16 junho 2016

Você é dizimista?

O dízimo é uma das expressões de nossa condição de filhos crescidos na Casa do Pai e na comunhão com os irmãos. É um sinal de maturidade cristã.

O povo da Bíblia, quando começava a colheita, apresentava uma oferenda em agradeci-mento a Deus pela safra que começava a colher ou por seus rebanhos em tempo de corte. Isso se chamava dízimo. Dizimar era oferecer a Deus os seus primeiros frutos e suas primeiras criações de corte, representando o fruto do seu trabalho. Por esse gesto, a pessoa expressava um forte sentimento de reconhecimento e de gratidão. Reconhecia que Deus é quem lhe providenciava o necessário para a sobrevivência. E agradecia a Deus por todos os benefícios recebidos.



Era assim que pastores e agricultores separavam uma cota representativa do seu rebanho e de suas colheitas para apresentarem no Templo, como reconhecimento e gratidão a Deus. Isso era o dízimo. E havia também, em Israel, uma outra preocupação em relação ao dízimo, o cuidado com os pobres. Como a pessoa devia levar ao Templo sua oferta, igualmente devia socorrer os pobres, as viúvas, os migrantes sem terra e os órfãos de sua vizinhança. Separava algo para Deus e algo para os pobres. Dizimar era o verbo que indicava reservar uma parte da colheita ou do rebanho para Deus e para os pobres. Nesse sentido, não era décimo. Era dízimo, isto é a dedicação de uma parte para Deus e para os mais humildes.

E como é o dízimo na Igreja Católica? É uma norma muito simples: “cada fiel deve participar, na medida de sua capacidade, na manutenção material da Igreja”. É o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o tema. E só isso. “Cada fiel deve participar, na medida de sua capacidade, na manutenção material da Igreja”. Nesse sentido, o dízimo (ou a oferta que o realiza) tem a seguinte destinação: sustentar o trabalho missionário da Igreja, manter o culto, o templo e os ministros; e financiar o serviço da caridade em relação aos mais pobres.

Na verdade, a oferta do dízimo é um sinal de maturidade na fé por parte de um cristão. A oferta só tem valor se for dada em espírito de fé, como um louvor a Deus e como expressão de corresponsabilidade com a comunidade eclesial. O contrário também é verdadeiro. A não participação no dízimo significa, pelo menos, falta de sentido de pertença e de responsabilidade com a própria Igreja.

É claro que a Igreja não é um clube a que eu pertenço e preciso pagar uma mensalidade para ter direito aos seus serviços. Na verdade, a Igreja é o mistério de nossa comunhão com o Pai, por meio do seu Filho, no Espírito Santo. É a grande congregação dos filhos, cuja cabeça é o próprio Jesus. Mas essa Igreja peregrina tem suas necessidades: precisa bancar seu apostolado, seu serviço missionário, pagar contas de água e luz, manter e construir novas edificações, formar seus ministros... só para lembrar alguns itens da longa lista de suas necessidades. E quem mantém tudo isso? A contribuição financeira dos seus filhos adultos, contribuição oferecida como louvor a Deus e como expressão de corresponsabilidade na Casa de Deus. Coisa de gente iluminada pela fé, gente-aprendiz do Deus providente e bom que não se deixa vencer em generosidade.

Pe. João Carlos Ribeiro