BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Por que Jesus falava em parábolas?



   27 de julho de 2023.   

Quinta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum



   Evangelho.   


Mt 13,10-17


Naquele tempo, 10os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” 11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.

12Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem.

14Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’.

16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.



   Meditação.   


Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).

Boa pergunta. 
Por que Jesus falava em parábolas? Ele gostava de contar histórias, construía cenas envolvendo temas do cotidiano, personagens e situações da vida da população. Quem não gosta de ouvir histórias? Contou que um filho saiu de casa e um dia voltou arrependido, que história bonita! E aquela história da ovelhinha que se perdeu... e tantas outras parábolas, comparações, alegorias.

Certamente, Jesus falava em parábolas para que as pessoas compreendessem mais facilmente o que ele anunciava. E ele anunciava o Reino de Deus. Dizia que o Reino estava próximo, que nele se entrava pela conversão. Dizia que Deus reina no seu amor de Pai e que tinha sido enviado pelo Pai para ser o nosso caminho. As parábolas falam disso... 

Muito se aprende com uma parábola. As pessoas escutavam as parábolas de Jesus e tiravam suas conclusões. Ao invés de fazer um discurso teológico sobre o Reino de Deus, com muitas explicações ou citações, Jesus contava parábolas, fazia comparações... O Reino de Deus é como um semeador que saiu a semear... O Reino é como uma rede de pescar... É como a mulher que procura a moeda que se perdeu... Falar em parábolas é uma bela forma de comunicação.

Agora, a resposta que Jesus deu parece um pouco estranha. A pergunta era por que ele falava em parábolas. E ele disse: “Porque a vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado”. Como assim, a eles não é dado? O Profeta Isaías tinha falado uma coisa parecida a respeito de muitos que fecharam o coração à comunicação de Deus. Isaías disse: “Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver”. A verdade é essa: a elite social e religiosa de Israel não acolheu Jesus. Fechou o coração para ele e assim nenhuma palavra sua foi bem recebida. Essas pessoas julgavam-se muito estudadas e conhecedoras das coisas de Deus. Você lembra que Jesus rezou dando graças a Deus porque estava revelando as coisas do Reino aos pequenos e as estava escondendo aos sábios e entendidos?

No fundo, o Reino é uma revelação de Deus, e ele a comunica a quem ele quer. Foi o que Jesus falou a Pedro: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas o meu Pai que está nos céus”. Deus escolheu os pequenos para revelar o Reino. Os grandes fecharam o seu coração para ele. 




Guardando a mensagem

Jesus fala em parábolas. Com as parábolas, ele comunica profundas verdades do Reino de Deus. Essa comunicação chega fácil ao coração dos simples e das pessoas que se abrem à revelação de Deus. As parábolas continuam a ser entendidas pelos que têm um coração de pobre, pelos pequenos. Os grandes e sábios aos olhos do mundo não acolhem a Palavra de Jesus e a sua liderança. Quem rejeita Jesus, rejeita a revelação de Deus. Assim, não tem como entender suas parábolas.

Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: Por que tu falas ao povo em parábolas? (Mt 13, 10).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
que os nossos olhos vejam a beleza de tua presença entre nós, atualizada por teu Santo Espírito. Com tua presença, chega até nós o Reino de Deus. Que nossos ouvidos, ouvindo tuas parábolas, se abram ao conhecimento do Reino. Continua, Senhor, a nos instruir, nos ensinar, a nos introduzir nos mistérios da salvação, por meio de tuas parábolas. Aumenta, Senhor, em nosso coração o amor à tua Palavra. Dá-nos compreendê-la sempre mais. Que ela ilumine nossa vida com a luz de Deus. Venha a nós o teu Santo Reino, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra


Arrume um tempinho hoje e abra sua bíblia no capítulo 13 do Evangelho de São Mateus. No seu caderno espiritual, faça uma lista das parábolas de Jesus que estão reunidas ali. Depois que fizer a lista, confira a resposta que deixei no final da Meditação de hoje, no meu blog. É só seguir o link que estou lhe enviando.


Comunicando


Toda quinta, celebramos a Santa Missa às 11 horas, pelos associados e ouvintes. Desejando, inclua a sua intenção no formulário que estamos lhe enviando. E nos acompanhe pelo rádio e pelas redes sociais.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




PARÁBOLAS DE JESUS EM MATEUS 13

1. Parábola do Semeador
2. Parábola do Joio e do Trigo
3. Parábola do Grão de Mostarda
4. Parábola do Fermento
5. Parábola do Tesouro escondido
6. Parábola da Pérola preciosa
7. Parábola da Rede de Pescar


Dia de São Joaquim e Santa Ana e dos Avós

 



   26 de julho de 2023.   

Dia de São Joaquim e Santa Ana

Dia dos Avós 


   Evangelho.   


Mt 13,16-17


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 16“Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”.


   Meditação.   


Felizes são vocês, porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem (Mt 13,16)


Esse trecho do evangelho foi lido recentemente. Mas, hoje, ele tem um sabor especial. É que faz referência aos festejados de hoje, São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus.


O que será que as pessoas no tempo de Jesus estavam vendo e ouvindo? O que será que profetas e justos tanto desejaram ver e ouvir, e não conseguiram? Reposta: As coisas que estavam acontecendo com a presença de Jesus. O que Jesus estava anunciando: o Reino de Deus. O que eles estavam vendo? O Reino de Deus sendo inaugurado com a presença de Jesus. O que eles estavam ouvindo? A pregação do Evangelho do Reino.


E isso foi esperado por tanta gente, ao longo de séculos. Profetas e justos não conseguiram vê-lo. Mas, aquela gente estava presenciando o Reino de Deus que chegara. A boa notícia, o evangelho, é que o Reino chegou. Foi esse o anúncio de Jesus desde o início de sua atividade missionária: “O Reino chegou, convertam-se, creiam”. A presença de Jesus salvando, libertando, restaurando é o Reino acontecendo. Suas palavras, confirmadas por suas ações, estavam instaurando o reinado de Deus no meio do seu povo.


Como o povo do tempo de Jesus, nós também estamos tendo a chance de ver o Reino que está entre nós e de ouvir a pregação dessa boa notícia, o evangelho. E essa boa nova do Reino de Deus é uma comunicação que muda nossa vida, que dá novo sentido à realidade. Não é apenas uma notícia entre outras, uma manchete a mais. É a resposta que a humanidade ansiosamente estava esperando. É a presença e atuação do Messias que Israel acalentara em seus sonhos proféticos ao longo de séculos. É a revelação de algo maravilhoso: o Reino está ao nosso alcance, bate à nossa porta. Deus está cumprindo sua promessa: “Eis que faço novas todas as coisas”. É por essa razão que o Evangelho, em confirmação das palavras de Jesus, narra tantos milagres, curas, exorcismos. É o Reino se instalando como luz, saúde, paz, perdão.


Não se pode ficar indiferente diante desse anúncio da chegada do Reino. Essa boa nova nos pede uma resposta, nos propõe adesão, acolhida, conversão. Lembra o que Jesus falou? “O Reino chegou, convertam-se, creiam”. Conversão é mudar o foco e o rumo da própria vida, sintonizando-a com o Reino. Crer é acolher Jesus e o seu anúncio do Reino de Deus. Trata-se, então, de acolher Jesus, porque afinal a Palavra fez-se gente, o verbo se fez carne.


Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça. Foi o que Jesus falou. Quem tiver ouvidos para ouvir. Significa que existe alguém que tem ouvidos, mas não escuta. Como ele disse, tem olhos, mas não vê. É que é possível não querer ouvir, não querer ver, rejeitar a boa notícia do Reino que chegou como salvação. Deus, que nos criou livres, respeita a nossa liberdade. O Reino não é uma imposição que nos anula, uma nova ordem que nos é imposta. Resta a liberdade da escolha ou da rejeição. Como diz o livro santo: “Diante de ti estão a vida e a morte. Escolhe!”. Ao amor de Deus manifesto em Cristo, só podemos responder com a fé e o amor. E não existe amor obrigado, adesão compulsória. Só na liberdade, a pessoa humana pode responder adequadamente à pregação do Reino.





Guardando a mensagem


Sendo hoje o dia dos pais da Virgem Maria, São Joaquim e Santa Ana, entende-se que a escolha desse evangelho é uma apreciação positiva da vida dos avós maternos de Jesus. É um elogio a eles. Seus olhos viram. Seus ouvidos ouviram. É que tem muita gente que tem olhos e não enxerga, tem ouvidos e não ouve. O Reino de Deus está acontecendo, hoje, na presença de Jesus evangelizando, consolando, instruindo, libertando as pessoas do mal.


Felizes são vocês, porque seus olhos veem e seus ouvidos ouvem (Mt 13,16)


Rezando a palavra


Senhor Jesus,

que os nossos olhos vejam a tua obra redentora em processo em nossa vida e em nossa história. Que os nossos ouvidos ouçam teu Evangelho a nos anunciar o tempo da graça e da reconciliação. Que, pelo exemplo luminoso dos pais de Maria Santíssima, São Joaquim e Santa Ana, nossos olhos contemplem na fé esse mistério maravilhoso de tua presença redentora entre nós. Senhor, te pedimos uma bênção especial para os nossos avós: o descanso eterno dos que já partiram  e, para os que caminham conosco, concede que, confortados pelo carinho dos filhos, dos netos e amigos, se alegrem na saúde e não se deixem abater na doença; que, revigorados com a tua graça, consagrem o tempo da idade madura a andar nos teus caminhos e a celebrar os teus louvores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra


Hoje, reze pelos seus avós vivos ou falecidos. Deus conhece as necessidades deles.


Comunicando


Hoje é dia do nosso programa no Youtube. Vamos dedicar o encontro de hoje ao Mutirão Nacional de Comunicação que aconteceu em João Pessoa. Temos muita coisa interessante para mostrar. O programa começa às 20 horas.


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A marca do cristão é o serviço.



   25 de julho de 2023.   

Dia de São Tiago Maior, apóstolo


      Evangelho.      


Mt 20,20-28

20Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”.

22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é que dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.



      Meditação.      


Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

A mãe de dois discípulos – Tiago e João – fez um pedido a Jesus: quando ele estivesse no poder, reservasse uma posição de destaque no seu governo para os seus dois filhos. Um à sua direita e outro à sua esquerda. 

Apesar do exemplo de Jesus, os seus colaboradores mais próximos, os apóstolos, estavam também tentados pela sede de poder. E já começavam a disputar cargos, posição, prestígio. Nem eles estavam entendendo a proposta de Jesus, nem a família deles. Pretendiam uma posição privilegiada (um à direita e outro à esquerda) ao lado de Jesus e, claro, acima dos outros.

Logo essa pretensão dos dois discípulos espalhou um mal-estar na comunidade dos apóstolos. O poder como prestígio, irmão gêmeo do enriquecimento duvidoso, semeia logo a discórdia, a desunião, a inveja e a competição doentia. É que ele agride gravemente o espírito comunitário. Essa tentação do poder-prestígio é um perigo para um cristão, pois o faz renunciar ao que aprendeu no Evangelho: o amor solidário, o respeito pela dignidade do outro, o espírito de serviço.

Você pode até pensar: esse negócio de poder não tem nada a ver comigo. É um assunto para quem ocupa altos cargos na Igreja ou para os políticos de Brasília. É aí que você se engana. Todo mundo tem uma relação com o poder. Mesmo que não esteja em uma função de comando, está numa relação com quem comanda. E aí se mostra qual é a sua concepção de poder: o poder-prestígio ou o poder-serviço. O poder no mundo chega a ser um ídolo. Uns se fazem de deuses e outros de seus adoradores. Para cada mandão, há sempre um séquito de pessoas subservientes e bajuladoras.

Os discípulos tinham diante de si o exemplo de Jesus e o modelo da própria sociedade. O mau exemplo vinha dos fariseus, da turma do Templo, do próprio ambiente religioso. E nisso, é claro, imitava-se as disputas de poder da classe dominante, da corte de Herodes, do Sinédrio. Jesus, no jejum do deserto, tinha enfrentado essa tentação. O diabo tinha oferecido o poder sobre todos os reinos do mundo a Jesus, se o adorasse. Jesus reagiu. Submeter-se só à vontade de Deus. Nada de aliança com o mal. O poder-prestígio é sustentado por alianças perigosas e concessões à falcatrua, à propina, à troca de favores.

O exemplo de Jesus foi bem outro. Ele deu exemplo com sua vida, suas escolhas e deixou esse precioso ensinamento: eu não vim para ser servido, mas para servir. O exercício do poder em Jesus não afastava as pessoas de si e nem o isolava dos outros. Como Mestre no seu grupo de discípulos, puxava o diálogo, responsabilizava cada um e, para admiração de todos, chegou a lavar os seus pés como um empregado fazia. Servir - essa palavra deve marcar a vida de um cristão em cargos de liderança ou em postos de comando. Servir. Não ser servido. Colocar-se a serviço dos outros, do bem, da justiça, diferentemente do poder-prestígio que se serve dos outros, que busca o seu benefício pessoal, que quer ser o maior.






Guardando a mensagem

A tentação do poder-prestígio estava presente também no grupo dos discípulos de Jesus. Jesus exerceu o poder-serviço. E o ensinou claramente. Não veio para ser servido, mas para servir. E disse mais: 'Vejam como o poder é exercido na sociedade, percebam a opressão dos grandes. Entre vocês, não deve ser assim.'

Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de vocês (Mt 20, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
somos a tua Igreja e nossa presença na sociedade precisa ser pautada pelo espírito de serviço. Animados por teu evangelho, queremos fomentar a fraternidade em nosso ambiente de trabalho, de conivência, em nossas famílias, pois, servir é a marca do cristão. Ajuda-nos, Senhor, a não incorporar na Igreja a tentação do poder-prestígio do mundo. Antes, levemos para a sociedade nossa experiência de poder-serviço vivido na comunidade cristã. Sendo hoje o dia do teu apóstolo Tiago Maior, nós te pedimos, Senhor, por sua intercessão, a tua bênção sobre todos os pastores da Igreja, o Papa Francisco, nossos bispos, os padres e diáconos de nossas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

No seu caderno de anotações, registre essa frase de Jesus e escreva o que você entendeu dela: “Entre vocês, não deverá ser assim” (Mt 20, 26).

Comunicando

Ontem, tivemos uma primeira reunião com quem deseja realizar conosco uma peregrinação à Itália, com visita aos lugares de São Francisco de Assis e de São João Bosco. Será em outubro de 2024. Para se informar, mande mensagem para 81 9 9964.4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Na história de Jonas, um forte apelo de conversãos

 


   24 de julho de 2023   

Segunda-feira da 16º Semana do Tempo Comum


   Evangelho   


Mt 12,38-42

Naquele tempo, 38alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.
40Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas.
42No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão”.


   Meditação.   


Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Estamos começando a semana com um apelo muito forte da parte do Senhor: a nossa conversão. Fale a verdade: Deus já lhe deu muitas oportunidades para você tornar-se um fervoroso seguidor de Jesus, uma fervorosa discípula do Senhor, não é verdade? Quantas chances, Deus já lhe deu para você mudar de vida, converter-se? Agora, é bem capaz que você esteja esperando algo de grande impacto para que finalmente se entregue a esse grande amor! E é precisamente de amor que estamos falando. A conversão é um ato de amor: mudar o rumo de sua vida, colocando-a na direção do imenso amor de Deus. E ele nos ama por primeiro.

Você lembra: outro dia, Jesus estava se queixando das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Viram tantos milagres, mas não se converteram. Hoje, fariseus e mestres da lei, opositores de Jesus, estão lhe pedindo um milagre: ‘Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti’. Jesus deve ter ficado aborrecido. Pessoas mesquinhas como aquelas pedindo para presenciar um milagre, mas olhe só! Jesus não fazia milagres pra se mostrar. Àquela altura, Jesus já tinha tomado uma decisão: não iria mais fazer milagre nenhum. Ele chamou aquele povo de geração má e adúltera. ‘Essa geração está pedindo sinais, milagres. Não vai ter mais. Só um sinal, eles vão ter agora: o sinal de Jonas’.

Você se lembra do profeta Jonas?! Deus o mandou pregar em Nínive, capital da Assíria. Jonas calculou bem: Nínive, uma capital pagã... uma missão muito difícil, perigosa, tempo perdido. E logo o que tinha que anunciar: que Deus iria destruir tudo por ali. Nem pensar. Jonas pegou um navio numa rota contrária. Sujeito teimoso esse Jonas. No meio da viagem, o mar ficou tão enfurecido que os marinheiros desconfiaram que alguém ali estivesse em falta muito grave contra o seu Deus. Jonas confessou que estava fugindo de Deus e da missão difícil que ele lhe confiara. Para salvar a tripulação e o navio, não houve outro jeito. Foi atirado no mar. O que aconteceu foi incrível e você recorda. Um peixe o engoliu e três dias e três noites depois ele foi vomitado na praia. Deus o mandou de volta para a tarefa que lhe tinha confiado.

Jesus disse que não teriam mais nenhum sinal, mais nenhum milagre. Só um: o de Jonas. E ele mesmo explicou: ‘assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estaria três dias e três noites no seio da terra’ (Mt 12, 40). Ele está falando, então, de sua morte e de sua ressurreição. Este seria o grande sinal, o milagre pelo qual lhes seria mostrado sua condição de Messias, enviado de Deus. Esse milagre é um dos mistérios centrais de nossa fé. Mistério recordado em cada celebração. Dele fazemos memória na Santa Missa. Como Jonas engolido pelo peixe e devolvido vivo, ao terceiro dia. Morte e ressurreição. Esse é o grande sinal.


Guardando a mensagem

Fariseus e mestres da Lei queriam ver um sinal para acreditar em Jesus. Ele já tinha feito tantos, mas nunca para se mostrar, para se exibir. Na corte de Herodes, também lhe pediram um milagre para divertir a corte. Jesus ficou quieto. Chega de milagres, foi a decisão de Jesus. Ele já estava chateado com a pouca conversão nas cidades onde tinha feito tantos milagres... Afinal, haveria um só sinal, o de Jonas. A morte e a ressurreição de Jesus é o milagre prefigurado no sinal de Jonas. Depois de três dias no seio da terra, Jesus foi devolvido vivo, ressuscitado.

Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
disseste que, no dia do juízo, os moradores de Nínive iriam condenar a geração do teu tempo, porque se converteram à pregação de Jonas, diferentemente de grande parte dos que te escutaram. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Que à tua Palavra, respondamos prontamente, acolhendo o teu amor, na graça da fé e no seguimento do teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, no dia de hoje, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão.

Comunicando

No Recife, temos hoje a Santa Missa na comemoração mensal de N. Sra. Auxiliadora, às 14 horas, em nossa Capela, na sede da AMA. Reze conosco, nos acompanhando pela Rádio Amanhecer.

Pe. Joao Carlos Ribeiro, sdb

O joio e o trigo moram na mesma casa




    23 de julho de 2023.   


16º Domingo do Tempo Comum

Dia Mundial dos Idosos e dos Avós


      Evangelho.       


Mt 13,24-43

Naquele tempo, 24Jesus contou outra parábola à multidão: “O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora. 26Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio. 27Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio?’
28O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os empregados lhe perguntaram: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’
29O dono respondeu: ‘Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. 30Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!’”
31Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”.
33Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”.
34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”.
36Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!”
37Jesus respondeu: “Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifeiros são os anjos. 40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42e depois os lançarão na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes.
43Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.


      Meditação.       


O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno (Mt 13, 38).

Nós formamos famílias cristãs, zelando para que elas cresçam na unidade da fé. Organizamo-nos em comunidades cristãs, procurando trilhar os caminhos da santidade. Respiramos ainda um clima religioso em nosso país, sentindo-nos todos um povo abençoado por Deus.

Mas, sabemos que nem tudo são flores. Em nossa terra, há processos e estruturas responsáveis por desigualdade, injustiça, desemprego. Em nossas comunidades cristãs, também se abrigam pessoas preconceituosas, egoístas e violentas. Em nossa casa, também moram infidelidade e violência doméstica. Tem joio no nosso roçado.

Jesus nos conta, hoje, uma parábola super-interessante, a do joio e do trigo. Na plantação, só entrou a boa semente de trigo. Mas, o inimigo veio de noite e semeou também o joio. Quando cresceram e o trigo começou a dar espigas, notou-se que uma parte da plantação era joio. E o joio é parecido com o trigo, com a diferença de que dá um fruto venenoso. Além de difícil de distinguir, suas raízes se misturam com as do trigo.

Ao descobrirmos o mal e os seus responsáveis em nossas famílias, em nossos grupos, em nosso convívio social, achamos logo a solução: arrancá-los de nossa convivência, extirpando o mal pela raiz. Foi o que os trabalhadores quiserem fazer com o joio. Mas, o agricultor não permitiu. Iria prejudicar o trigo. O melhor era ter paciência e aguardar o tempo da colheita. Aí, sim, o trigo seria recolhido e guardado no celeiro. E o joio queimado no fogo.

O que Jesus está nos ensinando, com esta parábola?

A primeira lição é renunciarmos à presunção de sermos gente santa e pura, em contraste com os maus e pecadores. Santos, nós somos pela graça de Cristo que nos redimiu. Mas, igualmente somos pecadores. Os fariseus se julgavam justos, praticantes, separados. Assim, cometeram muita injustiça com o povo pobre ou sem conhecimento da Lei. E rejeitaram Jesus, que vivia misturado com os pecadores. Em nome da pureza da raça, cometeu-se a tragédia do holocausto, particularmente contra os judeus. Somos santos e pecadores. Não devemos ceder à tentação de querer viver separados, como um trigo santo. Há sementes de joio em nosso coração e joio crescido em nossa própria comunidade. Mais humildade.

A segunda lição é não nos arvorarmos em juízes dos outros. Só Deus julga e condena, mas só o fará no final de tudo, na colheita. Ele dá toda chance, age com grande paciência e aguarda a conversão para sanar o mal com o seu perdão e a sua misericórdia. Assim, não tomemos o lugar de Deus. Espelhemo-nos nele, em sua paciência e em sua compaixão. Devemos apontar os erros e as estratégias que nos pareçam equivocadas, mas não desrespeitemos a dignidade humana de quem quer que seja. Não coloquemos ninguém no inferno. Não julguemos para não sermos julgados.

A terceira lição é continuarmos a ser bons e cada vez mais amorosos com Deus e com o nosso próximo, apesar de estarmos rodeados de tentações e convivendo com o joio. O mal me obriga a ser bom com maior consciência, com maior responsabilidade e com sempre maior capacidade de resistência e perseverança. O mal nos obriga a assumir mais claramente a nossa condição de filhos amados e de irmãos servidores. Que o mal não nos faça maus. Ao contrário, como fermento na massa, trabalhemos para melhorar as pessoas e o mundo.

Guardando a mensagem

Na parábola do joio e do trigo, descobriram que havia joio junto com o trigo, que não dava para arrancar logo o joio e que o final do joio e do trigo seria bem diferente. Três lições podemos recolher desta parábola: renunciar à presunção de querermos viver no gueto dos santos; ser tolerantes, evitando julgar e condenar os outros; e reafirmar, com clareza, nossa adesão ao bem e à verdade, exatamente onde a mentira e a desonestidade querem ter a última palavra.

O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno (Mt 13, 38).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
vivemos num mundo complicado, em meio a um grande pluralismo cultural e religioso e a uma polarização política empobrecedora. Tua palavra hoje nos ajuda a nos colocarmos melhor nessa situação. Tu nos ensinas a não nos isolarmos do mundo, pensando que estaremos a salvo em nossos grupos afins nas redes sociais ou em nosso ambiente religioso exclusivo. O joio está em toda parte. Nesse contexto, precisamos ser bons e muitos bons, com frutos de solidariedade, de santidade, de amor a Deus e ao próximo; Não só não nos deixarmos contagiar pelo vírus do mal, mas sermos fermento na massa. Ensina-nos, Senhor, a ser tolerantes, sem cairmos no relativismo de que tudo está certo e no fatalismo, de que isso não tem jeito. Na colheita, terás a palavra final. Até lá, queremos ser trigo e dos bons. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Escolha um momento no seu dia para ler o evangelho de hoje, na sua Bíblia: 
Mt 13,24-43.

Hoje, a Igreja celebra o 3º Dia Mundial dos Idosos e dos Avós, com o tema “«De geração em geração, a sua misericórdia»” (Lc 1, 50).. Vou deixar o texto da Mensagem do Papa Francisco para esta data junto como evangelho e a meditação, no meu blog. É só seguir o link.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
POR OCASIÃO DO
3º DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS

 

«De geração em geração, a sua misericórdia» (cf. Lc 1, 50)

 

Queridos irmãos e irmãs!

«De geração em geração, a sua misericórdia» (cf. Lc 1, 50): assim reza o tema do III Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. O tema leva-nos a um encontro abençoado: o encontro entre Maria, jovem, e sua parente Isabel, idosa (cf. Lc 1, 39-56). Esta, cheia de Espírito Santo, dirige à Mãe de Deus palavras que, dois milénios depois, cadenciam a nossa oração diária: «Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (1, 42). E o Espírito Santo, que já tinha descido sobre Maria, sugere-Lhe como resposta o Magnificat, onde proclama que a misericórdia do Senhor se estende de geração em geração. O Espírito Santo abençoa e acompanha todo o encontro fecundo entre gerações diversas, entre avós e netos, entre jovens e idosos. De facto, Deus quer que os jovens, como fez Maria com Isabel, alegrem os corações dos anciãos e extraiam sabedoria das suas experiências. Mas o primeiro desejo do Senhor é que não deixemos sozinhos os idosos, que não os abandonemos à margem da vida, como hoje, infelizmente, acontece com demasiada frequência.

Neste ano, regista-se uma proximidade estupenda entre a celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos e a Jornada Mundial da Juventude; no tema de ambas, sobressai a «pressa» de Maria (cf. 1, 39) quando visita Isabel, levando-nos assim a refletir sobre a ligação entre jovens e idosos. O Senhor espera que os jovens, ao encontrar os idosos, acolham o apelo a guardar as memórias e reconheçam, graças a eles, o dom de pertencerem a uma história maior. A amizade duma pessoa idosa ajuda o jovem a não cingir a vida ao presente e a lembrar-se que nem tudo depende das suas capacidades. Por sua vez, aos mais velhos, a presença dum jovem abre à esperança de que não se perderá tudo aquilo que viveram e se vão realizar os seus sonhos. Em resumo, a visita de Maria a Isabel e a consciência de que a misericórdia do Senhor se transmite duma geração à outra mostram que não podemos avançar – nem salvar-nos – sozinhos, e que a intervenção de Deus se manifesta sempre no conjunto, na história dum povo. É precisamente Maria quem no-lo diz no Magnificat, alegrando-Se em Deus, que, fiel à promessa feita a Abraão (cf. 1, 51-55), realizou maravilhas novas e surpreendentes.

Para melhor captar o estilo do agir de Deus, recordemos que o tempo deve ser vivido em plenitude, porque as realidades maiores e os sonhos mais belos não acontecem num instante, mas através dum crescimento e duma maturação: em caminho, em diálogo, no relacionamento. Ora, quem se concentra apenas no imediato, nas próprias vantagens que se hão de conseguir rápida e sofregamente, no «tudo e já», perde de vista o agir de Deus. Diversamente, o seu projeto de amor atravessa o passado, o presente e o futuro, abraça e põe em ligação as gerações. É um projeto que nos ultrapassa a nós mesmos, mas no qual cada um de nós é importante e, sobretudo, é chamado a ir mais além. Para os mais jovens, trata-se de ir mais além do imediato em que nos confina a realidade virtual, que muitas vezes nos desvia da atividade concreta; para os mais velhos, trata-se de não se deterem no debilitar-se das forças nem no lamento pelas ocasiões perdidas. Olhemos para a frente! Deixemo-nos plasmar pela graça de Deus, que, de geração em geração, nos liberta do imobilismo no agir e das lamúrias voltadas para o passado!

No encontro entre Maria e Isabel, entre jovens e idosos, Deus dá-nos o seu futuro. Na realidade, o caminho de Maria e o acolhimento de Isabel abrem as portas à manifestação da salvação: através do seu abraço, a misericórdia irrompe, com alegre mansidão, na história humana. Por isso, quero convidar cada um a pensar naquele encontro; mais ainda, a fechar os olhos e imaginar, como numa foto instantânea, aquele abraço entre a jovem Mãe de Deus e a mãe idosa de São João Batista; representá-lo na mente e visualizá-lo no coração, para o fixar na alma como um luminoso ícone interior.

E convido depois a passar da imaginação à vida concreta, fazendo algo para abraçar os avós e os idosos. Não os deixemos sozinhos; é preciosa a sua presença nas famílias e nas comunidades: dá-nos a noção de partilhar a mesma herança e de fazer parte dum povo em que se preservam as raízes. Sim! São os idosos que nos transmitem a pertença ao santo Povo de Deus. A Igreja e de igual modo a sociedade precisam deles. É que os idosos entregam ao presente um passado necessário para construir o futuro. Honremo-los, não nos privemos da sua companhia nem os privemos da nossa. Não permitamos que sejam descartados.

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos pretende ser um pequeno e delicado sinal de esperança para eles e para a Igreja inteira. Por isso renovo o meu convite a todos – dioceses, paróquias, associações, comunidades – para o celebrarem, colocando no centro a alegria transbordante dum renovado encontro entre jovens e idosos. A vós, jovens, que estais a preparar-vos para partir para Lisboa ou que vivereis a Jornada Mundial da Juventude na própria localidade, quero dizer: antes de sair para a viagem, ide visitar os vossos avós, fazei uma visita a um idoso sozinho. A sua oração proteger-vos-á e levareis no coração a bênção daquele encontro. A vós, idosos, peço para acompanhardes com a oração os jovens que estão prestes a celebrar a JMJ. Aqueles jovens são a resposta de Deus aos vossos pedidos, o fruto daquilo que semeastes, o sinal de que Deus não abandona o seu povo, mas sempre o rejuvenesce com a criatividade do Espírito Santo.

Queridos avós, queridos irmãos e irmãs idosos, chegue até vós a bênção do abraço entre Maria e Isabel, e encha de paz os vossos corações. Com afeto, vos abençoo. E vós, por favor, rezai por mim.

Roma – São João de Latrão, na Festa da Visitação da Virgem Santa Maria, 31 de maio de 2023.

FRANCISCO

Santa Maria Madalena, discípula de Jesus

 


   22 de julho de 2023.  

Dia de Santa Maria Madalena


     Evangelho.     


Jo 20,1-2.11-18

1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.

     Meditação.    


Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Hoje é Dia de Santa Maria Madalena, discípula de Jesus. Tudo indica que ela era originária da cidadezinha de Mágdala, na Galileia, por isso esse apelido de Madalena. Ela integrava o grupo de mulheres que, junto com os discípulos, acompanhava Jesus. A sua imagem ficou prejudicada com a ligação que se fez com a mulher pega em adultério que ia ser apedrejada, mas lá não se diz que é Maria Madalena. O certo é que ela é a primeira testemunha de Jesus ressuscitado.

Madalena não é só uma personagem da história de Jesus. Ela, com certeza, é uma representante da primeira comunidade cristã. Nesse texto, ela pode estar representando a própria comunidade dos seguidores de Jesus, nos seus inícios. Quem é Madalena? Uma discípula, uma pessoa resgatada por Jesus. Marcos e Lucas relatam que Jesus a libertou de sete demônios. Lucas relata que um grupo de mulheres andava com Jesus, várias delas libertadas de enfermidades ou de espíritos maus, entre elas Maria Madalena. Afinal, o que era a comunidade cristã, senão um grupo de pessoas resgatadas por Jesus da doença, da opressão da Lei, da exclusão social, do pecado? É isso que é a Igreja, o povo redimido, lavado do pecado, no batismo. Um povo de pecadores restaurados na graça de Deus. Uma comunidade chamada Madalena.

A cena mostra sete passos da caminhada que a comunidade fez até descobrir que Jesus havia ressuscitado e anunciá-lo abertamente. Madalena representa a comunidade. Narrando a ida de Madalena ao túmulo, o evangelho de São João diz que tudo estava ainda escuro. Esse é começo de nossa caminhada de fé, não é verdade? Muita gente hoje só vê a morte de Jesus. Não é à toa que a sexta-feira da paixão reúne mais gente que o sábado de aleluia. A primeira descoberta é que o túmulo está aberto. Um pouco mais adiante, percebe que o túmulo está vazio. Depois vem o encontro com a palavra de Deus que pode iluminar a compreensão da realidade. O livro do Gênesis conta que, quando, pelo pecado, nossos primeiros pais foram expulsos do paraíso, ficaram dois anjos na porta do Éden para não deixar ninguém entrar. Mas, Jesus veio para reabrir as portas do paraíso, da graça de Deus. Com ele, chegou o Reino de Deus. Os dois anjos estão ali, na entrada do sepulcro, perguntando se ainda há razões para chorar. Da escuridão para a luz ... é o caminho de Madalena, é o caminho da comunidade. Bom, até aqui foram quatro passos.

Prosseguindo um pouco mais - é o quinto passo - ela encontra Jesus. Ela o encontra, mas pensa que é o jardineiro e quer saber onde ele colocou o morto. Está perto de Jesus, mas não o encontrou de verdade. Olha que tem muita gente nesse passo. Mas, olha o sexto passo: ela voltou-se ao ouvir o seu nome, pronunciado por Jesus. É aqui que o laço se desata: em sentir-se conhecida e amada por Jesus. Aí o coração finalmente encontra o Mestre. E é aí que o discípulo torna-se um missionário: ‘Vai dizer aos meus irmãos que eu vou subir para o meu Pai e vosso Pai’. O sétimo passo é anunciar Jesus aos outros: “Eu vi o Senhor!”


Guardando a mensagem

Madalena é uma discípula de Jesus. É uma mulher resgatada pelo amor de Cristo, como nós que fomos restaurados como novas criaturas, no batismo. Podemos pensar que, nesse texto, ela esteja representando a comunidade cristã, as de ontem e as de hoje. Podemos ver, no evangelho de hoje, sete passos, o caminho da comunidade que aos poucos vai assimilando a obra redentora de Jesus, realizada por sua morte e ressurreição. Da escuridão inicial (a não compreensão, a falta de fé), cada discípulo vai progredindo passo a passo, passando pela luz da Palavra de Deus, até chegar a um encontro pessoal com o Senhor e se tornar seu missionário, anunciador de sua vitória sobre o mundo.

Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito (Jo 20, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Contemplamos, hoje, em tua discípula Maria Madalena, a caminhada que cada um de nós vai fazendo para te encontrar e te anunciar aos irmãos. E o que fez toda diferença foi tu a teres chamado pelo nome: “Maria”. Ela reconheceu tua voz, ela se sentiu conhecida e amada por ti. Foi uma experiência de encontro pessoal contigo. Sem esse encontro pessoal contigo, permanecemos tateando, procurando, meio perdidos. Tu nos chamas pelo nome, o nome que recebemos no batismo, quando acolhemos a vida nova da graça. Tu que confiaste a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal, dá-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que tu vives e contemplar-te na glória do teu Reino. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, anote os sete passos de Madalena. Eles são os passos do seu próprio crescimento em Cristo. Vou deixar estes sete passos no final do texto da Meditação de hoje. Você que recebe a Meditação, é só clicar no link que estou lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




OS SETE PASSOS 

DE MARIA MADALENA


A cena mostra sete passos da caminhada que a comunidade faz até descobrir que Jesus havia ressuscitado e anunciá-lo abertamente.

1º. Ela vai ao túmulo, ainda escuro.

2º. Ela vê que a pedra foi retirada do túmulo.

3º. Ela sai correndo para avisar que tiraram o corpo de Jesus.

4º. Ela vê dois anjos vestidos de branco sentados no lugar do corpo.

5º. Ela viu Jesus de pé, achando que ele era o jardineiro.

6º. Ela reconheceu Jesus ao ouvi-lo chamar seu nome.

7º. Ela foi anunciar aos discípulos: Eu vi o Senhor.

Os sete passos de Madalena são os sete passos da comunidade cristã na descoberta de Jesus Ressuscitado. 

A verdadeira prática religiosa nos leva ao amor solidário aos irmãos

 


   21 de julho de 2023.   

Sexta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum


     Evangelho.     


Mt 12,1-8

1Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. 2Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!”
3Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? 4Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? 5Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma?
6Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. 7Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. 8De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.


     Meditação.     


Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Em caminhada com Jesus, em dia de sábado, os discípulos, com fome, passando no meio de uma plantação, apanharam espigas para comer. Pronto, isso foi o suficiente para escandalizar os fariseus. Acusaram os discípulos de estarem profanando o sábado.

Os judeus guardam o sábado, pensando no descanso de Deus no final da obra da criação. Nós cristãos guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus. Os muçulmanos já guardam a sexta, festejando o dia em que Deus – Alá – criou o homem. No tempo de Jesus, a interpretação que os hebreus faziam do sábado era muito rigorosa, cheio de normas e detalhes. Não se podia trabalhar, de jeito nenhum. Até os passos deviam ser contados para não se ofender a santidade do sábado, o shabat.

Jesus chamou os seus opositores à razão: a necessidade humana está acima de uma norma religiosa. Se eles estavam com fome, é justo que procurassem conseguir o alimento. Note que a reclamação não foi porque arrancaram espigas da plantação. Isto era possível. O que não se podia era fazer isso em dia de sábado. Jesus relembrou que Davi e seus soldados, voltando de uma campanha, mortos de fome, comeram os pães das oferendas do Templo, o que não era permitido. E estava tudo certo.

Religião sem caridade vira uma coisa desumana. Jesus recordou um ensinamento escrito no Profeta Oséias, no Antigo Testamento “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Quando você ouvir essa palavra “sacrifício” na Bíblia, lembre que ela se refere aos sacrifícios de animais que se fazia no Templo de Jerusalém (bois, carneiros, aves). O sacrifício é uma forma de culto muito comum nas religiões antigas. Então, Deus está dizendo nesta palavra do profeta que prefere a misericórdia ao sacrifício de animais. O verdadeiro culto é o da misericórdia, do amor, da caridade para com o próximo.

No livro do Profeta Isaías, também no Antigo Testamento, há uma reclamação de Deus. Deus reclama do culto que está recebendo: tantos sacrifícios de animais, ofertas, mas tanta injustiça, tanta violência no meio do povo, e nas mãos e no coração de quem está celebrando o culto! Isso sim é uma ofensa a Deus. "Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado", rezamos no Salmo 50.

Os fariseus estavam reclamando porque, em dia de sábado, os discípulos, que estavam com fome, estavam colhendo espigas para comer, durante o trajeto. O que vai agradar mais a Deus: seguir à risca a lei do sábado ou dar de comer a quem está com fome? O sacrifício ou a misericórdia?




Guardando a mensagem

Os fariseus do tempo de Jesus faziam uma interpretação muito rígida da lei do sábado, uma norma religiosa que visava o louvor de Deus, mas também o descanso do trabalho nesse dia. Eles viram os discípulos colhendo espigas no sábado e ficaram revoltados. Para eles, com esse trabalho, o sábado estava sendo profanado. ‘Misericórdia eu quero, não sacrifícios’, disse o Senhor pela boca dos profetas. O amor está acima de tudo. O primeiro louvor a Deus é o amor. E não dá para mostrar amor a Deus e não amar o seu irmão. Deus não fica contente com um culto bonito ou um louvor arrebatador que não esteja comprometido com a caridade, a compaixão para com os sofredores. Ele se agrada mesmo da misericórdia, do amor pelo pequeno. É isso que dá sentido e verdade ao nosso culto, ao nosso louvor.

Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
às vezes, não vemos a ligação que existe entre o culto que te prestamos e a caridade que devemos ao próximo. Na misericórdia, no amor solidário pelos mais sofridos, começa o verdadeiro culto que se explicita depois nos ritos, nas celebrações religiosas. Amar os irmãos, sobretudo defendendo, protegendo os doentes, os presos, os pobres, os mais frágeis, é uma forma de louvor a Deus. Senhor, ajuda-nos a viver nossa vida cristã e nossas práticas religiosas em sintonia com o amor ao próximo. Que a nossa devoção e o culto que te dirigimos tenham sua versão concreta no serviço aos mais pobres, no respeito aos idosos, na defesa da vida, pois preferes a misericórdia ao sacrifício. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Muita coisa, podemos fazer pelos irmãos e irmãs mais sofridos. A Igreja até fala das obras de misericórdia. E a tradição colecionou sete obras de misericórdia corporais e sete obras de misericórdia espirituais. Você as conhece? No final do texto da Meditação de hoje, vou deixar a lista completa das obras de misericórdia. Dê uma olhadinha em www.padrejoaocarlos.com. Para quem recebe a Meditação pelos aplicativos, é só clicar no link que estamos enviando. Jesus nos quer misericordiosos, como ele.

Comunicando

Preste atenção ao pedido que o Papa Francisco está fazendo, em sua mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que vamos celebrar domingo próximo:

"O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos pretende ser um pequeno e delicado sinal de esperança para eles e para a Igreja inteira. Por isso renovo o meu convite a todos – dioceses, paróquias, associações, comunidades – para o celebrarem, colocando no centro a alegria transbordante dum renovado encontro entre jovens e idosos".

Não deixe esta data passar em branco na sua casa e na sua comunidade. 

Até amanhã, se Deus quiser.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






AS OBRAS DE MISERICÓRDIA



Há catorze Obras de Misericórdia: sete corporais e sete espirituais.

Obras de misericórdia corporais:

1) Dar de comer a que tem fome
2) Dar de beber a quem tem sede
3) Dar pousada aos peregrinos
4) Vestir os nus
5) Visitar os enfermos
6) Visitar os presos
7) Enterrar os mortos

Obras de misericórdia espirituais:

1) Ensinar os ignorantes
2) Dar bom conselho
3) Corrigir os que erram
4) Perdoar as injúrias
5) Consolar os tristes
6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

As Obras de misericórdia corporais encontram-se, na sua maioria, na lista enunciada pelo Senhor na descrição do Juízo Final.

A lista das obras de misericórdia espirituais tirou-a a Igreja de outros textos que se encontram ao longo da Bíblia e de atitudes e ensinamentos do próprio Cristo: o perdão, a correção fraterna, o consolo, suportar o sofrimento, etc.

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