BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO: Mc 2
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O sábado foi feito para o homem.



   20 de janeiro de 2026   

Terça-feira da 2ª Semana do Tempo Comum

Dia de São Sebastião, mártir



   Evangelho.  


Mc 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

   Meditação.  


O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Outro dia, dedicamos dois programas, no rádio, a uma conversa sobre o desemprego. É verdade que o desemprego diminuiu bastante no país, nos últimos anos, graças a Deus. Mas, ouvimos relatos dolorosos. Gente desempregada há bastante tempo, gente perdendo a esperança, gente passando necessidade. Diante dessa situação, as pessoas se viram como podem, com a ajuda de parentes, a caridade de desconhecidos e muito espírito de iniciativa. Uma grande maioria sobrevive no mercado informal, sai vendendo alguma coisa de porta em porta ou batalha algum trocado como camelô pelas ruas. Quando não pode mais pagar aluguel, fica pela rua mesmo ou ocupa algum imóvel fechado ou constrói um barraco na beira de um canal. No aperto, empurra o filho adolescente para vender alguma coisa no semáforo ou farol de uma avenida ou ser flanelinha em algum lugar. É, o desemprego é um drama pra todo mundo, mas para a família pobre é uma verdadeira tragédia.

Diante da lei, essa família está cometendo graves irregularidades. No comércio informal, não recolhe impostos e atrapalha a atividade dos comerciantes estabelecidos. A fiscalização da Prefeitura e os lojistas estão de olho no camelô. Na moradia, é um invasor de propriedade privada. Mais cedo ou mais tarde a justiça, a polícia e a prefeitura vão chegar lá, nem sempre com bons modos. No cruzamento ou nas ruas, a sociedade olha com desconfiança o flanelinha e já o julga um trombadinha, um marginal, quem sabe, um traficante. No aperto da família pobre, a lei e a sociedade os condenam.

Os fariseus estavam de olho nos discípulos de Jesus. Essa turminha era vista com reserva e desconfiança. Eles não jejuavam como os discípulos piedosos de outros mestres. Não se mantinham separados, evitando contato com gente reconhecidamente pecadora. Não guardavam o sábado, com o respeito e a seriedade que ele merecia. Afinal, mal cumpridores da Lei. No texto de hoje, os fariseus vão tomar satisfação com Jesus. “Num dia de sábado, em que não se pode trabalhar por respeito à Lei de Deus, os teus discípulos vem pelo caminho, arrancando espigas de trigo para comer”. Por que eles fazem uma coisa dessas num dia de sábado, violando a lei?

Jesus foi claro. Eles estavam com fome. A necessidade da pessoa humana interpela a norma, a regra, a lei. A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. Aí Jesus lembrou um episódio do Antigo Testamento. Davi e seus guerreiros, com fome, chegaram ao Santuário e comeram os pães exclusivos dos sacerdotes. Na necessidade, agiram acima da lei. O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.





Guardando a mensagem

O camelô não é um fora da lei. O ocupante não é invasor mal intencionado. O flanelinha não é um marginal. A lei é que precisa se adaptar à sua realidade, à sua fome, à necessidade premente de sobrevivência. Aliás, a situação de desemprego e abandono social não foi criada pelos marginalizados. A lei deve estar aí para assegurar oportunidades para todos. O pobre não merece cadeia porque está “arrancando espigas em dia de sábado”. Merece emprego, moradia digna, escola integral para os seus filhos.

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste aos fariseus que o “o filho do homem é senhor também do sábado”. Falavas de ti mesmo; e do sábado, que era uma lei civil e religiosa, ao mesmo tempo. És o senhor também do sábado. Teu evangelho nos liberta de uma interpretação da lei que desconheça a necessidade do outro. Estás nos ensinando que a situação de carência e sofrimento deve ser a primeira inspiração da lei. As leis, as normas, as regras, nós as estabelecemos para garantir a justiça, o direito, a segurança, a boa convivência. Elas estão a serviço do homem. Podem ser revistas e modificadas, se se tornarem instrumento de opressão ou quando não respeitarem as pessoas em suas reais condições. Obrigado, Senhor, por dares à pessoa humana o primeiro lugar, por nos ensinares a viver com respeito e liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
 
Vivendo a palavra

Quem sabe, hoje, você não veja na rua ou no noticiário alguma situação em que a pessoa humana necessite ser respeitada, acima de qualquer regra estabelecida!

Comunicando

Estamos preparando um Retiro de Carnaval com jovens e adultos. Será em Jaboatão, área metropolitano do Recife, de 15 a 18 de fevereiro, na Casa de Encontros dos Salesianos. A proposta é ser um retiro leve, com muita convivência e muita oração. Precisando de mais informações, visite o portal www.salesianos.org.br.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb





Olhe pro seu irmão sempre com respeito.





   21 de janeiro de 2025   

Terça-feira da 2ª Semana do Tempo Comum

Dia de Santa Inês, virgem e mártir



   Evangelho.   


Mc 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

   Meditação.   


O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Outro dia, dedicamos dois programas, no rádio, a uma conversa sobre o desemprego. É verdade que o desemprego diminuiu bastante no país, nos últimos anos, graças a Deus. Mas, ouvimos relatos dolorosos. Gente desempregada há bastante tempo, gente perdendo a esperança, gente passando necessidade. Diante dessa situação, as pessoas se viram como podem, com a ajuda de parentes, a caridade de desconhecidos e muito espírito de iniciativa. Uma grande maioria sobrevive no mercado informal, sai vendendo alguma coisa de porta em porta ou batalha algum trocado como camelô pelas ruas. Quando não pode mais pagar aluguel, fica pela rua mesmo ou ocupa algum imóvel fechado ou constrói um barraco na beira de um canal. No aperto, empurra o filho adolescente para vender alguma coisa no semáforo ou farol de uma avenida ou ser flanelinha em algum lugar. É, o desemprego é um drama pra todo mundo, mas para a família pobre é uma verdadeira tragédia.

Diante da lei, essa família está cometendo graves irregularidades. No comércio informal, não recolhe impostos e atrapalha a atividade dos comerciantes estabelecidos. A fiscalização da Prefeitura e os lojistas estão de olho no camelô. Na moradia, é um invasor de propriedade privada. Mais cedo ou mais tarde a justiça, a polícia e a prefeitura vão chegar lá, nem sempre com bons modos. No cruzamento ou nas ruas, a sociedade olha com desconfiança o flanelinha e já o julga um trombadinha, um marginal, quem sabe, um traficante. No aperto da família pobre, a lei e a sociedade os condenam.

Os fariseus estavam de olho nos discípulos de Jesus. Essa turminha era vista com reserva e desconfiança. Eles não jejuavam como os discípulos piedosos de outros mestres. Não se mantinham separados, evitando contato com gente reconhecidamente pecadora. Não guardavam o sábado, com o respeito e a seriedade que ele merecia. Afinal, mal cumpridores da Lei. No texto de hoje, os fariseus vão tomar satisfação com Jesus. “Num dia de sábado, em que não se pode trabalhar por respeito à Lei de Deus, os teus discípulos vem pelo caminho, arrancando espigas de trigo para comer”. Por que eles fazem uma coisa dessas num dia de sábado, violando a lei?

Jesus foi claro. Eles estavam com fome. A necessidade da pessoa humana interpela a norma, a regra, a lei. A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. Aí Jesus lembrou um episódio do Antigo Testamento. Davi e seus guerreiros, com fome, chegaram ao Santuário e comeram os pães exclusivos dos sacerdotes. Na necessidade, agiram acima da lei. O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.




Guardando a mensagem

O camelô não é um fora da lei. O ocupante não é invasor mal intencionado. O flanelinha não é um marginal. A lei é que precisa se adaptar à sua realidade, à sua fome, à necessidade premente de sobrevivência. Aliás, a situação de desemprego e abandono social não foi criada pelos marginalizados. A lei deve estar aí para assegurar oportunidades para todos. O pobre não merece cadeia porque está “arrancando espigas em dia de sábado”. Merece emprego, moradia digna, escola integral para os seus filhos.

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste aos fariseus que o “o filho do homem é senhor também do sábado”. Falavas de ti mesmo; e do sábado, que era uma lei civil e religiosa, ao mesmo tempo. És o senhor também do sábado. Teu evangelho nos liberta de uma interpretação da lei que desconheça a necessidade do outro. Estás nos ensinando que a situação de carência e sofrimento deve ser a primeira inspiração da lei. As leis, as normas, as regras, nós as estabelecemos para garantir a justiça, o direito, a segurança, a boa convivência. Elas estão a serviço do homem. Podem ser revistas e modificadas, se se tornarem instrumento de opressão ou quando não respeitarem as pessoas em suas reais condições. Obrigado, Senhor, por dares à pessoa humana o primeiro lugar, por nos ensinares a viver com respeito e liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
 
Vivendo a palavra

Quem sabe, hoje, você não veja na rua ou no noticiário alguma situação em que a pessoa humana necessite ser respeitada, acima de qualquer regra estabelecida!

Comunicando

Já lhe falei do Retiro de Carnaval que estamos preparando? Está tudo bem explicado em www.salesianos.org.br/retirodecarnaval. Mais informações, solicite no Whatsapp 81 99964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb






Você foi convidado(a)?

   



   18 de janeiro de 2025.   

Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mc 2,13-17

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu.
15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?”
17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

   Meditação.   


Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Eu queria saber se você gosta de coalhada. E que tal leite ou queijo de cabra? Ah... É que eu ia convidar você para um jantar na casa de uma pessoa muito especial, na casa de Seu Levi... Mas, de frutas você gosta? Talvez lá sirvam frutas secas como tâmara, uva-passa, figo... Pão integral feito em casa vai ter na mesa, com certeza. E, claro, é possível que sirvam vinho. Um conselho: ponha água no seu vinho, porque é meio grosseiro, muito forte. Mas, é gostoso. Então, está feito o convite. Jantar, hoje, na casa de Seu Levi. Quem vai estar lá? Além de você? Ah, lá vai estar um convidado muito especial: Jesus. Ah, que bom, então você vai! Ótimo.

É o seguinte. Jesus chamou Seu Levi para fazer parte do grupo dele. Seu Levi é empregado na coletoria de impostos, aqui em Cafarnaum, mas largou tudo para andar com Jesus. E hoje, Jesus vai jantar na casa dele. E ele está convidando os amigos para estarem lá. Vai ter um bocado de gente. Jesus, com certeza, vai com o grupo dele. Agora, como você também vai, eu preciso lhe dar umas dicas para você se ambientar melhor. Você sabe, já começam as críticas contra Jesus. Pode ser que alguém, sentado perto de você, faça alguma insinuação maldosa contra o Mestre. Por isso, eu queria lhe passar algumas informações. É bom pra você depois não ficar com a mente confusa ou até mesmo você ter condições de defender Jesus dessas línguas ferinas.

O que você precisa saber é o seguinte. Seu Levi é um cobrador de impostos. Bom, isso você já sabe. O cobrador de impostos não é bem visto por aqui. E eu lhe digo o porquê. Eles cobram o imposto para os dominadores romanos. Cobrar o imposto é tratá-los como um povo dominado pelos estrangeiros, a quem devem entregar boa parte do fruto do seu trabalho. No fundo, os cobradores de impostos são colaboradores dos romanos. Além do mais, os romanos são pagãos, com quem os hebreus não deviam ter nenhuma amizade. Então, com certeza, você vai encontrar pessoas que estão estranhando essa aproximação entre Jesus e Levi. E, pior, Levi convidou seus amigos cobradores de impostos para estarem lá também. Os fariseus não vão perdoar isso. Os cobradores de impostos são tidos como pecadores. Vai rolar muita crítica. Mas, não vá se assustar com isso.

Repare só a cabeça das pessoas aqui: elas não querem se misturar com pecadores. Todo o povo na Palestina pensa assim. Tem os que praticam a Lei, a Lei de Moisés. Esses são os justos. E tem os que fazem tudo errado, são os pecadores. Justo não deve se misturar com pecador. Jesus não devia ser amigo de cobradores de impostos. Mesa, mesa é coisa sagrada. Um justo não pode comer com um pecador. Um hebreu não pode comer com um pagão. A mesa é um sinal de amizade. O povo de Deus não tem comunhão de mesa com os pagãos ou com os pecadores. Se você entendeu isso, você vai entender alguma crítica que você venha a escutar hoje, no jantar, na casa de seu Levi.

Com certeza, alguém vai olhar pra você de cara feia e vai lhe perguntar: Por que ele come com os cobradores de impostos e com os pecadores? ... Veja lá o que você vai responder.




Guardando a mensagem

Jesus chamou um cobrador de impostos para ser seu discípulo. Esse foi Levi, chamado depois de Mateus. O chamado de Jesus já foi uma surpresa, porque mostrou uma nova mentalidade, sem discriminação, nem preconceitos. A resposta de Levi foi também surpreendente: aceitou imediatamente o convite de Jesus e deixou tudo para segui-lo. No jantar em sua casa, houve muitas críticas sobre essa aproximação de Jesus com os pecadores. Jesus deu uma razão muito simples: só quem está doente é que precisa de médico. Nós vivemos num mundo que se acha muito liberal, mas nos movemos no meio de muitos preconceitos. Pelo preconceito, excluímos as pessoas, desrespeitamos sua dignidade e seus direitos. É hora de aprender com Jesus a incluir, a integrar, a defender quem foi marginalizado, a viver com outra lógica.

Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
fechando o coração, como os fariseus, nós perdemos a novidade que vem de tuas ações e de tuas palavras, do teu evangelho. Dá-nos, Senhor, que a novidade do Reino que tu inauguraste neste mundo, com um novo olhar e com novas atitudes, encontre abrigo em nossos corações e nos capacite a também sermos construtores de novas relações e de uma nova sociedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Se você tiver o seu diário espiritual, o seu caderno de anotações, responda lá à pergunta que lhe fizeram no jantar na casa de Levi: Por que ele come com os pecadores? Não tendo o caderno, escreva a resposta em outro lugar.

Comunicando

E hoje faço show na Festa de são Sebastião, em Chã do Rocha, município de Orobó, PE. Amanhã, nos unimos às celebrações dos 35 anos da Obra de Maria, na Arena Pernambuco. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Viver com respeito e liberdade.



   16 de janeiro de 2024.   

Terça-feira da 2ª Semana do Tempo Comum



   Evangelho.   


Mc 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

   Meditação.   


O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Outro dia, dedicamos dois programas, no rádio, a uma conversa sobre o desemprego. Ouvimos relatos dolorosos. Gente desempregada há bastante tempo, gente perdendo a esperança, gente passando necessidade. Diante dessa situação, as pessoas se viram como podem, com a ajuda de parentes, a caridade de desconhecidos e muito espírito de iniciativa. Uma grande maioria sobrevive no mercado informal, sai vendendo alguma coisa de porta em porta ou batalha algum trocado como camelô pelas ruas. Quando não pode mais pagar aluguel, fica pela rua mesmo ou ocupa algum imóvel fechado ou constrói um barraco na beira de um canal. No aperto, empurra o filho adolescente para vender alguma coisa no semáforo ou farol de uma avenida ou ser flanelinha em algum lugar. É, o desemprego é um drama pra todo mundo, mas para a família pobre é uma verdadeira tragédia.

Diante da lei, essa família está cometendo graves irregularidades. No comércio informal, não recolhe impostos e atrapalha a atividade dos comerciantes estabelecidos. A fiscalização da Prefeitura e os lojistas estão de olho no camelô. Na moradia, é um invasor de propriedade privada. Mais cedo ou mais tarde a justiça, a polícia e a prefeitura vão chegar lá, nem sempre com bons modos. No cruzamento ou nas ruas, a sociedade olha com desconfiança o flanelinha e já o julga um trombadinha, um marginal, quem sabe, um traficante. No aperto da família pobre, a lei e a sociedade os condenam.

Os fariseus estavam de olho nos discípulos de Jesus. Essa turminha era vista com reserva e desconfiança. Eles não jejuavam como os discípulos piedosos de outros mestres. Não se mantinham separados, evitando contato com gente reconhecidamente pecadora. Não guardavam o sábado, com o respeito e a seriedade que ele merecia. Afinal, mal cumpridores da Lei. No texto de hoje, os fariseus vão tomar satisfação com Jesus. “Num dia de sábado, em que não se pode trabalhar por respeito à Lei de Deus, os teus discípulos vem pelo caminho, arrancando espigas de trigo para comer”. Por que eles fazem uma coisa dessas num dia de sábado, violando a lei?

Jesus foi claro. Eles estavam com fome. A necessidade da pessoa humana interpela a norma, a regra, a lei. A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. Aí Jesus lembrou um episódio do Antigo Testamento. Davi e seus guerreiros, com fome, chegaram ao Santuário e comeram os pães exclusivos dos sacerdotes. Na necessidade, agiram acima da lei. O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.



Guardando a mensagem

O camelô não é um fora da lei. O ocupante não é invasor mal intencionado. O flanelinha não é um marginal. A lei é que precisa se adaptar à sua realidade, à sua fome, à necessidade premente de sobrevivência. Aliás, a situação de desemprego e abandono social não foi criada pelos marginalizados. A lei deve estar aí para assegurar oportunidades para todos. O pobre não merece cadeia porque está “arrancando espigas em dia de sábado”. Merece emprego, moradia digna, escola integral para os seus filhos.

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste aos fariseus que o “o filho do homem é senhor também do sábado”. Falavas de ti mesmo; e do sábado, que era uma lei civil e religiosa, ao mesmo tempo. És o senhor também do sábado. Teu evangelho nos liberta de uma interpretação da lei que desconheça a necessidade do outro. Estás nos ensinando que a situação de carência e sofrimento deve ser a primeira inspiração da lei. As leis, as normas, as regras, nós as estabelecemos para garantir a justiça, o direito, a segurança, a boa convivência. Elas estão a serviço do homem. Podem ser revistas e modificadas, se se tornarem instrumento de opressão ou quando não respeitarem as pessoas em suas reais condições. Obrigado, Senhor, por dares à pessoa humana o primeiro lugar, por nos ensinares a viver com respeito e liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
 
Vivendo a palavra

Quem sabe, hoje, você não veja na rua ou no noticiário alguma situação em que a pessoa humana necessite ser respeitada, acima de qualquer regra estabelecida!

Comunicando

Deixo aqui o meu muito obrigado a você que rezou por nossa missão ou nos acompanhou, ontem, na Santa Missa de Ação de Graças pelos 10 anos do Programa Tempo de Paz. Você sabe, todos somos responsáveis pela missão: levar a todos, o testemunho sobre Jesus. Faça bem a sua parte. 

O aplicativo da Rádio Amanhecer está de cara nova. Aproveite para baixá-lo no seu celular. E acompanhar a nossa programação religiosa 24 horas. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Aceita o convite para um jantar?

  



   13 de janeiro de 2024.   

Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mc 2,13-17

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu.
15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?”
17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

   Meditação.   


Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Eu queria saber se você gosta de coalhada. E que tal leite ou queijo de cabra? Ah... É que eu ia convidar você para um jantar na casa de uma pessoa muito especial, na casa de Seu Levi... Mas, de frutas você gosta? Talvez lá sirvam frutas secas como tâmara, uva-passa, figo... Pão integral feito em casa vai ter na mesa, com certeza. E, claro, é possível que sirvam vinho. Um conselho: ponha água no seu vinho, porque é meio grosseiro, muito forte. Mas, é gostoso. Então, está feito o convite. Jantar, hoje, na casa de Seu Levi. Quem vai estar lá? Além de você? Ah, lá vai estar um convidado muito especial: Jesus. Ah, que bom, então você vai! Ótimo.

É o seguinte. Jesus chamou Seu Levi para fazer parte do grupo dele. Seu Levi é empregado na coletoria de impostos, aqui em Cafarnaum, mas largou tudo para andar com Jesus. E hoje, Jesus vai jantar na casa dele. E ele está convidando os amigos para estarem lá. Vai ter um bocado de gente. Jesus, com certeza, vai com o grupo dele. Agora, como você também vai, eu preciso lhe dar umas dicas para você se ambientar melhor. Você sabe, já começam as críticas contra Jesus. Pode ser que alguém, sentado perto de você, faça alguma insinuação maldosa contra o Mestre. Por isso, eu queria lhe passar algumas informações. É bom pra você depois não ficar com a mente confusa ou até mesmo você ter condições de defender Jesus dessas línguas ferinas.

O que você precisa saber é o seguinte. Seu Levi é um cobrador de impostos. Bom, isso você já sabe. O cobrador de impostos não é bem visto por aqui. E eu lhe digo o porquê. Eles cobram o imposto para os dominadores romanos. Cobrar o imposto é tratá-los como um povo dominado pelos estrangeiros, a quem devem entregar boa parte do fruto do seu trabalho. No fundo, os cobradores de impostos são colaboradores dos romanos. Além do mais, os romanos são pagãos, com quem os hebreus não deviam ter nenhuma amizade. Então, com certeza, você vai encontrar pessoas que estão estranhando essa aproximação entre Jesus e Levi. E, pior, Levi convidou seus amigos cobradores de impostos para estarem lá também. Os fariseus não vão perdoar isso. Os cobradores de impostos são tidos como pecadores. Vai rolar muita crítica. Mas, não vá se assustar com isso.

Repare só a cabeça das pessoas aqui: elas não querem se misturar com pecadores. Todo o povo na Palestina pensa assim. Tem os que praticam a Lei, a Lei de Moisés. Esses são os justos. E tem os que fazem tudo errado, são os pecadores. Justo não deve se misturar com pecador. Jesus não devia ser amigo de cobradores de impostos. Mesa, mesa é coisa sagrada. Um justo não pode comer com um pecador. Um hebreu não pode comer com um pagão. A mesa é um sinal de amizade. O povo de Deus não tem comunhão de mesa com os pagãos ou com os pecadores. Se você entendeu isso, você vai entender alguma crítica que você venha a escutar hoje, no jantar, na casa de seu Levi.

Com certeza, alguém vai olhar pra você de cara feia e vai lhe perguntar: Por que ele come com os cobradores de impostos e com os pecadores? ... Veja lá o que você vai responder.




Guardando a mensagem

Jesus chamou um cobrador de impostos para ser seu discípulo. Esse foi Levi, chamado depois de Mateus. O chamado de Jesus já foi uma surpresa, porque mostrou uma nova mentalidade, sem discriminação, nem preconceitos. A resposta de Levi foi também surpreendente: aceitou imediatamente o convite de Jesus e deixou tudo para segui-lo. No jantar em sua casa, houve muitas críticas sobre essa aproximação de Jesus com os pecadores. Jesus deu uma razão muito simples: só quem está doente é que precisa de médico. Nós vivemos num mundo que se acha muito liberal, mas nos movemos no meio de muitos preconceitos. Pelo preconceito, excluímos as pessoas, desrespeitamos sua dignidade e seus direitos. É hora de aprender com Jesus a incluir, a integrar, a defender quem foi marginalizado, a viver com outra lógica.

Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
fechando o coração, como os fariseus, nós perdemos a novidade que vem de tuas ações e de tuas palavras, do teu evangelho. Dá-nos, Senhor, que a novidade do Reino que tu inauguraste neste mundo, com um novo olhar e com novas atitudes, encontre abrigo em nossos corações e nos capacite a também sermos construtores de novas relações e de uma nova sociedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Se você tiver o seu diário espiritual, o seu caderno de anotações, responda lá à pergunta que lhe fizeram no jantar na casa de Levi: Por que ele come com os pecadores? Não tendo o caderno, escreva a resposta em outro lugar.

Comunicando

Estamos na Semana de Aniversário do nosso Programa de rádio Tempo de Paz. Segunda-feira próxima, dia 15, teremos a Missa de Ação de Graças, transmitida pelas Rádios Parceiras. A Missa será na Basílica Salesiana do Sagrado Coração, no Recife, às 9 horas da manhã. 

Até amanhã, se Deus quiser.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

"O sábado foi feito para o homem" - o que isso significa

 


17 de janeiro de 2023

Memória de Santo Antão, Abade

EVANGELHO


Mc 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

MEDITAÇÃO


O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Outro dia, dedicamos dois programas, no rádio, a uma conversa sobre o desemprego. Ouvimos relatos dolorosos. Gente desempregada há bastante tempo, gente perdendo a esperança, gente passando necessidade. Diante dessa situação, as pessoas se viram como podem, com a ajuda de parentes, a caridade de desconhecidos e muito espírito de iniciativa. Uma grande maioria sobrevive no mercado informal, sai vendendo alguma coisa de porta em porta ou batalha algum trocado como camelô pelas ruas. Quando não pode mais pagar aluguel, fica pela rua mesmo ou ocupa algum imóvel fechado ou constrói um barraco na beira de um canal. No aperto, empurra o filho adolescente para vender alguma coisa no semáforo ou farol de uma avenida ou ser flanelinha em algum lugar. É, o desemprego é um drama pra todo mundo, mas para a família pobre é uma verdadeira tragédia.

Diante da lei, essa família está cometendo graves irregularidades. No comércio informal, não recolhe impostos e atrapalha a atividade dos comerciantes estabelecidos. A fiscalização da Prefeitura e os lojistas estão de olho no camelô. Na moradia, é um invasor de propriedade privada. Mais cedo ou mais tarde a justiça, a polícia e a prefeitura vão chegar lá, nem sempre com bons modos. No cruzamento ou nas ruas, a sociedade olha com desconfiança o flanelinha e já o julga um trombadinha, um marginal, quem sabe, um traficante. No aperto da família pobre, a lei e a sociedade os condenam.

Os fariseus estavam de olho nos discípulos de Jesus. Essa turminha era vista com reserva e desconfiança. Eles não jejuavam como os discípulos piedosos de outros mestres. Não se mantinham separados, evitando contato com gente reconhecidamente pecadora. Não guardavam o sábado, com o respeito e a seriedade que ele merecia. Afinal, mal cumpridores da Lei. No texto de hoje, os fariseus vão tomar satisfação com Jesus. “Num dia de sábado, em que não se pode trabalhar por respeito à Lei de Deus, os teus discípulos vem pelo caminho, arrancando espigas de trigo para comer”. Por que eles fazem uma coisa dessas num dia de sábado, violando a lei?

Jesus foi claro. Eles estavam com fome. A necessidade da pessoa humana interpela a norma, a regra, a lei. A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. Aí Jesus lembrou um episódio do Antigo Testamento. Davi e seus guerreiros, com fome, chegaram ao Santuário e comeram os pães exclusivos dos sacerdotes. Na necessidade, agiram acima da lei. O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.


Guardando a mensagem

O camelô não é um fora da lei. O ocupante não é invasor mal intencionado. O flanelinha não é um marginal. A lei é que precisa se adaptar à sua realidade, à sua fome, à necessidade premente de sobrevivência. Aliás, a situação de desemprego e abandono social não foi criada pelos marginalizados. A lei deve estar aí para assegurar oportunidades para todos. O pobre não merece cadeia porque está “arrancando espigas em dia de sábado”. Merece emprego, moradia digna, escola integral para os seus filhos.

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
disseste aos fariseus que o “o filho do homem é senhor também do sábado”. Falavas de ti mesmo; e do sábado, que era uma lei civil e religiosa, ao mesmo tempo. És o senhor também do sábado. Teu evangelho nos liberta de uma interpretação da lei que desconheça a necessidade do outro. Estás nos ensinando que a situação de carência e sofrimento deve ser a primeira inspiração da lei. As leis, as normas, as regras, nós as estabelecemos para garantir a justiça, o direito, a segurança, a boa convivência. Elas estão a serviço do homem. Podem ser revistas e modificadas, se se tornarem instrumento de opressão ou quando não respeitarem as pessoas em suas reais condições. Obrigado, Senhor, por dares à pessoa humana o primeiro lugar, por nos ensinares a viver com respeito e liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Quem sabe, hoje, você não veja na rua ou no noticiário alguma situação em que a pessoa humana necessite ser respeitada, acima de qualquer regra estabelecida!

Comunicando

Deixo aqui o meu muito obrigado a você que rezou por nossa missão ou nos acompanhou, ontem, na Santa Missa de Ação de Graças pelos 9 anos do Programa Tempo de Paz. Você sabe, todos somos responsáveis pela missão: levar a todos, o testemunho sobre Jesus. Faça bem a sua parte. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Um novo olhar e novas atitudes: é o que estamos precisando

 



14 de janeiro de 2023

Sábado da 1ª Semana do Tempo Comum

EVANGELHO


Mc 2,13-17

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu.
15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?”
17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

MEDITAÇÃO


Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Eu queria saber se você gosta de coalhada. E que tal leite ou queijo de cabra? Ah... É que eu ia convidar você para um jantar na casa de uma pessoa muito especial, na casa de Seu Levi... Mas, de frutas você gosta? Talvez lá sirvam frutas secas como tâmara, uva-passa, figo... Pão integral feito em casa vai ter na mesa, com certeza. E, claro, é possível que sirvam vinho. Um conselho: ponha água no seu vinho, porque é meio grosseiro, muito forte. Mas, é gostoso. Então, está feito o convite. Jantar, hoje, na casa de Seu Levi. Quem vai estar lá? Além de você? Ah, lá vai estar um convidado muito especial: Jesus. Ah, que bom, então você vai! Ótimo.

É o seguinte. Jesus chamou Seu Levi para fazer parte do grupo dele. Seu Levi é empregado na coletoria de impostos, aqui em Cafarnaum, mas largou tudo para andar com Jesus. E hoje, Jesus vai jantar na casa dele. E ele está convidando os amigos para estarem lá. Vai ter um bocado de gente. Jesus, com certeza, vai com o grupo dele. Agora, como você também vai, eu preciso lhe dar umas dicas para você se ambientar melhor. Você sabe, já começam as críticas contra Jesus. Pode ser que alguém, sentado perto de você, faça alguma insinuação maldosa contra o Mestre. Por isso, eu queria lhe passar algumas informações. É bom pra você depois não ficar com a mente confusa ou até mesmo você ter condições de defender Jesus dessas línguas ferinas.

O que você precisa saber é o seguinte. Seu Levi é um cobrador de impostos. Bom, isso você já sabe. O cobrador de impostos não é bem visto por aqui. E eu lhe digo o porquê. Eles cobram o imposto para os dominadores romanos. Cobrar o imposto é tratá-los como um povo dominado pelos estrangeiros, a quem devem entregar boa parte do fruto do seu trabalho. No fundo, os cobradores de impostos são colaboradores dos romanos. Além do mais, os romanos são pagãos, com quem os hebreus não deviam ter nenhuma amizade. Então, com certeza, você vai encontrar pessoas que estão estranhando essa aproximação entre Jesus e Levi. E, pior, Levi convidou seus amigos cobradores de impostos para estarem lá também. Os fariseus não vão perdoar isso. Os cobradores de impostos são tidos como pecadores. Vai rolar muita crítica. Mas, não vá se assustar com isso.

Repare só a cabeça das pessoas aqui: elas não querem se misturar com pecadores. Todo o povo na Palestina pensa assim. Tem os que praticam a Lei, a Lei de Moisés. Esses são os justos. E tem os que fazem tudo errado, são os pecadores. Justo não deve se misturar com pecador. Jesus não devia ser amigo de cobradores de impostos. Mesa, mesa é coisa sagrada. Um justo não pode comer com um pecador. Um hebreu não pode comer com um pagão. A mesa é um sinal de amizade. O povo de Deus não tem comunhão de mesa com os pagãos ou com os pecadores. Se você entendeu isso, você vai entender alguma crítica que você venha a escutar hoje, no jantar, na casa de seu Levi.

Com certeza, alguém vai olhar pra você de cara feia e vai lhe perguntar: Por que ele come com os cobradores de impostos e com os pecadores? ... Veja lá o que você vai responder.


Guardando a mensagem

Jesus chamou um cobrador de impostos para ser seu discípulo. Esse foi Levi, chamado depois de Mateus. O chamado de Jesus já foi uma surpresa, porque mostrou uma nova mentalidade, sem discriminação, nem preconceitos. A resposta de Levi foi também surpreendente: aceitou imediatamente o convite de Jesus e deixou tudo para segui-lo. No jantar em sua casa, houve muitas críticas sobre essa aproximação de Jesus com os pecadores. Jesus deu uma razão muito simples: só quem está doente é que precisa de médico. Nós vivemos num mundo que se acha muito liberal, mas nos movemos no meio de muitos preconceitos. Pelo preconceito, excluímos as pessoas, desrespeitamos sua dignidade e seus direitos. É hora de aprender com Jesus a incluir, a integrar, a defender quem foi marginalizado, a viver com outra lógica.

Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
fechando o coração, como os fariseus, nós perdemos a novidade que vem de tuas ações e de tuas palavras, do teu evangelho. Dá-nos, Senhor, que a novidade do Reino que tu inauguraste neste mundo, com um novo olhar e com novas atitudes, encontre abrigo em nossos corações e nos capacite a também sermos construtores de novas relações e de uma nova sociedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Se você já tiver o seu diário espiritual, o seu caderno de anotações, responda lá à pergunta que lhe fizeram no jantar na casa de Levi: Por que ele come com os pecadores? Não tendo o caderno, escreva a resposta em outro lugar.

Comunicando

Amanhã, domingo, faço show na cidade de Itapissuma, PE, na Buscada de São Gonçalo do Amarante. A Buscada é uma procissão marítimo-fluvial. 

Um abençoado final de semana. 
Até amanhã, se Deus quiser.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

A FOME E O SÁBADO



18 de janeiro de 2022

EVANGELHO


Mc 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

MEDITAÇÃO


O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Outro dia, dedicamos dois programas, no rádio, a uma conversa sobre o desemprego. Ouvimos relatos dolorosos. Gente desempregada há bastante tempo, gente perdendo a esperança, gente passando necessidade. Diante dessa situação, as pessoas se viram como podem, com a ajuda de parentes, a caridade de desconhecidos e muito espírito de iniciativa. Uma grande maioria sobrevive no mercado informal, sai vendendo alguma coisa de porta em porta ou batalha algum trocado como camelô pelas ruas. Quando não pode mais pagar aluguel, fica pela rua mesmo ou ocupa algum imóvel fechado ou constrói um barraco na beira de um canal. No aperto, empurra o filho adolescente para vender alguma coisa no semáforo ou farol de uma avenida ou ser flanelinha em algum lugar. É, o desemprego é um drama pra todo mundo, mas para a família pobre é uma verdadeira tragédia.

Diante da lei, essa família está cometendo graves irregularidades. No comércio informal, não recolhe impostos e atrapalha a atividade dos comerciantes estabelecidos. A fiscalização da Prefeitura e os lojistas estão de olho no camelô. Na moradia, é um invasor de propriedade privada. Mais cedo ou mais tarde a justiça, a polícia e a prefeitura vão chegar lá, nem sempre com bons modos. No cruzamento ou nas ruas, a sociedade olha com desconfiança o flanelinha e já o julga um trombadinha, um marginal, quem sabe, um traficante. No aperto da família pobre, a lei e a sociedade os condenam.

Os fariseus estavam de olho nos discípulos de Jesus. Essa turminha era vista com reserva e desconfiança. Eles não jejuavam como os discípulos piedosos de outros mestres. Não se mantinham separados, evitando contato com gente reconhecidamente pecadora. Não guardavam o sábado, com o respeito e a seriedade que ele merecia. Afinal, mal cumpridores da Lei. No texto de hoje, os fariseus vão tomar satisfação com Jesus. “Num dia de sábado, em que não se pode trabalhar por respeito à Lei de Deus, os teus discípulos vem pelo caminho, arrancando espigas de trigo para comer”. Por que eles fazem uma coisa dessas num dia de sábado, violando a lei?

Jesus foi claro. Eles estavam com fome. A necessidade da pessoa humana interpela a norma, a regra, a lei. A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. Aí Jesus lembrou um episódio do Antigo Testamento. Davi e seus guerreiros, com fome, chegaram ao Santuário e comeram os pães exclusivos dos sacerdotes. Na necessidade, agiram acima da lei. O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.


Guardando a mensagem

O camelô não é um fora da lei. O ocupante não é invasor mal intencionado. O flanelinha não é um marginal. A lei é que precisa se adaptar à sua realidade, à sua fome, à necessidade premente de sobrevivência. Aliás, a situação de desemprego e abandono social não foi criada pelos marginalizados. A lei deve estar aí para assegurar oportunidades para todos. O pobre não merece cadeia porque está “arrancando espigas em dia de sábado”. Merece emprego, moradia digna, escola integral para os seus filhos.

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Disseste aos fariseus que o “o filho do homem é senhor também do sábado”. Falavas de ti mesmo; e do sábado, que era uma lei civil e religiosa, ao mesmo tempo. És o senhor também do sábado. Teu evangelho nos liberta de uma interpretação da lei que desconheça a necessidade do outro. Estás nos ensinando que a situação de carência e sofrimento deve ser a primeira inspiração da lei. As leis, as normas, as regras, nós as estabelecemos para garantir a justiça, o direito, a segurança, a boa convivência. Elas estão a serviço do homem. Podem ser revistas e modificadas, se se tornarem instrumento de opressão ou quando não respeitarem as pessoas em suas reais condições. Obrigado, Senhor, por dares à pessoa humana o primeiro lugar, por nos ensinares a viver com respeito e liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Quem sabe, hoje, você não veja na rua ou no noticiário alguma situação em que a pessoa humana necessite ser respeitada, acima de qualquer regra estabelecida!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O JANTAR NA CASA DE LEVI



15 de janeiro de 2022

EVANGELHO


Mc 2,13-17

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu.
15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?”
17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

MEDITAÇÃO


Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Eu queria saber se você gosta de coalhada. E que tal leite ou queijo de cabra? Ah... É que eu ia convidar você para um jantar na casa de uma pessoa muito especial, na casa de Seu Levi... Mas, de frutas você gosta? Talvez lá sirvam frutas secas como tâmara, uva-passa, figo... Pão integral feito em casa vai ter na mesa, com certeza. E, claro, é possível que sirvam vinho. Um conselho: ponha água no seu vinho, porque é meio grosseiro, muito forte. Mas, é gostoso. Então, está feito o convite. Jantar, hoje, na casa de Seu Levi. Quem vai estar lá? Além de você? Ah, lá vai estar um convidado muito especial: Jesus. Ah, que bom, então você vai! Ótimo.

É o seguinte. Jesus chamou Seu Levi para fazer parte do grupo dele. Seu Levi é empregado na coletoria de impostos, aqui em Cafarnaum, mas largou tudo para andar com Jesus. E hoje, Jesus vai jantar na casa dele. E ele está convidando os amigos para estarem lá. Vai ter um bocado de gente. Jesus, com certeza, vai com o grupo dele. Agora, como você também vai, eu preciso lhe dar umas dicas para você se ambientar melhor. Você sabe, já começam as críticas contra Jesus. Pode ser que alguém, sentado perto de você, faça alguma insinuação maldosa contra o Mestre. Por isso, eu queria lhe passar algumas informações. É bom pra você depois não ficar com a mente confusa ou até mesmo você ter condições de defender Jesus dessas línguas ferinas.

O que você precisa saber é o seguinte. Seu Levi é um cobrador de impostos. Bom, isso você já sabe. O cobrador de impostos não é bem visto por aqui. E eu lhe digo o porquê. Eles cobram o imposto para os dominadores romanos. Cobrar o imposto é tratá-los como um povo dominado pelos estrangeiros, a quem devem entregar boa parte do fruto do seu trabalho. No fundo, os cobradores de impostos são colaboradores dos romanos. Além do mais, os romanos são pagãos, com quem os hebreus não deviam ter nenhuma amizade. Então, com certeza, você vai encontrar pessoas que estão estranhando essa aproximação entre Jesus e Levi. E, pior, Levi convidou seus amigos cobradores de impostos para estarem lá também. Os fariseus não vão perdoar isso. Os cobradores de impostos são tidos como pecadores. Vai rolar muita crítica. Mas, não vá se assustar com isso.

Repare só a cabeça das pessoas aqui: elas não querem se misturar com pecadores. Todo o povo na Palestina pensa assim. Tem os que praticam a Lei, a Lei de Moisés. Esses são os justos. E tem os que fazem tudo errado, são os pecadores. Justo não deve se misturar com pecador. Jesus não devia ser amigo de cobradores de impostos. Mesa, mesa é coisa sagrada. Um justo não pode comer com um pecador. Um hebreu não pode comer com um pagão. A mesa é um sinal de amizade. O povo de Deus não tem comunhão de mesa com os pagãos ou com os pecadores. Se você entendeu isso, você vai entender alguma crítica que você venha a escutar hoje, no jantar, na casa de seu Levi.

Com certeza, alguém vai olhar pra você de cara feia e vai lhe perguntar: Por que ele come com os cobradores de impostos e com os pecadores? ... Veja lá o que você vai responder.


Guardando a mensagem

Jesus chamou um cobrador de impostos para ser seu discípulo. Esse foi Levi, chamado depois de Mateus. O chamado de Jesus já foi uma surpresa, porque mostrou uma nova mentalidade, sem discriminação, nem preconceitos. A resposta de Levi foi também surpreendente: aceitou imediatamente o convite de Jesus e deixou tudo para segui-lo. No jantar em sua casa, houve muitas críticas sobre essa aproximação de Jesus com os pecadores. Jesus deu uma razão muito simples: só quem está doente é que precisa de médico. Nós vivemos num mundo que se acha muito liberal, mas nos movemos no meio de muitos preconceitos. Pelo preconceito, excluímos as pessoas, desrespeitamos sua dignidade e seus direitos. É hora de aprender com Jesus a incluir, a integrar, a defender quem foi marginalizado, a viver com outra lógica.

Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores (Mc 2, 17)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Fechando o coração, como os fariseus, nós perdemos a novidade que vem de tuas ações e de tuas palavras, do teu evangelho. Dá-nos, Senhor, que a novidade do Reino que tu inauguraste neste mundo, com um novo olhar e com novas atitudes, encontre abrigo em nossos corações e nos capacite a também sermos construtores de novas relações e de uma nova sociedade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Se você já tiver o seu diário espiritual, o seu caderno de anotações, responda lá à pergunta que lhe fizeram no jantar na casa de Levi: Por que ele come com os pecadores? Não tendo o caderno, escreva a resposta em outro lugar.

Se você tiver acesso à TV Aparecida, me acompanhe, hoje, no programa do Pe. Antonio Maria, a partir das 15 horas. O programa se chama 'Sábado com Maria'.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



O SÁBADO FOI FEITO PARA O HOMEM


19 de janeiro de 2021

EVANGELHO


Mc 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
25Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
27E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

MEDITAÇÃO


O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)


Na semana passada, dedicamos dois programas, no rádio, a uma conversa sobre o desemprego. Ouvimos relatos dolorosos. Gente desempregada há bastante tempo, gente perdendo a esperança, gente passando necessidade. Diante dessa situação, as pessoas se viram como podem, com a ajuda de parentes, a caridade de desconhecidos e muito espírito de iniciativa. Uma grande maioria sobrevive no mercado informal, sai vendendo alguma coisa de porta em porta ou batalha algum trocado como camelô pelas ruas. Quando não pode mais pagar aluguel, fica pela rua mesmo ou ocupa algum imóvel fechado ou constrói um barraco na beira de um canal. No aperto, empurra o filho adolescente para vender alguma coisa no semáforo ou farol de uma avenida ou ser flanelinha em algum lugar. É, o desemprego é um drama pra todo mundo, mas para a família pobre é uma verdadeira tragédia.

Diante da lei, essa família está cometendo graves irregularidades. No comércio informal, não recolhe impostos e atrapalha a atividade dos comerciantes estabelecidos. A fiscalização da Prefeitura e os lojistas estão de olho no camelô. Na moradia, é um invasor de propriedade privada. Mais cedo ou mais tarde a justiça, a polícia e a prefeitura vão chegar lá, nem sempre com bons modos. No cruzamento ou nas ruas, a sociedade olha com desconfiança o flanelinha e já o julga um trombadinha, um marginal, quem sabe, um traficante. No aperto da família pobre, a lei e a sociedade os condenam. 

Os fariseus estavam de olho nos discípulos de Jesus. Essa turminha era vista com reserva e desconfiança. Eles não jejuavam como os discípulos piedosos de outros mestres. Não se mantinham separados, evitando contato com gente reconhecidamente pecadora. Não guardavam o sábado, com o respeito e a seriedade que ele merecia. Afinal, mal cumpridores da Lei. No texto de hoje, os fariseus vão tomar satisfação com Jesus. “Num dia de sábado, em que não se pode trabalhar por respeito à Lei de Deus, os teus discípulos vem pelo caminho, arrancando espigas de trigo para comer”. Por que eles fazem uma coisa dessas num dia de sábado, violando a lei?

Jesus foi claro. Eles estavam com fome. A necessidade da pessoa humana interpela a norma, a regra, a lei. A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. Aí Jesus lembrou um episódio do Antigo Testamento. Davi e seus guerreiros, com fome, chegaram ao Santuário e comeram os pães exclusivos dos sacerdotes. Na necessidade, agiram acima da lei. O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado.

Guardando a mensagem

O camelô não é um fora da lei. O ocupante não é invasor mal intencionado. O flanelinha não é um marginal. A lei é que precisa se adaptar à sua realidade, à sua fome, à necessidade premente de sobrevivência. Aliás, a situação de desemprego e abandono social não foi criada pelos marginalizados. A lei deve estar aí para assegurar oportunidades para todos. O pobre não merece cadeia porque está “arrancando espigas em dia de sábado”. Merece emprego, moradia digna, escola integral para os seus filhos.

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2, 27)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Disseste aos fariseus que o “o filho do homem é senhor também do sábado”. Falavas de ti mesmo; e do sábado, que era uma lei civil e religiosa, ao mesmo tempo. És o senhor também do sábado. Teu evangelho nos liberta de uma interpretação da lei que desconheça a necessidade do outro. Estás nos ensinando que a situação de carência e sofrimento deve ser a primeira inspiração da lei. As leis, as normas, as regras, nós as estabelecemos para garantir a justiça, o direito, a segurança, a boa convivência. Elas estão a serviço do homem. Podem ser revistas e modificadas, se se tornarem instrumento de opressão ou quando não respeitarem as pessoas em suas reais condições. Obrigado, Senhor, por dares à pessoa humana o primeiro lugar, por nos ensinares a viver com respeito e liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Quem sabe, hoje, você não veja na rua ou no noticiário alguma situação em que a pessoa humana necessite ser respeitada, acima de qualquer regra estabelecida!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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