BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

O SINAL DA BALEIA


19 de julho de 2021

EVANGELHO


Mt 12,38-42

Naquele tempo, 38alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.
40Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas.
42No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão”.


MEDITAÇÃO


Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Estamos começando a semana com um apelo muito forte da parte do Senhor: a nossa conversão. Fale a verdade: Deus já lhe deu muitas oportunidades para você tornar-se um fervoroso seguidor de Jesus, uma fervorosa discípula do Senhor, não é verdade? Quantas chances, Deus já lhe deu para você mudar de vida, converter-se? Agora, é bem capaz que você esteja esperando algo de grande impacto para que finalmente se entregue a esse grande amor! E é precisamente de amor que estamos falando. A conversão é um ato de amor: mudar o rumo de sua vida, colocando-a na direção do imenso amor de Deus. E ele nos ama por primeiro.

Você lembra: outro dia, Jesus estava se queixando das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Viram tantos milagres, mas não se converteram. Hoje, fariseus e mestres da lei, opositores de Jesus, estão lhe pedindo um milagre: ‘Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti’. Jesus deve ter ficado aborrecido. Pessoas mesquinhas como aquelas pedindo para presenciar um milagre, mas olhe só! Jesus não fazia milagres pra se mostrar. Àquela altura, Jesus já tinha tomado uma decisão: não iria mais fazer milagre nenhum. Ele chamou aquele povo de geração má e adúltera. ‘Essa geração está pedindo sinais, milagres. Não vai ter mais. Só um sinal, eles vão ter agora: o sinal de Jonas’.

Você se lembra do profeta Jonas?! Deus o mandou pregar em Nínive, capital da Assíria. Jonas calculou bem: Nínive, uma capital pagã... uma missão muito difícil, perigosa, tempo perdido. E logo o que tinha que anunciar: que Deus iria destruir tudo por ali. Nem pensar. Jonas pegou um navio numa rota contrária. Sujeito teimoso esse Jonas. No meio da viagem, o mar ficou tão enfurecido que os marinheiros desconfiaram que alguém ali estivesse em falta muito grave contra o seu Deus. Jonas confessou que estava fugindo de Deus e da missão difícil que ele lhe confiara. Para salvar a tripulação e o navio, não houve outro jeito. Foi atirado no mar. O que aconteceu foi incrível e você recorda. Um peixe o engoliu e três dias e três noites depois ele foi vomitado na praia. Deus o mandou de volta para a tarefa que lhe tinha confiado.

Jesus disse que não teriam mais nenhum sinal, mais nenhum milagre. Só um: o de Jonas. E ele mesmo explicou: ‘assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estaria três dias e três noites no seio da terra’ (Mt 12, 40). Ele está falando, então, de sua morte e de sua ressurreição. Este seria o grande sinal, o milagre pelo qual lhes seria mostrado sua condição de Messias, enviado de Deus. Esse milagre é um dos mistérios centrais de nossa fé. Mistério recordado em cada celebração. Dele fazemos memória na Santa Missa. Como Jonas engolido pelo peixe e devolvido vivo, ao terceiro dia. Morte e ressurreição. Esse é o grande sinal.

Guardando a mensagem

Fariseus e mestres da Lei queriam ver um sinal para acreditar em Jesus. Ele já tinha feito tantos, mas nunca para se mostrar, para se exibir. Na corte de Herodes, também lhe pediram um milagre para divertir a corte. Jesus ficou quieto. Chega de milagres, foi a decisão de Jesus. Ele já estava chateado com a pouca conversão nas cidades onde tinha feito tantos milagres... Afinal, haveria um só sinal, o de Jonas. A morte e a ressurreição de Jesus é o milagre prefigurado no sinal de Jonas. Depois de três dias no seio da terra, Jesus foi devolvido vivo, ressuscitado.

Nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas (Mt 12, 39).

Rezando a Palavra

Senhor Jesus,
Disseste que, no dia do juízo, os moradores de Nínive iriam condenar a geração do teu tempo, porque se converteram à pregação de Jonas, diferentemente de grande parte dos que te escutaram. Dá-nos, Senhor, a graça da conversão. Que à tua Palavra, respondamos prontamente, acolhendo o teu amor, na graça da fé e no seguimento do teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A conversão é a nossa resposta à Palavra de Deus. A conversão é obra nossa e do Espírito Santo de Deus em nós. Assim, no dia de hoje, peça ao Santo Espírito, mais de uma vez, a graça da conversão.

Pe. Joao Carlos Ribeiro, sdb

UM PASTOR PARA OVELHAS DESGARRADAS


 

18 de julho de 2021
16º Domingo do Tempo Comum

EVANGELHO


Mc 6,30-34

Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado.
31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer.
32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé, e chegaram lá antes deles.
34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

MEDITAÇÃO


Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34)

A pregação da Palavra de Deus é uma coisa maravilhosa. Ninguém duvida. A celebração ou liturgia, outra coisa fantástica. Mas, nem a pregação, nem a celebração se explicam sem a compaixão, a caridade. A evangelização e a celebração começam e terminam na caridade. Está tudo no evangelho de hoje.

“Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor”. Aí começa tudo, na compaixão. Jesus viu aquele povo que o procurava e lhe doeu o coração vê-lo tão necessitado, tão fragilizado. Para uma pessoa do interior como Jesus, dava pena ver um rebanho sem pastor: as ovelhas se dispersam, os carneirinhos viram presas fáceis para as feras e os ladrões, não têm quem os guie a um bom pasto. E olha que Jesus estava levando os discípulos para um lugar afastado para eles descansarem um pouco, pois estavam voltando, muito cansados, de uma missão. Diante daquela cena – ovelhas sem pastor – esqueceu-se o descanso e Jesus começou a “ensinar-lhes muitas coisas”, diz o evangelho.

O que será que Jesus ensinou àquela gente? Podemos imaginar, pois o que ele disse ao povo, certamente, é o que está no evangelho. Ele explicava, contando parábolas, como Deus ama os seus filhos, como fica feliz quando um filho ou uma filha escolhe o bom caminho; como o Pai cuida das aves e das plantas e mais ainda cuida de cada filho. E ainda: como são felizes aqueles que Deus ama. E Deus preza antes de tudo os mais pobres e os mais sofridos. Aí, ele lhes falava do Reino de Deus. Ah, esse mundo fica melhor se Deus for obedecido como bom pai que é e se cada filho for fraterno e bom com seu irmão, com sua irmã. Quanta coisa Jesus tinha para dizer àquele povo maltratado pela violência, pela doença, pela pobreza! E aqueles corações amargurados iam se enchendo de paz, de esperança. Riam com as histórias de Jesus (‘Imagine, o filho disse que ia, mas não foi, mas que malandro!’ - ‘E a festa que o Pai fez pra receber o filho que saiu de casa, ô festão!’ –‘ ‘Mas aquelas moças que foram para o casamento e esqueceram o óleo, que povo sem juízo!). Gente, olha a hora!

Quem falou “olha a hora!”? Os discípulos. Já está ficando tarde. Isso aqui é um lugar deserto. Esse povo precisa voltar pra casa. Já está tudo com cara de fome. Tenha paciência Jesus, a conversa está muito boa, mas está na hora de mandar o povo embora. ‘Mandar o povo embora, como assim? Sem comer nada? Vocês providenciem alguma coisa’. Aí a coisa esquentou... Providenciar, nós? Aí, eles foram pragmáticos, como muitos administradores de hoje. Gastar dinheiro para alimentar essa gente? Não tem dinheiro que chegue. Mande esse povo embora enquanto é tempo. Eles se viram por aí... Olha a mentalidade deles: gastar dinheiro, despedir, mandar embora, não se sentir responsável por ninguém. E Jesus acalmou o grupo. Pera aí... O que vocês têm aí pra comer? Vão, vão ver... Cinco pães e dois peixes? Tragam pra cá. Aí Jesus mandou todo mundo se sentar, formaram grandes grupos, pegou aqueles poucos pães e peixes, deu graças a Deus, fez a oração da bênção dos alimentos, partiu (preste atenção a este “partiu”) e ia dando os pedaços aos discípulos para que eles distribuíssem com o povo. Depois, dividiu também os peixes. O resultado, você já sabe. E até a sobra recolhida foi grandiosa. Olha a mentalidade de Jesus: alimentar, por em comum, partilhar, repartir, dividir, somos responsáveis uns pelos outros.

Guardando a mensagem

Antes de tudo, a compaixão. Jesus viu o povo e sentiu seu coração amargurado por vê-lo tão sofrido, tão fragilizado. Ele deixou de lado outro projeto e dedicou-se a “ensinar-lhe muitas coisas”. Isto é a evangelização. A evangelização é o anúncio do amor do Pai pelo seu povo, que nos mandou Jesus como pastor e salvador. A evangelização nasce da compaixão. E gera compaixão, caridade, amor a Deus e ao próximo.

Antes de tudo, a compaixão. Era tarde, o lugar deserto, o povo faminto. Jesus envolveu os discípulos numa linda celebração. Pode ver que todos os detalhes lembram a última ceia, como se fosse uma preparação para a Santa Missa. A celebração nasce da compaixão de Deus pelo seu povo e de nossa compaixão pelo próximo. E gera compaixão, solidariedade, caridade, novas relações.

Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Hás de nos desculpar. Nós continuamos a pensar igualzinho aos discípulos naquela cena da multiplicação dos pães. Vemos as situações de sofrimento e abandono e cruzamos os braços. Ficamos paralisados por nossa mentalidade pragmática: não temos dinheiro, não temos condições, não é responsabilidade nossa. A solução que temos é mandar embora, cada um se virar. Senhor, ajuda-nos em nossa conversão. Na evangelização e na celebração, aprendemos contigo outra forma de ver e agir: sermos responsáveis uns pelos outros, fazer alguma coisa com o que temos e, sobretudo, confiar na providência de Deus que se manifesta na partilha e na solidariedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Que tal você acompanhar a Missa deste domingo pela Rádio Tempo de Paz? É só baixar o aplicativo no seu celular. A celebração começa às 17 horas.

Em julho de 2018, num domingo como este, eu estava em Óbidos, no Pará, e o evangelho era este de hoje. Então, a Meditação ficou muito influenciada pelo contexto daquela diocese e sua Catedral. Vou deixar um link pra você ler o texto da Meditação de hoje e também a que escrevi em Óbidos, três anos atrás.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB.





Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34)

22 de julho de 2018.

Por graça de Deus, estou, neste domingo, em Óbidos, no oeste do Pará. Ontem à noite, eu e minha banda fizemos aqui um bonito show, dentro dos festejos da padroeira Senhora Sant’Ana. Óbidos é sede de uma diocese missionária no coração da Amazônia. Visitando ontem a Catedral, o bispo diocesano Dom Bernardo, me explicou alguns detalhes de sua histórica Catedral do século XVIII. Mesmo com a atual obra de reforma ainda não concluída, vê-se ali elementos arquitetônicos surpreendentes. Ao entrar na Igreja, o piso de cerâmica do hall de entrada veio de Jerusalém, da Terra Santa. No corpo da Igreja, vai-se pisando pelo corredor central em cerâmica que leva ao altar assentado sobre cerâmica vinda de Belém, tendo ao seu lado o ambão, também chamado de mesa da palavra. E por que trouxeram essas peças de um país tão distante? O bispo explicou direitinho. O piso da entrada, com cerâmica proveniente de Israel, de Jerusalém, lembra o Antigo Testamento. O piso do corredor central e do presbitério, onde estão o altar e o ambão, com cerâmica vinda de Belém, lembra o Novo Testamento. E a parede central do presbitério, ainda não concluída, terá simbolismos do lugar para onde caminha este povo que nasce no Antigo Testamento, e caminha pelo Novo Testamento: a glória de Deus, o céu... é pra lá que se vai. Entre outros símbolos, haverá uma linda árvore da vida, representação de Cristo.

O piso da Catedral de Óbidos é uma bela explicação da liturgia da palavra deste domingo. A obra de Jesus foi congregar as ovelhas dispersas do rebanho de Deus. Quando ele e os seus missionários apóstolos desembarcaram, encontraram uma multidão que tinha corrido a pé de todas as cidades para encontrá-lo. É o evangelho de hoje. E eu não posso deixar de pensar no que eu vi ontem, aqui em Óbidos. Mais de 100 peregrinos chegaram a pé à Catedral, para participar do novenário. Chegaram cedinho, depois de uma caminhada exaustiva. A cidade de onde eles vieram fica a 84 km. É a multidão do evangelho, acorrendo a pé a Jesus.

Jesus estava indo descansar com os seus missionários. Eles estavam voltando da missão em que tinham visitado vilas, sítios e cidades. Estavam fugindo do afluxo de gente que não lhes permitia nem tempo para comer. A numerosa multidão que chegou a pé para encontrá-lo os surpreendeu. Jesus ficou tomado de compaixão e os sentiu como ovelhas sem pastor. Cancelou-se o descanso e Jesus começou a ensinar muitas coisas ao povo, diz o evangelho.

Lendo o livro do Profeta Jeremias, nos damos conta da grandeza da ação de Jesus, nesta passagem e em todo o seu ministério. Em Jeremias 23, temos uma foto da situação do povo em certo momento, no Antigo Testamento. A descrição mostra a condição que levou o Pai a enviar Jesus. O rebanho está disperso. Deus se queixa dos pastores que ele colocou para cuidar do seu rebanho: descuidaram-se, afugentaram as ovelhas, dispersaram o rebanho. O que ele fará? Pela boca do profeta, o Senhor Deus disse: “Eu reunirei o resto das minhas ovelhas de todos os países para onde foram expulsas e as farei voltar aos seus campos. Suscitarei para elas novos pastores. Farei nascer um descendente de Davi, ele reinará como rei, ele será sábio”. Davi foi o rei que começou como pastor de ovelhas. Jesus é o pastor sábio, o novo Davi que Deus enviou para cuidar do seu rebanho. Ele é o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas. É o que está acontecendo nesta cena do evangelho. Ele e os apóstolos, os novos pastores que Deus estava suscitando, sacrificaram seu justo descanso para cuidar do rebanho disperso.

A obra de Jesus foi, então, congregar as ovelhas dispersas. O altar e o ambão, sobre a cerâmica de Belém, terra de Davi e de Jesus, é a representação do próprio Cristo. Pastoreando o seu povo, ele ensina-lhes muitas coisas e oferece a sua própria vida pela salvação de todos. Não somente congrega as ovelhas de Israel, mas congrega também as ovelhas de todas as nações, de todas as cidades, quem não pertenciam a Israel. A Carta de São Paulo aos Efésios, cap 2, explica ainda melhor isso. “Ele quis, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz. Assim ele destruiu em si mesmo a inimizade”. Ao redor da mesa da palavra e da mesa do sacrifício eucarístico, somos todos um só rebanho congregados por um só pastor.

Vamos guardar a mensagem

Esse rebanho que caminha desde o Antigo Testamento, congregado por Cristo, ao qual foram incorporados os pagãos, pastoreado por ele e por seus apóstolos missionários, é a Igreja. Igreja que caminha para a glória de Deus, para sua casa, para o céu. É o que nos diz, sem palavras, a cerâmica do piso da Catedral de Óbidos. Esse é um domingo para aumentar o seu amor e a sua comunhão com o pastor, os pastores e o rebanho. Somos a Igreja de Cristo. Ele nos conduz, nos resgatando da dispersão, da exploração, da inimizade, do pecado.

Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor (Mc 6, 34)

Vamos rezar a palavra

Salmo 22

— O Senhor é o pastor que me conduz; felicidade e todo bem hão de seguir-me!

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ não me falta coisa alguma./ Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Para as águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me/ por toda a minha vida;/ e na casa do Senhor habitarei/ pelos tempos infinitos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Vamos viver a palavra

Não deixe de pegar sua Bíblia hoje e ler, com toda atenção, Marcos 6, 30-34. É o evangelho de hoje. Quem sabe, você possa conversar com alguém sobre essa bela passagem! É que a boca fala do que o coração está cheio.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb 

ELES FECHARAM O CORAÇÃO



17 de julho de 2021

EVANGELHO


Mt 12,14-21

Naquele tempo, 14os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18“Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual ponho a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21Em seu nome as nações depositarão a sua esperança”.

MEDITAÇÃO


Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus (Mt 12, 14)

É triste ler isso no evangelho. “Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus”. É de não se acreditar. Para chegar a este ponto, eles deviam estar muito incomodados com Jesus. Por que eles chegaram a esse ponto? Claro, a explicação mais simples é que eles fecharam o coração à novidade que era Jesus e sua pregação. Mas, podemos tentar entender um pouco mais sobre essa rejeição.

Por que os fariseus não gostavam de Jesus? Bom, o povo de Deus estava vivendo um tempo de muita turbulência. Muita coisa preocupante estava acontecendo e trazendo mal-estar e insegurança às pessoas. A maior parte do povo da Galileia era de agricultores. E eles estavam com a corda no pescoço, por causa dos impostos que deviam entregar para Herodes e os romanos. Os romanos, que dominavam diretamente a Judeia e a Samaria, eram pagãos e suas legiões esmagavam qualquer manifestação ou revolta. As elites da capital e os grandes proprietários de terra controlavam o Templo de Jerusalém. Tudo isso criava muita insegurança no meio do povo.

Os fariseus, uma espécie de irmandade ou de partido, era o grupo mais próximo da população. No seu quadro, havia muitos mestres da Lei, gente que estudava as Escrituras. Eles não eram aliados dos romanos, como os saduceus do Templo. Eles eram defensores fervorosos da exata observância da Lei de Moisés. A segurança para eles estava em praticar fielmente todos os preceitos escritos e orais que regulavam a vida do judeu. É possível que a mensagem de Jesus criasse muita insegurança para eles, pois Jesus liberava o povo daquele rigorismo que eles pregavam. Jesus considerava aquele apego à letra da Lei um desvio da religião, acabando por excluir as pessoas e deixar de lado a caridade e a misericórdia, que é o centro da Lei. Além disso, Jesus apontava muitas falhas neles: o exibicionismo na oração, a busca de privilégios e de prestígio, a falta de autenticidade (ensinavam e não faziam). No fundo, Jesus, como nova liderança ouvida pelo povo, ameaçava a posição de liderança deles e sua influência nas comunidades. Por tudo isso, os fariseus viram, em Jesus, uma ameaça. E decidiram matá-lo.

Claro, não chegaram de repente a essa decisão de eliminar Jesus. A oposição foi crescendo devagar... vemos isso nas páginas dos evangelhos. A mensagem de Jesus pedia conversão, mudança de vida. E eles permaneceram de coração fechado. Aos poucos, a incompreensão, a impaciência, o mal estar vão se convertendo em rancor, em ódio, e, por fim, em decisão de eliminação do profeta. Essa é uma coisa pra gente pensar. Se a pregação do evangelho não encontra um terreno bom no seu coração e você vai se permitindo que cresça a indiferença, as dúvidas que se transformam em críticas.... afinal, aos poucos vai se formando um muro, uma barreira entre você e Jesus, entre você e a Igreja, que finda por afastar você, definitivamente, da novidade do evangelho.

O resultado dessa decisão de matar Jesus, lemos hoje no evangelho, é que Jesus retirou-se dali. De fato, percebemos no evangelho, que, a partir de certo momento do seu ministério, diminuem suas aparições públicas e também o afluxo das grandes multidões. Ele continua curando muita gente, mas recomenda que não mencione o seu nome, que não digam quem foi. Procura ser discreto, nesse clima da perseguição. Assim, o evangelista aplica-lhe o que o profeta Isaías escrevera sobre a misteriosa figura do servo de Deus: “Ele não discutirá nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega”. O servo de Deus descrito é alguém manso, discreto, humilde. Não enfrenta com violência os seus opositores, não sai ameaçando, arrebentando, agredindo. Foi essa a atitude de Jesus frente à perseguição contra sua pessoa. O medo não o paralisou, mas ele agiu sempre com prudência e humildade.

Guardando a mensagem

O evangelho tem páginas maravilhosas. Todas o são. Mas, em algumas, aparece claramente a oposição e a perseguição contra Jesus. A grande perseguição dos dias da paixão foi construída, aos poucos, com atitudes de boicote, críticas, insinuações maldosas e decisões homicidas como a que lemos hoje neste texto. Sempre que os cristãos e a Igreja se comportam profeticamente, movidos pela liberdade do Espírito Santo, colhem sofrimento e perseguição. Na verdade, quem vive o evangelho destoa da normalidade, deslegitima privilégios, suscita oposição. Assim, é bom você se policiar.... o evangelho é fermento de um mundo novo, não é a cobertura do bolo desse mundo de mentiras e maldades.

Os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus (Mt 12, 14)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
A oposição dos fariseus, que acabou por decidir a tua morte, é um alerta para nós. Quantas oportunidades eles tiveram, ouvindo a pregação do evangelho, conhecendo-te pessoalmente, vendo os testemunhos de teus milagres e das pessoas que tiveram suas vidas transformadas no teu seguimento. Ainda assim, construíram uma negativa total à revelação de Deus em tua pessoa. Senhor, ajuda-nos a manter o coração aberto para a tua palavra e a tua presença redentora hoje, na Igreja. Que a indiferença não enfraqueça a nossa fé. Que as pequenas suspeitas, insinuações e críticas não acabem por nos separar de ti e de tua Igreja. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu diário espiritual (seu caderno de anotações), escreva uma oração a Jesus sobre a meditação de hoje.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

NOSSA SENHORA DO CARMO





16 de julho de 2021
Dia de Nossa Senhora do Carmo


EVANGELHO


Mt 12,46-50

Naquele tempo, 46enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

MEDITAÇÃO


Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe (Mt 12, 50).

No evangelho de hoje, temos uma cena da vida pública de Jesus, onde está inserida sua mãe. Claro, hoje é o dia da Senhora do Carmo. Olhamos para Maria, hoje, no grupo dos parentes de Jesus, sendo testemunha ocular de um ensinamento precioso do Mestre.

Jesus está falando ao povo. Um grupo de parentes chega e fica do lado de fora, não se integra. E manda um aviso que quer falar com ele. Jesus ensina que o verdadeiro laço de parentesco com ele é a obediência à vontade do Pai. É isso que o define: ser cumpridor da vontade de Deus. Assim, ele deixa claro que o lugar dos parentes é dentro da casa ou da comunidade, como discípulos, aprendendo o caminho do Reino. Eles estão do lado de fora. Então, a palavra de Jesus é um convite para eles se tornarem discípulos, para entrarem.

O recado que Jesus recebeu foi este: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. “Tua mãe e teus irmãos” é uma expressão que se repete várias vezes nesse texto. Refere-se, claro, aos parentes próximos de Jesus. Irmãos são seus primos, ao lado de quem se criara em Nazaré. A Bíblia chama primos de irmãos.

O texto nos ajuda a perceber como os parentes próximos de Jesus tiveram dificuldade para entender o que ele andava fazendo. Houve um tempo em que eles pensaram que Jesus tinha ficado louco. Só aos poucos, eles foram se integrando na grande comunidade que se formou ao redor dele. A resposta de Jesus é um convite claro a que eles se integrem, não fiquem do lado de fora. Este é o verdadeiro laço de parentesco que vai contar: fazer a vontade do Pai.

Olha a palavra de Jesus, apontando para os discípulos: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Fazer a vontade de Deus é que nos faz discípulos, parentes de Jesus.

E Maria, estava no meio daqueles parentes que não estavam entendendo Jesus? Bom, dizer “tua mãe e teus irmãos” é uma forma de falar da família dele, cujo pai não vivia mais. Se o principal é fazer a vontade de Deus, então isso é um elogio à sua mãe. De fato, Maria foi elogiada no Evangelho por ser cumpridora fiel da vontade do Pai. Izabel a bendisse porque ela acreditou na Palavra do Senhor que lhe fora comunicada. A vontade de Deus, na sua vida, estava acima de qualquer interesse ou projeto pessoal. Ela prontamente aceitou cumpri-la, quando o anjo Gabriel lhe comunicou o que Deus queria dela.

Santo Agostinho, em um de seus sermões, escreveu: “Acaso a Virgem Maria não fez a vontade do Pai, ela que creu pela fé, que pela fé concebeu, que foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação? Ela foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado. Ela fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que sua mãe”.

Guardando a mensagem

O que nos faz próximos ou parentes de Jesus é a obediência à vontade do nosso Deus e Pai, mais do que qualquer laço sanguíneo ou qualquer cargo na Igreja. Parente de Jesus é aquele que cumpre a vontade de Deus, da qual ele é o primeiro cumpridor. O discípulo fiel imita Maria, sua mãe, a Virgem obediente. Maria sempre colocou a vontade de Deus acima de tudo e de todos. A vontade de Deus é a lei que rege a vida daquele que crê. Ela é modelo para todo discípulo.

Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe (Mt 12, 50).

Rezando com quem usa o escapulário:

Ó Senhora do Carmo, 
  revestido de vosso escapulário,
eu vos peço que ele seja para mim 
sinal de vossa maternal proteção, 
em todas as necessidades,
nos perigos e nas aflições da vida.
Acompanhai-me com vossa intercessão,
para que eu possa crescer na fé,
na esperança e na caridade,
seguindo a Jesus e praticando sua Palavra.
Ajudai-me, ó mãe querida, para que,
levando com devoção vosso santo Escapulário,
mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele,
na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna.
Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, dia de Nossa Senhora do Carmo, lembramo-nos do Monte Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a fé no Deus verdadeiro. Maria é este monte onde Deus se revela amoroso e fiel em seu filho Jesus Cristo. Recomende-se à Virgem do Carmo, hoje, com três ave-marias.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

VENHAM A MIM E EU LHES DAREI DESCANSO!



15 de julho de 2021
Dia de São Boaventura


EVANGELHO


Mt 11,28-30

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28 “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.
29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

MEDITAÇÃO


Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos e eu lhes darei descanso (Mt 11, 28).

Que fardos são esses? Esses fardos eram, em primeiro lugar, no tempo de Jesus, as obrigações que a Lei de Moisés impunha, ou melhor, a interpretação da Lei feita pelos mestres e fariseus. Era uma carga pesada demais, oprimindo e afastando as pessoas de Deus. A religião como obrigação continua sendo um fardo pesado para muita gente, hoje. Mas, como Jesus pode aliviar esse nosso peso? O seu ensinamento nos liberta, torna leve a nossa carga. O seu maior ensinamento é que Deus nos ama como um pai. Ele compreende a nossa fraqueza. Ele enviou seu filho para nos conduzir no caminho. O Filho se revestiu de nossa humanidade e tornou-se agora o nosso guia. A fé é nossa melhor resposta. O seu ensinamento alivia o nosso peso.

Que fardos são esses? O peso do nosso pecado e de suas consequências. E Jesus alivia esse nosso peso pela reconciliação. Ele está nos sugerindo que troquemos os fardos que estamos carregando pelo seu peso que é leve, o nosso coração inquieto pelo seu coração manso e humilde. Ele nos revela que o Pai nos perdoa e nos reconcilia consigo pelo sacrifício de sua cruz. Assim, o peso do pecado nos é retirado das costas. Podemos caminhar com mais leveza e esperança. O amor de Deus nos liberta. O perdão nos tira o peso do pecado das costas.

Que fardos são esses? O peso massacrante da vida. Diante de pessoas acachapadas pelo sofrimento, pelo medo, pelo cansaço do trabalho com pouco retorno, pela falta de horizonte, Jesus se apresenta com um convite: Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos, e eu lhes darei descanso. Ele nos tranquiliza: o Pai cuida de nós, nos sustenta, nos socorre. Não estamos sós. Não lutamos apenas com as nossas forças. Sendo assim, o peso de nossas obrigações já fica mais leve. O amor a Deus e ao próximo, ensinado por Jesus, liberta o nosso trabalho da marca da obrigação desumanizadora. Nossas responsabilidades, na lógica do amor, passam a ser serviço criativo e amoroso. O amor nos liberta do massacrante peso da obrigação.

Guardando a mensagem

Jesus encontrou o povo de Deus oprimido por muitas situações de exploração, violência e dominação. Por isso, o evangelho está cheio de doentes, leprosos, cegos, possessos, encurvados. Ele chamou a si esse povo humilhado, oferecendo-lhe a vida, a liberdade, a felicidade. Ele nos revelou o amor do Pai e o seu amor por nós. Ele carregou-se de nossas dores e nos abriu o caminho da vitória sobre toda opressão por meio de sua palavra, de suas atitudes, de sua morte na cruz, de sua ressurreição.

Venham a mim todos vocês que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos e eu lhes darei descanso (Mt 11, 28).

Vivendo a palavra

Senhor Jesus,
É grande o peso dos nossos fardos: a condição imposta pelos limites de nossa condição biológica; as dificuldades na luta pela sobrevivência e a manutenção de nossas famílias; os desencontros, os drama da vida familiar; o desencanto com a situação do país... cansados e fatigados, sob o peso dos nossos fardos, nos aproximamos de ti, implorando a graça do teu abrigo, do teu repouso, da tua paz. Dá-nos a sabedoria que nos vem do Santo Espírito para encontrarmos as melhores soluções e a serenidade para atravessarmos com paciência as horas difíceis, na fé de que estás sempre conosco e nos conduzes como bom pastor de nossas vidas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Que tal você atender essa palavra de Jesus “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados”? Vou lhe deixar uma sugestão. Reserve, hoje, um tempinho para um momento de oração. A sós com Deus, fale de sua vida... Alguma coisa muito importante, ele tem para lhe dizer.

Podendo, participe conosco da Santa Missa das 11 horas, transmitida pelo rádio e pelas redes sociais. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O REINO REVELADO AOS PEQUENINOS


14 de julho de 2021

EVANGELHO


Mt 11,25-27

25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”

MEDITAÇÃO

Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25)

Jesus usa muito a palavra “pequeninos”. O tempo todo, ele está cercado por gente sem grande expressão social, pobres, doentes, mulheres, crianças, sofredores de todo tipo. Eles são os pequeninos. Quase toda a atividade de Jesus ocorreu na periferia do mundo judaico, na Galiléia, norte do país, terra de agricultores, artesãos, pescadores, moradores de vilas e pequenas cidades. Os evangelhos nem chegam a citar a capital da Galileia, Tiberíades, onde morava o rei Herodes. Em Jerusalém, capital da Judéia, Jesus ia, basicamente, nas grandes romarias.

Os grandes, os importantes, os ricos tinham mais dificuldade de acolher o Reino. Basta lembrar o episódio do encontro com o jovem rico e o comentário que Jesus fez em seguida: “Como é difícil o rico entrar no Reino de Deus”. A Nicodemos, um membro importante do Sinédrio que o procurou à noite, Jesus explicou que ele precisava nascer de novo, renascer do alto. Muitas vezes disse aos discípulos e discípulas que só dava para entrar no Reino de Deus quem fosse como as crianças, isto é, quem se tornasse como os pequeninos ou fosse solidário com eles.

No evangelho de hoje, Jesus está em oração. Ele louva o Pai porque o Reino está sendo revelado aos pequeninos. Igualmente o louva porque, revelando o Reino a uns, o Pai o esconde a outros, os sábios e entendidos. E o que é que está havendo com os sábios e entendidos, isto é, com os estudados, os professores da Lei, os que se sentiam conhecedores da Palavra de Deus? Estes fecharam o coração. Não conseguiram ver em Jesus de Nazaré a revelação do Pai amoroso e fiel que fez aliança com Israel. Encheram o peito de presunção de que já sabiam de tudo. E de inveja, sentindo-se ameaçados pela popularidade de Jesus, por seus ensinamentos e por seus milagres.

Embora Jesus pregasse pra todo mundo, a todos procurasse iniciar no Reino, via-se cercado de gente simples e pobre, pecadores, sofredores. Os grandes também se aproximavam, mas quase sempre para censurar, para tentar coibir a sua palavra, para desafiá-lo... Estes tentavam desmoralizar o seu ministério ou encontrar motivo para denúncias e perseguições. Os grandes fecharam o coração. Os pequenos abriram-se à obra de Deus. É o que Jesus está vendo. E por isso está louvando o Pai.

Guardando a mensagem

Jesus rezou, publicamente, louvando o Pai porque este estava revelando o Reino aos pequeninos. E o estava revelando por meio do Filho. Em Jesus, reconhecemos a bondade e a misericórdia do nosso Deus, atuando em favor do seu povo. Os grandes fecharam o coração. Os grupos de poder rejeitaram Jesus. Os pobres e os pecadores aproximaram-se dele, acolhendo o Reino que ele anunciava. A lógica de Jesus é a lógica do Pai. Ele escolhe os pequenos. A lógica de Jesus deve ser a nossa também. Valorizemos os pequenos. O Reino é deles. No sermão da Montanha ele disse: “Felizes os pobres porque o Reino de Deus é deles”. Tornemo-nos pequenos, sejamos solidários com eles, se quisermos ter parte no Reino.

Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na oração que nos ensinaste, pedimos ao Pai: “venha a nós o vosso Reino!”. Tu nos ensinaste a rezar assim para que entendamos que o Reino é, antes de tudo, um dom que nos vem do Pai, não é uma conquista de nossas obras, de nossa inteligência ou de nossa santidade. O Reino vem a nós por pura bondade e graça de Deus, nosso Pai. E és tu, Senhor Jesus, que nos revelas o Pai, que nos comunicas o seu Reino, sua presença amorosa em nossa história. Venha a nós o vosso Reino! E sendo hoje o dia de São Camilo de Lellis, patrono dos enfermos, dos hospitais e dos profissionais da saúde, nós pedindo sobre eles a tua bênção e a tua proteção. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, durante o dia, reze com Jesus, mais de uma vez: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”.

Um lembrete pra você ir se preparando: amanhã, quinta-feira, é o dia em que celebramos a Santa Missa pelos associados, ouvintes e todos os que nos acompanham na Meditação da Palavra. A Santa Missa começa às 11 horas, com tranmsissão pelo rádio e pelas redes sociais.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A LÓGICA DO INTERESSE



13 de julho de 2021

EVANGELHO


Mt 11,20-24

Naquele tempo, 20Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não se tinham convertido.
21“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que se realizaram no meio de vós, tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza.
22Pois bem! Eu vos digo: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia serão tratadas com menos dureza do que vós. 23E tu, Cafarnaum! Acaso serás erguida até o céu? Não! Serás jogada no inferno! Porque, se os milagres que foram realizados no meio de ti tivessem sido feitos em Sodoma, ela existiria até hoje! 24Eu, porém, vos digo: no dia do juízo, Sodoma será tratada com menos dureza do que vós!”

MEDITAÇÃO


Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não tinham se convertido (Mt 11, 20)

Ganhar presente é uma coisa muito boa. Agora, mais importante do que o presente que a gente recebe é quem nos dá o presente, não é verdade? É decepcionante para alguém dar um presente e ver que quem o recebeu está interessado mesmo no que ganhou, não em quem lhe ofertou aquilo. É, tem muita gente interessada mais no presente do que no padrinho.

Hoje, em dia, fala-se muito de curas, de milagres. É verdade que Deus continua a ser bom e generoso para conosco, nos acudindo em nossas fraquezas e necessidades. Mas, será que as pessoas que recebem tantos favores de Deus voltam-se para ele de todo o coração, começam a andar na vida nova de sua graça, convertem-se de seus pecados? Você, o que acha? ... Será que muita gente está apenas se aproveitando de Deus e depois se esquecendo dele?

Olha o que temos no evangelho de hoje! Jesus mostrou-se decepcionado com as pessoas beneficiadas por seus milagres. Corazim e Betsaida eram pequenas cidades da Galileia. Cafarnaum era uma cidade um pouquinho maior, situada às margens do Mar da Galileia, onde Jesus morava. Nessas e em outras cidades, ele tinha feito muitas pregações e realizado muitos milagres. E ele estava ficando decepcionado com essas cidades. Tanta gente o procurava pedindo todo tipo de favor, e ele atendendo com tanta compaixão, manifestando o poder e o amor de Deus naqueles eventos extraordinários... Mas, àquela altura, ele já estava ficando irritado... onde estava a conversão daquele povo?

Ele mesmo comparou Corazim e Betsaida com duas grandes cidades pagãs, Tiro e Sidônia. Se nessas cidades pagãs tivessem acontecido aqueles milagres, estariam todos fazendo penitência, pedindo perdão a Deus. E o povo de Corazim e Betsaida continuava sua vidinha tranquila, sem dar sinais de conversão. E a própria Cafarnaum que já tinha visto todo tipo de milagres de Jesus - na sinagoga, na casa dele, na praça, no mar – e nem assim apresentava sinais de mudança. Aí ele fez outra comparação que certamente não agradou aos seus conterrâneos. Sodoma, a cidade que Deus destruíra com fogo por causa de sua maldade, teria se convertido se tivesse visto os seus milagres. No dia do juízo, as cidades pagãs e a própria Sodoma terão um tratamento mais brando do que aquela gente da Galileia, disse Jesus.

Era de se esperar que os milagres ajudassen o povo a se voltar para Deus, a se converter. Todo milagre é uma demonstração do amor de Deus que restaura a pessoa humana. Na história do paralítico, ficou claro que mais do que o milagre físico, Jesus veio comunicar o perdão dos nossos pecados. Ele salvou a adúltera que iria ser apedrejada, mas lhe disse: vá e não peque mais. A própria cura dos leprosos é uma amostra de como sua missão é nos purificar dos pecados. Jesus esperava, então, que essas pessoas alcançadas por gestos tão maravilhosos de Deus, passassem a caminhar na fé, voltassem-se para Deus, acolhessem o seu enviado.

Infelizmente, vê-se hoje uma corrida para a bênção, a cura e o milagre, com pouca ou nenhuma conversão, com pouca ou nenhuma adesão à sua Palavra, ao seu evangelho. Está na hora de escutarmos essa Palavra do Mestre: ‘Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e tudo o mais lhes será dado em acréscimo’.

Guardando a mensagem

Como acontece hoje, no tempo de Jesus, muita gente o procurava para alcançar a cura de suas doenças, a solução dos seus problemas. Mas, uma vez satisfeitos, esqueciam-se de Jesus e não mostravam nenhum interesse por seus ensinamentos. Jesus, apesar de tão bom e compassivo, ficou decepcionado com aquelas cidades onde ele tinha feito tantos milagres. Afirmou que, se cidades pagãs tivessem visto tantos milagres, teriam se convertido. E aproveitou para lembrar que, no dia do juízo, haverá uma cobrança muito maior para quem teve mais chances na evangelização. É, tem muita gente interessada mais no presente do que no padrinho.

Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não tinham se convertido (Mt 11, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Dá-nos a graça de nos deixarmos guiar pelo amor, não pelo interesse. Na lógica do amor, nós te buscamos porque nos sentimos amados e queremos te amar e viver no teu amor. Na lógica do interesse, alguém te busca para conseguir uma graça ou proteção e te esquece logo que alcança seu objetivo. Sabemos, Senhor, que antes que venhamos bater à tua porta, tu já bateste à nossa, aguardando que a abramos para cear conosco, como está escrito no Livro do Apocalipse. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Essa palavra de hoje merece um bom exame de consciência de sua parte. Pare uns minutinhos, assim que puder, e, em oração, se pergunte: O que o Senhor está me dizendo hoje?

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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