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2019/08/07

NÃO DESISTIR NO PRIMEIRO NÃO

Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos (Mt 15, 26)


07 de agosto de 2019.
No tempo de Jesus, as fronteiras do país não eram muito definidas. Mas, os judeus sabiam bem onde começavam os territórios pagãos. Desde a entrada na terra prometida, o povo tinha sido instruído a afastar-se das populações pagãs que moravam na terra de Canaã. Não deviam ter nenhuma consideração para com os cananeus, sua cultura e seus cultos idolátricos.
No texto de hoje, o evangelista Mateus nos dá notícia que Jesus está em territórios pagãos, na região de Tiro e Sidônia. Talvez quisesse se afastar um pouco daquela correria toda do seu trabalho missionário, com tanta gente atrás dele. Mas logo chega alguém pedindo ajuda. Uma senhora pagã, uma cananeia, veio ao encontro de Jesus com um pedido de socorro: a filha estava possuída pelo demônio. A resposta de Jesus foi estranha. Ficou calado. Ela continuou implorando, pelo caminho. Ele comentou com os discípulos que fora enviado somente para o povo de Deus. A mulher insistia, implorava... E a resposta dele foi dura: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”.
Chamar os pagãos de cachorros ou de porcos era comum por parte do antigo povo de Deus. Essa atitude agressiva para com os gentios, os pagãos, resultava da decisão de manterem distância dos seus cultos e de sua cultura, como a Lei de Moisés determinava. Jesus, enquanto humano, nasceu hebreu, aprendeu o modo do seu povo pensar o mundo e a religião. Portanto, certamente, ao menos até certa altura do seu apostolado, podia ter essa mesma atitude frente aos pagãos. Foi o que ele disse aos discípulos naquela ocasião: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”.
É importante entender o seguinte. Quem está contando essa história é o evangelista Mateus, uma história guardada pelas comunidades que se formaram na Palestina e nos território pagãos próximos. Um grande problema da evangelização, desde o início, foi como integrar os pagãos convertidos nas comunidades. Havia muita discussão: eles têm ou não tem direito à salvação em Cristo? Pra nós, é claro, passado tanto tempo, isso está bem resolvido. Mas, no começo, essa integração dos não judeus foi muito dolorosa. Pensava-se: Eles não têm aliança com Deus, não são herdeiros das promessas feitas a Israel, não seguem a Lei de Moisés, não são circuncidados... a coisa não foi fácil.
Você está me seguindo?  Está dando para entender?  Então, essa história de Jesus que a princípio rejeitou a mulher pagã, mas depois a atendeu, era muito importante para os seus seguidores entenderem como deviam proceder nesse assunto da inclusão das pessoas pagãs. Nessa história, todos podiam entender que os pagãos também tinham direito de fazer parte das comunidades e que não lhes cabia a pecha de cachorros, porque a salvação em Cristo também era para eles. Eles só precisavam ter fé, crer em Jesus, como a mulher cananeia.
Voltemos ao texto. Qual foi a reação da mulher? Diante da negativa de Jesus, ela insistiu com grande humildade: “É verdade, Senhor. Mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!'  Foi quando Jesus lhe disse: 'Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!'. Assim, sua filha foi libertada.
Guardando a mensagem
A mulher pagã foi procurar Jesus, prostrando-se aos seus pés. Isso é um sinal de sua fé, de sua acolhida de Jesus, como Messias. Não se intimidou com a aparente negativa dele, antes insistiu, perseverou no seu pedido... E, claro, mostrou uma grande humildade. Diante disso, Jesus concedeu o que ela estava pedindo com tanta humildade, perseverança e fé. A mudança de atitude de Jesus, incluindo os pagãos na salvação, será a atitude mais tarde das comunidades cristãs espalhadas pelo mundo.
Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos (Mt 15, 26)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
A mulher cananeia nos deixa uma grande lição. Diante da necessidade premente de sua filha, ela foi ao teu encontro e soube ser perseverante no seu pedido. Não desanimou diante do teu silêncio, nem de tua negativa. E não se intimidou com a ofensa recebida por ser pagã, ao ser comparada aos cachorrinhos. Na sua fé, mostrou humildade e perseverança no seu pedido. Não só foi atendida, mas também te ajudou a ter uma nova compreensão da missão. Senhor, não nos deixes desanimar diante das primeiras dificuldades, nem desistir diante das barreiras que se nos apresentem intransponíveis. Que a nossa fé seja à toda prova e a humildade e a perseverança sejam a força de nossa fraqueza. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Converse com alguém sobre essa história de hoje (Mt 15,21-28). Ou pelo menos comente alguma coisa nas redes sociais sobre o assunto. Evangelize!

Pe. João Carlos Ribeiro – 07.08.2019.

2018/06/16

PAIS SEM ESCOLHAS, FILHOS SEM CRITÉRIOS

Seja o seu sim, sim; e o seu não, não (Mt 5, 37).
16 de junho de 2018.
"O sim de vocês seja sim. O não de vocês seja não. O mais vem do maligno" (Mt 5,37). Palavras sábias de Jesus. Programa de vida para os seus seguidores. Um sim que seja sim, um não que seja não. É o que ele quer de nós. Como educador, quero refletir com vocês numa aplicação muito clara e prática dessa palavra do Senhor.
A gente observa hoje na educação dos filhos pequenos que os pais não sabem mais dizer sim ou não. Deixam tudo à escolha das crianças, como se elas tivessem já critérios para fazer opções duradouras. Os pais é que têm que ter critérios para escolhas sérias, responsáveis, duradouras. O perigo é que as crianças cresçam escolhendo sem critérios. Fazendo opções que não sejam opções verdadeiras estão na verdade correndo para o mais fácil, o prazeroso, o que está na moda. Isso não é fazer opção. Isso é cair em tentação.
Pais sem critérios para escolhas deixam os filhos em escolhas sem critérios. Pensemos, por exemplo, na escolha da escola em que a criança vai estudar. É claro que é interessante ouvir a criança a respeito disso, sobretudo no caso de uma mudança de escola. Mas, esperar que a escolha da criança seja a decisão final é abdicar da própria responsabilidade. Pais e mães têm responsabilidade na educação dos filhos, têm obrigação de providenciar o melhor, dentro de suas condições. E o melhor pode não ser o que parece melhor à criança que ainda não tem uma visão global da vida, nem suspeita o que a vida vai lhe cobrar amanhã ou o que cabe no bolso dos pais. Isso vale também para outras escolhas: a alimentação, como vai ocupar o final de semana, onde vai passar as férias, a hora de estudar e de brincar.  A criança precisa ser ouvida, mas não está correto que tome decisões importantes, como se já fosse gente grande.
Aliás, muita gente grande sem critérios para escolhas vai sendo conduzida na vida pelos instintos, pelo faro, pela mera busca de prazer. Não pensa, não pesa, não escolhe. Vai no impulso, procura o mais fácil, o que lhe pode trazer apenas mais satisfação momentânea. Por isso, suas escolhas são passageiras, irresponsáveis, interesseiras. É bem possível que essa seja a raiz de muita escolha fracassada. Matricula-se e logo abandona a faculdade. Começa uma academia e não termina o primeiro mês. Casa-se e se separa com a facilidade de quem despreza o brinquedo que perdeu a graça. Vai ver é gente que nunca fez escolhas verdadeiras, não foi preparada para escolhas responsáveis, para opções duradouras.
Vamos guardar a mensagem
Essa palavra de Jesus, hoje, sobre a seriedade do ‘sim’ e do ‘não’ nos faz olhar de maneira especial para a educação das novas gerações, responsabilidade nossa como pais e educadores. É claro que à medida que a criança cresce vai se tornando mais autônoma, mas já sabe seguir certas regras. Já tem aprendido que não pode fazer tudo que der na telha, que há razões para se escolher uma coisa, razões que vão além do que é gostoso, ou do que é prazeroso ou do que está na moda. Mas, o adolescente ainda precisa estar sob a autoridade dos pais, a última palavra ainda é deles em coisas importantes e decisivas. Um jovem respeitoso da autoridade dos seus pais não se improvisa. Ele começa na educação da criança. Sim, sim. Não, não. O mais vem do maligno, já disse Jesus.
Seja o seu sim, sim; e o seu não, não (Mt 5, 37)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Achaste que não se deve jurar de modo nenhum. E por quê? Porque quem fala a verdade, quem anda na verdade, não precisa dar nenhuma segurança do que está dizendo. Dá sua palavra e pronto. Jurar seria, então, como dar um peso de verdade à própria fala. Mas, se já se está falando a verdade, a verdade se impõe. Como disseste: “A verdade vos libertará”. Concede, Senhor, que sejamos pessoas da verdade, sem duas conversas, sem enroladas, sem mentiras. Livra-nos dos mentirosos, dos enganadores, dos falsos. E ajuda-nos a educar as novas gerações para decisões responsáveis e duradouras. Que o nosso sim, seja sim. E o nosso não, seja não. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Já estou em Angola e hoje faço show aqui na Missão Salesiana de San Antonio, em Calulo, na Província de Sumbe. Muita pobreza, muita fé. Reze por nós.
Que tal você conversar com outra pessoa sobre o tema dessa meditação? Você pode não concordar com tudo que eu lhe disse. Tudo bem. Fale, converse, confronte seu pensamento... isso é importante. Gente que não pensa, não acerta.

Pe. João Carlos Ribeiro, 16.06.2018.

2017/06/16

O sim e o não

Seja o seu ‘sim’: ‘sim’, e o seu ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno (Mt 5, 37)

"O sim de vocês seja sim. O não de vocês seja não. O mais vem do maligno" (Mt 5,37). Palavras sábias de Jesus. Programa de vida para os seus seguidores. Um sim que seja sim, um não que seja não. É o que ele quer de nós.

A gente observa hoje na educação dos filhos pequenos que os pais não sabem mais dizer sim ou não. Deixam tudo à escolha das crianças, como se elas tivessem já critérios para fazer opções duradouras. Os pais é que têm que ter critérios para escolhas sérias, responsáveis, duradouras. O perigo é que as crianças cresçam escolhendo sem critérios. Fazendo opções que não são opções verdadeiras estão na verdade correndo para o mais fácil, o mais prazeroso, o que está na moda. Isso não é fazer opção. Isso é cair em tentação.