Meditação da Palavra

24 agosto 2012

Gente tolerante para novos tempos

A noite de São Bartolomeu foi um evento vergonhoso de intolerância. Foi um episódio sangrento de repressão aos protestantes na França  pelos reis franceses, que eram católicos. Esse genocídio aconteceu de 23 pra 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu.

A tolerância sempre foi uma virtude necessária para uma convivência pacífica e respeitosa. Hoje, com a globalização e pluralismo, tornou-se ainda mais importante. Tolerância é o contrário do exclusivismo, do bairrismo, do fanatismo. Tolerância. Tolerante foi Jesus. Chegou uma notícia: estão fazendo milagres em seu nome e não pertencem ao nosso grupo. E logo veio a sugestão de um discípulo: vamos proibi-los. "Não, disse Jesus. Quem não é contra nós, está a nosso favor." Tolerância, não exclusivismo, fanatismo.

Tolerante é quem, por respeito ao outro, abre mais os braços para acolher mais um. Ou mais cem. Exclusivista é quem só admite padronização, enquadramento na regra. Exclusivista é quem não suporta a diferença e identifica o diferente com o errado. Jesus era tolerante. Noutro episódio, os discípulos sugeriram mandar cair um raio na cabeça de um pregador que não era do grupo do Mestre. "Que é isso... reagiu Jesus. Quem não é contra nós, está a nossa favor".

O fanatismo é um grande mal presente ainda em nosso mundo. O fanático divide o mundo entre amigos e inimigos, entre os "nossos" e os contra. É assim no futebol, é assim na política, é assim na religião. E na religião é que a coisa fica mais feia, porque mexe com os valores, as referências éticas, as coisas mais sagradas da vida. Jesus não era fanático, nem admitia exclusivismos religiosos ou nacionais. Aquela história que ele contou elogiando quem acudiu aquele homem que estava caído na estrada colocou em cena um judeu (o homem assaltado e espancado), seus colegas de religião (um sacerdote e um levita) e um samarirano (um estrangeiro de outra religião). A ação do samaritano foi elogiada, a omissão dos religiosos foi reprovada. O amor não exclui, o amor respeita, dialoga, valoriza, serve para além de qualquer diferença. Aliás, nenhum peregrino deste mundo é de verdade um estrangeiro. Somos todos cidadãos deste único planeta Terra.

Tolerância não quer dizer relativismo, como seja "tudo é relativo e tudo está certo" ou "qualquer religião serve". Não se trata de relaxamento ou de qualquer coisa serve. Jesus era muito exigente. Dizia: "Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga". Tolerante e respeitoso com os diferentes. Exigente com os que assumiam a identidade de discípulos.

O mundo está precisando de gente tolerante. De gente aberta, respeitosa e séria. Precisando de Jesus. E de gente como ele.

Pe. João Carlos Ribeiro – 23 de agosto de 2012