amigos e convertidos: Levi, Zaqueu, Lázaro e suas irmãs... A ceia é uma festa para a acolhida do filho perdido, a festa de sua conversão. “Haverá mais alegria no céu por um só pecador que se converte do que por 99 justos que não precisam de conversão”, disse Jesus. A Santa Eucaristia é uma festa para celebrar a volta do filho pródigo, a sua comunhão restaurada com o Pai. Veja que a Missa começa sempre com o ato penitencial, em que o pecador confessa a Deus e aos seus irmãos que pecou “por sua culpa”, por sua “tão grande culpa”. A Santa Missa é, então, o banquete em que se celebra a misericórdia do Pai que acolhe o pecador; que me acolhe, filho voltando pra casa.

É, alguém pode até estranhar, e com razão. E dizer, sim, mas “a missa é o sacrifício de Jesus”. Com certeza, mas é também a ceia, o banquete da comunhão dos filhos com o Pai, por meio de seu filho Jesus, que se oferece por nós, renovando o sacrifício de sua cruz. É a reedição da última ceia de Jesus com seus amigos, na véspera de sua paixão. Mas, veja o que é surpreendente: esse aspecto do sacrifício está presente também nessa parábola do filho pródigo. Sim, o banquete é do novilho cevado. E o filho mais velho ainda fala do cabrito, que o pai nunca deu para ele festejar com os seus amigos. “Novilho” lembra o sacrifício dos animais no Templo. Então, estamos bem no clima da liturgia, no tema do sacrifício de Jesus. Na cruz, ele se ofereceu qual cordeiro imolado na páscoa. Não há mais necessidade de sacrifícios de animais, pois o cordeiro de Deus já foi imolado, em perdão dos nossos pecados. E a volta do filho pródigo, a sua acolhida pelo Pai misericordioso, foi possível pelo sacrifício redentor de Cristo Jesus. É o seu sacrifício que renovamos na Santa Missa.

Guardando a mensagem

Neste 18º dia da Quaresma, véspera do dia do Senhor, a parábola do filho pródigo nos traz uma bela catequese sobre a Missa. A Santa Eucaristia recebe uma boa explicação nessa parábola do filho perdido e encontrado. Três significados maravilhosos da Santa Missa estão aí comentados: o sacrifício de Jesus que nos restaurou como filhos, o banquete da comunhão dos filhos na mesa do seu Pai e a ação de graças pela restauração do filho perdido. Afinal, a Missa se explica pela misericórdia de Deus. É a celebração da conversão do pecador, da vida nova de filho na comunhão dos irmãos, do amor imenso do Pai manifesto no sacrifício redentor do filho. A Missa é a festa da misericórdia.

Tragam um novilho gordo e o matem. Vamos fazer um banquete (Lc 15, 23)

Rezando a mensagem

Senhor Jesus,

Segundo a história que nos contaste, os dois filhos estavam perdidos. Os dois precisavam reingressar na comunhão da casa do pai. O mais novo tinha saído de casa e voltou. O mais velho tinha saído para trabalhar e, na volta, não quis entrar na casa. A conversão era necessária para os dois. Um pecou contra o pai porque o traiu, esbanjando os seus bens. Outro pecou contra o pai porque não o imitou em sua misericórdia, acolhendo o seu irmão. Então, todos precisamos de conversão. Ajuda-nos, Senhor, a voltar pra casa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Rezando a Palavra

Essa parábola do filho pródigo já está nos preparando para a Missa do 3º domingo da Quaresma. A sugestão é você se planejar para não faltar à Santa Missa, amanhã.

14 de março de 2020.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


15 fevereiro 2019

O PÃO DE JESUS


Jesus pegou os sete pães e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que os distribuíssem (Mc 8,6 ).
16 de fevereiro de 2019
O povo está com Jesus numa região deserta. É uma multidão numerosa, umas quatro mil pessoas. Estão com fome. Jesus, com pena daquela gente, quer alimentá-los. Mas, como? - perguntam os discípulos.  Com os sete pães que os discípulos tinham; Jesus alimentou todo mundo. O povo se sentou, Jesus pegou os pães, deu graças e os deu aos discípulos que os distribuíram com a multidão. O mesmo fez com alguns peixinhos. As sobras encheram sete cestos.
Uma história tão simples e tão cheia de significados  Sete pães e sete cestos de sobras. Esse mesmo evangelista Marcos conta outra multiplicação de pães. Na outra, sobraram doze cestos. Doze é o número do povo de Deus. Tudo bem. Deus alimenta o seu povo. Nesta, Jesus está em território pagão. Sete é o número das nações pagãs, quando o povo chegou em Canaã. Também os pagãos têm lugar no banquete de Jesus.
Bom, mas eu queria que a gente se concentrasse no lindo significado que tem esse  texto, como uma catequese que é da Eucaristia, da Santa Missa. Veja só a pista que o evangelista deixou. Os discípulos comentaram: “Como poderia alguém saciá-los de pão aqui no deserto?”. Pense comigo: quando foi que o povo foi saciado de pão no deserto? Pensou?.... lembrou-se do “maná”? Perfeito. No tempo antigo, o povo que peregrinava no deserto, com fome, sem comida, foi alimentado por Deus com o maná. Deus teve compaixão do seu povo e mandava toda manhã o maná, o pão que descia do céu.
Jesus tem compaixão daquele povo que está com ele já há três dias, com fome, e providencia o alimento. Agora, acompanhe os gestos de Jesus: “Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que os distribuíssem. E eles os distribuíam ao povo”. Deu pra todo mundo. Ficou todo mundo satisfeito. As sobras foram recolhidas. E Jesus despediu a multidão. Essas palavras vão se repetir na última Ceia. Essa refeição coletiva é já uma preparação para a Eucaristia, uma espécie de catequese sobre a Santa Ceia.  
Na narração, percebe-se a estrutura da celebração da Eucaristia: o povo reunido em torno de Jesus; Jesus que anuncia o Reino de Deus; Jesus que toma os pães, dá graças, reparte e manda distribuir;  a multidão que é alimentada; a despedida. É a estrutura da missa: a acolhida, a mesa da palavra de Deus, a mesa do pão consagrado, a despedida.
Guardando a mensagem
Olha quanta coisa podemos aprender nesse texto: antes do pão, vem a Palavra (Jesus passou três dias anunciando o Reino de Deus ao povo, antes da multiplicação dos pães);  a Eucaristia é especialmente partilha, dom de si mesmo aos outros (Os discípulos só tinham sete pães e alguns peixinhos e ofereceram tudo. Eles recebiam os pedaços de pão de Jesus e os entregavam ao povo); a Eucaristia é o próprio Jesus que se entrega em alimento para a multidão faminta (Jesus mesmo parte o pão e o entrega, como se a si mesmo se desse em alimento);  toda refeição em família é uma espécie de eco da Eucaristia (ali também damos graças a Deus e abençoamos a comida); as sobras devem ser recolhidas e guardadas (é assim que guardamos a reserva eucarística no sacrário e também aprendemos que devemos evitar todo desperdício de alimento).
Jesus pegou os sete pães e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que os distribuíssem (Mc 8,6 ).
Acolhendo a mensagem
Senhor Jesus,
Vemos nessa cena da multiplicação dos pães no deserto, uma preparação para a Ceia Eucarística que celebraste com teus discípulos, antes de tua paixão e que celebras conosco todos os dias, especialmente no domingo, o dia de tua páscoa. Tu és o pão da vida. Tu a ti mesmo te deste como alimento, verdadeiro maná que alimenta para a vida eterna. Concede-nos, Senhor, que aprendamos contigo a compaixão e a partilha como disposições necessárias para celebrar contigo o sacramento da Eucaristia. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Como estamos em um final de semana, podemos fazer desse texto uma preparação para a Santa Missa do domingo, o dia do Senhor. Na Missa, amanhã, você vai escutar a narração da última ceia, como na multiplicação dos pães no deserto: “tomou o pão, deu graças, partiu e o deu aos discípulos...”. Você também vai estar no meio da multidão faminta, vai receber o alimento da Palavra e da Eucaristia. O mesmo Jesus que alimentou o povo no deserto vai estar lá, cheio de compaixão, dando-se como alimento. Não falte, amanhã, na santa Missa.

Pe. João Carlos Ribeiro – 16.02.2019