20200912

HOMILIA AMEM SEUS INIMIGOS

VOCÊ COLHE O QUE PLANTA


Não existe árvore boa que dê frutos ruins (Lc 6, 43)

12 de Setembro de 2020

No evangelho de hoje, Jesus compara árvore, homem e casa. Árvore ruim dá frutos ruins. Homem mau tira coisas más do seu coração. Casa sem alicerce desmorona na primeira enxurrada. Por outro lado, árvore boa dá frutos bons. Do coração de um homem bom só sai coisas boas. E casa construída em alicerce sobre a rocha é que resiste às tempestades da vida.

Tudo isso pra dizer que os frutos bons, as obras boas e a resistência às crises são consequências do que a gente planta, das decisões que toma, do alicerce sobre o qual a gente constrói. Você planta um espinheiro, não vai querer colher uvas dele. Você vai juntando coisa ruim no coração, só pode sair coisa ruim de sua boca. A boca fala do que o coração está cheio. Do mesmo modo, sua casa, sua vida, seu negócio, seu casamento não resistirão às turbulência da vida se não tiverem um bom alicerce. Casamento construído nas carreiras se desmancha antes do segundo aniversário. Sem estudo sério, sem alicerce pra valer, você não vai pra frente.

Jesus é o Mestre que está ensinando os seus discípulos a viverem com sabedoria. Muitos livros na Bíblia são assim, de ensinamentos pra gente viver direito. Sobretudo os livros chamados Sapienciais estão cheios de conselhos e orientações sobre como viver bem, sendo fiel a Deus. Você, com certeza, já ouviu ou folheou alguns desses livros bíblicos: os livros da Sabedoria, dos Provérbios, do Eclesiástico, do Eclesiastes, além do Livro dos Salmos.

E a sabedoria que Jesus está ensinando aos discípulos e discípulas tem um fundamento muito simples e claro: construir a própria vida sobre a prática da Palavra de Deus. Ele falou de ir a ele, ouvir sua palavra e pô-la em prática. Ir a ele, porque não é o ensinamento de qualquer um que garante a nossa vida. Nossa garantia está em Jesus. Ele é o filho de Deus, sabe direitinho o que Deus quer.  Ele é o verbo feito carne, sabe bem como podemos viver segundo o coração de Deus. Ir a ele, não a qualquer mestre. Como disse Pedro, naquele sermão depois do Pentecostes, Deus fez de Jesus o nosso Guia. E, indo a ele, ouvir a sua palavra. A sua palavra revela a vontade do Pai. E realizar essa palavra, praticando-a.

Praticando a Palavra de Deus, estamos lançando alicerces sólidos para o futuro; plantando a semente ou a muda que vai dar uma árvore apreciada pelos bons frutos. Assim, enchemos o coração de coisas boas. Na hora oportuna, o homem sábio tirará do tesouro do seu coração coisas boas: compreensão com a fraqueza dos outros, bons conselhos, perdão, esperança, alegria, fé. Na tempestade, a casa resistirá. A gente colhe o que planta. 

Guardando a mensagem

Jesus, Mestre da sabedoria de Deus, nos ensina como viver bem. Para colher amanhã, precisamos plantar hoje e plantar bem. A grande tarefa de hoje é lançar alicerces, que consiste em praticarmos a Palavra de Deus que ouvimos. É como quem constrói uma casa com alicerces profundos, sobre a rocha. Ninguém derruba. É como quem planta uma árvore escolhendo a melhor muda ou a melhor semente. Vai colher os melhores frutos.

Não existe árvore boa que dê frutos ruins (Lc 6, 43)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que bênção é a tua Palavra, Senhor. É a palavra que escutaste do Pai. É a palavra certa para a nossa frágil vida humana que tu bem conheces. Dá-nos, Senhor, o teu Santo Espírito para que transformemos a palavra que escutamos em novas atitudes, em mudança de vida e em alicerce para a nossa casa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Vem aí o Curso Bíblico sobre o Evangelho de São Marcos. O Curso vai ser oferecido em 5 encontros, na semana que vem, nas tardes de 14 a 18 de setembro, das 16 às 17 horas. Eu vou ministrar o Curso, com transmissão pelo Youtube, pelo Facebook e pela Rádio Tempo de Paz. E eu estou lhe enviando uma informação sobre este curso e o link para você se inscrever nele. Aproveite e compartilhe a informação com seus contatos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

20200910

CAIU UM CISCO NO MEU OLHO


Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão (Lc 6, 42)

11 de setembro de 2020

A sensação de ter um cisco no olho é uma coisa muito chata. É o tal do argueiro. E a pessoa mesma pode tirar o cisco do seu próprio olho, banhando os olhos com água na torneira, no chuveiro ou derramando água no olho com um copo, por exemplo. Mas, nada de ficar esfregando o olho. E todo cuidado com as mãos sujas: elas podem aumentar o problema, irritando os olhos ou transmitindo doenças. 

Normalmente, a pessoa precisa da ajuda de alguém para remover o cisco do seu olho. Mas, quem vai ajudar tem que estar com as mãos bem lavadas com sabão, e precisa identificar onde está o cisco, o argueiro. Tem que olhar bem, abaixando a pálpebra do olho e pedindo à pessoa para mover o olho para um lado e para o outro. Identificando o cisco – um cílio, um lixinho ou o que seja – precisa ajudar a pessoa a lavar os olhos com água. Não tendo jeito, tem que levar logo num posto de saúde, numa UPA.

Dessa experiência tão simples, a do argueiro, Jesus tira uma lição muito séria: “Como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho?” Achar defeito na vida dos outros, bem que é fácil. Difícil é identificar os próprios erros e querer consertá-los. É claro que os outros precisam de nós, de nossa amizade, de nossa proximidade, de nossa correção também. Por isso, precisamos estar em condições de ajudar. Mas, ajuda a tirar o cisco do olho do outro ou da outra quem está enxergando bem, não é verdade? Você estando com a sua vista prejudicada, como se tivesse uma trave de madeira nela, não vá se meter a tirar o argueiro do olho do seu irmão!

Alguém que chega atrasado todo dia no trabalho não vai poder corrigir um colega que um dia se atrasou. Primeiro, cuide de andar no horário. Um pai que chama palavrão na vista dos filhos não tem moral para reclamar de um filho que soltou um palavrão. Primeiro, tirar a trave do seu olho para ajudar a tirar o cisco do olho do filho. E aquele outro que não pisa na Igreja, mas fica cobrando que os filhos não percam a Missa no domingo. E aquele casal que nunca chegou a celebrar o seu casamento religioso, como pede a Igreja, e fica cobrando que a filha se case na Igreja.

Guardando a mensagem

Facilmente, percebemos os erros alheios. E os repreendemos. Ajudar os outros a se consertar é uma coisa importante e necessária. Somos responsáveis uns pelos outros. Mas, para tirar o cisco do olho de alguém, preciso estar vendo bem. Acontece que, muitas vezes estamos com uma falha pior do que a que queremos consertar na vida de outrem. A hipocrisia é justamente estranhar o malfeito do outro, quando a nossa vida não é nada exemplar. Realmente, precisamos ajudar quem está ao nosso lado. Mas, primeiro consertemos a nossa vida.

Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão (Lc 6, 42)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Com certeza, em nossa vida há muito a corrigir, por isso nos convidas à conversão todos os dias. Não podemos ensinar sem viver. Não podemos cobrar dos outros o que nós mesmos não fazemos. Ajuda-nos, Senhor, a reconhecer a trave, que talvez tenhamos em nossos olhos, que nos impede de estar em condições de ajudar os outros. Como estás ensinando, um cego não pode guiar outro cego. Dá-nos, especialmente, pela presença do teu Santo Espírito, que não nos arvoremos em juízes de ninguém, que não julguemos para não sermos julgados com a mesma medida. Dá-nos, Senhor, um coração generoso e bom como o teu, para respeitar, amar e perdoar os nossos irmãos em suas faltas e em suas fraquezas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Vem aí o Curso Bíblico sobre o Evangelho de São Marcos. O Curso vai ser oferecido em 5 encontros, na semana que vem, nas tardes de 14 a 18 de setembro, das 16 às 17 horas. Eu vou ministrar o Curso, com transmissão pelo Youtube, pelo Facebook e pela Rádio Tempo de Paz. 

Não esqueça o desafio desse mês da Bíblia: ler o evangelho de São Marcos. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

AMOR AOS INIMIGOS


Amem os seus inimigos. Façam o bem aos que odeiam vocês (Lc 6, 27)


10 de setembro de 2020.

Prepare o seu coração. Jesus nos mandou amar os inimigos. Essa atitude cristã supera o comportamento humano digamos “normal” que seria amar os amigos e odiar os inimigos. Viver na fé em Jesus Cristo nos faz superar essa posição.

Ter raiva é uma coisa natural. Deixar que a raiva tome conta da gente, aí é que não dá. Permitir que a raiva se transforme em rancor, ódio e nos cegue em nossas atitudes, aí não. Segundo o ensinamento de Jesus, o melhor caminho é acalmar o coração e tentar ver em quem nos ofende ou nos agride um irmão, uma pessoa que está equivocada, mas continua a merecer nossa consideração. Não responder-lhe na mesma medida, não desejar-lhe o mal, antes preservar sua boa imagem, querer o seu bem, rezar por ele ou por ela. É o que Jesus está nos dizendo neste evangelho de hoje.

Amar o próximo é o mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. E quando o próximo é o nosso inimigo ou a nossa inimiga, aí a coisa se complica. Amem os seus inimigos, Jesus mandou. Esse é o caminho da perfeição, amar os inimigos. E fazemos assim, porque Deus faz assim. Disse Jesus: “Assim vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com os ingratos e maus”. O Pai é o modelo para o filho. O nosso Pai trata bem os maus, porque ele é pai de todos e a todos ama. Como filhos, nós o imitamos.

O dom da filiação divina, nós o recebemos no batismo, por meio do Espírito Santo. Somos filhos de Deus. Mas, Jesus está nos dizendo “assim vocês serão filhos do Altíssimo”. Então, mesmo tendo recebido a graça de sermos filhos de Deus, precisamos aprender a agir como ele, neste caso, amando os nossos inimigos. Na carta aos Hebreus, a esse propósito, há uma passagem interessante sobre Jesus que aprendeu a ser um filho obediente. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. (Hebreus 5,8). Pelo sofrimento, Jesus aprendeu a obediência de filho. Jesus é o maior exemplo. Na cruz, humilhado, traído, torturado só pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, porque, disse ele, “eles não sabem o que fazem”. Rezou por eles. Também por eles, deu a vida.

Jesus está chamando a nossa atenção para o diferencial do cristão. Não agir como os pagãos ou pessoas reconhecidamente longe de Deus. Eles amam os seus amigos, tratam bem os seus iguais. Aos inimigos, eles pisam, maltratam, prejudicam. E acham tudo normal. Nós não podemos agir assim. Temos que imitar o Pai. Temos que imitar Jesus. Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem, fazer o bem a quem nos maltrata.

Guardando a mensagem

Jesus nos mandou amar os inimigos, fazer o bem a quem nos odeia. E nos deu como modelo o Pai, o nosso Deus. O próprio Jesus é nosso espelho. Imitando Jesus, amamos a todos, queremos o bem de todos e, quando perseguidos, injuriados ou difamados, lutamos para não guardar mágoa, nem alimentar ódio em nosso coração. Antes, rezamos por quem nos faz o mal e queremos o bem de quem nos ofende. É nesse espírito que enfrentamos a defesa dos nossos direitos e a busca da verdade. Sem ódio no coração.

Amem os seus inimigos. Façam o bem aos que odeiam vocês (Lc 6, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Está aí uma coisa difícil: amar os inimigos. Mas, esse é o jeito certo do cristão ser, para parecer contigo, para ter os teus mesmos sentimentos, como nos aconselhou o apóstolo Paulo. Ajuda-nos, Senhor, a tirar do nosso coração todo sentimento de rancor, de ódio, de vingança. Ajuda-nos a cultivar o amor cristão que vê no outro, mesmo no inimigo, um irmão ou uma irmã que precisa encontrar o caminho do bem. Abençoa, Senhor, os que nos fazem o mal. Eles também precisam encontrar a graça da conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Identifique, hoje, na sua história de vida, alguém que lhe tenha feito muito mal. Fale com Jesus, em sua oração, pedindo-lhe forças para perdoar essa pessoa.

E não esqueça o desafio desse mês da Bíblia: ler o evangelho de São Marcos. Ele só tem 16 capítulos. Você já está em qual capítulo?

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



20200909

AS BEM-AVENTURANÇAS


Bem-aventurados vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês! (Lc 6, 20)

09 de setembro de 2020.

Jesus, em sua pregação e em seus milagres, anuncia o Reino de Deus. Comunica que o Reino se aproximou como salvação e vida para todos. Essa é uma boa notícia, uma excelente notícia. A aliança que Deus tinha feito com a comunidade Israel, agora, entra num novo momento. No seu filho, feito homem, Deus abriu as portas de sua casa para todos os seus filhos. Em Jesus, ele está integrando na comunhão de sua casa, todos os que ficaram pelo caminho, os que se afastaram de casa, os que foram deixados do lado de fora. Este é um tempo de restauração, de reconstrução, de inclusão.

Um tempo novo está começando. É este o aviso que Jesus dá ao povo. Chegou o Reino de Deus. Para comunicar isso, ele conta parábolas a esses filhos de Deus dispersos. Eles são as ovelhas perdidas da casa de Israel. São os filhos mais jovens que largaram a família e estão se dando mal num lugar distante. São os famintos atraídos por sua amizade, por sua palavra e por seu pão. São os enfermos que querem tocar nas suas vestes para alívio de seus padecimentos. São os filhos de Deus dispersos. Chegou o Reino de Deus para eles.

Todo tempo novo tem seu manifesto. Manifesto é uma declaração pública de princípios e intenções. A partir da denúncia de uma situação, o manifesto conclama a comunidade para a ação, para um novo tempo. O manifesto do Reino abre um novo tempo, de rupturas e novidades. Num certo momento, Jesus proclamou o manifesto do Reino. São as bem-aventuranças. Delas, temos duas versões, a de Mateus e a de Lucas. Na que lemos hoje, a de Lucas, há uma lista de 4 tipos de bem-aventurados e 4 tipos de mal-aventurados. Quatro, na Bíblia, é um número de totalidade. Todos estão contemplados nessas listas. Nós também.

Os bem-aventurados são os cidadãos do Reino de Deus, aqueles que não tinham sido convidados, mas agora estão sendo convocados e reunidos das praças e de todos os caminhos. São os que foram esquecidos, excluídos ou marginalizados da vida, como o Lázaro da porta do ricaço. Eles têm quatro representantes: os pobres, os famintos, os entristecidos, os perseguidos. Esses são os cidadãos do Reino. O Reino para eles é mudança completa de sua condição. É a sua herança, a fartura de pão, a festa da alegria, a recompensa de profeta.

Os desventurados (‘mal-aventurados’) são os convidados que não compareceram à festa de casamento do filho, segundo uma das parábolas. Eles se excluíram. São os que colocaram sua confiança na riqueza e no poder. Todos esses estão representados por quatro categorias: os ricos, os fartos, os gozadores, os aplaudidos. São falsos profetas. Vai ser muito ruim pra eles terem rejeitado a oferta do Reino de Deus. Ai de vocês, diz Jesus, à moda dos velhos profetas de Israel. Vocês se fecharam à novidade do Reino. Neste ponto, o evangelho é um forte convite à conversão. É preciso despojar-se de toda grandeza, de toda autossuficiência, de todo apego ao prestígio e ao poder para acolher o Reino de Deus. 

Guardando a mensagem

As bem-aventuranças do Evangelho são o manifesto do Reino de Deus. Os cidadãos desse novo tempo – o tempo do Reino de Deus – são os pobres, os necessitados de Deus e de sua ação libertadora. Os pobres estão descritos nas bem-aventuranças. Eles são os sofredores, os perseguidos, os famintos e sedentos, os injustiçados. Nesse novo tempo que começou com a presença de Jesus, eles são felizes, são bem-aventurados porque para eles o Reino é bênção, perdão, libertação.

Bem-aventurados vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês! (Lc 6, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Dividiste os teus ouvintes em dois grupos, o dos bem-aventurados e o dos mal-aventurados. Entendemos que na condição de autossuficiência, nos excluímos do Reino, porque não nos parecem necessários o amor do Pai, o seu pão, a sua festa, a sua recompensa. Em nossa condição de grandeza, não precisamos do irmão, do seu pão, do seu respeito, do seu amor. Ficamos fora do Reino. E isso, nós não queremos. Ajuda-nos, Senhor, a tomar o caminho do filho pródigo que, reconhecendo sua indigência, foi acolhido com o caloroso abraço do Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Releia o evangelho de hoje em sua Bíblia (Lc 6, 20-26).

E não esqueça o desafio desse mês: ler o Evangelho de São Marcos. Segunda-feira próxima, dia 14, começaremos o Curso Bíblico sobre este evangelho.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



20200908

A MISSÃO DE MARIA


Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus (Mt 1, 21)



08 de setembro de 2020.

Nesse trecho tão breve do Evangelho de Mateus, temos o drama tão maravilhoso e fundamental da história da nossa salvação. A iniciativa do Pai, a ação do Espírito que gera a vida, a colaboração de Maria e de José e a vinda e a atuação salvadora de Jesus.

O Pai enviou Jesus, por amor ao mundo, para nossa salvação. Diz o evangelho de São João: “Deus amou tanto o mundo que enviou o seu filho único”. O Espírito Santo é quem fecunda o seio virginal de Maria (“e ela concebeu do Espírito Santo”). Jesus aceitou a missão que o Pai lhe confiou. Como diz o Salmo: “Vim com prazer, ó Pai, para fazer a vossa vontade”. Então, a vinda de Jesus na carne é obra do Pai (que o enviou), dele próprio, o Filho (ao aceitar a missão confiada pelo Pai) e do Espírito Santo (que fecunda o ventre materno). Na encarnação, vemos a atuação das três pessoas da Trindade Santa.

Mas, na história de nossa salvação, o Deus onipotente quer contar também com a participação humana. Na vinda de Jesus, o Pai solicitou a participação de Maria e de José.

Contemplemos a colaboração de Maria e de José no plano do Pai. “Ela dará à luz um filho”, diz o anjo: essa é a colaboração de Maria. O Pai a escolheu e a preparou para essa sublime missão. “O Senhor está contigo”, disse-lhe o anjo. Deus, na sua misericórdia a elegeu, como ela o reconheceu no seu Magnificat. O Espírito Santo que gera vida a assiste nessa missão de trazer à vida humana o Filho, nela gera Jesus. José e Maria participam dessa missão E a participação de José está clara nessa palavra do anjo: “Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus”. Na comunidade judaica, o pai reconhece o filho ao lhe atribuir o nome. Isso quer dizer que José recebeu o menino como filho, assumiu responsabilidade de pai em relação à criança que Maria gerou. Os dois, José e Maria, cada um a seu modo, participam do projeto salvador de Deus, de enviar ao mundo o Salvador. “Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.

Guardando a mensagem

Vemos, nessa breve passagem, a iniciativa do Pai, a obediência do Filho e a comunicação da vida pelo Espírito Santo. Com a colaboração de Maria e de José, Jesus vem a nós, como Salvador de nossa história humana. É maravilhoso e desconcertante que Deus precise de nós para levar adiante o seu projeto de salvação. Maria e José são, hoje, modelos de como podemos participar da obra de Deus, na fé, com generosidade, e em espírito de obediência. Generosamente, eles põem-se a serviço da causa de Deus, que é a salvação do seu povo.

Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus (Mt 1, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Hoje, celebramos a Natividade de Nossa Senhora, isto é, o seu nascimento, uma festa que sublinha o caminho de preparação para tua vinda ao mundo. O Pai escolheu Maria para tua mãe e a preparou, separando-a do pecado, desde a sua concepção. Tu és o sol da justiça que nos veio visitar, como disse Zacarias. Ela é a barra da manhã que anuncia a chegada do sol. Senhor Jesus, teu pai adotivo José recebeu o encargo de te conferir o nome. O nome, na cultura do Oriente Médio, era a missão que a pessoa recebia, a sua identidade. Tu recebeste o nome de Jesus. O anjo explicou a razão desse nome: porque salvarias o povo dos seus pecados. Pela profecia de Isaías, também tinhas outro nome: Emanuel, Deus conosco. É pelo ventre de Maria e pelos braços de José que entraste em nossa humanidade, assumindo a nossa história, fazendo-te Emanuel. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Num dia mariano como este, uma dica é rezar o terço. Não tendo jeito, rezar pelo menos um mistério.

E não esqueça o desafio desse mês: ler o Evangelho de São Marcos. Segunda-feira próxima, dia 14, começaremos o Curso Bíblico sobre este evangelho.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb