BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Saiba porque saúde e perdão andam tão juntos

 



13 de janeiro de 2023

Sexta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum

EVANGELHO


Mc 2,1-12

1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 2E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. 3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 6Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 7“Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus”. 8Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda?’ 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, disse ele ao paralítico, 11eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!” 12O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim”.


MEDITAÇÃO


Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2, 5)

Ele chegou carregado por quatro homens. Deitado no leito, coitado. Tentaram entrar na casa onde Jesus estava. Lotada. Tiveram uma ideia. Subiram no terraço da casa e abriram uma brecha no teto de palha e barro e desceram o paralítico. Jesus interpretou aquele esforço todo como expressão de fé daqueles homens. E, como estava ensinando, aproveitou para uma grande lição. A grande obra é curar a alma, perdoar os pecados. E perdoou publicamente o paralítico dos seus pecados. Claro, muita gente ali estranhou. Perdoar, só Deus. Curar o corpo, também. Assim, Jesus mandou o paralítico se levantar e ir pra casa.

O carregado saiu carregando. Ele entrou ali deitado no seu leito, carregado por quatro homens. Agora, estava de pé, carregando o seu leito. Foi liberto de seus pecados e de sua doença. Há um vínculo muito estreito entre a saúde da alma e a saúde do corpo. Quando a pessoa entra num quadro de sofrimento moral, de decepção, de saudade ou de tristeza, que são sofrimentos da alma, também o corpo se ressente. Nestas condições, facilmente, uma doença pode se desenvolver no seu organismo. Do mesmo modo, quando alguém cuida bem do seu corpo, com boa alimentação, caminhada, repouso suficiente, logo sua parte espiritual reage positivamente. A inteligência, a memória, o bom humor, a alegria, tudo isso melhora. A pessoa humana é corpo e alma, soma e psiquê.

Então, há um vínculo entre pecado e doença, entre perdão e saúde. No sacramento da Reconciliação, que a gente chama de Confissão, nós recebemos o perdão dos nossos pecados. A graça de Deus que nos vem com o seu perdão é uma força muito grande para enfrentarmos as dificuldades da vida e a doença do corpo. O sacramento da Unção dos Enfermos, que também perdoa os pecados, é administrado, para que a pessoa tenha conforto, paz, coragem, e sendo da vontade de Deus, se recupere, vença a doença. O perdão que nós precisamos dar a quem nos ofende ou pedi-lo a quem nós ofendemos é uma fonte de alívio, de alegria, de saúde. Da mesma forma, o rancor, o ressentimento, o ódio são portas abertas para gastrite, úlcera e outros probleminhas desagradáveis.

Claro que o texto bíblico é muito rico e por ele Deus nos diz muitas coisas importantes para nossa vida. Mas, hoje fiquemos com essa consideração da proximidade que há entre o perdão e a saúde. Não é à toa que Jesus tenha se preocupado tanto com os doentes, quando sua missão era tirar o pecado do mundo.

Guardando a mensagem

Jesus perdoou os pecados do paralítico. Fez isso em consideração à fé que ele viu nos homens que o carregavam e no próprio doente. Depois o curou de sua doença. Fez isso para que compreendessem que ele tinha autoridade para isso. Com essa cura do corpo e da alma, percebemos também como as duas coisas andam bastante juntas, uma vez que a pessoa humana é, numa só unidade, corpo e alma. Consultório e Confessionário, precisamos dos dois.

Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2, 5)


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
quando curaste o paralítico, o mandaste ficar de pé, carregar o leito e ir para casa. Tu o devolveste perdoado e sadio à sua família. Essa é a graça de vivermos santa e sadiamente: fazermos alguma coisa para os outros, a começar pelos de nossa casa. A sogra de Simão que tu ajudaste a se levantar de sua febre pôs-se logo a serviço. Servir é o que dá sentido à vida do cristão com saúde no corpo e na alma. Rezamos, hoje, Senhor, pelos enfermos. Dá-lhes conversão, oportunidade para receberem o perdão dos seus pecados e saúde para estarem a serviço, em suas famílias e em suas comunidades. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze, hoje, por um enfermo, em especial. Sendo possível, mande uma mensagem ou telefone. Mostre interesse pelo seu bem.

Comunicando

Estamos na Semana de Aniversário do nosso Programa de rádio Tempo de Paz. Segunda-feira próxima, dia 16, teremos a Missa de Ação de Graças, às 9 horas da manhã. Veja o vídeo que estou lhe enviando. 

Até amanhã, se Deus quiser. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O leproso está me representando



12 de janeiro de 2022

Quinta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum

EVANGELHO


Mc 1,40-45

Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” 42No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado. 43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”
45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.

MEDITAÇÃO


Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade, ficava fora, em lugares desertos (Mc 1, 45)

Um leproso chegou perto de Jesus e pediu para ser curado. Jesus, cheio de compaixão, tocou nele e o curou. Mas, lhe pediu para não dizer nada a ninguém. Que fosse logo ao Templo para comprovar que já estava bom e fazer a oferenda necessária, para ser reintegrado na sua comunidade. Mas, ele saiu divulgando o acontecido. Resultado: Jesus já não podia mais entrar publicamente numa cidade. Tinha que ficar fora, em lugares desertos.

No tempo da Bíblia, lepra era qualquer doença de pele que se apresentasse um tanto repulsiva. Nem tudo era propriamente a hanseníase como nós a conhecemos. Não havia cura para esse mal, diferentemente de hoje. E o leproso era afastado da convivência da família e da sociedade de uma maneira muito dramática. As leis, a um tempo civis e religiosas, estavam codificadas no Livro do Levítico, o terceiro livro da Bíblia. Por essas leis, o leproso tinha que ser excluído da comunidade, andar com as roupas rasgadas e cabelo desgrenhado, o rosto ou a barba cobertos e permanecer sempre fora das áreas de moradia. Leproso era um condenado. Devia ficar fora, excluído, afastado de todos. E ainda mais, ao se aproximar de qualquer um devia gritar que era impuro, pra ninguém chegar perto.

Impureza era um conceito a um tempo religioso e sanitário. Impuro era quem estivesse afastado da bênção de Deus. No tempo de Jesus, impuro, além do leproso, era quem entrasse em contato com estrangeiros, com sangue ou mesmo tivesse tocado num corpo sem vida. A impureza só se resolvia no Templo, oferecendo-se um sacrifício. Quem ficasse bom da lepra devia comparecer no grande Santuário, e comprovada a sua cura, oferecer um cordeiro em reparação expiatória para ser declarado puro e retornar ao convívio familiar. Por isso, Jesus sempre manda os leprosos se apresentarem aos sacerdotes, para serem declarados puros. Mas, claro, não é o Templo quem os purifica, mas sim o próprio Jesus.

O leproso no fundo é um representante do pecador. O pecador, sim, é esse impuro que se distanciou de Deus e está fora da comunhão com o seu Deus e Criador. O pecador é o Adão que foi expulso do paraíso, ficou fora. Ele e Eva, sua mulher e companheira de desobediência. João Batista identificou Jesus como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Na verdade, não é o cordeiro sacrificado no Templo que limpa o pecador, é Jesus quem nos liberta do pecado. Ele, sim, é o cordeiro de Deus que tira o pecado. E como ele fez isso? Tomando o nosso lugar, pagando por nós.


Guardando a mensagem

O leproso é um representante do pecador. São Paulo escreveu com todas as letras: "O salário do pecado é a morte". Essa é a sorte do pecador, sua pena: a morte. Na cruz, Jesus tomou o nosso lugar, morreu por nós, isto é, morreu em nosso lugar. Expiou o nosso pecado. Ele o fez oferecendo-se a si mesmo ao Pai, como humano que era e como Deus verdadeiro que sempre foi. O Pai recebeu essa oferenda expiatória: seu filho, humano e divino, ofereceu sua vida, morreu em nosso lugar. Foi expiada nossa culpa. Note como termina o evangelho de hoje. Jesus já não podia entrar na cidade, tinha que ficar fora, em lugares desertos. Ele assumiu o lugar do leproso. O leproso é quem devia ficar fora, excluído, marginalizado. Jesus tomou o nosso lugar de pecador, de leproso, ficou do lado de fora. Fisicamente, morreu fora da cidade, banido, executado como malfeitor, como pecador. Tomou o nosso lugar. Foi assim que expiou o nosso pecado.

Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade, ficava fora, em lugares desertos (Mc 1, 45)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
essa história do leproso é surpreendente. Os leprosos, somos nós os pecadores. O pecador está excluído da comunhão com Deus e com os irmãos. Pôs-se do lado de fora. O pecado nos conduz à morte. Mas, tu, na tua compaixão, nos purificaste, assumindo o nosso lugar de pecadores. Morreste no nosso lugar. Na santa missa, repetimos teus gestos e palavras ao ofereceres tua vida por nós: "Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados". Tua morte - teu sangue derramado como um cordeiro oferecido em sacrifício - expiou nossa culpa, remiu nosso pecado. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Vou pedir pra você ler o texto da Meditação de hoje. Simples, a tarefa: ler o texto da Meditação. É só clicar no link que estou lhe enviando. Lendo, você capta muitos detalhes interessantes da explicação.

Comunicando

Como todas as quintas-feiras, celebro a Santa Missa por todos os ouvintes, associados e internautas, com transmissão pelo rádio e pelas redes sociais, às 11 horas. No formulário, ponha a sua intenção, por favor. Vou rezar por você. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Nossa oração pelos enfermos e nosso compromisso com o serviço

 



11 de Janeiro de 2023

Quarta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO

Mc 1,29-39

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

MEDITAÇÃO


A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus (Mc 1,30)

Jesus está num dia memorável de evangelização na cidade de Cafarnaum. Na Sinagoga, ele liberta uma pessoa possuída por um espírito mal. Na casa de Simão, ele socorre a sogra acamada. Na entrada da cidade, um lugar público de reuniões populares, ele acolhe e cura muitos enfermos. Jesus mostra-se libertador no espaço religioso, a sinagoga; no espaço da casa, a família de Simão; no espaço público, às portas da cidade.

No breve relato da presença de Jesus na casa de Simão, observemos três coisas. 1. Membros da família pedem a Jesus em favor dela. 2. E Jesus a visita, tirando-lhe a febre; 3. e ela, uma vez restabelecida, levanta-se e vai servi-los.

Sempre tem gente doente, precisando da visita de Jesus. Importante é que haja quem apresente essas pessoas a Jesus, quem as recomende à sua atenção. É o papel da oração. Na oração de intercessão, aparece a compaixão que temos pelo nosso próximo, a solidariedade que nos move a pedir em seu favor. É a oração pelo necessitado, por quem está precisando.

Jesus sendo informado, não fica indiferente. Ele visita o doente, liberta a pessoa. E você sabe, ele costuma visitar através de um médico, de um especialista, de um padre que administra o sacramento da unção dos enfermos.

A disposição da sogra nos causa admiração. Estava acamada, com febre. Levanta-se, restabelecida pela visita de Jesus, e vai servir. Com certeza, ajuda a por a mesa para o almoço e outras coisas. Quem recebe a graça da saúde, se estiver no caminho de Jesus, torna-se um servidor, alguém comprometido com o bem dos outros. Esta é uma bela lição.


Guardando a mensagem

Saindo da Sinagoga, em Cafarnaum, Jesus vai à casa de Simão. Lá, apresentam-lhe a situação da sogra acamada, com febre alta. Jesus interessou-se pela doente e a curou. Ela, quando se viu com saúde, levantou-se e foi servir a Jesus e ao seu grupo. Muitas coisas podemos aprender nessa cena: o valor da oração de intercessão pela qual apresentamos nossas necessidades ao Senhor; a misericórdia de Jesus que vem ao nosso encontro em nossas tribulações; e a atitude de serviço própria de quem está no caminho de Jesus.

A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus (Mc 1,30)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
em nossa prece de hoje, queremos te apresentar os doentes, particularmente os de nossa família, as pessoas enfermas que nós conhecemos, em casa ou no hospital. Também pedimos em favor dos seus acompanhantes. Queremos fazer como os que te acompanharam à casa de Simão e André. Queremos falar deles a ti, apresentar sua situação e seu sofrimento. E pedir em favor deles. Na casa de Simão, sabendo da situação daquela mulher acamada, com febre, tu te aproximaste, tomaste-a pela mão e a levantaste. Acabou-se a febre, desapareceu a doença. Onde chegas com tua presença bendita, o mal se afasta. É o Reino de Deus que chega com tua bondade e tua misericórdia. Onde tocas, com tuas mãos benditas, renasce a vida, comunicas a graça e a bênção. É isso que te pedimos para os nossos enfermos. Visita-os, abençoa-os, comunica-lhes a saúde. Confiamos hoje nossos doentes à tua misericórdia, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze, hoje, por um doente de sua família. Recomende-o(a) ao Senhor Jesus, interceda em seu favor. 

Comunicando

Lembre de se inscrever para o Sorteio de Brindes desta Semana de Aniversário do nosso programa no rádio. Use o formulário ou o nosso whatsApp 81 3224-9284. 
Estou também lhe enviando minha agenda de shows deste mês e confiando-a às suas preces.

Até amanhã, se Deus quiser. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Jesus nos liberta do poder do mal

 


10 de janeiro de 2023

Terça-feira da 1ª Semana do Tempo Comum


EVANGELHO


Mc 1,21b-28

21bEstando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.
23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!”
26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galileia.

MEDITAÇÃO


Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1, 25)

Sabe o que foi? Jesus estava na sinagoga de Cafarnaum. Era um dia de sábado. O povo estava reunido para a oração e a escuta da palavra de Deus. E Jesus estava ensinando. As pessoas, ali, estavam admiradas com o seu ensinamento. Foi aí que um homem ali presente, possuído por um espírito impuro, começou a gritar e esbravejar contra Jesus. Jesus mandou o espírito calar a boca e sair daquele homem. Dito e feito. O homem foi sacudido com violência pelo espírito mau, que deu um urro assustador e saiu. As pessoas ficaram assustadas, não era pra menos. E admiradas com aquele ensinamento novo de Jesus, com a sua autoridade.

O ensinamento de Jesus é libertador das pessoas de todas as opressões. Seu ensinamento desmascara o mal que está escondido também dentro da comunidade, dominando a vida de algumas pessoas. Como na sinagoga de Cafarnaum, também em nossas comunidades, pode haver alguém que estranhe e reaja ao ensinamento de Jesus.

O que será que Jesus dizia e fazia que pudesse incomodar alguém? As pessoas viam uma grande diferença entre o ensinamento de Jesus e o ensinamento dos fariseus. A primeira coisa que marcava uma grande diferença era a atenção que Jesus dava aos sofredores e marginalizados. Estes estavam à margem de tudo, na vida social e na religião. E Jesus os incluía como pessoas importantes no seu anúncio do Reino de Deus. E uma segunda coisa que mexeu demais com as lideranças do seu povo foi a imagem que ele passava de Deus. Ele revelava Deus como pai amoroso, pronto para acolher o filho pecador de volta à sua casa. E essa não era exatamente a imagem de Deus que eles tinham. Eles o percebiam como juiz e retribuidor das boas ações e da prática da Lei.

Esse ensinamento de Jesus - feito de gestos de atenção e proximidade, de parábolas e diálogos sobre o Reino de Deus – despertou muita indignação e ódio nos fariseus, nos sacerdotes do Templo, nos partidários de Herodes. Essa gente estava possuída por preconceitos contra o povo, por interesses de classe, seduzida pelas benesses do poder, tomada de ciúme... e muita coisa ruim. Era como se estivessem possuídos por um espírito mau. Claro, o mal lança seus tentáculos nas estruturas sociais e nas pessoas. O que o diabo disse na sinagoga é o que diriam esses senhores: “Vieste para nos destruir?”.

E ali, na sinagoga e nas ruas, muita gente tomou consciência de que o ensinamento de Jesus era realmente novo, sobretudo quando viu que ele enfrentava essas manifestações do mal, as calava e conseguia libertar pessoas dessa dominação.


Guardando a mensagem

O evangelho é uma força de mudança, anuncia o Reino de Deus começando já aqui na terra. Jesus, com suas atitudes e palavras, instaura o reinado de Deus. Podemos entender esse reinado, como Deus acolhendo, na comunhão de sua casa, todos os seus filhos, a começar pelos que saíram de casa e retornam pela conversão. Jesus partia do que o povo de Deus já conhecia e manifestava mais claramente o amor de Deus que restaura, perdoa, liberta as pessoas. Esse evangelho, essa boa notícia, encontrou oposições também dentro da própria sinagoga, a comunidade de fé que ele frequentava. Essa oposição à novidade do evangelho que Jesus anuncia, ontem como hoje, só pode mesmo ter raízes no maligno. Mas, Jesus é vencedor sobre todo o mal. Com ele, nós também somos vencedores. No Pai Nosso, rezamos: “Livrai-nos do mal”.

Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” (Mc 1, 25)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
a novidade do evangelho corre sempre o perigo de ser esquecida ou abafada pelas forças que não têm interesse na emancipação das pessoas e no senhorio de Deus. Essas forças atuam dentro e fora da comunidade. Não é à toa que a Igreja tenha tantos mártires. Eles experimentaram a oposição à fé cristã por parte de pessoas maldosas e violentas. Uniram-se, assim, ao teu sacrifício na cruz. Em sua fidelidade, são vitoriosas, contigo. Senhor, te pedimos, livra-nos do mal. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Ao rezar o Pai Nosso hoje, acentue bem essa prece: “Livrai-nos do mal”. Aproveite e diga em prece hoje, muitas vezes, essa palavra.

Comunicando

Nesta Semana de Aniversário do Programa Tempo de Paz aproveito para lhe enviar a relação das rádios que transmitem os nossos programas. Como associação, somos gratos a todas as emissoras-parceiras e a todos os que, como sócios, são também parceiros na missão.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Quem foi batizado é uma nova criatura




09 de janeiro de 2023

Festa do Batismo do Senhor


EVANGELHO

Mt 3,13-17

Naquele tempo, 13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?”
15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele.
17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.



MEDITAÇÃO


E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17)

Jesus se batizou no batismo de João. João batizava as pessoas que queriam preparar-se para acolher, 
com uma nova vida, o Messias que chegaria em breve. Confessavam os seus pecados e João as mergulhava nas águas do Rio Jordão. A fila dos pecadores era grande.

Jesus entrou na fila dos pecadores, participando do batismo de penitência de João. Ao sair da água, veio sobre ele o Espírito Santo em forma de pomba. O batismo de Jesus pode nos ajudar a compreender o sentido de sua morte e de sua ressurreição, que tem a ver conosco e com o nosso batismo.

São Paulo deu uma boa explicação sobre o rito do batismo. Quando a gente desce às águas, na fé, participa da morte de Cristo. Quando saímos das águas, estamos participando, na fé, de sua ressurreição. Podemos olhar assim para o batismo de Jesus.

Jesus entrou na fila dos pecadores, assumindo o peso de nossas culpas e desceu às águas como pecador. Essa é uma bela imagem que antecipa o sentido de sua morte. Mergulhou nas águas da morte, morrendo em nosso lugar, purificando-nos dos pecados. Ao emergir da água, veio uma voz do céu. É como uma antecipação de sua ressurreição.
Este é o meu Filho amado”. Jesus se revelou o filho amado, em ter cumprido com obediência a vontade do Pai. Ele deu sua vida por nós, salvou-nos, morrendo na cruz e ressurgindo em nosso favor.

Então, o batismo tem a ver com a purificação dos pecados. Jesus não tinha pecados. Mas, carregou-se dos nossos e nos purificou nas águas de sua morte e na glória de sua ressurreição. Na sua morte, nos comunicou a vida, derramando sobre nós o seu Espírito. O Espírito Santo é quem aplica em nós a graça redentora de sua morte e ressurreição. Ele é a água viva que jorrou do peito do Senhor, ferido pelo soldado, na cruz. Essa água nos purifica e nos comunica a vida nova. A ação purificadora e revitalizadora do Espírito está representada na água da fonte batismal. No sinal da água, está a ação do Espírito que nos purifica e nos renova.


Guardando a mensagem

João Batista avisou ao povo: “Eu batizei vocês com água, mas ele batizará vocês com o Espírito Santo”. A água de João era só água mesmo, um sinal de penitência. Mas, a água de Jesus seria sacramento do Espírito Santo, ação do Espírito purificando e renovando. Que grande graça você ter recebido o batismo! Quem foi batizado é uma nova criatura, nasceu de novo. Nasceu para a vida de Deus, pela graça de Cristo. Tem a graça de poder viver em comunhão com ele. Participa da herança da vida eterna. Quem não chegou ainda a conhecer a importância do seu batismo, a grandeza de sua comunhão com Deus através dele, é como alguém que perdeu sua Certidão de Nascimento. Não tem a menor noção de suas origens nobres e do seu direito de herança. Em Cristo, somos herdeiros da felicidade que há em Deus, da vida eterna.

E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17)

Rezando a Palavra 

Senhor Jesus,
que pena que haja tanta gente vivendo como se não fosse batizada. Vive como filho sem pai. Que graça a gente ser de Deus, ser filho(a) de Deus e viver como tal! Quando a gente toma consciência da importância do nosso batismo, a gente se dá conta da dignidade que tem. A pessoa humana é importante, porque foi criada por Deus. Mas o batismo, Senhor, revela ainda mais a nossa dignidade: fomos salvos por ti, somos filhos e filhas de Deus. Nossa vocação é realizar nossa vida como filhos de Deus, herdeiros da vida plena que há em ti, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

Fazer o sinal da cruz com água benta é uma forma de recordar o próprio batismo. Na próxima vez que você for a uma Igreja, sendo uma igreja matriz, sede de paróquia, procure a Capela do Batismo ou a fonte batismal ou algum recipiente com água benta. Vá lá e molhe sua mão, se benza, com o coração cheio de gratidão. Você foi lavado dos seus pecados na morte redentora de Cristo. Recorde e agradeça. No batismo, você nasceu como filho de Deus, como filha de Deus.

Comunicando

Estamos começando a Semana de Aniversário do programa Tempo de Paz. Participe do Sorteio, colocando seu nome no formulário que enviamos ou pelo whatsapp 81 3224-9284.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Os presentes do Menino Jesus



08 de janeiro de 2022

Domingo da Epifania do Senhor

EVANGELHO


Mt 2,1-12

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei4, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.
7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.
9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

MEDITAÇÃO


Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes (Mt 2, 11)

Toda criança, no seu nascimento, ganha presentes. Ganha fralda, mamadeira, sabonetes, brinquedinhos... Tios, avós, padrinhos, conhecidos cada um traz uma coisa. Sinal de satisfação pela chegada do bebê e reforço nos laços de amizade com a família da criança. O menino Jesus também ganhou presentes, no seu nascimento. Estranhos viajantes chegaram a Belém para visitá-lo. Depois de reverenciá-lo, deram-lhe presentes. Na verdade, presentes de pouca utilidade imediata, mas tudo bem.

Hoje é o dia da festa da visita dos magos ao menino Jesus, o Domingo da Epifania, celebrada popularmente como festa de reis. A cena está narrada no evangelho de São Mateus. Os magos do Oriente viram surgir uma estrela e chegaram a Jerusalém procurando “o recém-nascido rei dos judeus”. Depois de idas e vindas, consultas aos sábios e uma conversa com o rei Herodes, seguiram para Belém. A estrela voltou a aparecer e os conduziu ao local onde estava o bebê. Depois da visita, seguindo orientação de um sonho, voltaram por outro caminho, não dando ao rei a informação do endereço da criança. 

O evangelho não nos diz o significado dos presentes que o menino ganhou: ouro, incenso e mirra. A tradição, porém, nos tem oferecido muitas indicações. O ouro, mineral nobre e valioso, pode significar o reconhecimento de Jesus como Rei, como filho de Davi. O incenso, uma resina cheirosa usada no culto, pode representar o reconhecimento de Jesus como Deus. A mirra, uma substância perfumada usada para embalsamar os corpos dos falecidos, pode significar o reconhecimento de Jesus como Homem, sujeito à morte. 

O certo é que mesmo ainda hoje, existe o costume de, ao se fazer uma visita a uma pessoa importante, levar um presente. Na Bíblia, há também muitos exemplos disso, especialmente quando se trata de um visitante do Oriente. Lembre o caso da Rainha de Sabá que foi a Jerusalém fazer uma visita ao rei Salomão. Está no segundo livro das Crônicas que “ela deu ao rei quatro mil e duzentos quilos de ouro e grande quantidade de especiarias e de pedras preciosas”. Esses presentes são o reconhecimento da rainha do Oriente à grandeza e à sabedoria do rei Salomão.

A partir desse exemplo da rainha de Sabá e de muitos outros na Bíblia e na história dos povos antigos, é possível entender que os presentes dados a uma personalidade são sinal de aliança e submissão. Os magos do Oriente, ao abrirem seus cofres e oferecerem presentes ao menino estavam demonstrando amizade ao futuro rei e reconhecendo sua supremacia sobre eles. Ofereceram aquilo que de mais precioso os representava. Suas regiões eram produtoras de riquezas e especiarias. Incenso e mirra eram produtos valiosos transportados por comerciantes dessas regiões. 

Por outro lado, vemos, à distância, que os presentes antecipam a boa acolhida que os pagãos dariam à pregação do evangelho. Com os magos, compreendemos que Jesus é o salvador de toda a humanidade. 


Guardando a mensagem

Os presentes oferecidos no nascimento de uma criança reforçam os laços de amizade com sua família. Os presentes dos magos mostraram a adesão das nações pagãs ao Salvador, que veio para todos. Os magos ajoelharam-se diante do menino e o adoraram. E ofereceram-lhe algo de precioso que representaram consideração, submissão e aliança com o novo rei. O ouro pode representar suas posses, suas rendas, sua riqueza. O incenso pode representar sua religiosidade, suas crenças. A mirra pode representar o cuidado com a vida, o corpo e sua preocupação com a imortalidade. Se os presentes dos magos podem representar submissão e aliança com o novo rei recém-nascido, podemos nos perguntar que presentes representam hoje nossa adesão a Jesus, nosso Deus e Salvador. 

Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes (Mt 2, 11)

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 
os presentes dos magos, por um lado, revelaram o reconhecimento deles em relação à tua realeza, à tua divindade e à tua humanidade. Por outro lado, os presentes foram sinal de sua adesão à tua pessoa, de submissão ao teu senhorio e de aliança contigo. Que presentes poderíamos trazer a ti, como compromissos neste início de ano, Senhor? O ouro pode representar nossos ganhos, nossa sobrevivência, nossas posses. O dízimo pode ser o nosso ouro. O incenso pode representar nossa vivência religiosa, nossa adoração. A missa dominical pode ser o nosso incenso. A mirra pode representar nosso compromisso com a vida ameaçada, com as crianças pobres, com os desempregados. Nosso empenho na campanha da fraternidade deste ano pode ser a nossa mirra. Recebe, então, Senhor, os nossos presentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Primeiro, leia em sua Bíblia, o evangelho de hoje: Mt 2,1-12. Segundo, leia o texto desta meditação (se ainda não o fez). 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

O que aconteceu naquela festa de casamento



07 de janeiro de 2023

Sábado no Tempo do Natal antes da Epifania

EVANGELHO


Jo 2,1-11

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”.
5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”.
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!”
11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

MEDITAÇÃO


Mas tu guardaste o vinho melhor até agora! (Jo 2, 10)

Celebrando a Missa, outro dia, confesso que me emocionei ao pronunciar as palavras da consagração do vinho: “Este é o cálice do meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados”. Eu tinha feito a homilia, explicando que nas bodas de Caná se mostra o que Jesus veio fazer: a restauração da aliança. E na consagração, me ocorreu que Jesus continua, em nossa história, fazendo a nova aliança no seu sangue.

A aliança é uma imagem para representar o relacionamento entre Deus e o seu povo. O povo de Deus conhecia as alianças que se faziam entre povos e nações. Mas, entre Deus e Israel, a aliança era de mútua pertença, como num casamento. “Eu sou o seu Deus. Vocês são o meu povo”. Vários profetas falaram do relacionamento amoroso entre Israel e seu Deus, como de um casamento. Isaías, por exemplo, escreveu: “como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus” (Is 62, 5). Neste modo de falar, Deus é o noivo, o esposo. A comunidade de Israel é a noiva, a esposa.

A grande tarefa dos profetas sempre foi combater a infidelidade do povo ao seu Deus. Deus foi sempre fiel. A comunidade de Israel, nem sempre. Aguardava-se o Messias para exatamente refazer a aliança, para conduzir o povo à fidelidade ao seu Deus.

São João, quase no início do seu evangelho, conta o que aconteceu na festa de casamento que houve em Caná da Galileia. A festa do casamento estava ameaçada por um problema. Maria, Jesus e os discípulos estavam presentes. Maria deu-se conta do que estava acontecendo e pediu ajuda a Jesus: “Eles não têm mais vinho”. Jesus lhe disse que sua hora ainda não tinha chegado. Mas, ela orientou os serventes a fazerem o que ele mandasse. E ele mandou encher de água as seis talhas de pedra. Quando retiraram a água para levar para o responsável, era vinho da melhor qualidade.

E qual era o problema daquele casamento em Caná? Maria disse: “Eles não têm mais vinho”. Vinho é sinal de amor e alegria. Que problema tinha a aliança de Israel com Deus? Israel estava vivendo em grande infidelidade à aliança com o Senhor. Estava faltando amor e alegria. Estava faltando vinho.

E por que Jesus disse que não tinha chegado sua hora? A hora de Jesus é a sua paixão, a sua cruz, a sua morte redentora. Na noite de sua paixão, ainda na ceia, Jesus rezou: “Chegou a hora. Glorifica, Pai, o teu filho, para que o teu filho te glorifique”. A hora de Jesus era a sua morte, quando realizaria plenamente a sua missão.


Guardando a mensagem

Nas bodas de Caná, já aparece a obra redentora de Jesus. Sua obra é nos reconciliar com Deus. É restaurar a aliança, aliança rompida pela infidelidade, pelo pecado. Pela intercessão de sua mãe, ele antecipa a sua hora. A hora de Jesus é a morte na cruz. É por sua morte redentora e por sua ressurreição que ele nos reconcilia com Deus, que ele restaura a aliança, o casamento ameaçado de fracasso por nosso pecado, por nossa infidelidade. Celebrando a Santa Missa, renovamos o sacrifício de Jesus em sua cruz, a sua entrega em favor dos pecadores. É o sacrifício da nova aliança. Jesus, no seu sangue, isto é, na sua morte redentora, nos reconcilia com Deus, restaura a aliança, fazendo-a nova e eterna.

Mas tu guardaste o vinho melhor até agora! (Jo 2, 10)


Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na festa de casamento em Caná, podemos imaginar quem estava se casando. O responsável pela festa chamou o noivo e elogiou o excelente vinho que ele reservou para o final. O noivo, nos ocorre, és tu mesmo, Senhor. Foste tu que, com a salvação alcançada em tua morte redentora, nos deste o vinho do amor fiel e verdadeiro e da plena alegria. E a noiva não aparece na história. Mas, claro, é a comunidade-Igreja, somos nós, a comunidade da nova aliança. Nós te agradecemos, Senhor, porque agora o contrato da aliança não está mais escrito em tábuas de pedra, como na primeira aliança. Por isso, as seis talhas eram de pedra. Agora, o contrato da aliança, a lei, está escrito em nossos corações, pelo derramamento do teu Espírito, representado na água. A Missa é o sacramento da nova aliança. Obrigado, Senhor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Será muito proveitoso que você leia, em sua Bíblia, o evangelho de hoje: João 2,1-11.

No texto da Meditação de hoje, tem fotos que ilustram esta bela cena das bodas de Caná. Que tal conferir? É só clicar no link que estou lhe enviando.

Comunicando

Segunda-feira, começa a Semana de Aniversário do nosso Programa Tempo de Paz, apresentado em rede em mais de uma centena de emissoras de rádio. Teremos sorteios durante toda a semana. Para você, ouvinte, participar do sorteio, ponha o seu nome no formulário que está acompanhando a Meditação. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Sorteio diário na Semana de Aniversário do Programa Tempo de Paz - 09 a 14 de janeiro de 2023










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