BLOG DO PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO

A VEZ DOS PEQUENINOS


01 de dezembro de 2020

EVANGELHO


Lc 10,21-24

21Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 23Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.

MEDITAÇÃO


Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos (Lc 10, 21)

Jesus gosta dessa palavra “pequeninos”. Pode ver que. o tempo todo, ele está cercado por gente sem grande expressão social do seu tempo: pobres, doentes, mulheres, crianças, sofredores de todo tipo. Eles são os pequeninos. Quase toda a atividade de Jesus ocorreu na periferia do mundo judaico, na Galiléia, norte do país, terra de agricultores, artesãos, pescadores, moradores de vilas e pequenas cidades. Os evangelhos nem chegam a citar a capital da Galileia, Tiberíades, onde morava o rei Herodes. Em Jerusalém, capital da Judéia, Jesus ia, basicamente, nas grandes romarias.

Os grandes, os importantes, os ricos tinham mais dificuldade de acolher o Reino. Basta lembrar o episódio do encontro com o jovem rico e o comentário que Jesus fez em seguida: “como é difícil o rico entrar no Reino de Deus”. A Nicodemos, um membro importante do Sinédrio que o procurou à noite, Jesus explicou que ele precisava nascer de novo, renascer do alto. Muitas vezes disse aos discípulos e discípulas que só dava para entrar no Reino de Deus quem fosse como as crianças, isto é, quem se tornasse como os pequeninos ou fosse solidário com eles.

No evangelho de hoje, Jesus está em oração. Ele louva o Pai porque o Reino está sendo revelado aos pequeninos. Igualmente o louva porque, revelando o Reino a uns, o Pai o esconde a outros, os sábios e entendidos. E o que é que está havendo com os sábios e entendidos, isto é, com os estudados, os professores da Lei, os que se sentem conhecedores da Palavra de Deus? Estes fecharam o coração. Não conseguiram ver em Jesus de Nazaré a revelação do Pai amoroso e fiel que fez aliança com Israel. Encheram o peito de presunção de que já sabiam de tudo. E de inveja, sentindo-se ameaçados pela popularidade de Jesus, de seus ensinamentos e de seus milagres.

Embora Jesus pregasse pra todo mundo, a todos procurasse iniciar no Reino, via-se cercado de gente simples e pobre, pecadores, sofredores. Os grandes também se aproximavam, mas quase sempre para censurar, para tentar coibir a sua palavra, para desafiá-lo... Estes tentavam desmoralizar o seu ministério ou encontrar motivo para denúncias e perseguições. Os grandes fecharam o coração. Os pequenos abriram-se à obra de Deus. É o que Jesus está vendo. E por isso está louvando o Pai.

Guardando a mensagem

Jesus rezou, publicamente, louvando o Pai porque este estava revelando o Reino aos pequeninos. E o estava revelando por meio do Filho. Em Jesus, reconhecemos a bondade e a misericórdia do nosso Deus, atuando em favor do seu povo. Os grandes fecharam o coração. Os grupos de poder rejeitaram Jesus. Os pobres e os pecadores aproximaram-se dele, acolhendo o Reino que ele anunciava. A lógica de Jesus é a lógica do Pai. Ele escolhe os pequenos. A lógica de Jesus deve ser a nossa também. Valorizemos os pequenos. O Reino é deles. No sermão da Montanha ele disse: “Felizes os pobres porque o Reino de Deus é deles”. Tornemo-nos pequenos, sejamos solidários com eles, se quisermos ter parte no Reino.

Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos (Lc 10, 21)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Na oração que nos ensinaste, pedimos ao Pai: “venha a nós o vosso Reino!” Tu nos ensinaste a rezar assim para que entendamos que o Reino é um dom que nos vem do Pai, não é uma conquista de nossas obras, de nossa inteligência ou de nossa santidade. O Reino vem a nós por pura bondade e graça de Deus, nosso Pai. E és tu, Senhor Jesus, que nos revelas o Pai, que nos comunicas o seu Reino, sua presença amorosa em nossa história. Venha a nós o vosso Reino! Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Hoje, durante o dia, reze com Jesus, mais de uma vez: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos”.

Todas as noites, eu comento a Meditação do dia e rezo a Oração da Noite com muita gente, no Facebook e no Youtube, às 21:30. É só você procurar "Padre João Carlos".

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

SANTO ANDRÉ, APÓSTOLO DE JESUS



30 de novembro de 2020, Dia de Santo André, apóstolo

EVANGELHO


Mt 4,18-22

Naquele tempo, 18quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram.

MEDITAÇÃO


Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram (Mt 4,20)

Sendo hoje o Dia do Apóstolo Santo André, a Igreja nos abre o evangelho de Mateus para revisitarmos o seu primeiro encontro com Jesus. Ele e seu irmão Simão estavam pescando, quando foram surpreendidos pelo chamado do Mestre. Eles, que eram pescadores de peixe aprenderiam com Jesus a ser pescadores de gente. Um pouco mais adiante, Jesus chamou outros dois irmãos: Tiago e João. Estavam na barca, com o pai, consertando as redes. 

É muito interessante que Jesus tenha escolhido seus primeiros discípulos, que depois se tornaram apóstolos, entre os que estavam trabalhando no mar da Galileia. O mar é uma representação judaica do mundo. E a pesca, uma forma de representar a atividade missionária. O primeiro pescador é Jesus que, no mar, pesca discípulos, por assim dizer. Jesus é assim o primeiro pescador. Chama/pesca seus primeiros discípulos no mar.

Esses quatro primeiros discípulos – André, Simão, Tiago e João - são como que representantes de todos nós discípulos e discípulas, igualmente chamados por Jesus. O Senhor nos encontra no mar do mundo e nos chama para o seu seguimento. Seguir Jesus altera o nosso modo de ser e de viver. Ele nos tira do mar, nos separa do mundo. Ainda ontem, o Papa Francisco, em sua homilia, na Capela da Casa Santa Marta, disse: “Abramos o coração com esperança e nos afastemos da paganização da vida”. Ele se referia exatamente a essa condição de termos sido chamados do mundo para viver na dinâmica do Reino de Deus. Mesmo sem sair do mundo, não lhe pertencemos mais. Não podemos continuar pensando e agindo mundanamente, pagãmente.

Nesta mesma cena do evangelho, está o modelo de resposta para todos os que forem chamados a ser discípulos de Jesus: deixar tudo e segui-lo. As duas duplas – André e Pedro; Tiago e João - responderam com a mesma generosidade: imediatamente deixaram tudo para seguir Jesus. Eles deixaram as redes, o barco e até o pai. Essa resposta pronta, generosa é um modelo para todos os convocados, para nós. É assim que temos que responder ao chamado de Cristo. 

‘Sigam-me, eu farei de vocês pescadores de gente’, disse-lhes Jesus. Eles até poderão fazer a mesma coisa que faziam antes. Mas, de uma nova forma, com um novo objetivo. Lembrando que o mar representa o mundo, os discípulos ao se tornaram apóstolos, missionários, aprenderão a ser pescadores de gente no mar do mundo. O cristão é o discípulo, tirado do mundo para ser seguidor de Jesus. E, claro, voltará ao mundo, mas, agora, como pescador do Reino, como missionário. 

Guardando a mensagem

Nesta cena do evangelho de hoje, está um modelo do chamado de todo discípulo. O Senhor nos chama do meio do mundo, da normalidade da vida. Não deixamos o mundo, mas o chamado nos faz viver e agir no mundo de outra forma, como sal e luz de Deus. Neste texto, também encontramos um modelo de resposta a este chamado: ‘deixaram tudo e o seguiram’. É assim que temos que responder ao convite de Jesus. Surpreendentemente, ele que nos separou do mundo, nos devolve ao mundo, como missionários, como apóstolos. De pescadores de peixe, nos tornamos pescadores do Reino. 

Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram (Mt 4, 20)

Rezando a palavra

Senhor Jesus, 
neste dia da festa do apóstolo André, o primeiro a ser chamado no mar da Galiléia, nós te agradecemos, divino pescador, por nos teres chamado ao teu seguimento. És tu que tomas a iniciativa, que dás o primeiro passo, que vens nos chamar. Tu nos disseste um dia: ‘não foram vocês que me escolheram. Fui eu que escolhi vocês’. Ajuda-nos, Senhor, com o teu Santo Espírito, a corresponder a esse divino chamamento. Nós te rendemos graças também porque nos envias permanentemente como teus missionários ao mundo. Continuamos a trabalhar, a constituir família, a viver como cidadãos, mas com uma nova qualidade, com a perspectiva do Reino do nosso Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Aparecendo hoje uma boa ocasião, aconselhe alguém a responder com generosidade ao chamado que o Senhor lhe faz para segui-lo.

No comentário escrito, além do evangelho e da Meditação, deixei algumas informações sobre o apóstolo Santo André, irmão de Simão Pedro, inclusvie porque, em sua imagem, ele é apresentado com duas traves de madeira. É só seguir o link. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb


SANTO ANDRÉ


André e seu irmão Simão Pedro eram de Betsaida, uma cidade às margens do Mar da Galileia. Jesus os chamou para serem seus discípulos e, como ele, pescadores de homens. Depois da morte do Senhor, o apóstolo André pregou por muitos lugares na Ásia Menor. Por sua peregrinação anunciando o evangelho, é padroeiro da Romênia e da Rússia. Santo André é reconhecido como o fundador da Igreja em Constantinopla, sede do patriarcado. Como Pedro é o apóstolo de referência na Igreja Cristã Latina (a Igreja com sede em Roma), assim André é o apóstolo de referência da Igreja do Oriente (a Igreja Cristã Ortodoxa). Santo André foi martirizado, em Patros, na Acaia. Morreu crucificado numa cruz em forma de “X”. No tempo das cruzadas, no século XIII, os cruzados subtraíram relíquias do corpo de Santo André e de sua cruz e levaram para Roma. O Papa Paulo VI, em 1961, num gesto de reaproximação com a Igreja do Oriente, mandou tudo de volta. No dia de hoje, festa de Santo André, uma delegação da Igreja de Roma participa da festa do patriarcado de Constantinopla. O mesmo faz a Igreja de lá na festa de São Pedro, manda uma delegação participar da festa deste apóstolo, em Roma.


AGUARDAR ACORDADOS


28 de novembro, 1o. Domingo do Advento 

EVANGELHO


Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 33“Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. 34É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.

35Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer. 36Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. 37O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”.


MEDITAÇÃO


Não suceda que, vindo de repente, ele encontre vocês dormindo (Mc 13, 36)

Vigilância é a palavra-chave desse domingo. E este é o primeiro domingo do advento. Advento é esse período de quatro semanas que nos preparara para o natal. É um novo tempo litúrgico. Você vê logo, na Igreja, que muda a cor litúrgica. Agora, usa-se o roxo, mais de acordo com o clima penitencial desse tempo. E tem a coroa do advento, com quatro velas. A primeira se acende hoje.

O advento nos fala de alguém que vem ao nosso encontro. E quem vem? Claro, Jesus. É ele que vem. Na verdade, já veio na sua encarnação. Celebramos isso no natal. Mas, ele vem sempre ao nosso encontro, de muitas formas. E o aguardamos na sua última vinda, para manifestar definitivamente o Reino de Deus. Um dia, ele se despediu dos discípulos e subiu ao céu. Mas, avisou que voltaria. E recomendou muitas coisas. As primeiras gerações de cristãos viviam numa grande tensão, esperando a sua volta a qualquer momento. À medida que o tempo vai passando, essa sua demora pode gerar esquecimento e relaxamento. Por isso, é muito importante recordar algumas de suas recomendações para esse período de espera.

Dando uma olhada nas leituras dos quatro domingos do advento desse novo ano litúrgico, que é o ano B, e lendo os comentadores bíblicos, creio que podemos reconhecer quatro temas que são a síntese do anúncio desse período. E, como eu vou acompanhar você nesse advento com a Meditação (espero que você continue aceitando a minha companhia), vou adiantar quais são esses quatro temas. Eles formam o caminho do anúncio da palavra de Deus nesse tempo santo. Eles podem ser um caminho de crescimento para todos nós. O tema deste primeiro domingo é AGUARDAR ACORDADOS, em torno da vigilância. No segundo domingo, o tema é PREPARAR A SUA CHEGADA COM UMA VIDA SANTA, em torno da conversão. No terceiro domingo, o tema é ACOLHER O TESTEMUNHO, em torno do reconhecimento de Jesus. No quarto domingo, o tema é PARTICIPAR DO PROJETO DE DEUS, em torno do “sim” de Maria.

Voltemos ao evangelho de hoje. Vigilância é a palavra-chave, repetida quatro vezes no texto de hoje. As comunidades, depois de Jesus, deram muita ênfase a essa recomendação de Jesus para o tempo da espera, o tempo em que ele estaria fora. Eu disse ‘fora’, mas ele está sempre conosco, você sabe. “Vigiem, fiquem acordados”. Jesus contou uma espécie de parábola para isso ficar bem clarinho. Um homem viajou e deixou sua casa aos cuidados dos seus empregados, a cada um deixou uma tarefa. E recomendou muito ao porteiro, o que ficou responsável por todos: não sei a que horas eu volto, fiquem me esperando acordados.

Estamos aguardando a volta de Jesus. Pense nisso como a coisa mais bonita que poderia acontecer na sua vida. A volta do nosso Deus amado, a manifestação gloriosa do nosso Jesus, o triunfo dos justos com ele! Será o coroamento de toda a obra da criação e da salvação. A Bíblia termina com essa prece, clamando pela volta do Salvador: “Maranatha, vem, Senhor Jesus”. Aguardar acordados – isso é fácil de entender, não é verdade? O contrário seria dormir, cochilar, descuidar-se.

Guardando a mensagem

Precisamos viver aquela mesma tensão das primeiras comunidades, na espera do Senhor que partiu e volta a qualquer momento. Viver com compromisso, em santidade, dando o primeiro lugar a Deus em nossa vida. Nada de relaxamento, de preguiça, de estado de sonolência e indiferença. Aguardar acordados é cada empregado estar realizando bem a tarefa que recebeu. É estarmos todos cuidando bem da família, da comunidade, do mundo – isso tudo é a casa dele. Não queremos que ele chegue e nos pegue desprevenidos, despreparados, ociosos, dormindo. Queremos aguardá-lo em vigília, acordados. Foi o que ele nos pediu.

Não suceda que, vindo de repente, ele encontre vocês dormindo (Mc 13, 36)

Rezando a palavra

Rezamos com as palavras de Isaías 63 (primeira leitura de hoje):

Senhor, tu és nosso Pai, nosso redentor; eterno é o teu nome. 
Nunca se ouviu dizer, nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam. 
Vens ao encontro de quem pratica a justiça com alegria, de quem se lembra de ti em seus caminhos.
Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Estamos começando o tempo do advento, um tempo que tem um apelo muito forte para o nosso crescimento, para nossa conversão. A dica de hoje é simples e comprometedora. O que você poderia fazer nessas quatro semanas (antes do natal) para o seu crescimento em Cristo?  Esse será o seu propósito para esse tempo. Seria muito bom que você o anotasse no seu diário espiritual, aquele caderno que você disse que ia adquirir. Não tendo ainda seu diário espiritual, anote em sua agenda ou em outro local. O que você poderia fazer nesse advento para o seu crescimento em Cristo?  

Para compreender melhor o que eu estou lhe dizendo, leia a Meditação. Para isto, estou lhe enviando link para leitura do evangelho e da meditação de hoje. Um santo início do Tempo do Advento!

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

SOBRIEDADE, VIGILÂNCIA E ORAÇÃO


28 de novembro de 2020

EVANGELHO

Lc 21,34-36


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 34“Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra.

36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar a tudo o que deve acontecer e para ficardes de pé diante do Filho do Homem”.


MEDITAÇÃO

Fiquem atentos e orem a todo momento, a fim de terem força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficarem de pé diante do Filho do homem (Lc 21, 36)

Alguns momentos em nossa vida são muito especiais. Eles são momentos altos de nossa existência. Para esses momentos, nos preparamos com muita responsabilidade e empenho. Momentos especiais de nossa vida são, por exemplo, o vestibular ou ENEM, um concurso público, o casamento. Quem vai prestar exame de vestibular, ou participar de um concurso público ou vai se casar, se for uma pessoa responsável e consciente, se prepara bem para isso, não é verdade? E se prepara durante um longo período, com muita renúncia e sacrifício, não é assim? Bom, tem quem improvise, chute na hora da prova ou deixe tudo pra última hora... Mas, isso não está certo. E quase sempre dá tudo errado.

Há um momento especial em nossa vida que, podemos dizer, é “o” momento mais alto de nossa existência, para o qual precisamos nos preparar bem: o nosso encontro definitivo com o Senhor. Há um momento especial em nossa história, decisivo para todos nós: o encontro com o Senhor Jesus em sua vinda definitiva. Desse encontro com o Senhor que vem, em sua vinda gloriosa, nos fala esse tempo do advento que estamos começando. Ele veio uma primeira vez: é o que celebramos no natal. Ele vem gloriosamente, como juiz dos vivos e dos mortos: é o que celebramos também neste advento. Esse grande momento de nossa vida e de nossa história humana requer de cada um de nós e de todos nós um grande empenho de preparação e crescimento.

Sobre sua vinda, o próprio Jesus a descreve com imagens tomadas dos profetas do Antigo Testamento, que nós chamamos de teofania. Teofania é uma forma de expressar a experiência do encontro com a majestade e a onipotência divinas.  Jesus nos diz, no evangelho de hoje (Lc 21), que quer que o recebamos de pé. “Estar de pé diante do Filho do Homem” quando ele voltar é uma forma de falar de nossa condição vitoriosa nesse mundo. No meio das dificuldades e provações, ele nos recomenda que levantemo-nos, ergamos a cabeça, confiados na libertação que se aproxima com sua grande manifestação. E para estarmos preparados e de pé, em sua volta, ele nos deixa, no evangelho de hoje, três recomendações.

Primeira recomendação: “Tomem cuidado para que seus corações não fiquem insensíveis”. Aí ele fala da gula, da embriaguez e das preocupações da vida. Sobre isso, já conversamos ontem. Todo cuidado para não entorpecer o coração. Um coração insensível não vibra mais com o novo que vem, nem bate mais forte em seu amor por Cristo, nem se compadece ou se solidariza com os outros. E o coração fica insensível quando se prende às coisas materiais, quando põe sua felicidade apenas na satisfação dos seus instintos (comida, bebida, sexo, por exemplo). Uma palavra que pode resumir essa recomendação é “sobriedade”. Sobriedade é manter o equilíbrio nas coisas; é usar das coisas deste mundo com sabedoria, sem se deixar escravizar, viciar, dominar. Sobriedade é manter o coração em Deus, sereno e livre.

A segunda recomendação de Jesus: “Fiquem atentos”. Vamos ouvir muitas vezes esta palavra, durante o tempo do advento: “Vigilância”. É o “fiquem atentos”. Nesse tempo de espera, que é tempo de preparação para o grande encontro, precisamos manter a mesma tensão que sustentou as primeiras comunidades em sua fidelidade ao evangelho. O Senhor vem! Estamos em estado de vigília: nada de relaxar, de cochilar, de baixar a guarda. Progredir, crescer, disse a carta aos Tessalonicenses, não esmorecer.

A terceira recomendação de Jesus: “Orem, a todo momento”. Orar para não cair em tentação, disse Jesus. Orar para fortalecer nossa adesão à vontade de Deus. Orar para não dar brecha ao inimigo. Oração.

Guardando a mensagem

Temos um grande encontro marcado para o final de nossa vida ou para o final da história humana: o encontro definitivo com o Senhor, na sua manifestação gloriosa. Para estarmos de pé diante dele, em sua volta, precisamos nos preparar bem. Nesta preparação, o próprio Jesus nos deixou três recomendações: sobriedade, vigilância e oração. Sobriedade, para não entorpecer o coração nas coisas desse mundo. Vigilância, para não cedermos ao relaxamento e ao descompromisso. Oração, para nos manter fortes e serenos nas dificuldades.

Fiquem atentos e orem a todo momento, a fim de terem força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficarem de pé diante do Filho do homeM (Lc 21, 36)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Começamos o tempo do advento. Como Igreja, vamos nos preparando para a tua chegada no final dos tempos e para a celebração de tua primeira vinda, no natal. Acolhemos, hoje, tuas recomendações, Senhor, para nos prepararmos para o encontro definitivo contigo. Que o teu Espírito nos guie no caminho da sobriedade, da vigilância e da oração. Assim como nos disse o apóstolo Paulo, te pedimos, que “confirmes o nosso coração numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia de tua vinda, com todos os teus santos”. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

A primeira coisa a fazer para viver a palavra do Senhor meditada hoje é se preparar bem para participar da Santa Missa do primeiro domingo do advento (que já começa no entardecer de hoje). Na impossibilidade, acompanhá-la devotamente pelo rádio ou pela televisão. Querendo e podendo fazer algo a mais, leia, em sua Bíblia, o evangelho de hoje: Lucas 21, 34-36.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

O DESASTRE NÃO CHEGA DE REPENTE


27 de novembro de 2020

EVANGELHO


Lc 21,29-33

Naquele tempo, 29Jesus contou-lhes uma parábola: “Olhai a figueira e todas as árvores. 30Quando vedes que elas estão dando brotos, logo sabeis que o verão está perto. 31Vós também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Reino de Deus está perto. 32Em verdade, eu vos digo: tudo isso vai acontecer antes que passe esta geração. 33O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.

MEDITAÇÃO



Vocês também, quando virem acontecer essas coisas, fiquem sabendo que o Reino de Deus está perto (Lc 21, 31).

Jesus falou pra gente aguçar a capacidade de discernimento dos sinais dos tempos. Ele partiu da experiência do povo do tempo dele. Vendo que estavam nascendo brotos na figueira e nas árvores, logo se concluía que o verão estava chegando. Da mesma forma, vendo os sinais da grande crise da história, especialmente a perseguição contra os cristãos, saibamos que o Reino de Deus está próximo. Tudo isso já é anúncio da manifestação final do Reino de Deus, do coroamento da história humana com a volta gloriosa de Jesus. Então, o Mestre está nos pedindo que fiquemos atentos aos sinais, que saibamos interpretá-los corretamente. 

Nós precisamos usar sempre nossa capacidade de discernimento. Toda grande crise começa dando sinais. Se a gente souber entendê-los, captá-los, a gente pode fazer alguma coisa a tempo, antes que o desastre aconteça, não é verdade? Por exemplo, há situações em que dentro de casa estão sendo emitidos sinais de que os vínculos familiares estão se desfazendo, que o nó do matrimônio está se desatando.... é marido e mulher que não conversam mais, é filho que não dá mais notícia do que anda fazendo, é briguinhas sem quê nem pra quê.... São sinais da tormenta que está se formando. Daqui a pouco, o desmantelo está feito. Separação, droga na vida dos filhos, abandono da Igreja e muito mais. O desastre não chega de repente. Muitos sinais já vão sendo emitidos. Quem, como Jesus disse, tem a capacidade de ler os sinais da realidade, corre pra salvar a família enquanto há tempo. Depois, vai ficar mais difícil.

Você está entendendo?! Um temporal não chega de repente. É precedido por sinais: calor excessivo, vento forte, trovões, relâmpagos... Lendo esses sinais, entendendo o que vem por aí, a gente cuida logo de voltar pra casa, de fechar as janelas, tirar a roupa do varal ou procurar logo uma proteção. Sem ler os sinais dos tempos, o temporal nos pega de surpresa.

É preciso prestar atenção aos sinais. Jesus tinha falado de guerra, de fome, peste, terremoto, de perseguição por causa da fé... Isso tudo indica que a hora final está se aproximando. De fato, situações exatamente assim precederam as duas grandes guerras mundiais, que foi já um fim daquele mundo. A grande crise da história, no dizer de Jesus, vai preceder a chegada, a manifestação final do Reino de Deus. Claro que será um momento de glória para os justos. Mas, será igualmente de desmascaramento e castigo para os maus. É o grande momento de avaliação. Temos que ficar atentos, para não sermos pegos de surpresa, como um aluno que chega na hora da prova sem ter estudado.

No Concílio Vaticano II, no documento sobre a Igreja no mundo contemporâneo (Gaudium et Spes), se lê: “Para levar a cabo a missão, é dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho“. Como Jesus está nos dizendo hoje, fiquemos atentos aos sinais dos tempos. Por eles, poderemos perceber para onde as coisas estão caminhando e agir enquanto é tempo.

Guardando a mensagem

Jesus estava falando dos sinais que anunciam o final da história. E nos disse para estarmos atentos, com capacidade para ler os sinais dos tempos. Assim, poderemos nos preparar melhor, agir com maior incidência e investir no nosso futuro em Deus. Essa capacidade de leitura dos sinais precisa ser exercida em todas as nossas crises pessoais, familiares e sociais. Fique atento aos sinais que estão sendo emitidos em sua casa! Pode ser que um temporal esteja se preparando. Mexa-se, enquanto é tempo.



Vocês também, quando virem acontecer essas coisas, fiquem sabendo que o Reino de Deus está perto (Lc 21, 31).

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
A gente vê muitos sinais em nossa sociedade: violência, corrupção, droga, miséria, suicídios... Tu estás nos instruindo para que saibamos ler esses sinais, o que eles apontam, aonde eles vão nos levar. Sem discernimento, não temos como enfrentá-los. Senhor, que a tua santa Palavra nos eduque a ler os sinais dos tempos, com os olhos da fé, para que sejamos sempre testemunhas do Reino da verdade, da justiça e do amor que um dia se manifestará como vitória de Deus e de seus justos. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra

Arrume, hoje, um tempinho pra rezar por sua família.

Pe. João Carlos Ribeiro , sdb

LEVANTEM A CABEÇA!

 26 de novembro de 2011

EVANGELHO


Lc 21,20-28

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 20“Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai sabendo que a sua destruição está próxima. 21Então, os que estiverem na Judéia, devem fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se; os que estiverem no campo, não entrem na cidade. 22Pois esses dias são de vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras. 23Infelizes das mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando naqueles dias, pois haverá uma grande calamidade na terra e ira contra este povo. 24Serão mortos pela espada e levados presos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete. 25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. 27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.


MEDITAÇÃO

Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima (Lc 21, 28)

Nessa semana, estamos lendo o capítulo 21 do evangelho de São Lucas. A propósito do tema de sua volta gloriosa no fim dos tempos, Jesus nos orienta como devemos nos comportar nas pequenas e grandes crises de nossa vida ou da história: pondo nossa confiança em Deus, testemunhando nossa fé e perseverando nas provações.
O povo de Deus viveu muitas e grandes crises, verdadeiros fins de mundo. Uma dessas crises foi o exílio, quando os exércitos babilônicos destruíram Jerusalém e deportaram muita gente. Jesus mesmo viveu próximo de uma crise que se deu quarenta anos depois de sua morte: a destruição de Jerusalém e do Templo pelos romanos.
No texto de hoje, Jesus, primeiro, refere-se à destruição de Jerusalém. Serão dias de muito sofrimento e humilhação. A leitura que Jesus faz é que o que acontecerá à cidade santa e ao seu povo será uma consequência do seu pecado. Os romanos pagãos seriam instrumentos de Deus para o julgamento de Jerusalém. Dá para compreender bem essa palavra de Jesus: “Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete”.
Na outra parte do texto de hoje, Jesus fala de sua volta, no meio de uma grande teofania. Vou explicar melhor. Sempre que se narra a presença ou a chegada de Deus, o povo do Antigo Testamento descreve uma verdadeira revolução na natureza (terremoto, trovões, raios, sinais no sol, na lua e nas estrelas...). É o que chamamos de teofania, isto é uma forma de passar a grandiosidade, a majestade de Deus que se revela. Então, essa revolução na natureza de que Jesus está falando, com imagens do Antigo Testamento, é uma forma de passar a grandeza desse momento em que ele estará de volta com poder e glória. Será a grande avaliação da humanidade. Mas, para o povo santo de Deus, não há razões para medo e pânico. Pelo contrário, para os discípulos, esse é o dia da completa realização.
Guardando a mensagem
A grande crise da destruição do Templo e de Jerusalém anunciada por Jesus virou uma espécie de molde de toda crise enfrentada pelo povo de Deus na história. A destruição é uma consequência do pecado. É como se fora o julgamento de Deus sobre a cidade, executado pelos pagãos romanos. Você mesmo tem experiência e conhece alguém que contraiu uma doença grave em consequência do vício de fumar, de se embriagar, de consumir drogas, por exemplo. A grande crise de sua enfermidade é uma consequência dos seus atos, não é verdade? É a mesma lógica. O texto também fala da volta de Jesus. A sua  vinda, narrada no meio de uma teofania, não é razão de apreensão e medo para nós. Pelo contrário, na sua volta, aparecerá claramente nossa condição de filhos de Deus. Será o coroamento de sua obra redentora.
Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se ergam a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima (Lc 21, 28)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
No meio dos problemas, dificuldades e crises desse mundo, tu nos ensinas a nos portarmos com destemor, com esperança e confiança em Deus. Tu nos lembras, todavia, que a destruição é uma consequência do pecado, dos nossos erros. De fato, Senhor, o projeto família, por exemplo, pode ir à falência pela infidelidade, pela falta de diálogo, pela falta de perdão. Educa-nos, Senhor, a aguardar a tua volta, em vigilante atitude de conversão e vida nova. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Um exame de consciência cairia bem, no dia de hoje. Exame de consciência é parar e se perguntar: o que a graça de Deus precisa consertar em minha vida?
Pe. João Carlos Ribeiro, sdb

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