Meditação da Palavra

20 setembro 2011

Eu preciso do seu perdão

Eu preciso do seu perdão. E você também precisa do meu perdão.
Jesus perdoou de verdade. Olhou para Pedro e o seu olhar de amigo decepcionado lançou Pedro numa profunda crise. Pedro saiu do pátio do Sumo Sacerdote,  soluçando como uma criança desesperada. Depois de ressuscitado, Jesus dialogou com Pedro, deu o primeiro passo. Perguntou se  lhe queria bem, se o amava de verdade. E fez Pedro responder isso três vezes, cancelando a culpa de suas três negações.  Pedro não fechou o coração ao perdão de Jesus, acolheu sua presença amiga, suas perguntas, seu perdão.
Judas também sentiu um imenso remorso, uma infinita tristeza pelo que tinha feito com o seu Mestre, seu amigo. Vendera-o por míseras trinta moedas de prata, entrega seu Mestre aos a seus inimigos. Viu de longe o que estavam fazendo com Jesus, correu pra tentar desfazer o negócio, mas em vão. Não deixou que Jesus o visse, o fitasse com aquele olhar com que olhou para Pedro. Desesperou-se, puniu-se com a forca. Matou-se, pra sufocar a imensa tristeza que tomou conta do seu coração. Não achou que merecia qualquer consideração, não julgou que mereceria também o perdão.
A gente tem sempre que pedir perdão. E só isso já é um bom castigo, um exercício de humildade e reconhecimento de nossas más ações ou omissões. Pedir perdão é um sinal de humanidade, pois não somos perfeitos, mas  estamos dispostos a melhorar, a acertar. Os outros também. Pedir perdão é confessar nossa fraqueza, é pedir pra ser ajudado. É pedir uma segunda chance ou uma enésima chance.
A gente tem que estar sempre pronto a perdoar. E a razão é simples: é que nós sempre precisamos do perdão dos outros. Nós erramos muito, nos equivocamos, fazemos pré-julgamentos, discriminamos, mostramos indiferença, traímos a confiança. E como erramos muito, precisamos sempre do perdão dos outros. Os outros também precisam do nosso perdão para continuar seu caminho, pra tentar corrigir seus erros, pra se reconciliar consigo mesmos.
Se o pedido de perdão é sincero, merece ser acolhido. Se o pedido de perdão é proforma, pode ser uma chance para um diálogo esclarecedor para que o agressor se dê conta da gravidade do seu ato.
Quem ofende, quem trai, quem erra prejudica a outrem e a si mesmo. O perdão é uma terapia para quem errou, além de uma compensação para a pessoa ofendida. É um acerto de contas consigo mesmo. E com o outro.
Pe. João Carlos Ribeiro -20.09.2011