14 setembro 2011

A cruz da vitória

O mistério da encarnação foi levado a sério. Jesus veio a nós, assumindo nossa condição humana, nosso caminho humano de sonhos e fraquezas, nossa vida. Foi solidário conosco em tudo, menos, é claro, no pecado, em ser infiel ao amor de Deus. O Pai, que o enviou, levou a sério a encarnação de Jesus até o fim. Não o livrou da condenação e da morte. E Jesus, que realizou sua missão em espírito de obediência ao Pai, levou a sério a encarnação: foi a até o fim, até à cruz, até à morte. 

Entre nós, anunciou o Reino de Deus, mostrou o Reino presente por seus gestos de amor e perdão, fez-se bom pastor das ovelhas desgarradas e perdidas. Enfrentou com paciência e perseverança a resistência do povo, as reações dos invejosos, o medo dos privilegiados. Chegou o momento em que a oposição não o deixou mais prosseguir e ele não recuou. Foi condenado, execrado e não desistiu. Estava disposto a dar a própria vida, a morrer, se necessário, como o pastor que enfrenta as feras para defender suas ovelhas.

O evangelista João, ao descrever a morte de Jesus, revela já a sua vitória, a realização plena de sua missão. Sua morte não foi a sua derrota, foi a sua vitória definitiva. Provou ali sua fidelidade irrestrita ao Pai. Mostrou ali o seu amor fiel pelo seu povo. Apresentou-se ao Pai como homem justo e fiel, em nome da humanidade, pedindo o seu perdão. Mas não era só um homem que estava se apresentando ao Pai, era o seu próprio filho. O sacrifício não era só de um homem, era do próprio Deus. Foi assim que abriu as portas do perdão de Deus para todos. Foi assim que inaugurou o caminho da volta da humanidade para Deus.

No dizer do evangelista João, Jesus, ao morrer, ali mesmo na cruz, entregou o seu espírito, comunicou à humanidade a vida de Deus. Ressuscitado, soprou sobre os discípulos, comunicando-lhes o dom do Espírito. É o sopro de Deus que dá vida ao ser humano, conta o Gênesis. O sopro do Ressuscitado comunica a vida plena de Deus, o dom do seu Espírito ao seu povo. A Igreja nasce na morte redentora de Jesus: é o povo que recebeu o seu Espírito. Lucas explica isto melhor no Pentecostes: o Espírito Santo é o grande dom do ressuscitado.

Na cruz, segundo João, o soldado rasgou-lhe o lado com a lança, de onde escorreu sangue e água: a água do batismo, sinal do Espírito que renova e comunica a vida nova; e o sangue do sacrifício do cordeiro, que na mesa da Eucaristia é memorial e comunhão com a morte redentora do Senhor. Água e sangue, Espírito e Vida, Batismo e Eucaristia: sinais da ressurreição do Senhor.

O mistério da encarnação foi levado a serio. A morte veio em conseqüência da vida assumida como missão: o Pai o enviou para libertar, resgatar, salvar, comunicar a sua vida. Da morte, brotou a vida para nós: a vida divina, seu perdão, sua graça. A ressurreição é o desfecho da vida do homem justo e fiel, Jesus. Uma nova luz para a nossa vida de cada dia, agora iluminada e transfigurada em Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado em nosso favor.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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