07 fevereiro 2014

Superando preconceitos

Quantos preconceitos nos impedem de realizar o mandamento de Jesus de amar o próximo como a si mesmo?!

Vocês se lembram da parábola que Jesus contou para explicar bem o mandamento do amor ao próximo? A parábola do bom samaritano. Um homem foi assaltado e deixado semimorto. Muitos preconceitos impediam que alguém pudesse se aproximar dele para ajudá-lo. Para os judeus, as leis da pureza, ensinadas pela elite que controlava o Tempo de Jerusalém, impediam que alguém tocasse num morto. Por isso, seus irmãos judeus, embora muito religiosos, como o sacerdote e o levita, não o puderam ajudar. Passaram, viram-no e foram embora. Para os samaritanos,  também os preconceitos impediam que alguém ajudasse o cidadão assaltado e espancado: sobretudo a fobia que eles tinham contra os judeus, tidos como inimigos e hereges. E vice-versa.

Foi precisamente vencendo todos os preconceitos, que o samaritano aproximou-se do judeu semimorto e o ajudou. Curou-lhe as feridas, levou-o para uma hospedaria e pagou pelos cuidados que lhe seriam dispensados. Para ele, não contou que o socorrido fosse um judeu, um estrangeiro, um herege voltando de uma romaria. Contou que ele precisava de sua ajuda, do seu apoio, do seu tempo, do seu prestígio de comerciante, do seu dinheiro. Empenhou tudo, serviu com tudo que ele era e tinha. Esqueceu os preconceitos, não viu mais o inimigo, o estrangeiro, o de outra religião. Viu o irmão precisando de ajuda.

Jesus estava contando isso aos fariseus, uma gente cheia de preconceitos... que discriminava os samaritanos como hereges, os estrangeiros como impuros, os leprosos como amaldiçoados por Deus; gente que desprezava os cobradores de impostos como traidores e os pobres como ignorantes da Lei; gente mesquinha que se achava santa demais, em detrimento dos outros que eles julgavam pecadores, não praticantes da religião, indignos e desprezíveis. Sua autoestima desclassificava as mulheres, as crianças, os doentes, os presos, os doentes mentais...

Os fariseus de ontem continuam nos fariseus de hoje, sobretudo em nós. Quando alcançamos um pouco mais de estudo, olhamos para trás e classificamos de ignorantes, analfabetos, burros os que não tiveram as mesmas oportunidades que nós. Quando olhamos para as mulheres no volante, já calculamos que vão fazer "barbeiragem". Somos os mesmo fariseus. Quando olhamos para um menino pobre na rua, o coração dispara como se estivesse na frente de um perverso inimigo. E é apenas uma criança. Quando do alto de nossa espiritualidade e da agenda repleta de compromissos pastorais, olhamos para a simplicidade da fé das pessoas que nos cercam e balançamos a cabeça imaginando-as gente sem instrução religiosa, gente sem Deus, gente precisando de conversão. Os fariseus de ontem continuam nos fariseus de hoje. Em nós.

Os nossos preconceitos não nos permitem enxergar homens e mulheres destruídos olhando a vida passar nas grades de uma penitenciária. Nossos preconceitos não enxergam gente que precisa de apoio e compreensão por trás da máscara hilariante de um travesti. Nossos preconceitos só enxergam invasores, lá onde pais de famílias desesperados, pelo desemprego, pela fome, pela inércia do poder público lutam por reforma agrária.

O samaritano passou por cima de todos os preconceitos que a sua sociedade lhe tinha ensinado contra os judeus. Olhou e viu um irmão precisando de ajuda. Não viu nem o judeu, nem o inimigo, nem o herege. Viu o próximo. E o serviu, com tudo o que tinha e com tudo que era. Vamos viver essa palavra de Jesus.  Não dá pra gente continuar sendo fariseu, movido a preconceito.

Pe. João Carlos Ribeiro 
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