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03 novembro 2019

A FESTA DE TODOS OS FILHOS E FILHAS DE DEUS

Alegrem-se e exultem, porque será grande a recompensa de vocês nos céus (Mt 5, 12)
03 de novembro de 2019
Este é o domingo de todos os santos. Podemos compreendê-lo melhor, dizendo: este é o domingo de todos os filhos e filhas de Deus. Santo é Deus. Santos somos nós, pela graça que recebemos de sermos seus filhos; e também, mesmo que não seja suficiente, pelo esforço que fazemos para acolher e viver esse dom. 
O apóstolo São João explicou, em sua primeira carta, que Deus nos deu um grande presente de amor. Que presente é esse? “Sermos chamados filhos de Deus. E o sermos de fato”. Ainda não se manifestou o que seremos, mas desde já somos filhos de Deus. Somos filhos porque estamos unidos a Cristo. Somos filhos e filhas porque o Espírito Santo foi derramado em nós. E São João explicou mais uma coisa: quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele.
Olha que graça tão grande, somos filhos de Deus. Temos o seu Espírito. Estamos unidos a Jesus, que é o filho unigênito. Somos filhos adotivos de um pai que nos ama sem medida. Ele foi capaz de entregar o seu filho único em nosso favor. Um pai amoroso e fiel. 
Mas, nós somos pecadores. Pois é. Vivíamos afastados, de costas para Deus. Por isso, o Pai nos enviou Jesus e ele nos purificou com o seu sangue, isto é, com o sacrifício de sua cruz. No Apocalipse, São João viu uma multidão tão numerosa que não dava para contar: gente que lavou suas roupas no sangue do Cordeiro. Fomos purificados, lavados no sangue do Cordeiro. 
No evangelho de hoje, Jesus vê a grande multidão que o procura, tanta gente. Sobe ao monte e senta-se para ensinar. Os discípulos se aproximam. Nessa pregação da montanha, uma das coisas que ele disse foi: “Sejam santos, como o Pai de vocês é santo”. E dá pra gente ser santo, imitando Deus? Bom, nós já fomos criados à imagem e semelhança dele. No batismo, pela fé, recebemos o dom da filiação divina. Então, se trata de a gente viver nessa graça, procurando imitar o nosso Pai no seu amor, imitando o seu filho Jesus, a quem temos como modelo e guia. 
Foi nessa pregação, na Montanha, que Jesus proclamou as bem-aventuranças. Elas são o retrato do verdadeiro filho de Deus, o perfil dos filhos e filhas de Deus, no caminho da santidade. O primeiro que cabe nesse perfil é Jesus, o filho unigênito. O Papa Francisco, na Exortação Apostólica que ele escreveu no ano passado sobre a santidade, dá uma explicação muito clara das bem-aventuranças. Bem-aventurados são os abençoados por Deus. Como diz o Salmo de hoje, Salmo 23 (24): “Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e salvador”. 
No perfil que Jesus desenhou em sua pregação na Montanha, o filho ou a filha de Deus, nesse mundo, é alguém desapegado dos bens desta terra, solidário com as dores dos seus irmãos, manso nos seus relacionamentos, comprometido com a verdade e a justiça, misericordioso com o seu semelhante, respeitoso e correto em suas intenções e artesão da paz. Na minha conta, são sete bem-aventuranças.
Quem faz assim, esforçando-se para viver e agir como Jesus, imitando a bondade e a paciência do Pai, pode encontrar muita incompreensão, oposição, perseguição. Aí Jesus arremata a sua pregação, proclamando mais uma bem-aventurança, a da perseverança nas dificuldades e nas provações. 
Guardando a mensagem
Este é o domingo de todos os santos, o domingo de todos os filhos e filhas de Deus. Deus nos deu um grande presente de amor: sermos seus filhos. Pela fé e pelo batismo, somos filhos de Deus, estamos habitados pelo Espírito Santo, somos filhos no Filho, Jesus Cristo. Jesus nos convida a ser e a viver aquilo que já somos por vocação: filhos de Deus. Foi assim que ele proclamou, no monte, as bem-aventuranças, o perfil do verdadeiro filho de Deus. O pobre em espírito é quem confia em Deus, não nos bens deste mundo. Os aflitos são os que sofrem também pelos outros, são os solidários. Os mansos são os que não agem com violência, mas prezam o diálogo e o entendimento. Os que têm fome e sede de justiça são os que se empenham em favor do bem comum, da transformação da sociedade. Os misericordiosos são os que, mesmo nos desencontros, tratam o seu semelhante com compreensão e caridade. Os que promovem a paz são os que trabalham pela reconciliação e pela convivência respeitosa entre todos. Por fim, Jesus orientou como reagir à incompreensão, à perseguição de que formos alvo por vivermos assim:  fidelidade e perseverança. Esse perfil traçado nas bem-aventuranças é, em primeiro lugar, uma fotografia do próprio Jesus. E, assim, um ideal de vida para todos nós, seus seguidores. 
Alegrem-se e exultem, porque será grande a recompensa de vocês nos céus (Mt 5, 12)
Rezando a palavra
Senhor Jesus, 
Hoje, estamos festejando todos os santos e santas de Deus. Todos nós somos chamados à santidade. Nós que estamos por aqui, neste caminho da história, temos um ideal a seguir, ou melhor, uma pessoa a imitar: tu, Senhor Jesus, caminho, verdade e vida. Tu és o caminho traçado nas bem-aventuranças. Como diz a tradição, somos a igreja militante. De todos os batizados que já passaram por aqui, antes de nós, muitos, muitos mesmo já estão contigo, na glória. Alguns deles, a tua Igreja reconheceu a sua santidade de vida e nos deu como exemplos e intercessores. São os santos do céu, a igreja triunfante. Nós nos lembramos, hoje, também dos irmãos que se destinam ao paraíso, mas estão ainda em purificação de suas faltas, no purgatório. Eles são a igreja padecente. Todos, nós, os da terra, os do céu e os do purgatório somos os teus santos e santas. Dá-nos viver como fidelidade e perseverança nossa vocação à santidade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Você não pode deixar de ler o evangelho de hoje: Mateus 5, 1-12. Lendo, sublinhe, na sua Bíblia, a bem-aventurança que mais chamou a sua atenção.
Pe. João Carlos Ribeiro – 03 de novembro de 2019.