12 agosto 2019

FILHOS RESPONSÁVEIS


O mestre de vocês não paga o imposto do Templo? (Mt 17, 24)
12 de agosto de 2019.
Várias vezes, participei da Santa Missa, no terceiro domingo do mês, na cidade pernambucana de Carpina. Esse é o dia em que os fiéis daquela paróquia oferecem o seu dízimo. Na hora do ofertório, o povo forma uma longa fila e, um por um, traz o seu envelope, e com ele toca o altar e o deposita num grande cesto. O fato de tocar o altar com o envelope é facilmente compreensível: o que está dentro do envelope representa a participação daquele fiel na oferta que a Igreja faz a Deus. De fato, durante a apresentação das oferendas em cada Missa, o presidente da celebração bendiz o Senhor pelo “fruto da terra e do trabalho do homem”, no sinal do pão e do vinho.
Mas, realmente, o que me chamava a atenção naquela grande fila de pessoas, cantando e apresentando o seu dízimo, em Carpina, era a presença do pároco e do vigário paroquial na fila também. Pe. José Rolim e Pe. Brenno, que estavam à frente da Assembleia, iam também pra fila e cada um apresentava o envelope com o seu dízimo. No início, muita gente estranhou. Achavam, com razão, que os dois padres não precisavam ir pra fila como todo mundo, eles estavam dispensados do dízimo. Já eram ministros do altar, já davam do seu tempo e de sua vida a serviço da Igreja, não havendo mais necessidade de devolver o dízimo. Aliás, do dízimo do povo já saía a sua côngrua, o seu pro labore. Mas, os dois padres não faltavam na fila e nem se preocupavam de fornecer qualquer explicação.

Tudo isso ilustra o evangelho de hoje. Num dia em que Jesus e seu grupo estavam chegando a Cafarnaum, cobradores do imposto do Templo perguntaram a Pedro se Jesus pagava aquela taxa. Pedro, para facilitar as coisas, disse que sim. E quando entrou em casa, Jesus puxou logo o assunto. Perguntou se, num reino, a quem se cobra os impostos, aos filhos do rei ou aos estranhos? Pedro respondeu que, claro, aos estranhos. Os filhos estavam mais do que dispensados; o reino era do pai deles, ora essa. Ainda assim, para não ser motivo de escândalo, Jesus mandou Pedro providenciar o pagamento. Assim, lhe indicou que fosse pescar, que era a profissão de Pedro. No primeiro peixe fisgado, encontraria uma moeda – o estáter – que daria para pagar o imposto por si e pelo Mestre.
Três coisas, pelo menos, podemos aprender com essa página do evangelho de hoje. O primeiro ensinamento vem dos chatos que cobraram o imposto. O imposto de que se fala, nessa passagem, não é o dízimo. Nem o imposto de César. No dízimo, apresentava-se como oferta a Deus os primeiros frutos da agricultura e os primeiros animais de corte do rebanho. O dízimo tem a ver, então, com ganhos, salários, rendimentos. Também, claro, não se trata do imposto ao império romano, devido pela condição de povo subjugado. Este era pago com muita má vontade e, no meio, de muitos conflitos. Além da prática do dízimo, havia, no povo de Deus do tempo de Jesus, um imposto anual para sustentação do Templo (levitas, cantores, sacerdotes, lenha, funcionamento do Templo e do seu culto). O imposto do Templo era anual, pago pelos homens, e equivalia a dois dias de trabalho, pagos com uma moeda grega chamada dracma.Somos responsáveis pela manutenção da Casa de Deus.
O segundo ensinamento vem do exemplo de Jesus. Ele não estava obrigado, como filho de Deus, a pagar esse imposto. Aliás, muita gente, pela sua ligação com o Templo, estava dispensada: sacerdotes, levitas, rabinos. Mas, Jesus fez questão de participar, de dar bom exemplo, de mostrar-se também comprometido. Nessa responsabilidade com a Casa de Deus, ninguém deve se omitir. As lideranças podem ajudar muito, como Jesus, como os padres de Carpina, dando bom exemplo.
O terceiro ensinamento vem do peixe. É verdade que Pedro foi pescar. Mas, o que se conseguiu para a oferta do imposto não foi só trabalho de Pedro, mas foi, particularmente, providência divina. Ele encontrou a moeda na boca do peixe, conforme a palavra de Jesus. Há aqui uma lição muito importante: para as coisas de Deus, quando há boa vontade de nossa parte, mesmo não tendo, aparece um jeito, coisa da providência de Deus. Muita gente já experimentou isso.
Guardando a mensagem
O evangelho de hoje nos chama à responsabilidade de filhos na manutenção da Casa de Deus.  Somos responsáveis pela casa do Senhor. Jesus mesmo deu exemplo: mesmo sendo filho, estando dispensado, participou também com sua contribuição para o Templo. O dinheiro que Pedro achou na boca do peixe nos mostra que o próprio Senhor, na sua Providência Divina, nos ajuda a encontrar modos de participar na manutenção de sua Casa e de sua Obra.
O mestre de vocês não paga o imposto do Templo? (Mt 17, 24)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Muito temos que andar em matéria de corresponsabilidade na manutenção da Igreja e de sua missão evangelizadora. O nosso dízimo nem devia ter esse nome, pois não passa de uma simples oferta que não tem relação com os nossos ganhos reais. E as nossas ofertas, ao menos as que oferecemos nas celebrações, são trocados dignos de um esmoler. Damos esmolas, não sustentamos a Casa de Deus. Senhor, converte o nosso coração. Que o teu exemplo nos ajude a partilhar com amor e confiança para o sustento da tua Casa e para a realização de suas responsabilidades para com os mais pobres, com a formação dos nossos ministros, com a evangelização do mundo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
É hora de você rever a sua participação de filho na Casa de Deus. Hoje, tome uma boa decisão nesse assunto.

Pe. João Carlos Ribeiro – 12 de agosto de 2019.

20 comentários:

  1. Olá padre João Carlos eu achei muito interessante esse comentário; seria muito bom se as pessoas se disponibilidade mais para pagar o dízimo.e verdade as oferta que fazemos as vezes parede coisa de esmolé .quando na verdade gastamos muito mas com coisas desnesesarias não é mesmo?

    ResponderExcluir
  2. Senhor Jesus. eu preciso caprichar mais.

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Padre.Louvado e Adorado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Bom dia Padre João Carlos, que reflexão Maravilhosa, Verdade Padre às vezes Nossas ofertas são esmolas, recebemos tantas graças de Deus, na hora de devolver, devolvemos uma migalha, precisamos pensar melhor. Eu devolvo o dízimo, é pouco para o que Deus me dá, mais sou fiel no pouco. Não tenho reda, dependo do meu esposo, mais não deixo de devolver o meu pouco com muito amor.💟 Uma semana de bençãos para o Senhor Padre João Carlos. 🙏🙏

    ResponderExcluir
  6. Bendito Seja Louvado nosso senhor Jesus Cristo pelo teu Santo nome.
    Padre João Carlos como é maravilhoso todo dia ouvi a meditação da palavra de Deus por um ser tão iluminado.Agradeço a Deus por este presente de Deus.

    ResponderExcluir
  7. Gloria a vós Senhor! ! ! Amém agradeço muito por Deus me dar o compromisso fiel de ser dizimista.

    ResponderExcluir
  8. Bom diaaa padre João que agrava de Deus lhe abençoe sempre obrigado pela linda mensagem de hoje

    ResponderExcluir
  9. Eu também preciso avaliar minha participação na casa do Senhor.

    ResponderExcluir
  10. Amém! Bom dia padre sua bença.

    ResponderExcluir
  11. Devo rever isso é me comprometo a fazê-lo.Obrigada pela conscientização. Peço q me abençoe e rede por mim.

    ResponderExcluir
  12. É verdade Pe. precisamos ser mais comprometidos com a igreja e suas necessidades

    ResponderExcluir
  13. É verdade Pe. precisamos ser mais comprometidos com a igreja e suas necessidades

    ResponderExcluir
  14. Bom dia padre concordo Deus nos da tanto precisamos melhorar vou rever mais isso

    ResponderExcluir
  15. Pura verdade às vezes colaboramos com tão pouco e pedimos mais

    ResponderExcluir
  16. Boa tarde! Padre.Muito importante o evangelho de hoje,mencionando sobre o dízimo do Senhor. Sou dizimista e voluntária na Pastoral do Dízimo na minha Paróquia de Botuporã-BA. Boa reflexão para mim. Amém.

    ResponderExcluir
  17. Boa tarde! Padre. O evangelho de hoje foi muito importante, pois mencionou sobre o dízimo do Senhor. Sou dizimista e voluntária na minha Paróquia de Botuporã-BA. Serviu de reflexão para mim. Amém.

    ResponderExcluir
  18. Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, eu LHE agradeço por tudo de bom que o SENHOR fez e faz pela humanidade. No entanto, me ensine a ter o santo temor. Me ensine andar nos VOSSOS caminhos. Me ensine amá-Lo com todo o meu coração e com toda a minha alma. Me ensine servi-Lo da melhor forma possível. Me ensine guardar os VOSSOS mandamentos e os VOSSOS preceitos. Me ensine ser feliz. Me ensine abrir o meu coração. Me ensine tratar bem todas as pessoas. Me ensine evitar o pecado do suborno. Me ensine amar sem distinção. Me ensine louvá-Lo, obedecê-Lo e adorá-Lo com sinceridade. Me ensine ser VOSSO discípulo missionário. Me ensine vencer o sofrimento. Isso eu LHE peço pela intercessão de Jesus Cristo o VOSSO querido filho e meu amado SALVADOR. Amém.

    ResponderExcluir
  19. SENHOR EU CREIO MAS AUMENTA À MINHA FÉ MINHA ESPERANÇA MEU AMOR DEUS
    ABENÇOE SENHOR TODOS OS SEUS FILHOS AQUI NA TERRA.ABENCOE OS MAIS NECESSITADOS MEU SENHOR E MEU DEUS. OBRIGADO POR TUDO AMÉM

    ResponderExcluir

E você, o que pensa sobre isso?