11 junho 2017

Santo, Santo, Santo!

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha vida eterna (Jo 3, 16).

Ninguém sabia direito quem era Deus. Mas, todo mundo sempre teve lá dentro do coração uma espécie de saudade de Deus. É uma espécie de parentesco espiritual que a gente tem com ele. Deus é alguém que nos marcou profundamente, não se sabe quando, nem como. Temos alguma coisa muito profunda em comum com ele. A pessoa pode até disfarçar, mas é como se a noção de Deus esteja inscrita no seu DNA. Um cientista social imaginou que esse negócio de Deus fosse fruto da cultura, uma coisa aprendida no ambiente onde a gente vive. Nada, já vem com a gente. Outro, ateu, apostou que isso era mais uma alienação do ser humano. Não, Deus deixou marcas do seu ser em nós.


O apóstolo Paulo chegou em Atenas, numa praça em que os filósofos e pensadores debatiam as novidades do momento. Aí ele anunciou que estava ali par falar sobre o Deus desconhecido. Juntou foi gente para ouvi-lo. Ele elogiou aquele povo grego tão religioso, com tantos deuses que eles homenageavam. O Deus desconhecido que ele vinha anunciar era o criador de tudo que existe. Ele tinha feito o homem e organizado o tempo. E deixara tudo bem feito para que o próprio homem tentasse descobri-lo, mesmo que fosse às apalpadelas (como um cego faz tateando um objeto para saber o que é). Esse Deus é senhor de tudo e não cabe em nenhum santuário feito pelas mãos do homem, nem é um ídolo feito de ouro ou de pedra. Aí ele completou: “Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos”. Começou, então, a falar de Jesus Cristo, homem creditado por Deus, ressuscitado dos mortos, por meio do qual o mundo será julgado.
É isso. Deus não está longe de cada um de nós. O povo hebreu conheceu Deus mais de perto. O próprio Deus tomou a iniciativa e comunicou-se com Abraão e os primeiros patriarcas. Fez uma aliança com aquele povo. E foi se revelando aos poucos, através de sua ação na história desse povo e pela pregação dos profetas.  Aí, chegou o tempo em que ele mandou seu filho Jesus para viver conosco. Ele se comunicou conosco através de Jesus. E Jesus nos revelou quem é esse Deus maravilhoso.

Está no evangelho de hoje: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha vida eterna” (Jo 3, 16). Deus amou tanto o mundo. O mundo é a humanidade decaída, a humanidade pecadora. Deus amou tanto essa humanidade decaída pelo pecado que deu seu filho unigênito, para salvá-la. Deus deu seu Filho. Deu-nos o que ele tinha de mais precioso, mais dele, deu de si mesmo. E nos deu o seu Filho para sermos libertados da condenação merecida pelo nosso pecado, para sermos salvos. A nossa resposta é crer, crer no nome do Filho unigênito. Crer é acolher a pessoa de Jesus e sua obra redentora.

Jesus, o Filho feito homem, nos revelou que Deus é uma comunidade de amor. Deus, o Pai, é o criador de tudo. Ele nos fez à sua imagem e semelhança. Pelo pecado, nós atrapalhamos o seu projeto. Mas, afinal, ele nos deu o seu filho, para nos restaurar no seu amor. Jesus, o enviado do Pai, pregou o Reino de Deus, o amor de Deus que constrói um povo segundo o seu coração. Perseguido pelos pecadores, ofereceu-se como vítima em expiação do nosso pecado. Por sua morte e ressurreição, abriu-nos o caminho da comunhão com o Pai. No seu retorno, o Pai enviou o Espírito Santo, para estar sempre em nós, reavivando as palavras e a presença de Jesus, para estarmos sempre unidos a ele. O Pai que cria, o Filho que redime, o Espírito que nos santifica são uma comunidade de amor. São pessoas distintas, mas são um só Deus.  


Vivemos mergulhados nesse mistério da Santíssima Trindade. Somos filhos amados do Pai, irmãos de Jesus, habitados pelo Espírito Santo. Rezamos ao Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo. Elevamos nossas mãos para bendizer o Deus único e verdadeiro que Israel conheceu: Santo, Santo, Santo! Damos glória ao amoroso Deus uno e trino: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.  

Pe. João Carlos Ribeiro - 11.06.2017