Mostrando postagens com marcador amor ao próximo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor ao próximo. Mostrar todas as postagens

23 fevereiro 2018

VAI PRIMEIRO RECONCILIAR-TE COM O TEU IRMÃO


MEDITAÇÃO PARA A SEXTA-FEIRA, DIA 23 DE FEVEREIRO DE 2018.
Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo (Mt 5, 22)
Neste 10º dia da Quaresma, mais um passo para nosso crescimento cristão: a caridade em nossa convivência. O respeito, a paciência, a reconciliação. Nunca a violência. Nem de palavras, nem de atitudes, nem de armas.
O evangelho de hoje é uma página do Sermão da Montanha. Jesus está orientando os discípulos sobre como se comportarem e se conduzirem na vida. Neste ponto, ele está comentando o alcance do mandamento “Não Matar”. Aos antigos, foi dada esta lei. “Não matar. Quem matar será condenado pelo tribunal”. A nova lei de Jesus, ou melhor, o modo novo de ver a antiga lei, é ainda mais exigente. Matar é o extremo. Mas, a morte do outro começa com golpes aparentemente leves: a indiferença, a desconsideração, o desprezo, o preconceito, a ação movida pela cólera. A ofensa a Deus e ao próximo não é só matar com uma arma de fogo ou uma arma branca ou química. Há outras formas de matar aos poucos, igualmente repudiáveis: o bullying, a difamação, a intolerância, a discriminação. A lei do Evangelho exige mais do que o simples mandamento “Não matar”. Inclui também não desqualificar seres humanos, considerando-os burros, ignorantes, incapazes. Essas também são formas de violência e de morte.
Para ser réu de juízo, nem precisa chegar a homicídio, aborto, eutanásia, feminicídio, ou coisa parecida. Já vira réu quem se encolerizar com seu irmão, ensinou Jesus. Encolerizar-se com o irmão é agir movido pela raiva, pela cólera. Quando alguém se deixa tomar pela raiva, acaba magoando, machucando, agindo com violência e sentimentos de vingança. A ação movida pela cólera é impensada, violenta, cega. É melhor se acalmar no momento para não ter que amargar um arrependimento depois.  Quando a raiva vier, é preciso parar, respirar, deixar baixar a poeira. Assim, a ação que vier será menos impulsiva e poderá mais facilmente ser pautada por respeito, consideração e disposição para a reconciliação. Isso, sim, é digno de um cristão.
Vamos guardar a mensagem
O mandamento é “Não Matar”. Ele continua valendo. Mas, o evangelho alarga a sua compreensão. Segundo a explicação de Jesus, não se trata apenas de não tirar a vida do próximo, mas também de não se encolerizar com ele, não desqualificá-lo, destratá-lo, humilhá-lo. O esforço de tratar bem os outros, em todas as situações, se harmoniza com a busca de reconciliação. E essa é uma condição para o culto a Deus. Jesus orientou claramente: “Deixa a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão”. O ensinamento de hoje nos põe em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano, sobre a superação da violência. Somos construtores de fraternidade, controlando em nós o impulso da ira, a tentação da indiferença, a violência do preconceito.
Todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo (Mt 5, 22)
Vamos acolher a mensagem
Senhor Jesus,
Vivemos em um mundo de muitos desencontros. Facilmente nos contrariamos, ficamos com raiva, nos frustramos, nos decepcionamos ou decepcionamos os outros. Às vezes, nossa reação é movida pela raiva, pela cólera, pelo ódio. E sabemos que esses sentimentos são fonte de violência em nossa convivência. Hoje, recordamos o que disseste sobre o mandamento de Deus. ‘Não matar’ não é só tirar a vida dos outros, mas também não ofendê-los em sua dignidade, desprezá-los, difamá-los. As palavras também são armas mortais. Senhor, ajuda-nos a viver no meio das dificuldades da vida com serenidade e fortaleza. Que aprendamos a defender nossos direitos ou nossos pontos de vista, sem agredir ou insultar aqueles que não somam com nosso modo de ver. Que em toda e qualquer contrariedade, sejamos iluminados por tua palavra e por tua mansidão. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos praticar a palavra
Faça um esforço, hoje, de aproximar-se de quem parece manter uma certa reserva ou distância de você. E para se fortalecer no caminho do evangelho reze muitas vezes, hoje: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

Pe. João Carlos Ribeiro – 22.02.2018

25 agosto 2017

OS DOIS MANDAMENTOS

Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? (Mt 22, 36)
No tempo de Jesus, havia grupos religiosos muito influentes no meio do seu povo. Um desses grupos era o dos fariseus. Eles formavam uma grande confraria que era formada exclusivamente por homens e seus adeptos estavam espalhados por todas as comunidades. Eles eram reconhecidos como fieis cumpridores da Lei de Moisés, das normas religiosas que estavam escritas e das que se conheciam oralmente. Por serem assim tão praticantes da Lei, os fariseus discriminavam as outras pessoas que lhes pareciam relaxadas, ignorantes, pecadoras. Uma parte dos fariseus dedicava-se ao estudo das Escrituras Sagradas. Estes se tornavam mestres ou doutores da Lei, ensinando ou pregando a Lei nas sinagogas ou no Templo.
Claro, esse grupo dos fariseus não se batia bem com Jesus. Eles achavam Jesus um relaxado, um mau cumpridor da Lei de Moisés. Aborreciam-se muito porque Jesus curava em dia de sábado, acusando Jesus de estar profanando o dia santo. Outra crítica era porque Jesus frequentava a casa de gente tida como pecadora, como os cobradores de impostos. Na verdade, eles não engoliam aquela intimidade que Jesus demonstrava com Deus e a sua pregação sobre o Reino. Também não suportavam aquela atenção especial que Jesus dava aos pobres, aos sofredores, aos marginalizados. Mais tarde se uniriam a outros grupos poderosos e passariam a fazer parte de um complô, visando a prisão e a morte de Jesus.
Um dia, vieram com uma pergunta para o lado de Jesus. Claro, eles não estavam querendo tirar uma dúvida. Queriam encontrar motivos para condenar Jesus diante do povo, para apontá-lo como um infiel, um herege. A pergunta era simples e já era um dos temas de debate nas reuniões dos mestres e doutores da Lei. De todas as Leis Sagradas, escritas e orais, qual era a mais importante? Essa pergunta era importante na vida religiosa do povo eleito e eles já sabiam a resposta. A resposta já estava na oração diária de todo judeu daquele tempo, conforme está no Livro do Deuteronômio, a oração do Shemá (Ouve, ó Israel, o Senhor teu Deus é o único Senhor....e assim vai). Jesus respondeu com as palavras da oração do Shemá: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento”. E concluiu: esse é o maior e o primeiro mandamento.
E Jesus completou a resposta sobre o maior mandamento. Disse que havia outro mandamento semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’, o segundo mandamento. Em outras partes da Escritura, já estava esse mandamento do amor ao próximo. Mas, Jesus juntou os dois,  dizendo que eles resumem toda a Escritura (a Lei e os Profetas). Um ensinamento de Mestre. Os fariseus ficaram quietos, calados.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Os fariseus, para arrumar problema, perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento da Lei. O maior mandamento já estava na oração diária deles, o Shemá. Jesus disse, com as palavras da oração, que o maior mandamento era amar a Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todo entendimento. E, completou dizendo que esse grande amor encontra sua contrapartida no amor ao próximo. Como escreveu depois o evangelista João em uma de suas cartas, amar a Deus sem amar o próximo, é uma mentira. Adorar a Deus sem defender e servir os sofredores é uma contradição.

10 julho 2016

Vá e faça a mesma coisa

Eu já andava desconfiado que o bom samaritano do evangelho fosse Jesus. Agora, já não tenho mais dúvidas.

Bom, Jesus contou a história do bom samaritano (Lc 10). Um peregrino caiu nas mãos de assaltantes na estrada. Além de assalta-lo, eles o espancaram muito. Jesus fez questão de dizer que eles “foram embora, deixando-o quase morto”. Três pessoas passaram por aquele mesmo caminho. Os dois primeiros, homens da religião de Israel, viram e foram embora. Você escutou? - “foram embora!”. A falta deles – a omissão de socorro – está quase no mesmo nível dos assaltantes, pois foram embora também, indiferentes à sorte daquela vítima.