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20200228

O JEJUM E A CONVERSÃO DO CORAÇÃO

Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão (Mt 9, 15)


28 de fevereiro de 2020.



Chegamos ao terceiro dia da Quaresma. É muito importante que a gente não perca nenhum dia deste programa de crescimento que é a Quaresma. O passo a ser dado hoje é entender o jejum, como expressão de nossa conversão. 

A pergunta veio de um grupo muito querido de Jesus, os discípulos de João. Jesus tinha participado do batismo de João Batista, no Rio Jordão. João o tinha apontado como cordeiro de Deus. E alguns dos discípulos do Batista tinham se tornado discípulos seus. Então, a pergunta deles era séria. Não tinha segundas intenções. E o que eles queriam saber? Queriam saber por que os seus discípulos não praticavam o jejum como eles e os fariseus? A resposta de Jesus foi essa: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”. O que Jesus quis dizer com isso?

Podemos entender todo o ministério de Jesus como a renovação da aliança com Deus. Jesus veio pra isso: para restaurar a comunhão com Deus que foi destruída pelo pecado (desde Adão) e pela infidelidade de Israel, o povo da Aliança. Não é à toa que o evangelho de São João praticamente comece com as bodas de Caná, o casamento que precisou da intervenção de Jesus para dar certo. A aliança, à moda do casamento, é entre Deus e o seu povo. Jesus é o noivo. Veja o que ele respondeu: enquanto o noivo está presente (ele), os amigos do noivo (os discípulos) não podem jejuar. Mas, depois que o noivo for tirado do meio deles (a sua morte), eles jejuarão.

O jejum é uma expressão de nossa conversão. Bom, nossa primeira conversão foi celebrada no batismo, nas águas. Lá, fomos lavados dos nossos pecados. Mas, infelizmente, continuamos a cair, a falhar, a pecar. Por isso, precisamos estar em permanente atitude de conversão. Deus sempre nos perdoa. Mas, para isso, precisamos da conversão do nosso coração. O jejum é uma forma de cultivamos essa conversão. Ficamos tristes pelo pecado que cometemos. Esse sentimento do reconhecimento de nosso pecado, da dor que sentimos por nossa infidelidade a Deus, é expresso também nas práticas externas do jejum, da esmola e da oração. Essas práticas nos ajudam a cultivar a conversão interior e a implorar a misericórdia de Deus, o seu perdão. Ele que já nos purificou pela água do batismo, pode também nos purificar pelas lágrimas do nosso arrependimento.

O jejum tem, então, essa conexão com Deus, a quem ofendemos e a quem demonstramos nosso arrependimento, cultivando a conversão do nosso coração. Mas, o jejum tem também uma conexão com minhas atitudes em relação aos meus irmãos. No livro do Profeta Isaías, o próprio Deus nos diz qual a verdadeira obra que ele espera de nós, o jejum que ele prefere. São obras pelas quais procuramos, em relação ao nosso próximo, o alívio do seu sofrimento, a libertação da opressão, a partilha do pão, do teto e da roupa com os mais sofridos.

Guardando a mensagem

O jejum é uma forma de penitência, pela qual me uno ao padecimento de Cristo, em sua paixão. É também um gesto de amor fraterno, no sentido de que me faço solidário com quem está em dificuldade. Você pode jejuar em qualquer dia na Quaresma. O mínimo está previsto pela disciplina da Igreja: na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira da paixão. A abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma também faz parte de nossa caminhada penitencial, nesse período. Além do alimento, a gente pode fazer jejum de televisão, de barzinho, de bebida alcoólica, de cigarro, de internet, de whatsapp. Renunciar, pra ficar mais resistente, pra ter mais força interior, para unir-se a Cristo em sua cruz e aos irmãos em suas necessidades. 

Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão (Mt 9, 15)

Rezando a palavra

Senhor nosso Deus,

Que te deixas comover pelos que se humilham e te reconcilias com os que reparam suas faltas, ouve como um pai as nossas súplicas. Derrama a graça da tua bênção sobre nós que estamos em Quaresma, desejosos de ouvir a palavra do teu filho Jesus, de ser fieis à vida de oração pessoal, e de praticar a penitência e a caridade, em preparação das celebrações da Santa Páscoa que se aproximam. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Vivendo a palavra

Bom, não temos pra onde correr. A prática da palavra de hoje é o jejum, jejuar. Se você passou batido(a) na quarta-feira de cinzas, tem ainda a sexta-feira da paixão. E, hoje, como todas as sextas da quaresma, é dia de abstinência de carne. Você sabe, essas práticas externas têm valor se cultivarem a conversão do coração em relação a Deus e aos sofredores.

28 de fevereiro de 2020

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




20181015

LEVANDO JESUS A SÉRIO

No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. (Lc 11, 32)
15 de outubro de 2018.
O evangelho de ontem (Mc 10) reforçou o convite de Jesus a cada um de nós: “Vem e segue-me!”. O que nos faz cristãos é exatamente isto: o seguimento de Cristo. Para andarmos ao lado dele, no caminho, ele nos indicou duas condições: estarmos livres e sermos solidários. Para alcançar a vida eterna, ele nos ofereceu uma nova direção para a nossa vida: o seu seguimento.
A resposta do jovem rico à proposta de Jesus foi frustrante. A resposta dos apóstolos foi generosa. Eles deixaram tudo para segui-lo. E a resposta daquele povo da Galileia que Jesus estava evangelizando? Parece que Jesus andava meio decepcionado... Ele estava dizendo: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas”.
Jonas foi um sinal para o povo de Nínive. Ele, a mando de Deus, pregou por três dias na grande cidade, anunciando o castigo de Deus sobre todo aquele povo. Castigo por conta de sua impenitência, de sua vida de maldade e violência. E o povo de Nínive, diante daquela pregação do profeta, tomou consciência de sua condição e implorou a misericórdia de Deus. Acolheu a pregação de Jonas como um convite urgente à penitência e à conversão. Do pequeno ao grande, do pobre ao rei, todos se sentaram em cinzas e pediram perdão de seus pecados. Jonas foi um sinal para o povo de Nínive. Uma convocação à conversão. Mas, também um sinal da misericórdia de Deus, pois Deus, tendo desistido do seu intento de destruir tudo, mostrou a sua misericórdia, dando o seu perdão.
Esse sinal de Jonas para o povo do seu tempo estava sendo reeditado na presença de Jesus, na sua pregação. Como Jonas foi um sinal para o povo de Nínive, assim Jesus seria para o povo do seu tempo. Jonas pregou por três dias, cobrindo toda aquela cidade pagã. Jesus pregou por três anos, percorrendo todo o país. Ele também trazia um convite urgente à conversão. Jesus começou sua missão, convidando todos a acolherem o Reino que estava se aproximando: convertam-se e creiam no evangelho. O convite à conversão, na verdade, é um convite à acolhida da misericórdia de Deus.
Jesus estava lembrando que o povo de Nínive recebeu melhor o profeta Jonas do que a ele. Converteu-se à pregação de Jonas. E ali, Jesus não estava encontrando a mesma acolhida, nem a mesma disposição para a conversão. O povo de Nínive iria ser juiz do povo de Deus do tempo de Jesus. E iria condená-lo.
Guardando a mensagem
O povo pagão de Nínive converteu-se à pregação de Jonas. O povo de Deus do tempo de Jesus respondeu com indiferença à sua pregação. E um bom grupo reagiu com violência à boa notícia anunciada por ele. A pregação do Evangelho, que anuncia o Reino de Deus, continua hoje e chega até você e à
sua família. Como é que vocês estão reagindo a esse anúncio que pede conversão e acolhida do amor de Deus? Como o povo de Nínive? Como o povo do tempo de Jesus?
No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. (Lc 11, 32)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
essa página do Evangelho vem reforçar nossa caminhada cristã, que é um permanente convite à conversão, à acolhida da vida nova que tu nos alcançaste em tua cruz. Concede-nos, Senhor, que vençamos a indiferença, que é atitude típica do nosso tempo: o não ligar, o deixar pra lá, o não dar importância. Que a tua Palavra encontre abrigo em nossos corações e em nossas vidas, nos animando num processo de verdadeira conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, nesta segunda-feira, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão.
Faltam 03 dias para o lançamento de minha nova música nas plataformas digitais e redes sociais. CONFIAR EM DEUS.

Pe. João Carlos Ribeiro – 15.10.2018

20180221

VAMOS LEVAR JESUS A SÉRIO!


MEDITAÇÃO PARA A QUARTA-FEIRA, DIA 21 DE FEVEREIRO DE 2018.
E aqui está quem é maior do que Jonas (Lc 11, 32)
A quaresma vai andando. Já estamos no seu oitavo dia. O grande tema da quaresma é a conversão. Esse tema volta, no evangelho de hoje, sob um novo aspecto. A conversão é a resposta à pregação do profeta. Jonas foi um sinal para os ninivitas. Eles se converteram quando ouviram a sua pregação.  
O livro do Profeta Jonas é superinteressante. Deus o mandou em missão. Ele tomou o rumo contrário e deu-se mal. Depois de ter sido jogado no mar, pois o navio estava afundando, ele foi tragado por um grande peixe e devolvido vivo, na praia, depois de três dias. Finalmente, decidiu-se a realizar o trabalho missionário para o qual fora designado. Foi pregar em Nínive, uma cidade pagã muito grande. Eram necessários três dias para atravessá-la. A pregação de Jonas era simples e forte: “Ainda quarenta dias e Nínive será destruída”.
Os ninivitas acreditaram em Deus e começaram a fazer jejum e cobrir-se de sacos, em sinal de penitência. O próprio rei aderiu ao clamor geral do país e o ampliou para todos os recantos do reino. Resultado: Deus viu as obras de conversão daquele povo, cada qual afastando-se do seu mau caminho, teve compaixão daquela gente e suspendeu a destruição anunciada. Jonas não gostou nada desse recuo divino, mas tudo bem.
Jesus estava falando com o seu povo e lembrou essa interessante história de Jonas. Ele foi um sinal para aquele povo pagão. À sua pregação, o povo respondeu com a conversão. E era isso que Jesus pretendia dos seus ouvintes, desde o começo. Como Jonas, ele fez um anúncio simples e forte: “O Reino está próximo de vocês. Convertam-se e creiam”. Só que ele estava esperando um resultado melhor, uma resposta mais generosa. E a resposta, claro, só poderia ser a conversão. Por isso ele se queixou: “E aqui está alguém maior do que Jonas”.
Vamos guardar a mensagem
A conversão é a nossa resposta à pregação do evangelho. O povo da grande cidade pagã de Nínive respondeu à pregação do profeta Jonas com a fé (“acreditaram em Deus”) e a conversão (“afastou-se dos seus maus caminhos e de suas práticas perversas”). O clima penitencial em que eles mergulharam os ajudou a cultivar e a exprimir a conversão do coração. Eles jejuaram, cobriram-se de saco, sentaram-se em cinzas. O clima penitencial é para cultivar e exprimir a conversão. Se não chegamos às obras de conversão, à mudança de vida, de nada valerão essas práticas externas. Você tem escutado a pregação de Jesus. Eu também. Então, é bom a gente levá-lo a sério e responder-lhe com obras de conversão. Se eles tiveram tanta consideração por Jonas, como nós não levaremos Jesus a sério?
E aqui está quem é maior do que Jonas (Lc 11, 32)
Vamos acolher a mensagem
Senhor Jesus,
Foi bom teres lembrado do teu profeta Jonas. O anúncio dele falava em quarenta dias, o prazo para a cidade de Nínive ser destruída. Mas, pela conversão daquele povo, foram quarenta dias para receberem o perdão e serem confirmados no caminho da conversão.  Esses “quarenta dias” podem nos lembrar a quaresma. E os três dias necessários para percorrer a grande cidade? Isso também se parece com o teu ministério, que percorreste o país por três anos, pregando o Reino de Deus. E no Reino de Deus, como lembraste, só se entra pela conversão. Ajuda-nos, Senhor, pela assistência do teu Santo Espírito, a rever a nossa vida, a acertar o nosso passo contigo e a realizar obras de conversão em nossas vidas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre.
Amém.
Vamos viver a palavra
Estou contando que você já tenha o seu diário espiritual, ou a sua agenda bíblica ou o seu caderno de anotações. Creio que este seja um recurso útil para o seu caminho de crescimento espiritual. Bom, nele, hoje, depois de pensar um pouco, responda a esta pergunta: Que obra de conversão Jesus pode esperar de mim, até o final desta quaresma?     

Pe. João Carlos Ribeiro – 20.02.2018

20171005

APÁTICOS OU FERVOROSOS?


Se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no meio de vocês, há muito tempo teriam feito penitência (Lc 10, 13).
Corazim e Betsaida eram localidades da Galileia, na terra de Jesus. A Galileia foi a área de maior atuação do nosso Mestre. Por aquela região, ele circulou muitas vezes, pregou em suas sinagogas, curou muita gente.  Tiro e Sidônia eram localidades fora da área de Israel, consideradas terras de pagãos. Mesmo que estivessem nas fronteiras do povo eleito, eram comunidades estrangeiras. Segundo o pensamento reinante, os pagãos estavam fora da abrangência das promessas de Deus feitas a Israel. É verdade que Jesus fez diversas incursões pelo território dos pagãos, pelo estrangeiro. Mas, naquele primeiro momento, também ele estava mais preocupado com o povo da promessa. Uma vez, ele mesmo disse que tinha vindo somente para as ovelhas perdidas da Casa de Israel.
Corazim e Betsaida, como as outras localidades da Galileia por onde Jesus circulou com tanto zelo e prioridade, não responderam ao Mestre com entusiasmo, com adesão vibrante, com muitas conversões. Mostraram-se frias, apáticas, reticentes. Em Nazaré, Jesus tinha se queixado que “o profeta só não é bem recebido em sua própria pátria”.
A experiência dos apóstolos, depois da ressurreição de Jesus, foi a adesão entusiasta dos pagãos em muitos pontos do Império Romano. Paulo e Barnabé logo experimentaram isso em Antioquia, na vizinha nação Síria. E depois, Paulo e outros apóstolos, largaram-se mundo afora nas cidades da área do Mar Mediterrâneo, sempre encontrando pouca adesão nas sinagogas dos judeus e vibrante acolhida entre os pagãos.
Então, essa palavra de Jesus hoje é uma queixa contra a pouca acolhida que recebeu no meio do povo eleito (representado por duas localidades: Corazim e Betsaida) e a constatação que o seu ministério estava sendo bem recebido por comunidades fora da terra de Israel (representadas por Tiro e Sidônia).
Vamos guardar a mensagem de hoje
Corazim e Betsaida, hoje, podem ser você, sua família ou sua comunidade. Apesar do trabalho de missionários, de sacerdotes e de tantas oportunidades que vocês têm tido de conhecer o evangelho, pode ser que veja-se pouco crescimento e conversão. Vocês, quem sabe, estarão imitando Corazim e Betsaida, que apesar de terem tido Jesus pregando e libertando pessoas em seu meio, não se tocaram para uma verdadeira conversão. Se esse for o caso de vocês, é bom tomarem para si essa Palavra do Senhor e mudarem, enquanto é tempo.
Se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que foram feitos no meio de vocês,  há muito tempo teriam feito penitência (Lc 10, 13).

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