09 julho 2016

O que o Papa disse aos jovens

“Meus queridos jovens amigos,

Se vocês vissem a minha Bíblia, talvez vocês não ficariam por nada tocados. Diriam: “O que? Esta é a Bíblia do Papa? Um livro assim velho, assim usado!”. Poderiam também me presentear uma nova, quem sabe uma de 1.000 euros: não, não gostaria. Amo a minha velha Bíblia, aquela que me acompanhou metade da minha vida. Viu a minha alegria, foi banhada pelas minhas lágrimas: é o meu inestimável tesouro. Vivo dela e por nada no mundo eu faria menos dela.

A Bíblia para os jovens, que vocês apenas abriram, me agrada muito: é tão vivaz, tão rica de testemunhos de santos, de jovens, que dá vontade de lê-la de uma só vez, desde o início até a última página. E depois? Depois a escondem, desaparece numa prateleira de uma biblioteca, quem sabe atrás, na terceira fila, acabando por encher-se de poeira. Até  o dia em que os vossos filhos  a venderão num mercadinho de usados. Não, isto não pode ser!


Quero dizer uma coisa a vocês: hoje, mais do que no início da Igreja, os cristãos são perseguidos; por qual razão? São perseguidos porque usam uma cruz e dão testemunho de Cristo; são condenados porque possuem uma Bíblia. Evidentemente a Bíblia é um livro extremamente perigoso, que causa tanto risco, que em certos países quem possui uma Bíblia é tratado como se escondesse no armário bombas de mão!

Mahatma Gandhi, que não era cristão, uma vez disse: “A vocês cristãos é confiado um texto que tem em si uma quantidade de dinamite suficiente para fazer explodir em mil pedaços a civilização inteira, para colocar de cabeça para baixo o mundo e levar a paz a um planeta devastado pela guerra. Mas a tratam, porém, como se fosse simplesmente uma obra literária, nada além disto”.

O que vocês têm, então, em mãos? Uma obra-prima literária? Uma seleção de antigas e belas histórias? Neste  caso, seria necessário dizer aos muitos cristãos que se deixam aprisionar e torturar pela Bíblia: “Vocês são realmente tolos e pouco sábios: é somente uma obra literária!”. Não, com a Palavra de Deus a luz veio ao mundo e nunca mais se apagou. Na minha Exortação Apostólica Evangelii gaudium escrevi:  “Nós não procuramos Deus tateando no escuro, nem precisamos esperar que Ele nos dirija a palavra, porque realmente «Deus falou, já não é o grande desconhecido, mas mostrou-Se a Si mesmo». Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!” (n.175)

Vocês têm entre as mãos, portanto, algo de divino: um livro como fogo, um livro no qual Deus fala. Por isto, recordem-se: a Bíblia não é feita para ser colocada em uma prateleira, mas é feita para ser levada na mão, para ser lida frequentemente, a cada dia, quer sozinho como acompanhados. De resto, acompanhados vocês praticam esporte, vão ao shopping; por que então não ler juntos, em dois, em três ou em quatro a Bíblia? Quem sabe ao ar livre, mergulhados na natureza, no bosque, na beira do mar, de noite à luz de velas...vocês fariam uma experiência forte e envolvente. Ou quem sabe vocês têm medo de parecerem ridículos diante dos outros?

Leiam com atenção. Não permaneçam na superfície, como se faz com histórias em quadrinho! A Palavra de Deus não pode ser lida com um passar de olhos! Antes, perguntem-se: “O que diz este texto ao meu coração?  Por meio desta palavra, Deus está me falando? Talvez esteja suscitando anseios, a minha sede profunda? O que devo fazer?”. Somente assim a Palavra de Deus poderá mostrar toda a sua força; somente assim a nossa vida poderá transformar-se, tornando-se plena e bela.
Quero confidenciar a vocês como leio a minha velha Bíblia. Frequentemente a pego, a leio um pouco, depois a deixo de lado e me deixo olhar pelo Senhor. Não sou eu que olho para Ele, mas Ele que olha para mim: Deus está realmente alí, presente. Assim me deixo observar por Ele e escuto – e não é um certo sentimentalismo – percebo no mais profundo de meu ser aquilo que o Senhor me diz.

Às vezes não fala: e então não ouço nada, somente vazio, vazio, vazio.... Mas, paciente, permaneço lá e o espero assim, lendo e rezando. Rezo sentado, porque me faz mal ficar de joelhos. Às vezes, rezando, até mesmo adormeço, mas não tem problema: sou como um filho próximo ao seu pai, e isto é aquilo que conta.


Vocês querem me fazer feliz? Leiam a Bíblia”.

http://br.radiovaticana.va/news/2015/12/03/papa_confidencia_aos_jovens_a_sua_maneira_de_ler_a_b%C3%ADblia/1191757