19 fevereiro 2018

QUEM SERÁ QUE ESTÁ FALTANDO NESSA LISTA?

MEDITAÇÃO PARA A SEGUNDA-FEIRA, DIA 19 DE FEVEREIRO DE 2018.

Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer?  (Mt 25, 37)

Estamos fazendo juntos  o caminho da Quaresma. Já estamos no sexto dia de nossa caminhada. O foco de hoje está na caridade, uma das áreas de atenção neste tempo de penitência.

No evangelho, Mateus 25, uma cena do juízo final. Todos dispostos diante do trono do Rei em duas alas: a dos que mostraram amor pelos pequeninos e os que lhe foram indiferentes. O rei é o próprio Jesus. A surpresa é que nos pequeninos foi amado ou desprezado o próprio Senhor, o rei sentado em seu trono de glória.

Jesus sempre falou com carinho e proximidade dos pobres e sofredores deste mundo como “irmãos mais pequeninos” ou “os menores dos seus irmãos”. Ele sempre se mostrou cheio de compaixão pelos doentes, pelos desprezados, pelos leprosos, pela multidão desorientada como ovelhas sem pastor. O Deus de Israel foi sempre reconhecido como defensor dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros (os migrantes). E o amor ao próximo foi posto por Jesus ao lado do primeiro mandamento.

O texto do evangelho de hoje está construído em quatro blocos, com a repetição dos mesmos elementos. Quatro, você sabe, é um número de totalidade, é como se estivesse dizendo “está tudo aqui”. O rei disse uma coisa que surpreendeu a todos. Disse e repetiu. ‘O que vocês fizeram a um desses meus irmãos mais pequeninos, fizeram a mim”. E os irmãos mais pequeninos estão descritos: famintos, sedentos, maltrapilhos, migrantes, doentes e presos. E o prêmio para quem mostrou amor por esses irmãos: ‘Venham, benditos do meu Pai, recebam por herança o Reino que está preparando para vocês desde a fundação do mundo’. E o castigo para quem agiu diferentemente: “Afastai-vos de mim, malditos! Vão para o fogo do inferno”. Olha que coisa séria!

Esta página do evangelho é um ensinamento precioso sobre a caridade, mas tem uma grande novidade.  Uma coisa, mais ou menos, já sabíamos: O amor ao pobre, ao necessitado e ao sofredor se realiza com ações, com compromisso, com a construção de uma sociedade inclusiva, com respeito pela dignidade humana de cada um. Tudo bem. Mas, Jesus acrescentou uma grande novidade: No amor aos “irmãos mais pequeninos”, como ele os chamava, está-se amando, servindo e honrando o próprio Senhor. Jesus se sente defendido, protegido, promovido, amado quando fazemos isso aos sofredores.

Vamos guardar a mensagem

Jesus fez uma lista  de  seis tipos de necessitados: o faminto, o sedento, o estrangeiro, o nu, o doente e o preso. É uma lista simbólica de todos os sofredores. E a lista se repete quatro vezes neste texto do evangelho. O critério de julgamento de sua vida é muito simples: você ter demonstrado amor por Jesus, servindo os necessitados, mesmo sem se dar conta que era a Jesus a quem estava servindo. Só isso. Se você amou a Jesus, você tem acesso ao Reino preparado pelo Pai desde que o mundo começou. ‘Venham benditos do meu Pai!’ Se não amou Jesus nos irmãos sofredores, o final é triste. ‘Afastem-se de mim, malditos!’ No amor aos pequeninos, está-se amando o próprio Senhor.

 Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer?  (Mt 25, 37)

Vamos acolher a mensagem

Senhor Jesus,
Ajudar os pobres até que ajudamos. Somos todos sensíveis às campanhas de solidariedade, à esmola, ao socorro aos humilhados deste mundo. Ajudar os pobres não é tão difícil.
Amar os pobres, como tu o fizeste, aí já é mais difícil. Difícil, porque amar é reconhecer a grandeza daquela pessoa desfigurada pela doença, pela droga, pelo desamparo; porque amar é engajamento na conquista dos seus direitos, no compromisso cidadão por uma sociedade justa e sem violência. Amar é comprometer-se com o outro, é entrar na comunhão com ele. Aí é bem mais difícil.
Dá-nos, Senhor, que nesta quaresma, no esforço de crescimento a que somos chamados, passemos de “ajudar os pobres” para “amar os pobres”. Ilumina-nos, Senhor, com a tua Palavra para que reconheçamos nos sofredores a tua presença e neles te honremos com nosso amor, amor de irmãos pelos mais pequeninos.
Amém.
Vamos viver a palavra

Vou pedir pra você pensar um pouco e me ajudar a resolver uma questão. A lista que Jesus fez dos pequeninos tem seis categorias (famintos, sedentos, maltrapilhos, migrantes, doentes, presos). Seis é um número imperfeito, incompleto, segundo a cultura do povo da Bíblia. A conta certa seria sete, número da perfeição. Falta alguém nesta lista. Quem será que está faltando nesta lista? Gostaria que você me mandasse sua reposta por quem lhe envia a meditação. Se precisar, leia o texto de hoje em Mateus 25, 31-46. Quem será que está faltando nesta lista?

Pe. João Carlos Ribeiro – 18.02.2018