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20190204

PREJUÍZO É VIVER DOMINADO

Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, em sua misericórdia (Mc 5, 19)
04 de fevereiro de 2019.
Eu vou tentar lhe explicar essa história dos porcos que se afogaram no mar. Uma manada de porcos se perdeu. A economia daquelas famílias ficou arruinada. Resultado: o povo daquela região mandou Jesus embora. E o que tinha acontecido? Jesus chegou a uma região já fora do seu país, uma região de pagãos. Era do outro lado do mar da Galileia. Jesus e os discípulos chegaram lá de barco. Veio ao encontro deles um homem possuído por um espírito impuro, que vivia no cemitério apavorando o povo do lugar. Ele se incomodou com a presença de Jesus. E Jesus deu ordens para que saísse daquele homem. Na verdade, eram muitos demônios e se chamavam Legião e pediram para entrar nos porcos. Havia muitos porcos por ali. Jesus libertou o homem e os porcos desceram de ladeira abaixo e se jogaram no mar. O povo do lugar não gostou do resultado e expulsou Jesus de suas terras.
Jesus está numa região de pagãos, logo tem porco por ali, na imaginação do povo da Bíblia. Você lembra que os hebreus não comiam porco e não criavam porco de jeito nenhum. Porco, para eles, era um sinal de coisa ruim, de gente que vivia longe da fé no Deus vivo.  Era símbolo dos pagãos, uma fonte de impureza. Lembra a parábola do filho pródigo? O jovem judeu que terminou no fundo do poço, empregou-se como cuidador de porcos. Foi a máxima humilhação.
Mais do que uma história, a narração quer mostrar o significado da ação libertadora de Jesus também fora do povo de Deus. Para isso, os dados da narração podem ter ficado um tanto inflacionados. Quem conta um conto, sempre aumenta um ponto. Nessa narração de São Marcos, a manada de porcos tinha mais ou menos uns dois mil porcos. A quantidade de porcos e o tanto de demônios – Legião – são elementos para sublinhar como o estrangeiro está possuído pelo mal, na mentalidade dos hebreus e seguidores de Jesus.
A primeira coisa que o texto está anunciando é que a ação salvadora de Jesus vai além do povo de Israel, atravessa as suas fronteiras e chega ao estrangeiro, aos pagãos.  A segunda coisa é que a ação de Jesus que liberta o homem de todas as amarras e opressões não é bem recebida por todo mundo. Uma sociedade má reage contra Jesus, expulsa-o.  Por exemplo, libertar pessoas das drogas. Os narcotraficantes ficam furiosos, é uma ameaça à sua economia. Libertar pessoas do analfabetismo político, tem gente que desaprova, porque se beneficia da ingenuidade das pessoas.  Denunciar a prostituição de meninas e meninos: a rede que se beneficia desse tipo de exploração reage, fica no prejuízo. Apoiar a luta do povo sem teto ou sem terra, motivo de suspeita por parte de quem se faz de surdo à gritante desigualdade social do país.  É o que está dito no texto de hoje. A população pagã daquela região viu-se prejudicada no triste fim da manada de porcos. Preferia que os demônios continuassem oprimindo aquele homem que morava no cemitério, que continuassem mandando naquela terra. Educadamente, pediram para Jesus se retirar de suas terras.
A terceira lição do texto de hoje é maravilhosa. Aquele homem liberto tornou-se um discípulo, uma testemunha do amor de Deus em sua região. Ele começou a pregar na Decápole, em toda aquela região pagã, sobre o que Jesus tinha feito por ele.
Guardando a mensagem
Jesus foi a uma região pagã e ali encontrou um homem possuído pelo demônio. Ele o libertou. Os espíritos maus se apossaram dos porcos e a manada se jogou no mar e se afogou. A ida de Jesus àquela região estrangeira demonstra o seu compromisso missionário com todos, não somente com o seu povo. Para o povo hebreu, porco era uma marca das regiões pagãs, consideradas impuras. Contando esse fato sobre a ida de Jesus a uma terra estrangeira, era natural que aparecesse porco na história. É claro que essa não é uma narração jornalística. O sentido é o que importa. Os pormenores podem não ser exatos. A reação das pessoas daquele lugar à ação de Jesus é a reação ao bem que se faz. Quem faz o bem, quase sempre encontra resistência. E a atitude do homem liberto é uma grande lição para nós. Ele tornou-se uma testemunha viva da obra redentora de Jesus, na sua própria região.
Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, em sua misericórdia (Mc 5, 19).
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Nós nos entristecemos quando procuramos fazer o bem e encontramos má vontade, resistência, oposição. Foi assim naquela região pagã que visitaste. Fizeste o bem, libertando aquele homem possuído pelo mal e liberando a estrada para o povo passar sem medo. Mas, o povo, invocando prejuízos na economia, acabou te afastando dali. Essa desculpa da economia, do dinheiro, do administrativo é motivo para muita gente resistir à tua Palavra, esquivar-se da conversão e da mudança de vida. Concede-nos, Senhor, acolher a tua santa Palavra com abertura de coração e espírito de obediência. E não desistir, quando trabalhando pelo bem dos outros, encontrarmos incompreensão, oposição, perseguição. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Você foi libertado por Jesus de muita coisa, especialmente do pecado que o afastava de Deus e dos seus semelhantes. Hoje, fale do que Jesus tem feito por você, com outras pessoas.

Pe. João Carlos Ribeiro – 04.02.2019

20180219

QUEM SERÁ QUE ESTÁ FALTANDO NESSA LISTA?

MEDITAÇÃO PARA A SEGUNDA-FEIRA, DIA 19 DE FEVEREIRO DE 2018.

Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer?  (Mt 25, 37)

Estamos fazendo juntos  o caminho da Quaresma. Já estamos no sexto dia de nossa caminhada. O foco de hoje está na caridade, uma das áreas de atenção neste tempo de penitência.

No evangelho, Mateus 25, uma cena do juízo final. Todos dispostos diante do trono do Rei em duas alas: a dos que mostraram amor pelos pequeninos e os que lhe foram indiferentes. O rei é o próprio Jesus. A surpresa é que nos pequeninos foi amado ou desprezado o próprio Senhor, o rei sentado em seu trono de glória.

Jesus sempre falou com carinho e proximidade dos pobres e sofredores deste mundo como “irmãos mais pequeninos” ou “os menores dos seus irmãos”. Ele sempre se mostrou cheio de compaixão pelos doentes, pelos desprezados, pelos leprosos, pela multidão desorientada como ovelhas sem pastor. O Deus de Israel foi sempre reconhecido como defensor dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros (os migrantes). E o amor ao próximo foi posto por Jesus ao lado do primeiro mandamento.

O texto do evangelho de hoje está construído em quatro blocos, com a repetição dos mesmos elementos. Quatro, você sabe, é um número de totalidade, é como se estivesse dizendo “está tudo aqui”. O rei disse uma coisa que surpreendeu a todos. Disse e repetiu. ‘O que vocês fizeram a um desses meus irmãos mais pequeninos, fizeram a mim”. E os irmãos mais pequeninos estão descritos: famintos, sedentos, maltrapilhos, migrantes, doentes e presos. E o prêmio para quem mostrou amor por esses irmãos: ‘Venham, benditos do meu Pai, recebam por herança o Reino que está preparando para vocês desde a fundação do mundo’. E o castigo para quem agiu diferentemente: “Afastai-vos de mim, malditos! Vão para o fogo do inferno”. Olha que coisa séria!

Esta página do evangelho é um ensinamento precioso sobre a caridade, mas tem uma grande novidade.  Uma coisa, mais ou menos, já sabíamos: O amor ao pobre, ao necessitado e ao sofredor se realiza com ações, com compromisso, com a construção de uma sociedade inclusiva, com respeito pela dignidade humana de cada um. Tudo bem. Mas, Jesus acrescentou uma grande novidade: No amor aos “irmãos mais pequeninos”, como ele os chamava, está-se amando, servindo e honrando o próprio Senhor. Jesus se sente defendido, protegido, promovido, amado quando fazemos isso aos sofredores.

Vamos guardar a mensagem

Jesus fez uma lista  de  seis tipos de necessitados: o faminto, o sedento, o estrangeiro, o nu, o doente e o preso. É uma lista simbólica de todos os sofredores. E a lista se repete quatro vezes neste texto do evangelho. O critério de julgamento de sua vida é muito simples: você ter demonstrado amor por Jesus, servindo os necessitados, mesmo sem se dar conta que era a Jesus a quem estava servindo. Só isso. Se você amou a Jesus, você tem acesso ao Reino preparado pelo Pai desde que o mundo começou. ‘Venham benditos do meu Pai!’ Se não amou Jesus nos irmãos sofredores, o final é triste. ‘Afastem-se de mim, malditos!’ No amor aos pequeninos, está-se amando o próprio Senhor.

 Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer?  (Mt 25, 37)

Vamos acolher a mensagem

Senhor Jesus,
Ajudar os pobres até que ajudamos. Somos todos sensíveis às campanhas de solidariedade, à esmola, ao socorro aos humilhados deste mundo. Ajudar os pobres não é tão difícil.
Amar os pobres, como tu o fizeste, aí já é mais difícil. Difícil, porque amar é reconhecer a grandeza daquela pessoa desfigurada pela doença, pela droga, pelo desamparo; porque amar é engajamento na conquista dos seus direitos, no compromisso cidadão por uma sociedade justa e sem violência. Amar é comprometer-se com o outro, é entrar na comunhão com ele. Aí é bem mais difícil.
Dá-nos, Senhor, que nesta quaresma, no esforço de crescimento a que somos chamados, passemos de “ajudar os pobres” para “amar os pobres”. Ilumina-nos, Senhor, com a tua Palavra para que reconheçamos nos sofredores a tua presença e neles te honremos com nosso amor, amor de irmãos pelos mais pequeninos.
Amém.
Vamos viver a palavra

Vou pedir pra você pensar um pouco e me ajudar a resolver uma questão. A lista que Jesus fez dos pequeninos tem seis categorias (famintos, sedentos, maltrapilhos, migrantes, doentes, presos). Seis é um número imperfeito, incompleto, segundo a cultura do povo da Bíblia. A conta certa seria sete, número da perfeição. Falta alguém nesta lista. Quem será que está faltando nesta lista? Gostaria que você me mandasse sua reposta por quem lhe envia a meditação. Se precisar, leia o texto de hoje em Mateus 25, 31-46. Quem será que está faltando nesta lista?

Pe. João Carlos Ribeiro – 18.02.2018

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