BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

Começou o Sermão da Montanha.




  01 de fevereiro de 2026.  

4º Domingo do Tempo Comum


  Evangelho  


Mt 5,1-12a

Naquele tempo, 1Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los:
3”Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.




  Meditação  


Os discípulos aproximaram-se e Jesus começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2).

São quatro ações de Jesus descritas na abertura do Sermão da Montanha (Mt 5). Faça as contas: “Vendo Jesus as multidões (1ª. ação), subiu ao monte (2ª. ação) e sentou-se (3ª. ação). Os discípulos aproximaram-se (essa ação é dos discípulos), e Jesus começou a ensiná-los (4a. ação de Jesus). Quatro, você sabe, é um número de totalidade, abrangente como os quatro pontos cardeais.

Estamos no início do chamado Sermão da Montanha, que compreende os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus. O Sermão da Montanha é a proclamação da Lei do povo da nova aliança.

Vamos às quatro ações iniciais de Jesus.

A primeira foi “vendo as multidões”... Ele vê o povo que acorre para ouvi-lo, para pedir a cura de suas doenças... Ele não vê só com os olhos, vê com o coração. Na história que contou do homem assaltado e caído na estrada, só o samaritano viu, aproximou-se e cuidou dele. O sacerdote e o levita viram, mas passaram adiante. Jesus vê as multidões como Deus que falou com Moisés no Monte Sinai: “Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores, pois eu conheço as suas angústias”. A primeira ação foi “Ver as multidões”, um olhar de compaixão e de compromisso com o seu bem.

A segunda ação de Jesus foi “subiu ao monte”. Que detalhe curioso, “subiu ao monte”! Que monte? Com certeza, uma das colinas próximas de Cafarnaum. O monte, na tradição bíblica, é um lugar privilegiado de encontro com Deus. Mas, por que subiu com a multidão ao monte? Claro, ele é o novo Moisés que está levando o povo hebreu para o Monte Sinai, para prestar culto a Deus, celebrar aliança com ele e dele receber a Lei. “Subiu ao monte” é uma ação cheia de significado. Refazendo o caminho da história, Jesus, o novo Moisés, está restaurando o seu povo, que renasce em aliança com Deus.

A terceira ação foi “sentou-se”. Por que sentar-se? Por que estava cansado? Para ficar mais próximo do povo? Os mestres, em Israel e em outros povos, ensinavam sentados. Na Sinagoga, o pregador ficava sentado. Lembra Jesus, na Sinagoga de Nazaré? Depois que leu, de pé, o profeta Isaías, sentou-se para explicar aquela passagem. Na Sinagoga, havia uma cadeira especial para o pregador, perto do púlpito, num lugar de destaque. Chamava-se a Cadeira de Moisés. Quando pediu uma barca para se afastar da multidão e falar-lhes sobre o Reino de Deus, lembra em que posição Jesus ficou? Sentado, claro. Sentar-se é a posição de quem vai ensinar, Jesus assume a condição de Mestre. É o novo Moisés que ensina a Lei de Deus ao seu povo.

A quarta ação foi “começou a ensiná-los”. O que ele começou a ensinar vem a seguir: as bem-aventuranças, as bem-aventuranças do Reino. Na interpretação que se fazia do decálogo do Monte Sinai, o bem-aventurado era o praticante da Lei, o que observava os mandamentos e as normas. Nas bem-aventuranças do Monte, Jesus proclama que o Reino de Deus é um dom para os humildes, os sofredores, os pecadores. O Reino é o consolo para os aflitos e perseguidos, a vitória da justiça e da paz para os sofredores, a força dos mansos, o conhecimento de Deus para os de coração limpo, a misericórdia para os pecadores. Afinal, o bem-aventurado no povo da nova aliança é o humilde e pecador amado por Deus.

Ouvindo essa palavra, sinta-se no meio daquela multidão. Você está na lista dos bem-aventurados do Reino. Não porque você seja muito bom, nem muito santo(a), nem muito praticante da Lei de Deus. Você está na lista dos bem-aventurados porque, na sua fraqueza, nos seus limites, na sua condição de pecador, Deus ama você. É o que Jesus está dizendo.




Guardando a mensagem

Está começando o Sermão da Montanha. Jesus, com compaixão, vê o povo, como Deus na revelação a Moisés, da sarça ardente. Jesus, com o povo e os discípulos, sobe ao monte. Ele é o novo Moisés que liderou a saída do Egito e levou o povo ao Monte Sinai para celebrar a aliança com Deus. Ele é o mestre que, sentado, ensina ao seu povo a lei do Reino de Deus. O seu ensinamento é o manifesto do Reino. Os pequenos são os amados de Deus, os cidadãos do seu Reino.

Os discípulos aproximaram-se e Jesus começou a ensiná-los (Mt 5, 1-2)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
longe de nós por nossa confiança no dinheiro, na riqueza deste mundo. Queremos acolher o Reino de Deus, como dom que nos é oferecido, como nossa maior riqueza. Longe de nós vivermos na condição de quem não precisa mais de nada, nem de ninguém. Queremos acolher o Reino, com sede e fome de justiça, buscando fraternidade, solidariedade e confiança na tua providência. Longe de nós vivermos a alegria falsa da bebida, das drogas ou da indiferença com a dor dos outros. Queremos viver a verdadeira alegria que o Reino nos traz pelo perdão, pela salvação que nos alcançaste. Longe de nós querermos agradar ao mundo e à opinião pública, negando o evangelho da vida, da família, da verdade. Queremos ser fieis, mesmo no meio de incompreensões ou perseguições, certos que este é o caminho da vitória. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Leia, na sua Bíblia, a passagem de hoje: Mateus 5, 1-12.

Comunicando

No meu Blog, você sempre pode ler o evangelho e a meditação. É só seguir o link que lhe envio.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Desesperados, no meio da tempestade.

 

Sábado

  31 de janeiro de 2026  

Memória de São João Bosco (Dom Bosco)

   Evangelho.   


Mc 4,35-41

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!”
36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele.
37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”
39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”
41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

  Meditação.  


Mestre, estamos perecendo e tu não te importas? (Mc 4, 38)

Os discípulos estão numa travessia difícil. Estão navegando em direção à outra margem, como Jesus lhes indicara. E são surpreendidos por uma tempestade no mar, um furacão, coisa que acontecia e acontece no Mar da Galileia. É uma cena cheia de significados, indicando mais que a tempestade de ventania forte e ondas enfurecidas. Vento forte e mar bravio são representações das forças do mal, hostis ao projeto de Deus, ao seu Reino. A barca está já se enchendo de água e os discípulos se desesperam. Acordam Jesus que dormia na parte de trás da barca: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”. Jesus se levanta e ordena ao mar que se cale. É como um exorcismo. “Silêncio. Cala-te”. O mar se aquieta. E ele reclama com os discípulos por serem tão medrosos, parecendo que não têm fé.

Nós, como pessoas, como famílias, como comunidades, como humanidade, de vez em quando, nos encontramos no meio de uma grande tempestade. É uma doença, é um escândalo, é um desastre natural, é uma trajédia... tempestades não nos faltam. E, em momentos como estes, como os discípulos da Galileia, nos dirigimos a Jesus, desesperados: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”.

Meditando a passagem do evangelho de hoje em que Jesus acalma a tempestade no Mar da Galileia, no barco dos discípulos, podemos tirar algumas conclusões:

1. A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e nossas falsas seguranças. No meio do vendaval, cai a maquiagem de nossa autossuficiência, ficam em cheque nossa pose de senhores do mundo, nossas vaidades.

2. A tempestade provoca o reconhecimento de nossa pertença comum. Estamos no mesmo barco. Não há solução fora do apoio mútuo, da ajuda recíproca. Remamos juntos ou não vencemos.

3. A tempestade é o tempo da solidariedade, da sensibilidade para com o sofrimento dos outros. Tempo de fazer-se próximo do irmão caído à margem da estrada, tempo de sermos bons samaritanos.

5. A tempestade é o tempo da fé, da oração, da volta ao Senhor, da confiança em Deus. É dele que vem a nossa força. Em sua sabedoria, ele transforma em bem o que nos acontece de mal.

6. A tempestade reaviva a nossa fé pascal. Ressuscitado, Jesus vive conosco. Está no nosso barco. Sua ressurreição é penhor de vitória em todas as nossas lutas. Crendo, renovamos a nossa vida: morremos com ele e vivemos para ele.

7. A tempestade é o tempo da Esperança, o tempo do Espírito Santo, energia divina que nos faz criativos e comprometidos com a gestação de um futuro melhor.




Vamos guardar a mensagem

Todos nós, pessoalmente ou juntos, enfrentamos tempestades, tempos difíceis, turbulências... Da cena dos discípulos no Mar da Galileia, podemos tirar algumas indicações para iluminar nossas tempestades. A tempestade desmascara nossas falsas seguranças. Precisamos aprender, nessa hora, que estamos no mesmo barco. É o tempo da solidariedade, de ajudar os irmãos. Tempestade é também tempo de confiança em Deus. Reconheçamos: Jesus está no nosso barco. Ele é o ressuscitado, o vitorioso. Tempestade é ainda tempo de esperança: já estamos gerando um futuro melhor. 

Rezando a palavra

Rezemos com as palavras do Papa Francisco:

Senhor Jesus,
Tu estás nos dizendo: «Porque vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?» A tua Palavra, Senhor, atinge e nos toca a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaremos sempre saudáveis num mundo doente. Senhor, abençoa-nos, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Tu nos pedes para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e nos sentimos temerosos. Não nos deixes, Senhor, à mercê da tempestade. Continua a nos repetir: “Não tenham medo”. “Não tenham medo”. Amém.

Vivendo a palavra

Inspirados pelo tema da tempestade, rezemos a Oração a Dom Bosco, neste dia a ele dedicado:

São João Bosco, Pai e Mestre da juventude, dócil aos dons do Espírito e aberto às realidades do teu tempo, foste para os jovens, sobretudo os humildes e pobres, um sinal do amor e da predileção de Deus. Sê nosso guia no caminho da amizade com o Senhor Jesus, para podermos perceber n’Ele e no seu Evangelho o sentido da nossa vida e a fonte da verdadeira felicidade. Amém.

Comunicando

Janeiro está terminando. Já estamos nos preparando para acolher o novo mês e com ele o Retiro de Carnaval. O Retiro que AMA e Salesianos do Nordeste estão preparando será nos dias 15 a 18 de fevereiro, do domingo de carnaval à quarta-feira de cinzas - Um retiro para jovens e adultos, em clima de convivência e oração, na Casa de Encontros de Jaboatão, área metropolitana do Recife. Mais informações pelo site www.amanhecer.org.br. ou pelo zap 81 99964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



O Reino de Deus, que boa notícia!


  30 de Janeiro de 2026  

Sexta-feira da 3ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho. 


Mc 4,26-34

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece.
28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.
30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”.
33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

  Meditação.  


O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra (Mc 4, 26)

A gente fica esperando o Reino de Deus como uma intervenção poderosa do Senhor em nosso mundo: uma coisa forte, visível, que todo mundo reconheça e se submeta. Como falamos de ‘reino’, vêm em nossa imaginação os impérios deste mundo, os reinados de senhores poderosos e violentos de quem a história dá notícia.

Jesus, que tanto falou do Reino de Deus, não deixou uma definição do que é o Reino. Antes, fez comparações que desfazem completamente nossas expectativas farisaicas. O Reino é como a semente plantada na terra que, sem o agricultor saber como, nasce, cresce e produz frutos. O Reino é como uma semente de mostarda que se torna um belo arbusto. É como uma bela plantação, onde o inimigo semeou o joio. Só pra ficar nas comparações na área da agricultura. É melhor a gente desistir de querer definir o que é o Reino de Deus. Parece mais um jeito de Deus agir neste mundo.

Jesus nos conta, hoje, duas pequenas parábolas sobre o Reino de Deus: a semente que germina sozinha e o grão de mostarda que se torna um frondoso arbusto. Estas duas parábolas nos dão novas pistas sobre o Reino de Deus.

Uma primeira indicação é esta: O Reino se constrói com pequenos sinais. O Reino está potencialmente presente no que, hoje, nós estamos semeando, que nos parece tão pouco, tão pequeno. Ele é como a semente plantada que germina ou como o grão de mostarda tão pequenininho que vai se tornar uma grande hortaliça. Quando semeamos, nós mostramos confiança na semente e no futuro dela. Ao realizarmos pequenas ações e nos movermos com pequenos passos, estando na direção certa, estamos semeando o reino. É um conselho que damos, é uma desculpa que aceitamos, é uma pequena decisão que tomamos na direção justa. O Reino se constrói com pequenos sinais. São sementes que plantamos, grãos lançados na terra.

Uma segunda afirmação é a seguinte: O Reino não é obra nossa, é obra de Deus, servindo-se de nossa muito pequena participação. Mesmo que seja o agricultor a plantar a semente, a germinação é um segredo do Criador. É dele o milagre daquela semente tornar-se uma plantinha, crescer, florescer, frutificar. O agricultor colabora, plantando, limpando, irrigando, mas a espiga é obra da natureza e de quem a fez. O mesmo acontece com o grão de mostarda. O arbusto que vai acolher até os passarinhos é fruto de uma dinâmica que não é controlada pelo agricultor. O Reino não é obra nossa. É obra de Deus, com sua lógica, sua dinâmica, sua atuação.

Uma terceira afirmação é esta: o Reino será uma realidade surpreendente. Se plantarmos, colheremos. A semente dará fruto, dela se colherão as espigas, cuja farinha nos fornecerá um delicioso pão. O grão de mostarda será uma linda hortaliça e abrigará os pássaros do céu. O agricultor vai se surpreender com a obra de Deus em seu favor.

O Evangelho é a revelação desse evento maravilhoso: o Reino está ao nosso alcance, está batendo à nossa porta, está próximo de nós, está entre nós.





Guardando a mensagem

Mesmo com tanta crise, com tanta coisa ruim acontecendo, com tanto desmantelo no mundo, experimentamos cada dia que o Reino de Deus está entre nós, está acontecendo, está em gestação. Ele é obra de Deus, com nossa pequena colaboração. Por meio do seu filho Jesus, Deus está semeando um mundo novo de comunhão, de paz, de reconciliação. Jesus está conosco até a consumação dos séculos, como prometeu. Não nos abandona. O seu Santo Espírito atualiza a sua presença e a sua ação redentora. O Reino já está entre nós. Enfim, na colheita do que plantarmos, o Reino aparecerá pleno, surpreendente.

O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra (Mc 4, 26)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu estás entre nós, estás conosco na assembleia que se reúne, na Palavra que é proclamada, no Pão eucarístico que nos alimenta. É isso que experimentamos cada dia e que celebramos na Missa: a tua presença redentora entre nós, nos instruindo, nos abençoando, nos conduzindo. O Reino, de que tanto falaste, é a tua presença salvando esse mundo, reconduzindo o pecador à comunhão com Deus, nos guiando no caminho da justiça e da paz. Tu és o Emanuel, Deus conosco. E como estamos na véspera do Dia de São João Bosco, amigo e educador dos jovens, te pedimos que o seu exemplo e o seu carisma continuem fazendo o bem em tua Igreja. Dele queremos aprender o seu grande amor à Eucaristia, a sua confiança ilimitada na proteção da Virgem Maria e a sua fidelidade ao Papa e aos pastores da Igreja. Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

No seu caderno espiritual, escreva uma oração começando com o que rezamos no Pai Nosso: “Venha a nós o vosso Reino”.

Comunicando

Janeiro está terminando. Já estamos nos preparando para acolher o novo mês e com ele o Retiro de Carnaval. O Retiro que AMA e Salesianos do Nordeste estão preparando será nos dias 15 a 18 de fevereiro, do domingo de carnaval à quarta-feira de cinzas - Um retiro para jovens e adultos, em clima de convivência e oração, na Casa de Encontros de Jaboatão, área metropolitana do Recife. Mais informações pelo site www.amanhecer.org.br. ou pelo zap 81 99964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb




Luz para iluminar a sua casa.



  29 de janeiro de 2026.  

Quinta-feira da 3ª Semana do Tempo Comum


  Evangelho  


Mc 4,21-25

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21“Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.


  Meditação.  


Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? (Mc 4, 21).

Gente nova não pode imaginar um tempo em que não havia luz elétrica. Nesse tempo, o candeeiro era uma peça muito importante de uma casa. E andando para trás mais um pouco, nem luz elétrica, nem baterias, pilhas, nem gás butano. E recuando no tempo ainda mais, nem fósforo havia. Eita! Chegamos no tempo de Jesus.

No tempo de Jesus, as casas eram um pouco escuras, com poucas janelas. O que eles chamavam de lâmpada era uma tigelinha de barro com um bico com um pavio de algodão ou de linho. Dentro da lâmpada - a tigelinha de barro -, se colocava azeite. O povo mesmo produzia o azeite de oliva. A lâmpada era colocada em uma prateleira que estava na parede, num lugar mais alto, ou mesmo numa lamparina que estivesse pendurada. Com aquele pavio, a lâmpada podia ficar acesa o dia todo, sem gastar muito. E ficava acesa para iluminar a casa que era meio escura e para acender o fogo na hora de cozinhar. Só para lembrar, não havia fósforo. Tinham que manter a luz acesa mesmo. Uma das tarefas da dona de casa era manter a lâmpada acesa.

O evangelho de hoje fala da lâmpada (de azeite, claro). “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro?” Isso quer dizer: uma luz é para ser colocada num lugar em que possa iluminar. Nós somos luz para iluminar, não podemos nos esconder, nos omitir. O que aprendemos com Jesus é uma luz para iluminar a nossa casa. O que temos a dizer com nossas palavras ou com nosso comportamento é uma luz para iluminar a vida dos outros.

Jesus nos disse que somos uma lamparina no lugar alto da casa. Em nós, a sua graça e o seu amor resplendem, nos fazendo luz para os outros, luz de Deus para a vida dos outros. Outros podem encontrar sentido para suas vidas, à luz do nosso testemunho. Minha família não vai ficar na escuridão, porque a luz de Deus que preenche a minha vida pode iluminá-la como uma lamparina pendurada no teto ou como uma lâmpada na prateleirinha da parede, no candeeiro. Por nossas boas obras que testemunham o amor de Deus pelos seus filhos, muita gente pode encontrá-lo e bendizê-lo.

Na verdade, você não é luz porque é um exemplo de vida, uma pessoa sem defeitos, um anjo de criatura. Não, você torna-se uma luz para o mundo, porque Deus enche de luz a sua vida. É isso que você testemunha, é disso que você fala, é esse brilho que está em seu sorriso e em suas obras: a luz de Deus que inunda a sua vida.

Então, não se esconda. Não se camufle. Hoje, mostre a sua cara. Fale, sorria, aconselhe, testemunhe. Seja hoje um canal da luz de Deus para a vida de sua família, de seus amigos, dos que hoje encontrarem você.




Guardando a mensagem

O Senhor, com a sua graça e com sua palavra, enche nossa vida de luz. Somos chamados a difundir essa luz para iluminar os ambientes humanos em que vivemos: nossa casa, nossa vizinhança, nosso local de trabalho. Seus ensinamentos, as verdades que proclamou, ditos ontem e hoje em ambientes reservados, precisam ser proclamados e difundidos abertamente. Ele é a luz do mundo. Nós, iluminados por ele, temos a vocação de lâmpada acesa no lugar alto da sala. Estamos aí para iluminar a vida dos outros.

Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? (Mc 4, 21).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tu que és a luz do mundo, nos disseste para ser luz para os outros. Nós reconhecemos, não temos luz própria. Nós recebemos a tua luz e é com ela que procuramos iluminar nossa casa, nossos ambientes de trabalho, de convivência, de lazer. É muito bonita a imagem da luz do candeeiro dentro de casa, que falaste no evangelho. Mesmo durante o dia, ela precisa ser mantida acesa. E é isso que precisa acontecer: não podemos deixar a tua luz em nós se apagar. Bem que São Paulo disse que não deixássemos o fogo do Espírito se extinguir. Ajuda-nos, Senhor, a manter a luz acesa em nós e onde vivemos e atuamos. A oração, a tua Palavra, a fé hão de ser o azeite que não faltará em nossa lâmpada. Nossa vida, nosso testemunho, nossas palavras hão de refletir a tua luz para que todos, ao nosso redor, vivam iluminados pelo amor de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, faça um momento de oração pedindo ao Senhor que você possa fazer bem a tarefa que ele lhe deu: ser a lâmpada de azeite acesa e posta num lugar alto de sua casa, para iluminá-la.

Comunicando

E hoje, quinta-feira, dia de nossa Missa das 11 horas, no rádio e no canal do YouTube. Hoje, preside o Pe. Francisco Demontier. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb



A planta que cresceu no meio dos espinhos.



Quarta-feira

   28 de janeiro de 2026.   

Memória de São Tomás de Aquino, 
presbítero e doutor da Igreja.


   Evangelho.   


Mc 4,1-20

Naquele tempo, 1Jesus começou a ensinar de novo às margens do mar da Galileia. Uma multidão muito grande se reuniu em volta dele, de modo que Jesus entrou numa barca e se sentou, enquanto a multidão permanecia junto às margens, na praia.
2Jesus ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. E, em seu ensinamento, dizia-lhes: 3“Escutai! O semeador saiu a semear. 4Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; vieram os pássaros e a comeram. 5Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; brotou logo, porque a terra não era profunda, 6mas, quando saiu o sol, ela foi queimada; e, como não tinha raiz, secou. 7Outra parte caiu no meio dos espinhos; os espinhos cresceram, a sufocaram, e ela não deu fruto.
8Outra parte caiu em terra boa e deu fruto, que foi crescendo e aumentando, chegando a render trinta, sessenta e até cem por um”. 9E Jesus dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. 10Quando ficou sozinho, os que estavam com ele, junto com os Doze, perguntaram sobre as parábolas. 11Jesus lhes disse: “A vós, foi dado o mistério do Reino de Deus; para os que estão fora, tudo acontece em parábolas, 12para que olhem mas não enxerguem, escutem mas não compreendam, para que não se convertam e não sejam perdoados”.
13E lhes disse: “Vós não compreendeis esta parábola? Então, como compreendereis todas as outras parábolas? 14O semeador semeia a Palavra. 15Os que estão à beira do caminho são aqueles nos quais a Palavra foi semeada; logo que a escutam, chega Satanás e tira a Palavra que neles foi semeada. 16Do mesmo modo, os que receberam a semente em terreno pedregoso, são aqueles que ouvem a Palavra e logo a recebem com alegria, 17mas não têm raiz em si mesmos, são inconstantes; quando chega uma tribulação ou perseguição, por causa da Palavra, logo desistem.
18Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; 19mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto. 20Por fim, aqueles que recebem a semente em terreno bom são os que ouvem a Palavra, a recebem e dão fruto; um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um”.

   Meditação.  


Outra parte da semente caiu no meio dos espinhos (Mc 4, 7).

Aquele povo todo estava ouvindo Jesus. Ele, na barca, sentado. Era nessa posição que os mestres ensinavam. O povo à beira mar, ouvindo. E Jesus contando a parábola dos terrenos. O semeador saiu semeando a sua semente. E ela caiu em quatro terrenos diferentes. Quatro, claro, para falar de todos os terrenos que recebem a semente. Quatro é um número de totalidade. Uma parte caiu à beira do caminho. Outra, num terreno pedregoso. Outra, no meio de espinhos. E o quarto terreno foi uma terra boa.

Uma história como essa, todo mundo ali podia entender. Grande parte dos seus ouvintes eram agricultores. E plantar era com eles. Será que eles entendiam o significado da parábola? Com certeza, alguma coisa, entendiam. Mas, depois, conversando entre eles, certamente vinham muitas ideias. E parábola é assim. Não tem um único significado. Não é um enunciado de uma verdade arrumadinha. É uma chave para o entendimento de uma alguma coisa que está acontecendo.

E o que está acontecendo? Bem, a pregação do evangelho. Ontem e hoje, a palavra está sendo semeada. E as pessoas, como você, recebem a palavra em situações diferentes. Umas como um terreno à beira do caminho. Outras, como um terreno pedregoso. Alguém como um terreno de espinhos. Por sorte, tem também quem a receba como um terreno bom. Só aí vai prosperar a palavra semeada.

Podemos imaginar essa parte do terreno de espinhos. Que plantas estariam nesse terreno? Pensa aí: Cactos, cardos, maliça, esporão, unha de gato... bom, já tem bastante. Coitada da semente que cair num terreno desse! Não vai pra frente. Pode até nascer e crescer, mesmo fraquinha, mas será sufocada pelos espinhos. Não dá fruto nenhum.

Olha o que Jesus explicou: “Outros recebem a semente entre os espinhos: são aqueles que ouvem a Palavra; mas quando surgem as preocupações do mundo, a ilusão da riqueza e todos os outros desejos, sufocam a Palavra, e ela não produz fruto”. Então, esses espinhos têm nome: preocupações do mundo, ilusão da riqueza, outros desejos. O que poderiam ser preocupações do mundo? Bom, eu fico pensando na vaidade, na ostentação, na ditadura da opinião formulada pela mídia... E o que seria ilusão da riqueza? Aqui é mais fácil: a ganância, o apego ao dinheiro, a tentação do luxo, a discriminação dos pobres... E os outros desejos? É o que não falta. Na primeira carta de São João tem uma passagem que pode nos ajudar: “Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2 16).




Guardando a mensagem

A palavra é como a semente que o agricultor espalha pelos terrenos. A parte que caiu no terreno cheio de espinhos não deu fruto nenhum. A plantinha até cresceu, mas foi sufocada pelos espinhos. Espinhos pode ser o modo de pensar do mundo (que privilegia a aparência, que nos estimula à vaidade e ao orgulho, ...). Espinhos pode ser também a ilusão da riqueza (o apego aos bens materiais, o desprezo pelos humildes, a ganância). Espinhos são também desejos que fujam do nosso controle (na sexualidade desregrada, na dependência do álcool, por exemplo). O que você pode fazer para receber melhor a semente da palavra de Deus, no caso de seu terreno estar cheio de espinhos? Vou lhe dar algumas sugestões: Limpe o terreno. Dê importância à semente e a proteja dos espinhos. Deixe que a semente, a palavra, reoriente a sua vida. Dê ao Reino de Deus o primeiro lugar. Não deixe ninguém sufocar essa semente. Ela está destinada a dar muitos frutos.

Outra parte da semente caiu no meio dos espinhos (Mc 4, 7).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
no meu terreno, tem uns espinhozinhos, não vou negar. Mas, sei que a tua própria palavra é uma força para me ajudar a removê-los. Conto com a tua graça. Quero que a tua palavra, que recebo cada dia com grande alegria, seja a luz a orientar a minha vida. Dá-me, Senhor, a paciência do agricultor que prepara o terreno, rega a plantinha, limpa o mato e espera pacientemente que ela cresça e produza frutos. Que a tua palavra cresça, dia após dia, em minha vida e dela possas colher muitos frutos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Lendo o texto bíblico de hoje, escolha um versículo e transcreva-o no seu caderno espiritual.

Comunicando

Muita gente está planejando o que vai fazer nos dias carnaval. Uns vão descansar, outros viajar, outros vão cair na folia. Um grupo numeroso se planeja para dias de retiro ou outras atividades religiosas. De nossa parte, estamos preparando um RETIRO DE CARNAVAL. O Retiro vai acontecer na Casa de Encontros dos Salesianos, em Jaboatão, área metropolitana do Recife, de 15 a 18 de fevereiro. É um retiro para jovens e adultos, com hospedagem e alimentação no local. Informações pelo site www.amanhecer.org.br ou pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB

 

Eu quero entrar na tua casa.


   27 de janeiro de 2026.   

Terça-feira da 3ª Semana do Tempo Comum


   Evangelho.   


Mc 3,31-35

Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”.
33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.


   Meditação.   


Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo (Mc 3, 31)

Você lembra que, outro dia, nós lemos no evangelho que os mestres da lei começaram a difamar Jesus, dizendo que ele estava com um espírito mau. Jesus chamou a atenção deles. Não fechem as portas para Deus. Não fechem os olhos para a ação de Deus. Não blasfemem contra o Espírito Santo. O pecado contra o Espírito Santo não tem perdão. Os fariseus se opuseram fortemente a Jesus.

Hoje, vamos considerar como também os seus parentes tiveram dificuldade para se inserir na comunidade de Jesus. Eles ficaram desorientados diante de sua atividade missionária. Quando souberam que ele não tinha nem tempo pra comer, com tanta gente atrás dele, eles pensaram ‘Jesus enlouqueceu’. O evangelista Marcos escreveu, nos dando um susto: “saíram para agarrá-lo”. Puxa! Os parentes dele eram gente pacata da aldeia de Nazaré. Nazaré fica a uns 50 km de Cafarnaum, a cidade onde Jesus estava morando. Pois eles pegaram a estrada e foram atrás de Jesus.

No texto de hoje, os seus parentes chegaram a Cafarnaum. Chegaram na casa onde Jesus estava, permaneceram do lado de fora e mandaram chamá-lo. O recado que eles mandaram dizia: “tua mãe e teus irmãos está aí fora e querem falar contigo”. Não se preocupe. Esse recado não tem nenhum sentido negativo contra Maria, sua mãe. “Tua mãe e teus irmãos” é uma forma de se referir aos seus parentes de sangue.

O texto apresenta claramente os que estão dentro e os que estão fora. Dentro de casa, claro, está Jesus com muita gente. A casa está cheia. Pela narração anterior, tanta gente se juntava que não dava mais para entrar. Houve até aquela vez que desceram um paralítico pelo teto, lembra? Mas, há uma anotação especial no texto de hoje: As pessoas estão sentadas, ao redor de Jesus. Isto é mencionado duas vezes, nesse pequeno texto, para chamar nossa atenção. ‘Sentados’ é a posição dos discípulos ao redor do Mestre. Você lembra de Maria, irmã de Marta, sentada aos pés de Jesus? Sentado, o discípulo escuta o Mestre, dialoga com ele, está numa posição de quem está aprendendo.

Os que estão dentro de casa, com Jesus, estão sentados. São discípulos e discípulas. Mas, tem gente lá fora, não tem? Isso, os parentes de Jesus. Eles estão fora. Eles precisam dar um passo importante: entrar na casa, isto é, tornarem-se também discípulos de Jesus. 

Sabe quem ficou de fora? Do lado de fora ficaram Adão e Eva (expulsos do paraíso), as moças distraídas (foram comprar óleo, quando chegaram a porta já estava fechada) e o irmão mais velho do filho pródigo (indignado com a festa que o pai preparou, não quis entrar em casa). O lugar dos discípulos é dentro da casa, rodeando o Mestre para aprenderem os caminhos do Reino. Os parentes estavam do lado de fora. Não é Jesus que tem que sair. São os parentes que precisam entrar. A palavra de Jesus é um convite para eles se tornarem seus discípulos. O que Jesus disse? “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Esse é o verdadeiro laço de parentesco com ele, a obediência à vontade de Deus.




Guardando a mensagem

Os parentes de Jesus tiveram dificuldade de entender a sua identidade de filho de Deus e a sua missão de Messias. Num certo momento, acharam que ele tinha perdido o juízo. Nessa passagem, eles aparecem do lado de fora, chamando Jesus. Jesus os chama para a condição de discípulos, os convida a ingressar no círculo dos seus seguidores, a entrar na casa. Seus verdadeiros parentes são os que, como ele, fazem a vontade de Deus. O texto não diminui a importância da Virgem Maria. Ninguém mais do que ela soube ser obediente à vontade de Deus. A expressão “tua mãe e teus irmãos” é uma forma de se referir à família, neste caso à família de Jesus, uma vez que não tinha mais pai. Também não tinha irmãos. “Irmãos” aqui são seus primos ou parentes próximos. Não é Jesus que precisa sair. São eles que precisam entrar.

Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo (Mc 3, 31)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
tua entrada no mundo já foi um gesto de obediência, como está escrito no Salmo 39: “eis que venho, Senhor, com prazer, fazer a tua santa vontade”. Tua santa mãe também acolheu a vontade de Deus com muito amor e entrega total. Disse ela, em resposta à comunicação do anjo: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E tu nos ensinaste também a acolher a vontade do Pai em nossa vida: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. Queremos, Senhor, entrar na tua casa, pertencer ao círculo dos teus discípulos, ser teus parentes: queremos ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

O que você poderia fazer para ajudar seus parentes a se aproximarem mais de Jesus? Pense nisso. Anote alguma coisa no seu diário espiritual.

Comunicando

Vai ser uma bênção a peregrinação deste ano aos lugares onde o apóstolo Paulo pregou o evangelho da salvação em. Cristo Jesus: Atenas, Corinto, Bursa, Esmirna, Éfeso, Istambul, Roma. Grécia, Turquia e Itália em 12 dias de peregrinação. Saída: 20 de outubro. Informações pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


Envia, Senhor, operários para a tua messe.


Segunda-feira

   26 de janeiro de 2026   

Memória de São Timóteo e São Tito


   Evangelho.  


Lc 10,1-9

Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’”.

   Meditação.   


Peçam ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita (Lc 10, 2).

Jesus estava enviando setenta e dois discípulos, dois a dois, à sua frente, aos lugares por onde ele iria passar. E fez-lhes diversas recomendações, para que se mantivessem focados no anúncio do Reino, com proximidade junto ao povo (partilhando pousada e alimentos em suas casas) e em estilo de simplicidade e despojamento (sem cargas para levar). Fez a este grupo de 72 enviados também a recomendação de orar ao Pai, pedindo-lhe que mande mais operários para a sua messe.

Messe é colheita, a hora em que a grande plantação de trigo ou cevada, exige um mutirão. É o tempo da safra, como se diz na área da cana de açúcar. ‘A messe é grande. Mas, os trabalhadores são poucos’. Jesus, em seu fervor missionário, estava sentindo isso na pele. E os 72 iriam experimentar isso também, deslocando-se por vilas, povoados e cidades. Há muito que fazer e é urgente que se faça. Mas, a mão de obra disponível é pequena. Agora, a Messe tem um dono, o Pai, que enviou o filho como seu missionário. E o Pai pode enviar mais trabalhadores para a colheita. Então, é preciso rezar, pedir-lhe mais missionários.

A oração pelas vocações tem sido uma recomendação da Igreja a todos nós. Diante de tantas necessidades, da fome de Deus que tem esse mundo, das periferias existenciais desassistidas (como gostar de falar o nosso Papa), sentimos a falta de missionários, de animadores cristãos, de agentes de pastoral, de religiosos, diáconos e padres que continuem a anunciar o Reino e de apresentar Jesus salvador a todas as pessoas.

E por que Jesus mandou em missão setenta e dois discípulos? Numa certa ocasião, ele enviou 12, os doze apóstolos. Doze é o número do povo de Deus organizado nas tribos. Doze é o número da Igreja, o povo de Deus liderado pelos 12 apóstolos. Mas, nessa cena aqui ele mandou 72. Setenta e dois é um múltiplo de 12, é 12 x 6. Esse número passa uma clara mensagem: Todo o povo de Deus é missionário. Não são enviados apenas alguns. Todos estamos sendo enviados. E enviados como Igreja, como povo organizado ao redor dos apóstolos. E a missão não é uma aventura isolada de alguém. Eles vão de dois em dois. Dois é o número do testemunho. O testemunho coincidente de duas pessoas era o suficiente, num processo em Israel. Além disso, ir assim, em dupla, indica também que a missão é algo partilhado, tarefa de Igreja, assumida em co-responsabilidade.




 Guardando a mensagem

O evangelista Lucas, nos informa, neste capítulo 10, que Jesus enviou 72 discípulos à sua frente, com a missão de anunciar o Reino de Deus, preparando sua passagem por aqueles lugares. O número setenta e dois, sendo múltiplo de 12 (é 6x12) nos avisa que a missão é de todos os discípulos, de toda a Igreja organizada em torno dos doze apóstolos. As recomendações que o Senhor deixou aos missionários foram que fossem próximos do povo e se movessem com grande despojamento e confiança em Deus. Como a messe é grande e os operários insuficientes, seguindo o que recomendou Jesus, devemos pedir ao Pai que mande missionários para o grande mutirão da evangelização do mundo.

Peçam ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita (Lc 10, 2).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
informaste àquela leva de missionários que eles estavam sendo enviados como ovelhas no meio de lobos. Essa imagem nos faz entender as dificuldades, os problemas, as oposições que o exercício da missão suscita. Foi assim contigo, não será diferente conosco. Sustenta-nos, Senhor, com o teu Santo Espírito, para que sejamos generosos, criativos e fiéis na missão que nos confiaste. Sendo hoje o Dia de São Timóteo e São Tito, discípulos de São Paulo e missionários como ele, pedimos que nos dês, por seu exemplo e sua proteção, o mesmo ardor missionário que os fez enfrentar e vencer tantos obstáculos para anunciar o teu evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Quando você pede ao Senhor operários para a sua Messe, na verdade, está também se dispondo a ser convocado ou convocada para a missão. No dia de hoje, mais de uma vez, faça esse pedido ao Pai, como Jesus orientou: “Senhor, manda operários para a tua Messe!”.

Comunicando

Nos passos de Paulo. 12 dias visitando, conhecendo e rezando em lugares onde São Paulo pregou o evangelho e animou comunidades cristãs na Grécia, na Turquia e em Roma. Nossa peregrinação começa no dia 20 de outubro deste ano. Para informações, mande uma zap para 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O Domingo da Palavra de Deus


  25 de janeiro de 2026.  

3º Domingo do Tempo Comum

Domingo da Palavra de Deus


  Evangelho  


Mt 4,12-23.

12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15”Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.
18Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.


  Meditação.  


Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo (Mt 4, 23)

Neste terceiro Domingo do Tempo Comum, estamos celebrando o Domingo da Palavra de Deus. Além do mês da Bíblia, em setembro, e o Dia da Bíblia em 30 de setembro, temos também o Domingo da Palavra de Deus.
Neste ano, o tema é “A Palavra de Cristo habite entre vocês" (Cl 3,16).

O evangelho de hoje - Mateus 4 - nos conta como Jesus, ao saber da prisão de João Batista, foi morar em Cafarnaum e começou a pregar o Reino de Deus. Os primeiros seguidores eram pescadores e Jesus os convidou a pescarem gente, com ele. O texto do evangelho de hoje termina com um pequeno resumo da atividade de Jesus: ele andava por toda a Galileia, ensinando, pregando, curando.

Podemos, hoje, manter o foco nessa atividade de Jesus: a pregação. Lemos no v. 17: “Daí em diante, Jesus começou a pregar dizendo: Convertam-se, porque o Reino dos céus está próximo”. Então, em sua pregação, Jesus convocava à conversão, à mudança de vida, em vista do Reino que estava próximo. No v. 23, lemos: “Jesus andava por toda a Galileia, ensinado em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”. Então, pregava o evangelho do Reino e, em realização de sua pregação, curava o povo de suas enfermidades. Assim, o Reino ficava bem compreendido como intervenção salvadora de Deus. Na 1a. carta aos Coríntios, Paulo escreveu: “De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa-nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória para não privar a cruz de Cristo de sua força própria”. Então, é verdade, nas leituras de hoje, podemos ter um foco especial na pregação de Jesus.

Ao que parece, Jesus não pregava apenas repetindo as palavras dos pergaminhos, dos livros santos. Bom, em Nazaré, como certamente em todas as Sinagogas, o vemos partir da leitura dos textos sagrados. Mas, a novidade era a atualização que ele fazia daquelas palavras. Em Nazaré, por exemplo, ele disse: “Hoje se cumpriram as palavras que vocês acabaram de ouvir’’. Essa era a novidade de Jesus. Ele anunciava uma palavra viva, cheia de sentido para a vida dos seus ouvintes. Não era um repetidor dos escritos e da tradição, carregando o povo de obrigações com a Lei, como os fariseus. Nele, aquelas palavras se realizavam. Por ele, as antigas promessas tornavam-se vida. Pela sua pregação, as pessoas compreendiam a Palavra como manifestação do amor misericordioso de Deus. Por isso, se admiravam como ele falava com autoridade, não como os escribas.

O Papa Francisco, em 2019, escreveu uma Carta Apostólica marcando o terceiro Domingo do Tempo Comum para a celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus. Nessa Carta, ele chamou a atenção para o fato do Espírito Santo tornar viva e atual a palavra escrita. Escreveu ele: “Para alcançar a finalidade salvífica, a Sagrada Escritura, sob a ação do Espírito Santo, transforma em Palavra de Deus a palavra dos homens escrita à maneira humana. O papel do Espírito Santo na Sagrada Escritura é fundamental. Sem a sua ação, estaria sempre iminente o risco de ficarmos fechados apenas no texto escrito, facilitando uma interpretação fundamentalista, da qual é necessário manter-se longe para não trair o caráter inspirado, dinâmico e espiritual que o texto possui.» (Carta apostólica do Papa Francisco “Aperuit illis”, sobre o Domingo da Palavra de Deus).

O arcebispo de Santa Maria, RS, Dom Leomar Brutolin, publicou, nesta semana, um belo artigo sobre esta comemoração. Nele, se lê:

"O Domingo da Palavra é mais do que uma celebração litúrgica: é uma convocação. Deus abre, diante de nós, o grande livro de sua vontade e pergunta se queremos caminhar guiados por Ele. A Palavra é mapa, é lâmpada, é sol que nasce sobre nossas sombras. É promessa de que a vida pode ser mais humana e mais divina ao mesmo tempo. Sim, o Domingo da Palavra é o dia em que Deus recorda ao mundo que Ele ainda fala. E que quem escuta, encontra o caminho. Quem acolhe, encontra a verdade. Quem vive, encontra a vida."





Guardando a mensagem

Estamos no Domingo da Palavra de Deus. Jesus, ao iniciar sua missão, começou a pregar a conversão, em vista do Reino que estava chegando. Andava pelas sinagogas da Galileia, pregando o evangelho do Reino e curando as enfermidades do povo. São Paulo afirmou que Cristo o mandou pregar a boa-nova da salvação. O conteúdo da pregação é o anúncio do Reino de Deus que chegou, com Jesus, como reconciliação, vida plena, perdão, salvação. O povo distinguia claramente a pregação de Jesus da pregação dos fariseus. Jesus, com os textos e a tradição da fé do seu povo, comunicava o tempo novo que estava chegando, pela misericórdia de Deus. Os fariseus, repetindo as normas e os mandamentos dos livros ou da tradição, colocavam pesadas cargas nas costas do povo. O Espírito Santo é quem vivifica a Palavra. Ele, que inspirou os autores sagrados, continua inspirando a Igreja e os seus filhos a compreenderem e a acolherem a mensagem divina para as suas vidas. O Espírito Santo continua nos ajudando a acolher a Palavra da Salvação, particularmente na pregação litúrgica e na leitura orante da palavra de Deus (a lectio divina).

Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo (Mt 4, 23)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
estamos felizes por estar celebrando hoje o Domingo da Palavra de Deus. Tu és o Cristo, o ungido pelo Espírito Santo para a missão. Assim, não és apenas um grande pregador da Palavra de Deus, mas tu és a própria Palavra, o Verbo feito carne. Dá-nos, Senhor, o teu Santo Espírito para compreendermos as Escrituras e para te conhecer e amar ainda mais. O Papa Francisco falou pra gente ter mais confiança na ação do Espírito. Ele continua a realizar a sua inspiração quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura, quando o Magistério a interpreta de forma autêntica e quando cada um de nós faz dela a sua norma espiritual. Senhor, livra-nos do fundamentalismo, que interpreta tudo ao pé da letra, sem o discernimento do Espírito e da inteligência humana. E não deixes viver indiferentes às tuas abençoadas palavras com que nos conduzes como bom pastor. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Vivendo a palavra

Ponha a sua Bíblia, hoje, em destaque, na sua casa. Nela, leia o evangelho de hoje: Mateus 4,12-23.

Comunicando

Como a data de hoje, 25 de janeiro, cai num domingo, omite-se a Festa da Conversão de São Paulo. De toda forma, aproveito essa data para um convite: participe conosco da peregrinação "Nos passos de Paulo". Serão doze dias visitando os lugares onde o apóstolo das nações viveu e atuou na Grécia, na Turquia e em Roma. Saída: 20 de outubro. Mais informações pelo zap 81 9964-4899.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Foi difícil acreditar.




   Sábado, 24 de janeiro de 2026.   

Memória de São Francisco de Sales, 
bispo e doutor da Igreja


   Evangelho   


Mc 3,20-21

Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.

   Meditação   


Os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si (Mc 3, 21).


Texto curto, o de hoje. Mas, uma dúvida: os parentes de Jesus conseguiram se integrar ao Movimento dele? O texto conta que ele voltou para casa, com os discípulos. Entende-se: depois de andanças por vários povoados da Galileia, retorna a Cafarnaum, onde tinha passado a residir, desde a prisão de João Batista. E ainda está em nossa memória aquele sábado em Cafarnaum, em que libertou um homem na sinagoga, levantou a sogra de Pedro e curou muita gente que se juntou à porta da casa. Assim, logo que se soube que ele tinha voltado, não parou de chegar gente. Por isso, relata o evangelista, eles nem sequer podiam comer. Realmente, uma coisa extraordinária. Extraordinária, mas preocupante.

Os parentes de Jesus moravam em Nazaré, a menos de 50 km de Cafarnaum. Nazaré era uma vila mais pacata, menorzinha. Cafarnaum já era mais movimentada, à beira do mar da Galileia, às margens de uma grande estrada. Claro, 50 km a pé ou puxando um jumento bem que é longe. Mas, as notícias corriam rápido. E logo em Nazaré, chegou a notícia do que estava acontecendo com Jesus: multidões acorrendo para ouvi-lo ou para serem curadas de suas doenças. E eles sem tempo nem mais para comer.

Podemos imaginar facilmente. As famílias eram numerosas e os filhos casados moravam junto dos pais. Assim, em Nazaré, onde Maria residia, moravam também os tios de Jesus e seus primos, a turma da idade dele com quem ele tinha se criado, àquela altura com certeza, todos já casados. Claro, você lembra, a palavra primo não existia naquelas bandas, primos eram chamados de irmãos. As notícias que corriam chegaram aos ouvidos dos seus parentes. Eles ficaram preocupados. Jesus era um carpinteiro, uma pessoa com uma profissão, conhecido na comunidade. Tinha se lançado mundo afora, andara participando dos encontros de João Batista e, agora, estava pregando nas Sinagogas... até aí, mesmo com dificuldade, dava pra entender. Mas, andar assim assediado por tanta gente, curando os doentes, enfrentando demônios... sem tempo nem para comer; e metido com pescadores e outras pessoas pouco recomendáveis... Os parentes tiraram uma conclusão: ‘Ele está fora de si, endoidou. Temos que protegê-lo, vamos busca-lo, nem que seja à força’.

Mais tarde, vemos como alguns parentes próximos de Jesus chegaram a acolher o seu Evangelho e se tornaram membros ativos na Igreja, como Tiago, um dos seus primos, que tornou-se uma grande liderança na comunidade de Jerusalém. 





Guardando a mensagem

A primeira oposição a Jesus foi a dos seus próprios parentes. Eles tiveram dificuldade para compreender o comportamento de Jesus e para se integrar na grande comunidade de seguidores que estava se formando ao seu redor. A partir de sua experiência com sua família, Jesus nos deixou preciosos ensinamentos. Um deles é este: Só quem faz a vontade de Deus é seu verdadeiro parente. Outro ensinamento foi este: É preciso amar mais a ele do que à própria família (pai, mãe, mulher, marido, filhos). Essa palavra explica a nossa escolha por Jesus, mesmo se a família não apoiar ou não estiver de acordo. Sua família pode ser uma força no seu caminho de fé. Se for assim, dê graças a Deus! Mas, pode ser também que sua família chegue a fazer oposição, seja um elemento dificultador para sua opção de fé. Nesse caso, sem faltar com o amor à sua família, ame mais a Jesus e escolha, antes de tudo, o seu evangelho. E trabalhe para levar sua família a Jesus.

Os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si (Mc 3, 21).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
quando ensinaste os teus discípulos a rezar, nos entregaste a bela oração do Pai Nosso. Assim, aprendemos contigo a desejar de todo coração fazer a vontade do Pai e a nos empenhar com todas as forças para que sua vontade se realize entre nós. Rezamos contigo: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. Temos parentesco contigo e com tua mãe, na medida em que nos tornamos fieis cumpridores da santa vontade do nosso Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Escolha uma boa hora para rezar, hoje, com calma, o PAI NOSSO... ofereça-o por sua família.

Comunicando

Amanhã, com o 3º Domingo do Tempo Comum, celebramos em toda a Igreja o Domingo da Palavra de Deus. Neste ano, o lema é “A Palavra de Cristo habite entre vocês" (Cl 3,16).

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

Porque Jesus escolheu doze.



   23 de janeiro de 2026    

Sexta-feira da 2ª Semana do Tempo Comum


    Evangelho    


Mc 3,13-19

Naquele tempo, 13Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. 14Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15com autoridade para expulsar os demônios. 16Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, 19e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.

    Meditação    


Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar (Mc 3, 14)

Meditamos, ontem, como Jesus começou a estabelecer um novo momento no seu ministério, ao pedir uma barca e afastar-se um pouco da multidão que o comprimia, ali à beira mar. Àquele povo movido pela busca de curas e milagres, ele respondeu com a pregação do evangelho. O evangelho comunica o propósito de Deus, a sua vontade. Bem-aventurado o que ouve e pratica a Palavra do Senhor. A barca de Pedro é já uma representação da Igreja, realizando sua missão no mundo (o mundo, você lembra, está representado pelo mar).

Não sei se você leu o sonho de Dom Bosco com a Grande Barca que é a Igreja e como, numa feroz perseguição no mar, isto é no mundo, ela encontrou segurança atracando no meio de duas colunas, a Celebração da Eucaristia e a Devoção à Virgem Maria (Se não leu, dê uma olhadinha no link que lhe enviei ontem).

A cena de hoje, no evangelho, é o que segue após o encontro com o povo à beira mar. Jesus sobe o monte e chama alguns. E escolhe doze para que fiquem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. É o que está no evangelho de Marcos.

Designou doze. Doze é o número do povo de Deus organizado. Israel tinha doze tribos. Estas se organizaram, simbolicamente, em torno de doze patriarcas, os filhos de Jacó. Doze são também os Juízes do Antigo Testamento, bem como os profetas maiores. Doze, então, é o número da organização, da liderança. Parece que o trabalho de Jesus começa a ter um novo nível de organização, com essa escolha dos doze. O seu grupo mais próximo, com quem ele vai peregrinar habitualmente e a quem vai dedicar uma maior atenção à sua formação, é formado por doze lideranças. Eles serão a referência para todos os seus discípulos, seus seguidores.

Escolheu doze para ficar com ele e para enviá-los a pregar. Ficar com ele é a condição de discípulos, dos que estão aprendendo sobre o Reino de Deus. Serem enviados a pregar é a condição de missionários, de apóstolos. Em seu nome, eles vão dar continuidade à missão. Ter escolhido doze não quer dizer que não havia outras lideranças reconhecidas. Certamente, havia. As mulheres, por exemplo, que também eram discípulas, tinham suas funções no grupo e, mais tarde, tiveram um papel muito importante no testemunho da ressurreição e na formação das comunidades.





Guardando a mensagem

Jesus estava conduzindo o povo de Deus para um novo momento de organização. A escolha dos doze é um sinal do seu trabalho de restauração do povo de Deus. Com a escolha dos doze, estão lançadas as bases de organização da igreja cristã. É por isso que dizemos que a Igreja é apostólica, porque ela nasce do testemunho, do ensinamento e da liderança dos apóstolos que Jesus escolheu e formou. Os bispos da Igreja são os apóstolos de hoje, aqueles que o Senhor escolheu e lhes deu participação na sua autoridade. Na atuação dos apóstolos de ontem ou de hoje, independentemente de suas fraquezas ou virtudes, vemos o Bom Pastor Jesus que nos ensina, nos abençoa e nos conduz, na força do seu Santo Espírito.

Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar (Mc 3, 14)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
chamaste os doze, pessoalmente. Eles seguiam sempre contigo. Tu tinhas o cuidado de explicar-lhes as parábolas, as coisas do Reino. E eles te acompanhavam com toda boa vontade. Mas eram fracos como nós e te deram muita dor de cabeça. Na hora da paixão mesmo, houve quem dissesse até que não te conhecia, além daquele que te traiu. Mas, tu não desististe deles, nem os desautorizaste. Tu, Senhor, conheces a nossa fraqueza e, ainda assim, confias em nós. É o mistério de tua encarnação. Hoje, Senhor, queremos te pedir, de maneira muito especial, pelos nossos líderes, nossos diáconos, padres e bispos e pelo Papa, o bispo da Igreja em Roma e referência de unidade para todo o teu povo santo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Reze pelas vocações, para que o Senhor da Messe não deixe faltar operários à sua Igreja: lideranças leigas, religiosos e consagrados, diáconos, padres, bispos.

Comunicando

Como você não pode acompanhar a Missa de ontem (toda quinta-feira tem essa missa), deixei em destaque, no Youtube, a homilia ou pregação. Para conferir, é só acessar o Canal Padre João Carlos.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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