BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

"EM NOME DO PAI": ISSO FAZ TODA A DIFERENÇA



28 de maio de 2022

Sábado da 6a. Semana da Páscoa

EVANGELHO


Jo 16,23b-28

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
23b“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa.
25Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amas­tes e acre­ditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.

MEDITAÇÃO


Se vocês pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes dará (Jo 16, 23)

Todo dia, a gente reza no Pai Nosso: “Santificado seja o vosso nome”. Este é o primeiro dos sete pedidos desta bela oração. Com esta palavra “Santificado seja o vosso nome”, estamos pedindo e nos comprometendo com a glorificação de Deus. “Nome” aqui não é um nome que Deus tenha. “Nome” é o próprio Deus, a sua santíssima pessoa, uma forma de falar dele mesmo. “Santificado seja o vosso nome” é quase como dizer “Que todos te glorifiquem, te bendigam, Senhor Deus”. Se você entendeu isso, entendeu o evangelho de hoje.

Jesus disse aos discípulos: “Se vocês pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes dará”. Você entende isso, claro. Mas, se você der uma chance ao Espírito Santo, você vai ter um entendimento ainda maior. É o Espírito Santo quem nos revela os mistérios de Deus.

Quando alguém nos diz “peça isso a fulano de tal em meu nome”, entendemos que vamos pedir alguma coisa invocando o prestígio ou a autoridade daquela pessoa que nos enviou. Não é assim? ‘Em meu nome’ seria, no nosso entendimento, a mandado dele ou no lugar dele. É isso? Mesmo que isso seja verdade no nosso linguajar, não é o sentido do texto bíblico, o que Jesus quis dizer. Olhando direitinho o que está escrito (e está escrito originariamente em grego), esse “em meu nome” quer dizer “em união comigo”. Lembre-se do Pai Nosso. “Santificado seja o vosso nome”. O “nome” é a pessoa de Deus. Jesus dizendo “em meu nome” quer dizer “em mim”, “comigo”. Está seguindo? “Em nome de Jesus” não é a mando de Jesus ou no lugar dele. É ‘com’ Jesus, nele. “Em meu nome” quer dizer “em união comigo”.

Você se lembra da parábola da videira? Ele disse: “Permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês”. O raminho enxertado agarra-se à videira e se identifica com ela. Só assim alimenta-se de sua seiva e realiza a vocação da videira, produz muito fruto. O cristão está de tal forma unido a Cristo, que identifica-se com ele. Paulo escreveu naquela carta: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Essa identificação com Cristo é obra do Espírito em nós.

Quando pedimos alguma coisa “em nome de Jesus”, pedimos ‘unidos a Jesus’. Não somos mais ramos periféricos, somos um com a videira. Se estivermos unidos a Jesus, então quem pede mesmo é Jesus. Sendo assim, claro que o Pai atende. Aliás, como disse Jesus, “eu nem vou dizer que vou pedir por vocês, porque o Pai ama vocês porque vocês me amam e acreditam sinceramente que saí dele”. Jesus está de tal modo unido ao Pai, que se identifica com ele. “Eu e o Pai somos um”. E nós estamos de tal forma unidos a Jesus que nos identificamos com ele. “Permaneçam em mim, eu permaneço em vocês”.


Guardando a mensagem

“Em meu nome” quer dizer “em união comigo”. “Em nome de Jesus” quer dizer “em união com ele, identificados com ele”. A comunidade recebe todos os dons por meio de Jesus. Toda a sua comunicação com o Pai se faz em Jesus. Quando pedimos ao Pai, unidos a Cristo, o Pai nos atende. Desde que acolhemos a vida nova – no nosso novo nascimento celebrado no batismo – estamos unidos a Cristo, como o ramo na videira. Nossa oração ao Pai é sempre ‘em nome de Jesus’, isto é, com ele, unidos a ele. Ele reza conosco, como no Pai Nosso. O filho número 1 é ele mesmo. Ele é o primeiro a rezar com a comunidade e a pedir ao Pai: “Santificado seja o vosso nome”. O “nome” é Deus mesmo na grandeza do seu amor.

Se vocês pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes dará (Jo 16, 23)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Como é bela a prece com que abrimos nossas orações. Dizemos sempre, nos persignando: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. “Em nome” quer dizer “Em união, em comunhão”. É como dizer: “Em comunhão com o Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo”. Estamos em comunhão com o Pai, porque estamos unidos e identificados contigo, Jesus. Tu és a escada de Jacó. Vamos ao Pai por ti. E o Pai se comunica conosco em ti. E essa unidade com o Pai, por meio do Filho, só é possível pela atuação do Espírito Santo que nos une a ti. Assim somos introduzidos na presença do Deus uno e trino, em teu nome. “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Amém.

Vivendo a palavra

Para estar em sintonia com a Palavra, hoje, nas horas santas do dia (simbolicamente 06:00, 12:00 e 18:00 ou em qualquer outra hora igualmente santa), reze o “Em nome do Pai”, se persignando. Persignar-se é traçar sobre si o sinal da cruz. Vergonha, só tenha se não souber o que significam palavras e gestos tão preciosos.

Comunicando

Neste final de semana ocorre a Festa do Frei Damião, missionário capuchinho, na passagem dos 25 anos de sua páscoa eterna cuja causa de beatificação e canonização está em curso. Dentro da Festa do Frei Damião, no bairro do Pina, no Recife, faço show com minha banda, neste domingo pela manhã. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

AGUARDE COM PACIÊNCIA A HORA DE DEUS




27 de maio de 2022

Sexta-feira da 6a. Semana da Páscoa


EVANGELHO


Jo 16,20-23a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo.
22Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23aNaquele dia, não me perguntareis mais nada”.



MEDITAÇÃO



Depois que a criança nasceu, a mulher já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo (Jo 16, 21)


Essa palavra de Jesus é impressionante: uma comparação que ajudou os discípulos e as discípulas a entenderem o que estava acontecendo ou se prepararem para o que iria acontecer. A comunidade estava angustiada e sofrendo, porque chegara a hora de Jesus, a hora de sua paixão. Jesus comparou a situação da comunidade à mulher que está sentindo as contrações do parto.

No tempo de Jesus, não havia cesariana, nem anestesia. As mulheres davam à luz em casa, nem nenhuma assistência médica. As mães da idade de minha mãe, mesmo vinte séculos depois, também deram à luz em casa, apenas com a assistência de parteiras práticas. Essas mães podem dizer de que sentimentos eram tomadas na proximidade do parto: apreensão, angústia. E as dores que tinham que suportar no parto... É a essa angústia da chegada da hora que Jesus está se referindo.

Ele está falando de sua paixão e morte, da apreensão e do sofrimento que provocaram na comunidade dos discípulos. E olha que coisa incrível! Está falando de sua morte como de um parto, de um nascimento. “A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora”. Essa palavrinha ‘hora’ é usada muitas vezes por Jesus, no evangelho de João, para falar de sua paixão e morte. Por exemplo: “Pai, chegou a hora, glorifica o teu filho”. A hora é a hora de sua morte. E ele está comparando a comunidade dos discípulos com a parturiente. Quando a comunidade pressentiu que chegara a hora de Jesus, ficou triste, angustiada, sofrida.

E Jesus completou: “Mas, depois que a criança nasceu, a mulher já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo”. A alegria de um homem ter vindo ao mundo. De que Jesus está falando? Está se referindo à sua ressurreição. A ressurreição está sendo comparada com um novo nascimento. A tristeza vai se transformar em alegria. A ressurreição é a vitória sobre a morte, a morte natural e a morte eterna. Na ressurreição, nasceu o homem novo, a nova criatura. Jesus ressuscitado é a pessoa humana que realizou plenamente a sua vocação de pessoa humana. Na ressurreição, nasceu a nova humanidade: a pessoa humana em paz com Deus, vencedora sobre o pecado e a morte. Renascemos na ressurreição de Jesus. Renascemos numa nova condição, a de filhos e irmãos reconciliados. Foi para isso que nascemos.


Guardando a mensagem

Jesus comparou a sua morte com o parto. Hora de angústia e sofrimento. Mas, a ressurreição trouxe muita alegria, pois significou a chegada de um novo momento na história. Com a ressurreição, a pessoa humana chegou naquele ponto de plenitude e realização para a qual foi criada. Pela comparação com a mulher em dores de parto, a gente logo entende o que ele queria dizer. Quando nasce a criança, a mãe se esquece das dores e do sofrimento, fica tomada de alegria. A tristeza é vencida pela alegria.

O que Jesus falou no contexto de sua morte e ressurreição, também serve para as situações de crise e sofrimento nas comunidades e na vida dos seus seguidores. Em todas as situações de angústia e sofrimento, você pode contar com a vitória de Deus em sua vida. Você que está passando por um momento de dor e sofrimento, acolha essa palavra de hoje, é palavra de Jesus. Persevere no bem, na verdade, no que é justo e certo, afaste-se do mal. Aguarde com paciência a hora de Deus. Mergulhe sua dor na paixão redentora do Senhor. O justo vive pela fé. O justo triunfa por sua fidelidade e pela fidelidade do seu Senhor.

Depois que a criança nasceu, a mulher já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo (Jo 16, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
nós te agradecemos pela tua vitória na cruz. Com ela, aprendemos que a vitória já está inscrita em nossa luta e nas horas turbulentas de nossas cruzes. Aprendemos também que a alegria da ressurreição, a alegria da vitória é sem tamanho, e que ninguém tirará essa nossa alegria. E ninguém a roubará, porque ela é vitória de Deus em nossas vidas de gente sofrida e pecadora. Apressa, Senhor, esse dia de vitória e alegria na vida de tantos irmãos e irmãs que estão vivendo dias de sofrimento e tribulação. Abençoa, Senhor Jesus, com a bênção da paciência e da fortaleza as pessoas que estão angustiadas por situações de família, de trabalho, de saúde. Dá a todos nós a tua paz e a alegria de tua ressurreição, da qual participamos desde o batismo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Muita gente que você conhece pode estar precisando desta palavra. Que tal você compartilhar essa mensagem com mais pessoas do que você habitualmente já faz? 

Comunicando

Precisando falar conosco, use o nosso Whatsapp automatizado: 81 3224-9284. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

É POUCO TEMPO, VAI PASSAR


26 de maio de 2022

Sexta Semana da Páscoa 


EVANGELHO


Jo 16,16-20

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”.
18Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: ‘Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’
20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.

MEDITAÇÃO


Vocês ficarão tristes, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria (Jo 16, 20).

Nós sempre enfrentamos crises, não é verdade? Crises vão e vêm. Elas podem ser momentos de crescimento, de superação. Crises são oportunidades, se bem aproveitadas. Quando se está num momento de crise, ela parece durar uma eternidade. Quando passa, nos damos conta que o tempo não era tão longo assim. A crise dá qualidade ao tempo que segue, o novo tempo, o tempo da superação.

“Pouco tempo”. Essa expressão domina o texto do evangelho de hoje. Se você contar direitinho, essa expressão se repete sete vezes no evangelho de hoje. É o tema da ausência de Jesus, de sua morte. E o tempo de sua nova presença, na condição de ressuscitado.

Vamos entender essa parte “Pouco tempo ainda e vocês já não me verão”. A paixão e morte de Jesus foi um tempo de desorientação para os discípulos, de desespero, de sofrimento. De repente, chegam os soldados, lá no Horto, e prendem Jesus e começa uma série triste de espancamento, interrogatório, julgamento e condenação; e a cruel execução de Jesus, acusado de tudo o que não presta, sem eles poderem fazer nada; e o sepultamento apressado; e o silêncio pesado daquele sábado. Um tempo de angústia, medo, desespero para os seus discípulos e discípulas. Uma crise sem precedentes. O desânimo tomou conta do grupo. Os dois de Emaús foram se embora. Judas se enforcou. O grupo se trancou, amedrontado, na casa que os acolhera para a última ceia. Esse é o pouco tempo da ausência de Jesus, um tempo que parecia uma eternidade, menos de três dias que transtornaram a vida dos discípulos. A ausência de Jesus foi uma morte para o grupo. “Pouco tempo ainda e vocês já não me verão”.

Vamos agora para a outra parte “E outra vez pouco tempo e me vocês me verão de novo”. Pode ser entendido como “Mas, um pouco mais tarde, vocês me verão”. Na madrugada do primeiro dia da semana, eis que Jesus ressuscita e começa a se encontrar com as discípulas e os discípulos. A superação do tempo ruim foi tão surpreendente que quase não acreditavam no que estavam vendo e tocando: o crucificado deu a volta por cima, ressuscitou, trazendo perdão aos pecadores. A morte não foi o fim. Pela morte, ele se apresentou em reparação dos pecados da humanidade. O novo tempo chegou: tempo de alegria, tempo de vitória, tempo de ressurreição. “E outra vez pouco tempo e me vocês me verão de novo”.

Numa de minhas canções, eu escrevi: “Não há tempestade sem bonança. Neste novo reino, em dor de parto, a esperança”. O poema traduz bem as palavras de Jesus no evangelho de hoje. Um tempo de ausência, pouco tempo, mesmo que parecesse uma eternidade. E em pouco tempo, o tempo da presença, da superação, da ressurreição. Essa experiência com a morte e ressurreição de Jesus é modelo agora para toda crise que cada um de nós tenha e das crises que a comunidade cristã também passe. A comunidade também caminha por momentos de crise e de superação, de ausência ou proximidade do Senhor.


Guardando a mensagem

Jesus estava preparando os discípulos para a grande crise que seria a sua ausência, pela morte de cruz. Em pouco tempo, chegaria essa hora dolorosa. Mas, em pouco tempo ela passaria e daria lugar a outro momento, uma nova forma dele estar presente ainda mais eficaz e duradoura. Ressuscitado, ele comunicaria o Espírito Santo que atualizaria permanentemente sua presença. Momentos de crise também são vividos na vida pessoal de cada seguidor de Jesus. Você também já viveu momentos de crise e momentos de superação, tempos de tempestade e tempos de bonança. Se o seu momento atual for de angústia e sofrimento, escute o que Jesus está dizendo hoje.

Vocês ficarão tristes, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria (Jo 16, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
“quanto mais escura a noite, mais carrega em si a madrugada”, dizia Dom Hélder Câmara. Vez por outra, passamos por noites escuras, como neste momento da pandemia. Dá-nos, Senhor, não nos desesperarmos nesses momentos. Como disseste, é “pouco tempo”. Que não nos faltem paciência, humildade para revermos nossos erros e esperança para construirmos o novo momento que não tarda a chegar. E chegará, como bênção do alto, como madrugada depois de uma noite escura. Que tua morte e ressurreição, Senhor, seja a dinâmica a nos iluminar em nossas pequenas e grandes crises. Contigo, já somos mais que vencedores. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Em nossa oração, vem sempre primeiro os nossos problemas, os de nossa família... mas, precisamos também nos lembrar dos outros. Eles atravessam os mesmos dramas que nós ou até maiores. Hoje, reze por quem está vivendo dias muito difíceis: no frio intenso, nos temporais, cheias dos rios, doenças, desemprego, guerra... Que, passada essa noite escura, venham dias de paz, saúde e fraternidade para todos. 

Comunicação

Agradeço aos que, acolhendo o convite, inscreveram-se na AMA - Associação Missionária Amanhecer.  Nesta quinta, nossa Missa começa às 11 horas, transmitida pelo rádio e pelas redes sociais. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

ELE NOS CONDUZIRÁ À VERDADE TOTAL


25 de maio de 2022

Sexta Semana da Páscoa


EVANGELHO

Jo 16,12-15

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará.
14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.

MEDITAÇÃO

Quando vier o Espírito da Verdade, ele conduzirá vocês à plena verdade (Jo 16, 13)

Tenho ainda muitas coisas a dizer a vocês, mas vocês não são capazes de compreender agora”, disse Jesus em clima de despedida, na ceia. A despedida é sempre uma hora muito difícil. Quem está se despedindo, você sabe, está preocupado com uma porção de coisas, não é verdade? Preocupa-se em garantir a continuidade dos seus trabalhos, em instruir sobre o que fazer quando aparecer esse ou aquele problema, em assegurar o amparo para aquele membro mais frágil da família... Enfim, enquanto coisas como essas não estejam resolvidas, a pessoa não pode partir em paz, seja para uma viagem curta, seja para a grande viagem. A despedida de Jesus leva vários capítulos, no evangelho de São João. É o momento de grandes revelações. E de orientações muito sérias.

Então, Jesus está se despedindo dos discípulos. Nessa hora de despedida, Jesus lhes faz, de maneira especial, uma revelação maravilhosa. Não os deixará órfãos. Ele irá e o Pai enviará o Espírito Santo. O novo enviado é o Espírito da Verdade que o mundo não conhece. E não o conhece porque não reconhece Jesus como enviado do Pai. Ele é o outro defensor ou consolador que o Pai enviará. E não virá para ficar no lugar de Jesus. Virá para dar eficácia à missão de Jesus, em sua ausência física. Jesus não estará mais presente fisicamente. Mas, vai estar realmente presente. O Espírito Santo é quem vai tornar isso possível. Mais: o Espírito vai ficar sempre ao lado dos discípulos, sempre conosco.

“Quando vier o Espírito da Verdade, ele conduzirá vocês à plena verdade”. O Espírito vai ajudar os discípulos a entenderem quem é Jesus e qual o significado do seu ensinamento. Jesus disse que tinha muita coisa para comunicar, mas os discípulos não estavam em condições de entender... Jesus é a manifestação maior do amor de Deus. É o Espírito que vai nos conduzindo na compreensão de suas palavras, na acolhida da revelação que ele faz sobre o Pai, sobre a pessoa humana e sobre o mundo. Ele vai nos conduzindo para a verdade completa. Mas, a verdade plena não é um conhecimento. A plenitude da verdade é o amor. Deus é amor.

“Tudo o que o Pai possui é meu”, disse Jesus. O Espírito vai nos dar do que Jesus tem. É o Espírito que une Jesus ao Pai. Jesus está de tal modo identificado com o Pai, que ele e o Pai são um. A essa união profunda de Jesus com o Pai, pela mediação do Espírito Santo, chamamos AMOR. É também o Espírito que nos une a Jesus. Nossa comunhão com Jesus nos torna participantes do seu AMOR. É também o Espírito Santo que nos une uns aos outros com Cristo. Estamos unidos a Cristo e entre nós, formando o seu Corpo Místico, que é a Igreja. Essa comunhão entre nós e com Cristo, no seu Corpo Místico, é obra do Espírito Santo, participação no AMOR de Jesus e do Pai.


Guardando a mensagem

O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, vem depois de Jesus, como o novo enviado. E vem como Testemunha de Jesus. Ajudará os discípulos a conhecerem a revelação que Jesus fez sobre o Pai e o sobre seu projeto de amor. Ele, o Espírito Santo, vai estar ao lado dos discípulos, atualizando a palavra e a presença de Jesus e fortalecendo-os no testemunho que eles devem dar de Cristo, sobretudo nas horas de provação e perseguição. É ele quem une Jesus ao Pai. É ele quem nos une a Cristo. É ele quem nos possibilita viver em comunhão uns com os outros, como membros do Corpo Místico do Senhor. Ele nos leva à verdade completa: o AMOR.

Quando vier o Espírito da Verdade, ele conduzirá vocês à plena verdade (Jo 16, 13)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nós te bendizemos pela obra redentora que realizaste com tua presença entre nós, andando pelos nossos caminhos, instruindo-nos com a tua santa palavra e oferecendo-te em reparação pelos nossos pecados. Nós te bendizemos porque esta obra redentora continua na história sendo anunciada e atuada em favor dos pecadores, através de tua Igreja, pela presença e pela atuação do Espírito Santo. Ele é a tua testemunha. Ele está sempre conosco. Ele nos conduz à verdade plena, ao teu amor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Você já ouviu falar de jaculatória? É uma breve oração que se pode repetir muitas vezes durante o dia. É uma forma de se continuar na presença Deus, durante toda a jornada. Quer fazer uma experiência, nesta quarta-feira? Então, tome a palavra de hoje como jaculatória e repita-a muitas vezes durante o dia: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele nos conduzirá à plena verdade”.

Comunicando

Deixo um agradecimento, em nome da Associação Missionária Amanhecer, a AMA, a todos que participaram da Novena de N. Sra. Auxiliadora ou nos acompanharam ontem, na Santa Missa e na Adoração Eucarística na peregrinação. A AMA é uma organização católica que presido. Por meio dela, participamos da missão da Igreja, fortalecendo a evangelização nos meios de comunicação. Rogo ao Santo Espírito de Deus que inspire alguns de vocês a participarem desta obra, conosco. Aproveito para deixar o link para a inscrição de novos associados. 


FAÇA PARTE DA AMA - EVANGELIZE CONOSCO


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 


QUEM ABRIU AS PORTAS DA IGREJA


24 de maio de 2022

Sexta Semana da Páscoa

Dia de Nossa Senhora Auxiliadora


EVANGELHO


Jo 16,5-11

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5“Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ 6Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações. 7No entanto, eu vos digo a verdade: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei. 8E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: 9o pecado, porque não acreditaram em mim; 10a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; 11e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”.

MEDITAÇÃO


É bom para vocês que eu parta. Se eu não for, não virá o Defensor até vocês (Jo 16, 7).

Jesus estava dizendo aos discípulos que era mais vantajoso para eles que ele partisse, que fosse para o Pai. Só ele indo, viria o Espírito Santo. Por que será que Jesus disse isso? Porque ele precisava ir? Qual a vantagem da vinda do Espírito?

Bem, os discípulos tiveram a experiência maravilhosa de conviver com Jesus, de ouvi-lo, de ver suas atitudes e suas obras prodigiosas. Tudo bem. Mas, não chegavam a compreendê-lo profundamente, não entendiam o significado de sua mensagem e o alcance de suas palavras. Eles também não conseguiam captar o sentido de sua morte e de sua ressurreição. A morte de Jesus como um malfeitor foi uma tremenda decepção para eles. Eles também não chegavam a perceber como a pregação e a prática de Jesus eram uma novidade que punha em crise a sua prática religiosa judaica e gerava uma nova expressão religiosa.

Jesus ressuscitado voltou ao Pai e nos enviou o Espírito Santo. A presença do Santo Espírito fez a diferença na vida dos discípulos e do seu trabalho missionário. O Espírito Santo acompanhou a comunidade em um verdadeiro salto de qualidade. O seu ponto de partida e a sua referência foram a herança de Jesus, isto é, suas palavras, seus ensinamentos, sua morte e ressurreição. Ele ajudou a comunidade a compreender mais profundamente quem era Jesus e o significado de suas palavras; inspirou os discípulos a interpretarem o verdadeiro alcance redentor da morte de Jesus; e, com eles, construiu a nova comunidade do Novo Testamento.

Claro que foi bom que Jesus voltasse ao Pai. Sem o Espírito Santo, Jesus seria apenas um personagem da história, talvez um modelo de vida, um santo homem ou mesmo um deus que esteve conosco e se foi. Pela atuação do Santo Espírito, Jesus continua presente no meio dos seus. É viva a sua palavra. É permanente o seu sacrifício. Na força do Espírito, é Jesus quem lidera a sua Igreja e preside a história humana, conduzindo-a para um final feliz. É o Espírito Santo que atualiza a palavra e a presença de Jesus no meio de sua comunidade e no mundo. Pelo Espírito, os discípulos ficam sabendo quem é Jesus e o que significam suas palavras.

Sem o Espírito Santo, a comunidade dos discípulos teria permanecido trancada no cenáculo. E o cristianismo seria um culto quase secreto, sem repercussão no mundo externo. O Espírito Santo levou a Igreja a abrir as portas, sair às praças e atravessar os oceanos. A boa notícia é para todos e deve chegar a todos. O evangelho é fermento para a vida do mundo. Sua mensagem deve repercutir em todos os ambientes, em todas as atividades humanas, gerando fraternidade, solidariedade, justiça, paz, respeito à vida, tolerância, perdão. É o Espírito Santo quem dá vigor e atualidade à pregação do evangelho.


Guardando a mensagem

Jesus nos enviou, da parte do Pai, o Espírito Santo, o outro Defensor. A sua vinda deu garantia de continuidade à missão de Jesus. Os discípulos puderam compreender quem é Jesus e o significado de seus ensinamentos. Assimilaram a sua morte e ressurreição como mistério de redenção, de sacrifício em favor dos pecadores. Com o Espírito, os seguidores de Jesus construíram uma nova expressão religiosa, onde se vive, se celebra e se anuncia a nova humanidade que começou na sua páscoa. O Espírito Santo é quem atualiza a palavra e a presença de Jesus e continuamente empurra a Igreja para as periferias do mundo.

É bom para vocês que eu parta. Se eu não for, não virá o Defensor até vocês (Jo 16, 7).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
O Espírito Santo nos faz compreender a tua morte e a tua ressurreição. Se por um lado, a cruz foi obra do ódio do mundo contra Deus, por outro lado ela manifestou o amor de Deus pelo mundo. Que o teu Santo Espírito continue nos iluminando, nos inspirando, nos movendo para sermos tuas testemunhas nesse nosso mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Faça uma prece ao Espírito Santo, fale com ele. Ele mora em você. Ele é o grande parceiro dos discípulos de Jesus. Ele nos ajuda a sermos fiéis à nossa vocação de filhos de Deus, de construtores de um mundo segundo o coração do Pai. 

Comunicando

Sendo hoje o Dia de Nossa Senhora Auxiliadora, vamos viver toda essa jornada numa peregrinação ao Santuário Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Jaboatão, a 22 km do Recife. Estamos especialmente agradecendo a sua proteção no tempo da pandemia. Digo 'estamos', porque estou incluindo você e suas intenções nesse dia de peregrinação. E também porque você pode nos acompanhar virtualmente na Santa Missa das 10 horas e na Adoração Eucarísticas das 15 horas. 24 de maio, na casa da mãe!

Pe. João Carlos Ribeiro,SDB 

A HORA DO ESPÍRITO SANTO




23 de maio de 2022

Sexta Semana da Páscoa

EVANGELHO


Jo 15,26–16,4a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
15,26“Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.
27E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4aEu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”.


MEDITAÇÃO


Ele dará testemunho de mim (Jo 15, 26)

Ontem, celebramos o 6º Domingo da Páscoa. E a grande palavra que ecoou na liturgia de ontem foi AMOR. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23). Como o Pai amou Jesus, Jesus nos amou. E como Jesus nos amou, precisamos nos amar uns aos outros. E nos perguntamos: Como foi que Jesus nos amou? Ele deu sua vida por nós. E nos deu o seu Espírito. No domingo da ressurreição, ele soprou sobre os apóstolos, comunicando-lhes o seu Espírito. No Pentecostes, derramou o seu Espírito sobre toda a comunidade. No seu amor por nós, ele deu a vida e nos deu o seu Espírito.

Nesta cena da última ceia, Jesus está preparando os discípulos para acolher e entender a missão do Espírito Santo. Ele é o outro Defensor. Ele vem do Pai, como Jesus. E vem enviado pelo Pai e pelo Filho, na sua volta ao seio do Pai. E por que ele é chamado de Defensor? Porque atualizará o legado de Jesus que nos reconciliou com Deus, nos livrando do jugo do pecado; porque fortalecerá e defenderá os seguidores de Jesus nas provações, nas perseguições. Jesus o chamou de o Espírito da Verdade. Espírito da verdade porque ele revela aos discípulos quem é Jesus e os ajuda a compreender o significado de suas palavras. Ele é o animador número um da missão de Jesus que os discípulos vão continuar.

Desde o começo, a comunidade compreendeu esse papel fundamental do Santo Espírito, como parceiro da missão. Quando os apóstolos e os anciãos tiveram que tomar uma decisão sobre a entrada dos pagãos na comunidade, eles rezaram e deliberaram. Depois, escreveram o seguinte na carta que foi enviada: ‘Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo tomar a seguinte decisão’. Viu? O Espírito Santo e os seguidores de Jesus são parceiros no testemunho do Mestre.



Guardando a mensagem

O Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho, veio para garantir a continuidade da missão. Ele dá testemunho de Jesus. Nós também somos testemunhas de Jesus. A testemunha tem conhecimento de causa, por isso atesta publicamente, garante alguma coisa a partir de sua experiência. Nós conhecemos Jesus e o anunciamos. O Espírito Santo é quem garante que o nosso testemunho seja verdadeiro e fiel nas provações. Ele é o parceiro da Igreja na sua grande missão, a evangelização. Nosso testemunho sobre Jesus, nós o damos todo dia, por onde andamos, com o que falamos, com o modo como nos conduzimos na vida. Quem nos inspira e nos sustenta no testemunho é o Espírito Santo.

Ele dará testemunho de mim (Jo 15, 26)

Rezando a palavra

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo nosso Senhor. Amém.


Vivendo a palavra

Talvez, hoje, apareça uma boa oportunidade pra você falar de Jesus a alguém. É só mostrar o seu amor por ele, sua vinculação com a comunidade dos seus discípulos, a Igreja. Uma hora para o testemunho. Hora do Espírito Santo.

Comunicando

Último dia da Novena Nossa Senhora Auxiliadora, hoje, com o tema 'Santa Maria, Fonte da nossa alegria'. A verdadeira alegria, experimentamos no cumprimento da vontade de Deus. A Novena, no rádio e nas redes sociais, começa às 15 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

DEUS ESTÁ EM NÓS QUE AMAMOS JESUS



22 de maio de 2022

                                6º Domingo da Páscoa


EVANGELHO


Jo 14,23-29

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 23“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou.
25Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.
27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.
28Ouvistes o que eu vos disse: ‘Vou, mas voltarei a vós’. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.
29Disse-vos isso, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.


MEDITAÇÃO


Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada (Jo 14, 23)

Jesus continua à mesa com os discípulos. Estão na ceia de páscoa. O pano de fundo é a páscoa do povo de Deus, a saída da escravidão do Egito. Deus manifestou seu amor por aquele povo, resgatando-o daquela situação. E ficou presente em seu meio, na dura travessia do deserto, na Tenda do Tabernáculo que era armada em cada parada, em cada acampamento. Deus caminhou com o seu povo. Na vitória daquele gente, Deus manifestou sua glória. E deu a eles uma Lei, uma forma concreta de viver no seu amor.

O que Jesus está dizendo, ali na mesa, fica bem entendido no clima da páscoa do seu povo. Passando pela morte, ele vai conduzir o seu povo para a liberdade. A sua passagem pela morte é a páscoa verdadeira. Nela, nasce o novo povo de Deus. Nela, o amor do Pai se manifesta completamente em Jesus, em sua entrega total. E isso muda tudo.

Até agora, procuramos Deus em algum lugar, em algum templo, para honrá-lo com nossas preces e oferendas. Sabemos que ele mora num lugar muito santo e separado deste mundo em que vivemos. E nos esforçamos para cumprir as suas ordens e mandamentos, para agradá-lo e obter dele os favores que precisamos. Ele nos criou e nós nos sentimos seus servos. Com a páscoa de Jesus, isso não é mais assim. Ou, ao menos, não deveria ser mais assim.

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23). 

Jesus fez uma experiência de Deus muito especial. Ele, sendo humano como nós, sem deixar de ser Deus, experimentou que o Pai o amava muito. Mas, muito, mesmo. E nos amava, também. Por isso, O Pai o enviou a nós. Por amor. Por sua morte, Jesus nos aproximou do Pai, nos reconciliou com ele, nos fez seus filhos. Assim, se alguém o ama, o Pai o amará. E não só. O Pai e o Filho passam a ficar com essa pessoa, morar com ela, habitar nela. Quem ama Jesus é um novo tabernáculo, no acampamento do deserto, no mundo, um lugar onde Deus está. Não sentimos mais Deus longe de nós, num lugar separado para onde peregrinamos. Ele está em nós que amamos Jesus.

Na páscoa de Jesus (sua morte e ressurreição), experimentamos quem é Deus. Ele é amor, é dom total de si. Ele não nos quer para si, como seus servos. Impressionante. O amor dele não anula você, não o torna seu servo. O amor dele faz de você um filho, uma filha, objeto do seu amor imenso. Ele está agora em você que ama Jesus. E você está unido a ele como filho, como filha. Você é o novo tabernáculo. Por meio de você, Deus está presente no mundo. O mundo já não é o lugar da perdição. O mundo é o lugar onde você atualiza a presença de Deus, manifesta o seu amor. O mundo é de Deus, porque você está nele. Esse amor precisa ser comunicado: é a mensagem, o seu Evangelho. Esse amor precisa ser vivido como norma de vida, são os seus Mandamentos. Esse amor tem um dinamismo de restauração, de renovação de tudo em Cristo, é a presença do Espírito Santo.

“Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14, 26). 

Toda essa nova realidade, nascida na páscoa de Jesus (sua morte e ressurreição), poderia se perder, se essa novidade ficasse parada no tempo. Poderíamos apenas contemplá-la. Mas, não. Veio o Espírito Santo, enviado pelo Pai, a pedido do filho. Ele é o próprio dinamismo do amor do Pai pelo Filho e vice-versa. O Espírito mantém viva a memória de Jesus. Ele nos ajuda a atualizar a boa notícia de sua vida, morte e ressurreição. Ele nos leva a compreender e interpretar a boa notícia de Jesus nas novas situações e desafios do mundo. Ele é grande animador da comunidade dos discípulos, dos filhos e filhos de Deus. Ele também nos habita. E anima a caminhada de todos os que amam Jesus e guardam sua palavra.


Guardando a Mensagem

Na conversa que Jesus está tendo, ao redor da mesa da última ceia, ele fala do sentido de sua morte, dentro do contexto da páscoa do povo de Deus. Como por aquela saída, à noite, o povo foi libertado da escravidão do Egito, por sua páscoa, rompendo as trevas e a morte, nasceria o novo povo de Deus. Em sua morte, sua entrega total, ficou manifesto o amor do Pai por nós e como ele é verdadeiramente amor, entrega total de si. Quem ama Jesus, fica conhecendo Deus que é amor. O Pai, o Filho e o Espírito estão naquele que ama Jesus. E ele se torna um novo tabernáculo, lugar onde Deus está e se manifesta. Vindo o Espírito Santo, essa obra de Jesus não fica no esquecimento. O Espírito é o dinamismo do amor que atualiza as palavras e a presença de Jesus. Ele nos leva a realizar bem nossa vocação: sermos discípulos e discípulas de Jesus, amarmos como ele amou.

Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada (Jo 14, 23)

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
amar-te é amar como tu amaste. Tu te entregaste por nós, deste a tua vida em nosso favor. Como teus seguidores, experimentamos que Deus é amor e assim vamos superando o desamor que há em nós: o individualismo, a indiferença, o egoísmo, o espírito de vingança, os preconceitos... E formando uma grande frente de superação do desamor presente em nosso mundo, em nossa cultura: as relações de injustiça e exploração, a manipulação das pessoas, a opressão dos mais fracos, a exclusão social, a violência de todo tipo. O teu Santo Espírito, Senhor, mantém viva a tua memória em nós e na grande comunidade dos discípulos, a Igreja. Ele é o dinamismo do amor de Deus que, em tua pessoa, renova todas as coisas. Nós te amamos, Jesus, e queremos guardar tua palavra. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a Palavra

Na Missa, fazemos memória da morte e ressurreição de Jesus, celebramos a sua páscoa. Participar da Santa Missa não é um simples compromisso semanal. É um direito sagrado dos que estão unidos a Cristo pela fé e pelo batismo. É a congregação festiva dos que amam Jesus.

Comunicando

Neste domingo, prossegue a Novena de Nossa Senhora Auxiliadora, hoje o sétimo encontro. Santa Maria, Rainha da família - é o tema de hoje. Reze conosco a Novena, às três da tarde. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O MUNDO SÓ GOSTA DO QUE É SEU



 21 de maio de 2022

  5ª Semana da Páscoa


EVANGELHO


Jo 15,18-21

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. 19Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas, porque não sois do mundo, porque eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia.
20Lembrai-vos daquilo que eu vos disse: ‘O servo não é maior que seu senhor’. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 21Tudo isto eles farão contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”.

MEDITAÇÃO


Se o mundo odeia vocês, saibam que primeiro me odiou (Jo 15, 18)

Quando você começa a se comportar como um cristão de verdade, muita gente estranha. É o que Jesus está nos dizendo hoje: “o mundo gosta do que é seu”. No evangelho de João, fica bem clara a oposição que o mundo faz a Jesus. O mundo, na compreensão desse evangelho, são as pessoas e as estruturas que se opõem a Deus. É bem verdade que Deus amou tanto o mundo que enviou o seu filho único para salvá-lo. Mas, nem todo mundo acolheu Jesus. E, na verdade, boa parte de seu mundo estranhou sua mensagem e suas atitudes e o rejeitou, levando-o à morte de malfeitor na cruz.

O mundo está dominado pelo pecado e, portanto, está sempre na oposição a Deus, em oposição ao Deus verdadeiro revelado por Jesus. O mundo pode até formar para si uma imagem falsa de Deus, ter um deus que lhe convenha. Pode ver que as pessoas que tramaram a morte de Jesus eram pessoas religiosas, mas serviam a uma falsa imagem de Deus. Sentiram-se ameaçadas pelo jeito de Jesus falar de Deus e tratar os sofredores e, em nome do seu deus, mataram-no.

O cristão é alguém que é tirado do mundo. É bom explicar melhor isso. Jesus falou assim: “O mundo odeia vocês porque eu os escolhi e os apartei do mundo”. Jesus nos escolheu, nos chamou. Ser escolhido por Jesus, seguir Jesus é afastar-se do mundo, isto é, desvincular-se do mal do mundo. Dá pra entender? Não é que o cristão possa viver fora do mundo. Ele afasta-se do mal que está no mundo, mas vive no mundo. Na ceia, Jesus pediu ao Pai: “Eu não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno”. Estamos no mundo, mas não somos do mundo.

O mundo perseguiu Jesus. E desconfia de qualquer um que se pareça com Jesus. Olha o que ele fala no evangelho de hoje: “Se o mundo odeia vocês, saibam que primeiro ele me odiou”. E por que o mundo odeia Jesus? Pela mesma razão que o mundo do tempo de Jesus o odiou e o matou. A mensagem de Jesus e o seu modo de se conduzir na vida eram uma permanente denúncia contra o egoísmo, a dominação, a manipulação, a alienação que movem o mundo. Jesus vivia e pregava radicalmente a fraternidade, a prioridade dos pequenos e sofredores, a liberdade, o amor a Deus e aos irmãos, a vida segundo a vontade de Deus. A vida dos cristãos devia ser uma pregação permanente (mesmo sem sermão) contra a infidelidade, a desonestidade, a busca de privilégios, a exploração; uma pregação em favor da santidade do matrimônio, da sacralidade da vida, da justiça e do perdão como caminho para a paz. Quem anda assim, afastou-se do mundo, mesmo vivendo nele.

Sair do mundo é como a saída do povo do cativeiro do Egito. É obra de Deus em nós. Jesus disse isso a Nicodemos: “tem que nascer de novo”. Sair do mundo é um êxodo, é um novo nascimento. Obra de Deus, com nossa adesão.


Guardando a mensagem

O seguidor de Jesus, a seguidora de Jesus, pautando-se pelo seu evangelho, com certeza, pelo estranhamento do mundo, vai sofrer incompreensão, pode sofrer rejeição e até perseguição. Foi assim com Jesus. Se o comportamento e as palavras de um cristão não incomodam o mundo, tem alguma coisa errada nele. Não porque procuremos oposição e encrenca. Jesus não procurou confronto e briga. Mas, o mundo só gosta do que é seu.

Se o mundo odeia vocês, saibam que primeiro me odiou (Jo 15, 18)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste “se me perseguiram, também perseguirão vocês”. E estamos começando a entender o porquê: porque o cristão não pertence mais ao mundo, não pensa e não age mais como o mundo. Agora, isso não é fácil, Senhor. É verdade, tu não nos disseste que seria fácil. Na verdade, nos ensinaste a tomar o caminho estreito, pois larga é a estrada que conduz à perdição. Continua, Senhor, rezando por nós ao Pai, pedindo que não nos tire do mundo, mas que nos livres do mal que está nele. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Vá planejando o seu domingo. Há uma enorme diferença entre um dia de folga e o Dia do Senhor.

Comunicando

Santa Maria, Mãe da Misericórida - é o tema da Novena de Nossa Senhora Auxiliadora de hoje, às 15 horas, refletindo e rezando sobre nossa solidariedade com os pobres e sofredores.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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