30 julho 2012

Meus vizinhos

Vizinho está ficando um artigo raro. Nas cidades grandes, pouca gente tem vizinho ou conhece os seus vizinhos, ou conta com o apoio dos seus vizinhos.

Em décadas passadas, em que o Brasil era um país rural, com mais de 70% da população morando no campo. Hoje, a situação é inversa: apenas 30% moram no campo. No interior e nas pequenas cidades e mesmo nas grandes cidades, as famílias se sentavam nas calçadas, juntavam-se a outras famílias para bater papo, tocar violão, rezar o terço. E a criançada a correr no meio da rua. Perigo, qual nada?! Perigo de quê?! Ô tempinho bom! Ainda há no Brasil do interior alguma coisa parecida. Mas, no geral, a coisa mudou muito.

A televisão arrastou a família pra sala ou para os quartos. E mandou todo mundo ficar calado. Os ladrões, o trânsito, a violência tangeram as crianças da rua, decretaram o fim de suas corridas de pega, suas brincadeiras de amarelinha nas calçadas ou seus passeios de bicicleta. Agora, fechem-se as portas! Passe-se o cadeado! Basta ver quem chegar pela vigia, a lentezinha da porta, que só cabe um olho assustado de quem está dentro de casa. Mais seguro é morar em apartamento. Aliás, nem tanto... Levanta o muro, muro mais alto, portão de garagem elétrico com controle remoto pra não se expor aos bandidos... é, a coisa mudou muito.

E num Brasil assim tão desconfiado, com tanto medo uns dos outros, com tanta indiferença entre as pessoas que se cruzam na rua, ou que sobem no mesmo elevador, ou que viajam no mesmo ônibus para o mesmo bairro... é mesmo preciso tratar desse tema do Vizinho. Pra ver se se consegue um pouco mais de humanização nas relações, pra ver se a gente não se estranha tanto.

Por graça de Deus, quem começou a viver com mais consideração pelos seus vizinhos está colhendo muitas surpresas agradáveis. Está descobrindo que do seu lado direito, mora um casal muito amigo e cordial. Que na frente de sua casa, há uma garota da idade de sua filha e que pode ser uma excelente companhia na escola para ela. Que no apartamento ao lado mora uma pessoa que conheceu seu pai e tem muita consideração por sua família.

Como é importante a gente descobrir o valor de ter vizinhos, de fazer amizade com eles, de contar com o seu apoio. Porque nós precisamos mesmo nos ajudar a vencer esse medo, essa indiferença que a violência e a correria estão nos impondo. Afinal, o mandamento do amor ao próximo é a máxima expressão dos seguidores de Jesus Cristo. E logo ele que, por nos amar, se fez humano e habitou entre nós, armou sua tenda no nosso acampamento, mudou-se pra nossa rua, veio ser nosso vizinho.

Pe. João Carlos Ribeiro