Meditação da Palavra

12 junho 2017

Sal da terra

Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? (Mt 5, 13)

Estamos ouvindo, nestes dias,  o sermão da Montanha. Jesus proclama a boa notícia do Reino de Deus para o seu povo. Ele o faz como Moisés, que comunicou a Lei de Deus ao povo hebreu. Vocês são o sal da terra, disse Jesus. Para que serve o sal? Pensei aí... por que a gente usa o sal na comida?  Ele tem, pelo menos, duas funções importantíssimas: preservar e dar sabor

 A primeira função do sal é preservar. Mesmo tendo geladeira hoje, todo mundo sabe que o sal preserva a carne, por exemplo. E no tempo em que não havia geladeira, freezer, caixa de isopor, como no tempo de Jesus, o sal é quem resolvia o problema. Salgava-se a carne e o peixe para eles não apodrecerem, não se deteriorarem... E é disso que Jesus está falando: ‘Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tonar insosso, com que salgaremos?’ O cristão, presente na realidade humana da família, da escola, do trabalho, da política, da economia, influi para que essas realidades não se estraguem, não se deteriorem. É como a função do sal no alimento, na carne, no peixe. Se o cristão for um salzinho fraco, insosso... como haveremos de preservar os valores da família, por exemplo, num mundo tão descristianizado como o nosso? E os valores humanos e cristãos no mundo da cultura assediada por tanta coisa ruim, nos dias de hoje? E a honestidade e a ética nas relações sociais e na política? Cristão é sal para preservar, para a coisa não apodrecer. Essa é a primeira função do sal.


A segunda função do sal é dar sabor. Comer uma comida sem sal ou insossa não é coisa muito boa. É só ouvir a reclamação de quem tem recomendação médica de se abster o mais possível de sal por causa do coração, da pressão alta... Comida sem sal não tem gosto. O sal realça o sabor do alimento. Jesus disse: ‘Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?’. Somos sal no ambiente onde estamos: no lugar de convivência, no local de trabalho,  nos espaços de lazer. Onde estamos, somos sal, conferindo sentido às coisas, realçando o valor da pessoa humana, da fraternidade, da alegria. Se não formos cristãos pra valer, não influiremos suficientemente, não ajudaremos o mundo a ser melhor, não conferimos sabor à vida. O sal que temos para realçar o sabor da vida é nossa fé, nosso amor a Deus e ao próximo e a nossa adesão ao Evangelho do Senhor. Isso faz toda diferença. E faz de nós pessoas que trazem mais alegria e mais esperança ao mundo.
Vamos guardar a mensagem de hoje

No Sermão da Montanha, Jesus está instruindo o seu povo na nova Lei. Declarou que os seus seguidores são sal da terra e luz do mundo.  E até concluiu que se o sal não salgar, aí o negócio está perdido... O sal tem muitas propriedades. Mas, duas funções se destacam claramente: preservar e dar sabor. Somos sal ao contribuir ativamente para a preservação dos valores humanos e cristãos na cultura, no trabalho, na festa. Nossa presença, nossa palavra, nossas atitudes impedem, por exemplo, que a família seja desfigurada pelas bactérias de uma sociedade materialista que incentiva o individualismo e a falta de compromisso. Com nosso jeito de ver o mundo, com os olhos de Deus, podemos dar uma contribuição muito positiva na qualidade de vida do ser humano, valorizando a fraternidade, a comunhão, o bem comum, a justiça, o serviço aos outros. Somos sal da terra, como Jesus falou. Essa é a nossa vocação.

Senhor Jesus,

Também nos disseste, no Sermão da Montanha, que somos luz do mundo: Luz para iluminar a escuridão do erro, do ódio, do ateísmo. Com a tua luz, Senhor, somos também referência para os outros, faróis a indicar o caminho certo nesta vida. Somos ainda, contigo, Senhor, luz que aquece, que aconchega, que reúne. Que a luz que foi acesa no nosso batismo não se apague nunca em nossa vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Pe. João Carlos Ribeiro, 12.06.2017