15 abril 2013

15 de abril - 101 anos do naufrágio do Titanic

Cem anos depois do triste episódio do Titanic, um novo navio zarpou do mesmo porto de Southampton, no sul da Inglaterra, para refazer durante 12 dias a viagem do Titanic, que naufragou em 1912. Entre os passageiros do cruzeiro, viajam turistas de 28 países e parentes de vítimas e sobreviventes do naufrágio, assim como especialistas em sua história.

Em 1912, há um século, deu-se a viagem inaugural do maior navio de que se tem notícia. Um transatlântico fabulosamente grande e luxuoso. Na sua viagem inaugural, mais de 2.100 pessoas a bordo. O luxuoso Titanic afundou na sua viagem inaugural, ao chocar-se com um iceberg, uma montanha de gelo no meio do mar. Em 2 horas e 40 minutos afundou. Salvaram-se apenas 600 pessoas, quase todas mulheres e crianças da primeira classe. Mais de 1.500 passageiros e tripulantes morreram: afogados, presos dentro do navio inundado, no choque com a água e sobretudo congelados.

Bom, isso é o filme. Não, não, isso são dados da história. Coisa acontecida em 1912. Coisa real e muito atual. A tragédia de sempre da soberba humana. Por que afundou o Titanic? Seus construtores queriam o navio mais forte, portentoso e rápido da história. A obra chamou a atenção do mundo inteiro. Insuperável. Insubmergível. Alta tecnologia. Surpreendente no tamanho, no luxo, na segurança. No filme, seu proprietário e seu construtor comentam: "Foi feito para não afundar. É insubmergível. Nem Deus pode afundá-lo". E para causar maior efeito na imprensa internacional, as ordens foram de lançá-lo à máxima velocidade mar adentro. Quando chegassem em Nova York, dias antes do previsto, a obra prima e seus donos iriam deleitar-se com o delírio da opinião internacional. 

"Nem Deus pode afundá-lo". Não é só do convés do Titanic que ecoa esta blasfêmia. Quase dá para gente lembrar a torre de Babel. A torre de tão bela, alta e majestosa desafiava os céus. Seus construtores resolveram: "Nem Deus pode mais conosco". O filme "Inferno na torre" de décadas passadas também mostrou os proprietários e seus convidados na inauguração de um fabuloso arranha-céu. Parecia que estavam no auge da glória, do reconhecimento público, da fama. Inflada a soberba, não sobrou muito quando o incêndio começou num apartamento e ganhou o prédio todo. 

No caso do Titanic, a vanglória também foi tanta que nem os proprietários, nem os construtores, nem o capitão deram ouvido aos comunicados da existência de icebergs no trajeto, não ligaram para os avisos dos práticos do mar. "Nem Deus afunda o Titanic". E ninguém pense que foi Deus que o afundou. Absolutamente. É sempre a soberba humana que cava a sua própria sepultura. Foi a imprudência, a temeridade de querer surpreender a imprensa internacional com a velocidade desenvolvida, o orgulho de serem artífices de uma obra gigantesca, majestosa, invencível. 

Na Bíblia, a experiência do povo de Deus registrou uma coisa impressionante sobre os Impérios que se arvoraram em absolutos e invencíveis. O profeta Daniel decifrou a visão do rei da Babilônia: o império de ferro e bronze tem os pés de barro. 

A quantas chega a soberba humana! Como a vaidade é insana e desastrosa! Assim foi no Titanic de 1912. Assim é nos Titanics menores que nós construímos por aqui. Humildade, modéstia, prudência... é assim que se evitam as tragédias do mar... e da terra. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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