BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

O 8º passo de nossa caminhada quaresmal





01 de março de 2023

Quarta-feira da 1ª Semana da Quaresma


EVANGELHO

Lc 11,29-32

Naquele tempo, 29quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.
30Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. 31No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior que Salomão.
32No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”.



MEDITAÇÃO

No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão (Lc 11, 32)

Parece que Jesus andava meio decepcionado... A pregação do Reino bem merecia uma acolhida mais entusiasta. Sua palavra, seus milagres... tanto esforço, tanto compromisso da parte dele e, ao que parece, pouco resultado. Certamente, por isso, ele estava dizendo: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas”.

Jonas foi um sinal para o povo de Nínive. Ele, a mando de Deus, pregou por três dias na grande cidade, anunciando o castigo de Deus sobre todo aquele povo. Castigo por conta de sua impenitência, de sua vida de maldade e violência. E o povo de Nínive, diante daquela pregação do profeta, tomou consciência de sua condição e implorou a misericórdia de Deus. Acolheu a pregação de Jonas como um convite urgente à penitência e à conversão. Do pequeno ao grande, do pobre ao rei, todos se sentaram em cinzas e pediram perdão de seus pecados. Jonas foi um sinal para o povo de Nínive. Uma convocação à conversão. Mas, também um sinal da misericórdia de Deus, pois Deus, tendo desistido do seu intento de destruir tudo, mostrou a sua misericórdia, dando o seu perdão.

Esse sinal de Jonas para o povo do seu tempo estava sendo reeditado na presença de Jesus, na sua pregação. Como Jonas foi um sinal para o povo de Nínive, assim Jesus seria para o povo do seu tempo. Jonas pregou por três dias, cobrindo toda aquela cidade pagã. Jesus pregou por três anos, percorrendo todo o país. Ele também trazia um convite urgente à conversão. Ele começou sua missão, convidando todos a acolherem o Reino que estava se aproximando: convertam-se e creiam no evangelho. O convite à conversão, na verdade, é um convite à acolhida da misericórdia de Deus.

Jesus estava lembrando que o povo de Nínive recebeu melhor o profeta Jonas do que o seu povo a ele. Converteu-se à pregação de Jonas. E ali, Jesus não estava encontrando a mesma acolhida, nem a mesma disposição para a conversão. O povo de Nínive iria ser juiz daquele povo do tempo de Jesus. E iria condená-lo. E quem estava ali anunciando a mensagem de Deus para eles não era simplesmente alguém como Jonas. Como ele mesmo disse, ali estava alguém maior que Jonas, o próprio filho de Deus.



Guardando a mensagem

O povo pagão de Nínive converteu-se à pregação de Jonas. O povo de Deus do tempo de Jesus respondeu com indiferença à sua pregação. E um bom grupo reagiu com violência à boa notícia anunciada por ele. A pregação do Evangelho, que anuncia o Reino de Deus, continua hoje e chega até você e à sua família. Como é que vocês estão reagindo a esse anúncio que pede conversão e acolhida do amor de Deus? Como o povo de Nínive? Como o povo do tempo de Jesus?

No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão (Lc 11, 32)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
essa página do Evangelho vem reforçar nossa caminhada cristã, que é um permanente convite à conversão, à acolhida da vida nova que tu nos alcançaste em tua cruz. Concede-nos, Senhor, que vençamos a indiferença, que é atitude típica do nosso tempo: o não ligar, o deixar pra lá, o não dar importância. Que a tua Palavra encontre abrigo em nossos corações e em nossas vidas, nos animando num processo de verdadeira conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, hoje, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão.

Comunicando

O 8º passo de nossa caminhada quaresmal é rezar pela própria conversão; pedir ao Santo Espírito de Deus a graça da conversão.

Nesta sexta-feira, dia 03 de março, celebro a Santa Missa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, às 18 horas. O Santuário Dom Bosco fica na Asa Sul, Quadra 702. Missa e Adoração Eucarística, começando às 18 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O sétimo passo de nossa caminhada quaresmal



28 de fevereiro de 2023

Terça-feira da 1ª Semana da Quaresma

7º dia da Quaresma


EVANGELHO


Mt 6,7-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras.
8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, 13e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.



MEDITAÇÃO


Vocês devem rezar assim (Mt 6, 9)

Nossa caminhada quaresmal chega hoje ao sétimo dia. E o tema para nosso crescimento hoje é a Oração. O Pai Nosso é mais do que uma oração. É uma escola de oração. É como um discípulo ou uma discípula deve rezar, sempre. No Pai Nosso, podemos encontrar as quatro características da oração dos discípulos do Senhor.

A primeira característica é que é feita com INTIMIDADE e CONFIANÇA EM DEUS. Não se trata de uma audiência de um servo com seu patrão. Trata-se do diálogo amoroso entre pai e filho ou filha. Por isso, Jesus ensina a invocar a Deus como “pai”, “Pai Nosso”. Esse modo de falar com Deus era inteiramente novo na história do seu povo. Falar com Deus com intimidade e confiança. No sermão da montanha, Jesus chamou a atenção dos discípulos para não imitarem os fariseus, nem os pagãos. Em contraposição ao exibicionismo dos fariseus e mestres de lei, Jesus os orientou a proceder como um filho que conversa com seu pai ou sua mãe, a portas fechadas no seu quarto. Nunca imitar os pagãos nesse assunto da oração, recomendou Jesus. Eles recorrem à força de muitas palavras para serem ouvidos. O Pai já está sabendo de nossas necessidades antes que abramos a boca. INTIMIDADE E CONFIANÇA EM DEUS. É a primeira característica.

A segunda característica da oração cristã, sublinhada no Pai Nosso, é que ela busca, em primeiro lugar, A GLÓRIA DE DEUS. É quando a oração vira louvor, adoração. Os primeiros pedidos do Pai Nosso, no evangelho de São Mateus, referem-se a Deus, buscando a sua honra e a sua glória. “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. São três pedidos, todos dirigidos à glória de Deus: a santificação do seu nome, a vinda do seu Reino, a realização de sua vontade. Buscar, em primeiro lugar, a GLÓRIA DE DEUS. É a segunda característica.

A terceira característica da oração cristã é o pedido a Deus pelo NOSSO BEM temporal e espiritual. É o que nós precisamos para viver com dignidade e em santidade. No Pai Nosso, são quatro os pedidos em nosso favor. “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. O pão de cada dia, o perdão dos pecados, a vitória sobre a tentação e a libertação do mal. O ‘pão de cada dia’ compreende o emprego, o trabalho, o alimento, a segurança... São as necessidades de nossa sobrevivência. Mas, nem só de pão vive o homem. Também precisamos do perdão dos pecados e da restauração da vida, a partir da conversão e do crescimento do homem novo. Igualmente, precisamos da vitória sobre a tentação e a libertação do mal. A BUSCA DO NOSSO BEM é a terceira característica.

A quarta característica da oração cristã é o COMPROMISSO. Nos três primeiros pedidos do Pai Nosso, desejando a glória de Deus, na verdade estamos nos comprometendo em santificar o seu nome, acolher o seu Reino, realizar a sua vontade. Nos quatro pedidos em nosso favor, não estamos delegando tudo a Deus, para ficar de braços cruzados esperando ele agir. Reconhecendo a mão de Deus em nossa vida, estamos nos comprometendo a ganhar o pão de cada dia com o nosso trabalho, a nos esforçar no caminho da conversão e do perdão aos nossos agressores, a fugir das ocasiões de pecado e a lutar contra o mal. A oração nos compromete. COMPROMISSO é a quarta característica.



Guardando a mensagem

Em nossa caminhada quaresmal, somos hoje instruídos por Jesus sobre a Oração. Ele ensinou o Pai Nosso, uma verdadeira escola de oração. Nele, encontramos as quatro características da oração dos discípulos do Senhor: intimidade e confiança em Deus, busca de sua glória, busca do nosso bem, e o compromisso em realizar a sua vontade.

Vocês devem rezar assim (Mt 6, 9)

Rezando a palavra

Rezemos como Jesus nos ensinou:

Pai nosso que estás nos céus,
santificado seja o Vosso nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade,
assim na terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas
assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal.

Amém.


Vivendo a palavra

A dica de hoje está evidente: rezar o PAI NOSSO, bem rezado. Eu sei, eu sei que você já reza bem. Mas, pode rezá-lo ainda melhor. Reze com atenção ao que está dizendo. Reze deixando espaço para o Espírito Santo rezar em você.

Comunicando


O sétimo passo de nossa caminhada quaresmal é rezar o Pai Nosso com maior atenção e piedade. Comece escrevendo o Pai Nosso no seu caderno e sublinhando alguma palavra que chame a sua atenção. Depois, reze-o, calmamente.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O sexto passo de nossa caminhada quaresmal




27 de fevereiro de 2023

Segunda-feira da 1ª Semana da Quaresma

6º dia da Quaresma


EVANGELHO


Mt 25,31-46

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 31“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. 34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’. 37Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ 40Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ 41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar’. 44E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’ 45Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’ 46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.


MEDITAÇÃO


Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, como estrangeiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos? (Mt 25, 44)

Estamos fazendo, juntos, o caminho da Quaresma. Já estamos no sexto dia de nossa caminhada. O foco de hoje está no serviço da caridade, uma das áreas de atenção neste tempo de penitência.

Ontem, meditamos sobre as tentações. Uma das tentações de Jesus, e nossa também, é a do poder opressor. O diabo disse que estava no comando dos reinos do mundo e que passaria tudo pra Jesus, contanto que ele o adorasse. Adorá-lo seria trair Deus, trocar Deus pelo diabo. A resposta de Jesus foi: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás”. Veja como aí aparece serviço. “Só a ele servirás”. Jesus definiu a sua missão como serviço. “Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos”. Os seus seguidores participarão do seu Reino, na medida em que forem servidores, como ele.

No evangelho de hoje, aparece claramente este tema do serviço, da caridade. Em Mateus, capítulo 25, Jesus fala de si mesmo como o rei pastor que, no final da história, reúne todos os povos, separando as ovelhas dos cabritos. As ovelhas irão para a vida eterna, os cabritos irão para o castigo eterno. O critério do juízo é muito simples e prático: você ter servido aos necessitados, mesmo sem se dar conta de que era a Jesus que estava servindo. Só isso. Se você amou a Jesus, servindo os irmãos em suas necessidades, você tem acesso ao Reino preparado pelo Pai desde que o mundo começou. “Venham benditos do meu Pai!” Se não amou Jesus nos irmãos sofredores, o final é triste. “Afastem-se de mim, malditos!”.

Jesus faz uma lista de seis tipos de necessitados: o faminto, o sedento, o estrangeiro, o nu, o doente e o preso. É uma lista simbólica de todos os sofredores. Estranhamente não é uma lista de sete, como se podia esperar, para ser uma obra perfeita. Acho que a resposta é muito simples: o sétimo é o próprio Jesus.

O discípulo é um imitador do Mestre. Jesus, em sua missão redentora entre nós, foi um servidor. Para não ficar qualquer margem de dúvida, no final, ele lavou os pés dos discípulos. Nossa avaliação, diante de Deus, será sobre nossa imitação de Jesus: se servimos aos irmãos necessitados, como Jesus que, cheio de compaixão, aproximou-se dos pobres, dos enfermos, dos oprimidos como servidor.



Guardando a mensagem

Esta página do evangelho é um ensinamento precioso sobre o serviço, sobre a caridade, mas tem uma grande novidade. Já sabíamos que o amor ao pobre, ao necessitado e ao sofredor se realiza com ações, com compromisso, com a construção de uma sociedade inclusiva, com respeito pela dignidade humana de cada um, de cada uma. E Jesus acrescentou uma grande novidade: No amor aos “irmãos mais pequeninos”, como ele os chamava, está-se amando, servindo e honrando a ele mesmo. Jesus se sente defendido, protegido, promovido, amado quando fazemos isso aos sofredores. Ao servir os pequeninos, estamos imitando Jesus e mostrando nosso amor por ele. 
A Campanha da Fraternidade é uma escola quaresmal de caridade. Com a Campanha deste ano, por exemplo, podemos repensar nossos compromissos com a situação de fome de 33 milhões de brasileiros.

Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, como estrangeiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos? (Mt 25, 44)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
ajudar os pobres até que ajudamos. Somos todos sensíveis às campanhas de solidariedade, à esmola, ao socorro aos humilhados deste mundo. Ajudar os pobres não é tão difícil. Amar os pobres, como tu o fizeste, aí já é mais difícil. Difícil, porque amar é reconhecer a grandeza daquela pessoa desfigurada pela doença, pela droga, pelo desamparo; porque amar é engajamento na conquista dos seus direitos, no compromisso cidadão por uma sociedade justa e sem violência. Amar é comprometer-se com o outro, é entrar na comunhão com ele. Aí é bem mais difícil. Dá-nos, Senhor, que nesta quaresma, passemos de “ajudar os pobres” a “amar os pobres”. Que a nossa preocupação com a fome dos nossos irmãos e irmãs seja expressa em atitudes, cuidados, ações preocupadas com o bem de todos, especialmente dos mais frágeis e desprotegidos. Seja bendito o teu santo nome. hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Se você ainda não tem o seu caderno espiritual, adquira-o. Não é nada de muito especial. Qualquer agenda ou caderno serve. É um lugarzinho onde você possa ir anotando as inspirações que o Senhor lhe der e os compromissos de crescimento que você vai assumindo. No seu caderno, reproduza a lista dos necessitados que o evangelho repete quatro vezes hoje.

Comunicando

No programa de hoje, no Youtube, às 20 horas, vamos tratar do tema da Campanha deste ano: Fraternidade e Fome.

O sexto passo da nossa caminhada quaresmal é fazer alguma coisa pelos mais pobres e sofredores. Claro, essa é uma atitude de toda a sua vida. Mas, hoje, faça simbolicamente alguma coisa. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

As três tentações de Jesus




26 de fevereiro de 2023

1º Domingo da Quaresma


EVANGELHO


Mt 4,1-11

Naquele tempo, 1o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” 4Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”.
5Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. 7Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’”
8Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”. 11Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.



MEDITAÇÃO


Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto (Mt 4, 10).

Três tentações. Três é uma conta certa, completa. As três tentações resumem todas as tentações na vida de Jesus e na nossa vida também.

A primeira tentação é esta: vida sem sacrifícios. Foi a tentação de transformar pedra em pão. O pão representa tudo o que toca a sobrevivência: a comida, a roupa, o trabalho, a saúde, o bem estar... Está com fome? Transforme pedra em pão. Nada de fome, de mortificação, de jejum. Nada de esforço, de luta, de sacrifício. E é isso mesmo! Queremos ganhar bem, mas com o mínimo de esforço possível. Possivelmente, ganhar na loteria. Ou ter um cargo comissionado, que só precise ir assinar uma vez por mês. Vida sem sacrifício. Cozinhar, demora, dá trabalho. Vai de fast food, de refrigerante, de enlatados... Vida sem luta, nem sofrimento. Uma dorzinha de cabeça, corre, compra um remédio. Vai dar à luz, cesariana. Parto natural é doloroso. Desentendeu-se, separa, é mais fácil do que dialogar, do que perdoar. A primeira tentação é ‘vida sem sacrifícios’. Transformar pedra em pão. Na vida de Jesus, essa tentação foi vencida. Ele nunca usou o seu poder em benefício próprio. Levou vida itinerante, em grande despojamento. A cruz foi a grande marca de sua entrega em favor de todos. Para os seus seguidores, recomendou a renúncia a si mesmos, a partilha, a solidariedade com os sofredores, a caridade para com os pobres.

A segunda tentação é esta: religião sem obediência. Foi a tentação de se atirar do pináculo do Templo, para 
obrigar Deus a agir mandando seus anjos para ampará-lo na queda. Muita gente está buscando a religião apenas para obter solução para os seus problemas, procurando meios de condicionar Deus a agir em seu favor. Não faltam propostas religiosas mágicas: “Venha buscar o seu milagre”. “Ele é Deus de promessas, tem que cumprir”. “Faço um voto, sacrifico, e ele se obriga a me abençoar”. “Daqui, eu não saio sem o meu milagre”. A segunda tentação é a ‘religião sem obediência’. Pular no abismo para obrigar Deus a me proteger com seus anjos. Na vida de Jesus, essa tentação foi vencida. Ele denunciou a religião de exterioridade e ostentação. Disse que o seu alimento era fazer a vontade do Pai. Um pouco antes de sua paixão, em grande angústia, mesmo pedindo ao Pai para afastar aquele cálice de sofrimento, preferiu realizar a vontade do Pai antes do que a própria. Na religião cristã, não é Deus que faz o que eu quero. Sou eu que me submeto à sua vontade. Seja feita a vossa vontade, foi como Jesus ensinou.

A terceira tentação é esta: poder sem serviço. Foi a tentação de receber o poder dos reinos do mundo se adorasse Satanás. Muita gente que está no poder, tomara que eu me engane, está lá porque fez aliança com grupos poderosos, juntou-se com quem não presta, dobrou-se a interesses espúrios. E gente muita que, mesmo não estando em cargos de prestígio, sonha com isso, move-se nessa lógica ou reforça esse jogo com a bajulação. E não é preciso ir longe, porque o poder se exerce dentro de casa, na comunidade, na igreja, na empresa em que se trabalha. E aí se manifesta a tentação do exercício do poder como manipulação, como centralização, como busca de privilégios. A terceira tentação é ‘poder sem serviço’. Fazer aliança com o mal, para participar do seu poder. Na vida de Jesus, essa tentação foi vencida. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Corrigiu seus apóstolos, tentados também eles pelo poder. Entre vocês, não seja assim. O maior seja o menor e servidor de todos.


Guardando a mensagem

Por um lado, nos sentimos tentados, inclinados ao mal, como descendentes de Adão (Gn 3). Por outro lado, pela nossa união com Cristo, já somos vencedores sobre a tentação e o mal (Rm 5). Na vida de Jesus, estão representadas as tentações que também nos afligem: vida sem sacrifício, religião sem obediência, poder sem serviço. Em nossa resistência contra o mal, contamos com a oração, a Palavra de Deus e sua graça. “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto (Mt 4, 10).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
na quaresma, é como se estivéssemos em tua companhia, no deserto, enfrentando as tentações. Mais do que um episódio, a cena das tentações é um retrato de toda a tua vida. A luta contra o mal que nos assedia é um exercício permanente, que dura toda a nossa vida. Venceste a tentação de matar a fome, transformando pedras em pão: a vida sem sacrifícios. Em nossa quaresma, procuramos fazer exercícios de penitência para nos fortalecer na luta contra o mal. Venceste a tentação de fazer da religião um espetáculo de milagres, atirando-se de cima do pináculo do Templo: a religião sem obediência. Em nossa quaresma, procuramos renovar nossa vida de oração para aderirmos, de coração, à vontade de Deus. Venceste a tentação da busca de privilégios, idolatrando o autoritarismo: o poder sem serviço. Na nossa quaresma, procuramos exercitar a caridade, animados pela campanha da fraternidade. Abençoa, Senhor, nossa quaresma. Fortalece nossa luta contra o mal. Dá-nos, com a tua graça, derrotá-lo todos os dias. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Leia, na sua Bíblia, o evangelho de hoje: Mateus 4, 1-11. E faça todo esforço para participar da Santa Missa, neste primeiro domingo da Quaresma.

Comunicando

Com este domingo, estamos no quinto passo de nossa caminhada quaresmal. E o passo de hoje é participar da Santa Missa dominical. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Terceiro passo de nossa caminhada quaresmal




24 de fevereiro de 2023

Sexta-feira depois das cinzas

3º dia da Quaresma

EVANGELHO


Mt 9,14-15

Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?”
15Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”.

MEDITAÇÃO


Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão (Mt 9, 15)

Chegamos ao terceiro dia da Quaresma. É muito importante que a gente não perca nenhum dia desse programa de crescimento que é a Quaresma. O passo a ser dado hoje é sobre o jejum, como expressão de nossa conversão.

A pergunta veio de um grupo muito querido de Jesus, os discípulos de João. Jesus tinha participado do batismo de João Batista, no rio Jordão. João o tinha apontado como cordeiro de Deus. E alguns dos discípulos do Batista tinham se tornado discípulos seus. Então, a pergunta deles era séria. Não tinha segundas intenções. E o que eles queriam saber? Queriam saber por que os seus discípulos não praticavam o jejum como eles e os fariseus? A resposta de Jesus foi essa: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”. O que Jesus quis dizer com isso?

Podemos entender todo o ministério de Jesus como a renovação da aliança com Deus. Jesus veio pra isso: para restaurar a comunhão com Deus que foi destruída pelo pecado (desde Adão) e pela infidelidade de Israel, o povo da Aliança. Não é à toa que o evangelho de São João praticamente comece com as bodas de Caná, o casamento que precisou da intervenção de Jesus para dar certo. A aliança, à moda do casamento, é entre Deus e o seu povo. Jesus é o noivo. Veja o que ele respondeu: enquanto o noivo está presente (ele), os amigos do noivo (os discípulos) não podem jejuar. Mas, depois que o noivo for tirado do meio deles (a sua morte), eles jejuarão.

O jejum é uma expressão de nossa conversão. Bom, nossa primeira conversão foi celebrada no batismo, nas águas, sinal sacramental da ação do Santo Espírito. Lá, fomos lavados dos nossos pecados. Mas, infelizmente, continuamos a cair, a falhar, a pecar. Por isso, precisamos estar em permanente atitude de conversão. Deus sempre nos perdoa. Mas, para isso, precisamos da conversão do nosso coração. O jejum é uma forma de cultivamos essa conversão. Ficamos tristes pelo pecado que cometemos. Esse sentimento do reconhecimento de nosso pecado, da dor que sentimos por nossa infidelidade a Deus, é expresso também nas práticas externas do jejum, da esmola e da oração. Essas práticas nos ajudam a cultivar a conversão interior e a implorar a misericórdia de Deus, o seu perdão. Ele que já nos purificou pela água do batismo, pode também nos purificar pelas lágrimas do nosso arrependimento.

O jejum tem, então, essa conexão com Deus, a quem ofendemos e a quem demonstramos nosso arrependimento, cultivando a conversão do nosso coração. Mas, o jejum tem também uma conexão com minhas atitudes em relação aos meus irmãos. No livro do Profeta Isaías, o próprio Deus nos diz qual a verdadeira obra que ele espera de nós, o jejum que ele prefere. São obras pelas quais procuramos, em relação ao nosso próximo, o alívio do seu sofrimento, a libertação da opressão, a partilha do pão, do teto e da roupa com os mais sofridos.



Guardando a mensagem

O jejum é uma forma de penitência, pela qual me uno ao padecimento de Cristo, em sua paixão. É também um gesto de amor fraterno, no sentido de que me faço solidário com quem está em dificuldade. Você pode jejuar em qualquer dia na Quaresma. O mínimo está previsto pela disciplina da Igreja: na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira da paixão. A abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma também faz parte de nossa caminhada penitencial, nesse período. Além do alimento, a gente pode fazer jejum de televisão, de barzinho, de bebida alcoólica, de cigarro, de internet, de whatsapp. Renunciar, pra ficar mais resistente, pra ter mais força interior, para unir-se a Cristo em sua cruz e aos irmãos em suas necessidades.

Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão (Mt 9, 15)

Rezando a palavra

Senhor nosso Deus,
que te deixas comover pelos que se humilham e te reconcilias com os que reparam suas faltas, ouve como um pai as nossas súplicas. Derrama a graça da tua bênção sobre nós que estamos em Quaresma, desejosos de ouvir a palavra do teu filho Jesus, de ser fieis à vida de oração pessoal, e de praticar a penitência e a caridade, em preparação das celebrações da Santa Páscoa que se aproximam. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Vivendo a palavra

Bom, não temos pra onde correr. A prática da palavra de hoje é o jejum, jejuar. Se você passou batido(a) na quarta-feira de cinzas, tem ainda a sexta-feira da paixão. E, hoje, como todas as sextas da quaresma, é dia de abstinência de carne. Você sabe, essas práticas externas têm valor se cultivarem a conversão do coração em relação a Deus e aos sofredores.

Comunicando

Como é que está indo a sua Quaresma? Levando-a a sério, mesmo? Estamos hoje no terceiro passo de nossa caminhada quaresmal, subindo o monte, com o Senhor. O primeiro foi ter o seu momento pessoal diário de oração. O segundo passo, o de ontem, foi ter o seu caderno espiritual. O terceiro, lhe digo agora: levar a sério o jejum e a abstinência. Hoje é dia de abstinência de carne (não comemos carne em todas as sextas-feiras da Quaresma). 

Sendo hoje, dia 24 de fevereiro, comemoração mensal de N. Sra. Auxiliadora, temos Missa na Capela da AMA e Terço Mariano às 18 horas, tudo transmitido pela Rádio Amanhecer. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

Eu quero levar a sério a Quaresma!

 




23 de fevereiro de 2023

Quinta-feira após as cinzas

2º dia da Quaresma

EVANGELHO

Lc 9,22-25

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 22“O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.
23Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. 24Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará.
25Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?”
Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e me siga (Lc 9, 23)

MEDITAÇÃO


Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e me siga (Lc 9, 23)

Então, começamos, ontem, a caminhada de 40 dias em direção à Páscoa do Senhor. Começamos a Quaresma. É como se tirássemos esse tempo para caminhar com Jesus, aprendendo os seus ensinamentos, o seu modo de pensar e de agir. É um grande retiro, em companhia dos irmãos, no seguimento de Cristo. Seguimento de Cristo: precisamente, é esse o foco de nossa meditação de hoje, segundo dia da Quaresma.

Jesus falou para todos: “Se alguém quiser me seguir...”. Eu quero! E você? Então, escutemos as condições que ele vai colocar: “Renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e me siga”. Renunciar a si mesmo significa a gente se tirar a si mesmo do centro. É que no centro de nossa vida estamos nós mesmos. A gente pensa e age assim: ‘isso é bom pra mim, isso me faz bem, isso eu gosto, isso eu quero ou não quero pra minha vida’. No centro, estou eu mesmo, o que me agrada, o que me convém. Agora, Jesus está dizendo que para quem quiser segui-lo, tem que ser diferente: é ele que deve estar no centro. Renunciar a si mesmo. Não dá pra você seguir Jesus, continuando no centro. Entendeu?!

Aí ele completou: “Tome a sua cruz cada dia e me siga”. Ser cristão não é deixar de ter problemas, você sabe muito bem. Tomar a própria cruz é condição para seguir Jesus. E o que é tomar a cruz de cada dia? É assumir, com toda responsabilidade, o peso que a vida lhe entrega: problemas de saúde, dificuldades financeiras, desencontros dentro de casa, crises sociais... Tomar a cruz cada dia é não correr dos compromissos ordinários da existência: trabalhar, fazer feira, acompanhar os filhos, conviver com a vizinhança, estudar... As obrigações, compromissos e problemas do dia-a-dia não nos impedem de seguir Jesus. É com essa cruz que o seguimos.

Jesus começou falando do seu caminho, de como ele sofreria muito, seria rejeitado pelos grandes do seu povo, seria morto e ressuscitaria. O caminho do Filho do Homem, como ele gostava de se referir a si mesmo, não seria um caminho cômodo, nem fácil. O caminho da verdade, da coerência, da honestidade é um caminho doloroso. Sofrimento, rejeição, morte... e ressurreição, ao final. A vitória se colhe em meio a lutas, renúncias e dificuldades.

Jesus não quis pegar o atalho da vitória sem luta, do conchavo com os poderosos ou da solução mágica para os problemas. Foram essas, aliás, as tentações do demônio, depois de um jejum de 40 dias.


Guardando a mensagem

Jesus nos chama para segui-lo, mas nos indica que é preciso renunciar a estar no centro, para no centro estar a santa vontade de Deus. E nos lembra que no seu caminho tem cruz. É claro que Jesus não nos está chamando simplesmente para o sofrimento. Seria masoquismo. Ele está nos convidando a tomar a estrada que ele tomou: o caminho da simplicidade, da fidelidade, da verdade..., do amor aos pequenos, os preferidos de Deus. Esse não é um caminho fácil. O mundo, pervertido pelo desejo de enriquecimento, de prestígio, de luxúria, não aplaude o discípulo de Jesus. Mas, o nosso caminho é o caminho de Jesus.

Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e me siga (Lc 9, 23)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu, que és Deus, percorreste o caminho humano para nos deixar um modelo a seguir. Mas, não é fácil, Senhor, assumir o teu caminho. A tentação do mais fácil, do prazeroso, a cobrança da opinião dos outros... muita coisa nos empurra para um caminho sem renúncias. No fundo, preferimos um caminho sem sofrimento, a vitória sem luta, o amor sem doação. Ajuda-nos, Senhor, a responder positivamente ao teu chamado. Queremos te seguir, com fidelidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A Quaresma é uma caminhada rica de estímulos para o nosso crescimento. É como uma subida ao monte com Jesus, em 40 passos. O primeiro passo lhe indiquei ontem, com a Quarta-feira de Cinzas: ter um tempo pessoal de oração todos os dias. O segundo passo, lhe digo agora: ter o seu caderno espiritual (uma agenda, um caderno de anotações). Muita gente me pergunta se é uma coisa especial que eu tenha para vender. De jeito nenhum. Compre um caderno em qualquer livraria. Ele será especial se você o utilizar bem para o seu crescimento espiritual.

Comunicando

Caso tenha um tempinho, gostaria muito de encontrar você na Santa Missa que celebro hoje, como todas as quintas-feiras, às 11 horas, pelo rádio e pelas redes sociais. Será mais uma oportunidade pra você começar bem a Quaresma. Durante a Missa, vamos assumir o compromisso de seguir fielmente o caminho quaresmal. Desejando colocar sua intenção na Santa Missa, use o formulário que estou lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A sugestão pra você começar bem a Quaresma

 



22 de fevereiro de 2023

Quarta-feira de Cinzas - Início da Quaresma

EVANGELHO


Mt 6,1-6.16-18

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

MEDITAÇÃO


E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa (Mt 6, 4)

Estamos começando a Quaresma. A Quaresma se inspira no povo antigo que caminhou 40 anos no deserto, purificando-se, para entrar na posse da terra prometida. Jesus jejuou durante quarenta dias, no início do seu ministério. Recebendo as cinzas, entramos no clima desse tempo litúrgico: o reconhecimento de nossa fraqueza e a confiança no amor restaurador de Deus.

No sermão da montanha, comunicando a novidade do Reino, Jesus apresenta ao seu povo um modo novo de ver e realizar as antigas práticas religiosas. Fala da esmola, da oração e do jejum. Que tudo isso – nos pede ele – seja vivido sem demonstrações públicas, sem busca de reconhecimento dos outros. Essas três práticas de toda religião tradicional continuam valendo para nós, mas vividas com um novo espírito.

A ORAÇÃO, sem ostentação, é um diálogo de filho, de filha, com o Pai, na intimidade do seu ser (o seu quarto). Quaresma é tempo de rezar mais e melhor. É na quaresma que se faz, a cada sexta-feira, a via-sacra. O conselho pra todo mundo é: não perder as celebrações dominicais em sua comunidade, nesse período. Nesse tempo de Quaresma, cabe um esforço especial para cada um ter seu momento de oração pessoal, todos os dias. A leitura frequente da Palavra de Deus é também parte de nossa vida de oração.

O JEJUM, sem exibicionismo, nos priva do alimento ou de alguma outra coisa. Todas as religiões que se prezam recomendam esta prática. O jejum, durante a Quaresma, está marcado para os católicos para hoje, quarta-feira de cinzas e a sexta-feira da Paixão. E abstinência de carne todas as sextas-feiras da quaresma. O jejum educa a gente, vocês sabem disto. Ajuda a quebrar o nosso egoísmo, a nossa presunção, o nosso orgulho. Sobretudo, nos ensina a solidariedade. Porque jejum que se preze é partilha: a gente passa para quem está com fome aquilo que deixamos de consumir.

A CARIDADE, sem busca de reconhecimento, nos faz realizar gestos de fraternidade. Concretamente, fazer alguma coisa pelos outros que precisam mais. Os profetas falavam de partilha da comida, da roupa, da água... Jesus fala de gestos de atenção em direção aos famintos, sedentos, enfermos, encarcerados, maltrapilhos... quem for fraterno com estes irmãos e irmãs, está sendo fraterno com o filho de Deus, Jesus Cristo. Por isso, na Quaresma também se fala de esmola. Mas, muita gente fica pensando logo num trocado que se dá a alguém. E a esmola de que se fala na Quaresma é a partilha do que temos com quem está passando necessidade.

Com a graça de Deus temos, no Brasil, a Campanha da Fraternidade, que justamente tem o seu momento forte na Quaresma. Neste ano, a Campanha tem como tema "Fraternidade e Fome". A reflexão e as ações de fraternidade nos ajudam a qualificar nossa Quaresma, com a conversão na caridade.


Guardando a mensagem

A Quaresma, que estamos começando com esta quarta-feira de cinzas, vale como um grande retiro para nós católicos. Quarenta dias de caminhada, de crescimento, de práticas religiosas, de gestos de fraternidade. Assim, vamos nos preparando para entrar, com Jesus, em Jerusalém para celebrar, com ele, a Páscoa. E a Quaresma começa já nos apontando três práticas religiosas especiais neste período: oração, jejum e caridade. Mergulhe de cabeça nesta Quaresma!

E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa (Mt 6, 4)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
como disse Paulo, em sua segunda Carta aos Coríntios: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”. E nós não queremos e não podemos deixar passar essa oportunidade. A Quaresma há de ser para nós um tempo de crescimento espiritual, de fortalecimento de nossa fé e de realização de nosso compromisso de fraternidade. Abençoa, Senhor, este tempo de Quaresma que estamos começando. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Para viver a palavra de hoje, eu tenho uma boa sugestão que vale para toda a Quaresma: você realizar, a cada dia, um momento pessoal de oração. Isso será muito vantajoso para o seu crescimento cristão. Que tal começar hoje?!

O que fazer nesse momento pessoal de oração: ler com calma o texto bíblico do dia, ler e ouvir a Meditação, anotar no seu caderno alguma descoberta, rezar algumas de suas orações conhecidas.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Seguir Jesus: caminho ou carreira?




21 de fevereiro de 2023

Terça-feira da 7ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO

Mc 9,30-37

Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão, mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”.
32Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. 33Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “Que discutíeis pelo caminho?” 34Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior.
35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” 36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: 37“Quem acolher em meu nome uma dessas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas aquele que me enviou”.


MEDITAÇÃO

O que vocês estavam discutindo pelo caminho? (Mc 9, 33)

Jesus estava se dedicando à formação dos seus discípulos. Depois de um tempo de muita efervescência, ele foi se afastando daquelas multidões que viviam atrás dele. Era importante preparar os discípulos para os próximos acontecimentos. E para continuarem a missão, depois que ele se fosse. É muito importante perceber esse investimento de Jesus em tempo, atenção e formação das lideranças do seu movimento.

Mas, a perspectiva de Jesus não está sendo compreendida pelos discípulos, naquele momento. Jesus está pensando na sua entrega total, como servidor. Ele se explica dizendo que será entregue, será morto e ressuscitará ao terceiro dia. O auge do seu caminho será a morte e a ressurreição.

Os discípulos estão num pensamento muito diferente do de Jesus. Estão pensando em cargos, em privilégios. O auge do seu caminho não é a morte, a entrega total. O auge do seu caminho é a ascensão ao poder. No caminho, eles estão discutindo sobre quem será o maior, quem terá cargos mais prestigiados e maior participação no poder. Jesus quer ser o menor. Eles disputam sobre quem será o maior. Jesus está fazendo um caminho. Eles querem fazer carreira, não um caminho.

Essa incompreensão dos discípulos, alimentando um projeto bem diferente do de Jesus, fica clara nas palavras que aparecem no texto: eles não compreendiam, tinham medo de perguntar, ficaram calados quando Jesus perguntou sobre o que estavam conversando no caminho.

O evangelista informa que Jesus se sentou (sinal de que iria ensinar, sentado era a posição do Mestre). Sentou-se, chamou os doze e lhes disse: 
“Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos”. Foi quando Jesus pôs uma criança no meio deles e a abraçou. E disse que quem a recebesse em seu nome, o estaria acolhendo.

Além do sentido habitual que já damos a esse episódio, podemos pensar também que acolher Jesus como se acolhe uma criança é aproximar-se dele, desinteressadamente. Nós sempre nos aproximamos dele interessados em alguma coisa. Acolher Jesus é identificar-se com ele, partilhar o seu sonho e o seu compromisso de serviço até à entrega da própria vida.


Guardando a mensagem

Nós, discípulos de hoje, continuamos a pensar e agir como os primeiros discípulos de Jesus. É que estamos mais facilmente de acordo com o espírito do mundo do que com o espírito do evangelho. Nas famílias, nas comunidades, na Igreja, estamos sempre disputando cargos, procurando os privilégios do poder ou alimentando essas disputas em nosso meio. Jesus se colocou, entre nós, como servidor. O seu caminho foi o do serviço, até a entrega de sua vida. Como seus discípulos, nossa vocação é o serviço. Somos servos uns dos outros, não senhores. É assim que devemos acolher Jesus, como servo. É assim que precisamos imitá-lo, como servidores.

O que vocês estavam discutindo pelo caminho? (Mc 9, 33)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós entendemos bem o que se passava na cabeça daquele teu primeiro grupo de seguidores. Nós vivemos tentados da mesma forma. O poder nos encanta. Não somente queremos ser os tais, mas nos sentimos atraídos por quem é, humanamente, grande e poderoso. Valorizamos, em primeiro lugar, os cargos prestigiados na sociedade e na Igreja. E desprezamos as profissões aparentemente humildes, as funções aos nossos olhos mais simples. Tens que ter muita paciência conosco, Senhor. Nem sempre te acolhemos como servidor, preferimos te aplaudir como rei e dominador. E assim, nos dispensamos de seguir o teu caminho de serviço e entrega amorosa até o fim. Que a tua palavra hoje soe como um forte convite à nossa conversão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vamos viver a palavra

Você já tem o seu caderno espiritual? Seria tão bom tê-lo! Seria um apoio a mais no seu crescimento espiritual. Bom, no seu caderno, responda à pergunta de Jesus: “O que vocês têm discutido pelo caminho?”.

Comunicando

Amanhã, começa a Quaresma, um tempo de crescimento com forte acento na oração, no espírito de penitência e na vivência da caridade. Com a quarta-feira de cinzas, começamos essa caminhada de preparação para a páscoa.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Postagem em destaque

O sábado foi feito para o homem.

   20 de janeiro de 2026    Terça-feira da 2ª Semana do Tempo Comum Dia de São Sebastião, mártir    Evangelho.   Mc 2,23-28 23Jesus estava p...

POSTAGENS MAIS VISTAS