04 junho 2016

A força que vence a morte

Aproximou-se, tocou o caixão e os que o carregavam pararam. (Lucas 7, 14)

Como em outras passagens do evangelho, a cena descreve sete ações de Jesus: viu a mãe, sentiu compaixão dela, disse-lhe para não chorar, aproximou-se, tocou o caixão, ordenou que o jovem se levantasse e o entregou à mãe. No centro da cena, está a palavra APROXIMOU-SE. Como na história do bom samaritano, foi ele quem viu e se aproximou do homem caído na estrada. Na carta aos Filipenses, Paulo falou dessa “aproximação” de Jesus: ele não se apegou à sua condição divina, mas fez-se humano e servo, abaixando-se ainda mais até à obediência na cruz. Diante de nossa miséria, Jesus veio ao nosso encontro, aproximou-se, encarnou-se. E o faz por amor, por compaixão, por misericórdia.

O enterro do jovem e a dor de sua mãe viúva representam a nossa humanidade pecadora, caminhando para a destruição, para a morte – que é o salário do pecado. Jesus veio ao nosso encontro. Aproximou-se!


Como ele nos salvou? Como restaurou aquela vida descendo para o cemitério, aquela família destruída pela morte do filho único? Ele nos salvou com sua ação e sua palavra libertadoras. Sua ação: ele toca o caixão. Sua palavra: Jovem, eu te ordeno, levanta-te. É uma representação do que ele fez por nós. Ele tocou o nosso caixão. Não se podia tocar um caixão ou um morto. Ficava-se contaminado pela impureza. E foi isso que ele fez: ele assumiu nossas dores, tomou sobre si o nosso fardo, carregou-se com a nossa cruz. Ele morreu no nosso lugar, livrando-nos da morte eterna. E nos ordenou que nos levantássemos da morte. É o seu evangelho, uma palavra que comunica vida, a palavra que nos liberta. A pregação do Reino é a proclamação de nossa vitória sobre o pecado, o mal e a morte. Foi assim que ele nos libertou, por sua palavra e por sua morte redentora.

O evangelho que estamos ouvindo ou lendo é uma síntese da intervenção de Jesus em nossa história, contada no episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim. Sua presença, sua palavra e seu sacrifício redentor são a força que barra o enterro de tantos jovens ceifados prematuramente pela droga, pela violência, pelos acidentes de trânsito, pela doença. Os cristãos são portadores dessa graça no mundo, graça que vence o mal, barra a procissão da morte. Nós experimentamos, em nossa vida, essa força divina restauradora e a testemunhamos com palavras e ações libertadoras. É aí que se explica o nosso compromisso com as forças que promovem a vida, a saúde, a liberdade, a paz.  É em Cristo Jesus que tiramos força para lutar e vencer a corrupção, o descaso, a violência, a droga, a miséria.

Aproximou-se, tocou o caixão e os que o carregavam pararam. (Lucas 7, 14)


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb - 05.06.2016.