PE. JOÃO CARLOS - BLOG DA MEDITAÇÃO DA PALAVRA: nenhum profeta é bem recebido em sua pátria
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POR QUE ELES NÃO ACEITARAM JESUS


Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família (Mt 13, 57)
03 de agosto de 2018.
Quando o povo ouvia falar de Jesus, uma das lembranças que lhe vinha era a do profeta Jeremias. Os discípulos mesmos disseram a Jesus: “Uns acham que o senhor é  João Batista ou Elias; outros, dizem que o senhor é Jeremias ou um dos profetas” (São Mateus 16, 14). Jesus realmente tinha umas coisas parecidas com Jeremias, profeta que viveu no século VI aC . Jesus e Jeremias - cada um no seu tempo -  choraram ao ver a cidade santa de Jerusalém, lamentando a sua destruição. Foi Jeremias quem profetizou que o messias seria entregue por 30 moedas de prata. Jeremias tinha avisado que, se as coisas continuassem como estavam, o Templo seria destruído. Jesus disse o mesmo, na purificação do Templo. “Não vai ficar pedra sobre pedra”, disse ele. Uma das reclamações que Deus mandou Jeremias fazer é que o povo não escutava os profetas que ele enviava. Por falar nisso, quando Jeremias foi ao Templo e acabou de dizer tudo o que Deus lhe mandara, foi preso. Os sacerdotes, os profetas oficiais e o povo, todo mundo ficou contra ele. Foi por uma boca só: “Este homem tem que morrer!”. Está vendo, Jesus tinha muito de Jeremias.
A reação do povo contra Jeremias ou contra os profetas de Deus se repete contra Jesus, particularmente na sua terra, em Nazaré. Ele voltou à sua terra e estava pregando na Sinagoga. No início, todos estavam admirados. Aos poucos, a reação passou da admiração à revolta contra ele. Acharam que como ele era uma pessoa oriunda daquela pequena comunidade,  não dava para explicar a sabedoria que demonstrava e os milagres que a ele se atribuía. Assim, Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé. Essa visita à Sinagoga, segundo o evangelho de São Lucas, terminou mal. Jesus foi expulso da Sinagoga. A observação de Jesus foi “Um profeta só não é bem estimado em sua própria pátria e em sua família”.
Afinal, não creram em Jesus, por quê? Aparentemente, porque conheciam a sua família. Só por isso?  Disseram que ele era o filho do carpinteiro, que a mãe era dona Maria e os primos-irmãos dele eram Tiago, José, Simão e Judas. Não havia essa palavra ‘primo’ na linguagem deles, para eles primos, tios, sobrinhos eram ‘irmãos’. E as irmãs também moravam por ali, casadas com certeza. Primas, claro. Afinal, Jesus era uma pessoa conhecida, de uma família dali, tudo gente da comunidade. É isso que eles não engoliam. Deus agir por meio de uma pessoa assim de origem humilde, de um vilarejo sem importância... esse é o problema! Mas, isso faz parte da dinâmica da encarnação. A encarnação é a modalidade pela qual Deus enviou o seu filho, Deus como ele, em igual majestade, nascido na carne; Como disse Paulo, “nascido de uma mulher”. O povo de Nazaré está reagindo contra a encarnação. Não aceitam uma manifestação de Deus assim tão próxima deles.
Vamos guardar a mensagem
A encarnação do verbo é a verdade que desnorteia, que escandaliza o povo de Nazaré. E o povo de hoje, também. Essa reação não está muito longe de nós. Jesus ressuscitado conferiu a missão aos seus apóstolos e os enviou como seus missionários. Comunicou-lhes o seu Espírito e deu-lhes o seu poder. Assim, sua Igreja continua o seu ministério. Os pastores da Igreja, em nome de Cristo, continuam o seu ministério de perdoar, de ensinar, de conduzir... Os líderes das comunidades e todos os servidores do povo de Deus, homens e mulheres, em nome do Senhor, continuam orientando, evangelizando, abençoando. A atitude do povo de Nazaré se repete. Somos conhecidos, conhecem nossos pais e nossos irmãos, sabem de nossa origem humana e periférica, na maioria. Só na fé podem acolher o ministério de Jesus Salvador que exercitamos. Só na fé podem acolher a palavra que pregamos, em nome do Senhor. Sem a fé, podem fechar as portas para a graça que nós comunicamos.
Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família (Mt 13, 57)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Não foi fácil para os teus conterrâneos te acolherem como profeta e messias. É que eles estavam aguardando alguém que viesse de fora, dos círculos de poder, alguém que se mostrasse poderoso e superior. Mas, tu, de acordo com o teu Pai, vieste na humildade de um galileu daquele terra esquecida, com a sabedoria da convivência com o povo e com a força da confiança em Deus. Tu, Deus verdadeiro, assumiste a condição humana e te expressaste na cultura do teu povo. Assim, nos ensinas a dar valor ao que somos e a valorizar os outros ao nosso redor. Assim, abriste o caminho para te reconhecermos agindo na Igreja e por meio dela, esta comunidade humana e frágil que carrega a grandeza de tua palavra e a força de tua graça redentora. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Hoje, o STF está abrindo uma discussão sobre o aborto até a 12ª semana de gestação. Ajude a repercutir a palavra da Igreja em favor da vida. Na Igreja, fala Jesus, o salvador da humanidade.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.08.2018

SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRES?

MEDITAÇÃO PARA A SEGUNDA-FEIRA 05 DE MARÇO DE 2018.
Em verdade eu lhes digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria (Lc 4, 24)
Jesus disse isso - "nenhum profeta é bem recebido em sua pátria" - na Sinagoga de Nazaré, diante da má acolhida dos seus conterrâneos. E ele comprovou isso lembrando dois outros profetas: Elias e Eliseu. Num tempo de fome, mesmo com tantas viúvas em Israel, Elias foi acolhido e multiplicou o pão de uma viúva estrangeira, que era de Sarepta. No tempo de Eliseu, mesmo com tantos leprosos em Israel, quem lhe procurou e foi curado foi um pagão, o sírio Naamã.
Isso que Jesus falou "nenhum profeta é bem recebido em sua pátria" foi uma afirmação, uma reclamação ou uma lamentação? Seus conterrâneos de Nazaré não quiseram lhe dar crédito. Ele estava explicando que as palavras do livro santo estavam se cumprindo naquela ocasião, em sua missão. Começaram a murmurar, achando que Jesus estava indo longe demais. Todos o conheciam, era o filho do carpinteiro. Seus parentes eram todos conhecidos naquela vila de Nazaré. De onde lhe viria tanta sabedoria? E outros comentavam descrentes: "ele anda fazendo milagre por todo canto, vamos ver se ele faz um milagre aqui". E chegaram a expulsá-lo da sinagoga e da Vila.  A acolhida fria, desconfiada e violenta dos seus conterrâneos dava razão ao ditado "nenhum profeta é bem recebido em sua pátria ". Foi uma lamentação o que Jesus disse, não foi uma afirmação. Não é que tem que ser assim. Infelizmente, é assim que acontece.
"Santo de casa não faz milagres" é o ditado que ainda corre o mundo. Mas isto não quer dizer que seja uma coisa correta. Por que é que nós não damos valor à prata da casa? Por que vemos com desconfiança alguém que nós conhecemos que ascendeu na vida, que se tornou um profissional renomado ou assumiu uma posição de liderança na sociedade? Na verdade, quando desqualificamos alguém do nosso grupo, estamos desqualificando a nós mesmos. Não acredito no outro porque não acredito em mim.   Aquele discípulo de Jesus, Natanael, quando ouviu falar de Jesus fez um comentário preconceituoso que representava boa parte da opinião corrente: "Por acaso de Nazaré pode sair alguma coisa boa?". Olha o preconceito! Será que os conterrâneos de Jesus tinham introjetado esse preconceito contra eles mesmos? Ou será que trancaram o coração e a razão por pura inveja? Ou quem sabe agiram como nós continuamos agindo porque não nos valorizamos, não damos valor ao que é da terra, considerando que o melhor é sempre o de fora, o do outro grupo, o da outra rua.  Com certeza, foi  tudo isso junto e muito mais.
"A galinha do vizinho é sempre a mais gorda" é outro ditado que merece uma reflexão. Quando nos desvalorizamos, desqualificando as pessoas que emergem socialmente no nosso meio ou que pleiteiam assumir uma posição de destaque entre nós na verdade, fazemos isso supervalorizando os de fora, os de outro status social. Não acreditando em nós mesmo, em nossa classe, em nossa capela, em nossa família, supervalorizamos os de fora. "Ah, aqui é uma bagunça, uma corrupção generalizada. Bom é nos Estados Unidos". "Nossos artistas são regionais. Celebridades são os do Rio de Janeiro". O de fora é que é o tal. Isso em bom português se chama alienação: deixar de reconhecer o seu valor para curvar-se ao valor de outro supostamente mais forte, mais rico, mais badalado. A galinha do vizinho nem sempre é a mais gorda. Aliás, quase sempre não o é.
Vamos guardar a mensagem
Jesus, pregando na Sinagoga de Nazaré, sentiu fortemente o descrédito dos seus conterrâneos, dos seus amigos de infância, dos seus parentes. Refletiu que isso repetia a história deles mesmos: a desvalorização das pessoas de sua convivência, movidos, quem sabe, pelo preconceito, pela inveja ou pela alienação de seu próprio valor. Nessa lógica humana, mesquinha, alienada, Jesus para ser o salvador enviado por Deus devia ter chegado de fora, com toda pompa e poder, quem sabe arrodeado por um exército luminoso de anjos, sei lá... Que viesse de fora, de outro país, ou pelo menos de Jerusalém, da capital ou fosse membro das elites de Israel. Mas essa não foi a lógica de Deus e não foi assim que Jesus realizou sua missão. São João foi claro: "O verbo se fez carne". Ele abaixou-se, assumiu a nossa fraqueza. Encarnou-se na periferia do mundo, identificou-se com os humildes e nos resgatou desde lá de baixo. Essa é a lógica de Deus. É nessa lógica que podemos reconhecer Jesus e crescer em direção à plenitude. Acreditar em nós mesmos. Valorizar as possibilidades de nossa própria condição. Apostar que santo de casa é que faz milagre.
Em verdade eu lhes digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria (Lc 4, 24)
Vamos acolher a mensagem
Senhor Jesus,
Na sinagoga de Nazaré, vê-se claramente como o preconceito produz exclusão e violência. Os teus conterrâneos de Nazaré te expulsaram da cidade. E alguns mais exaltados queriam te empurrar no precipício. Verdade, o preconceito produz violência. Ao desclassificar uma pessoa (por razão de cor, de religião, de opção sexual, de opção política,...), deixamos de reconhecer a sua dignidade e ela torna-se alvo fácil do ódio, da discriminação, da violência física. Fortalece, Senhor, com a força do teu Santo Espírito, o nosso caminho de conversão para agirmos sempre com verdadeiro acolhimento das pessoas, com grande respeito à sua dignidade e à sua liberdade. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
No seu diário espiritual (ou no seu caderno de anotações), faça uma lista de pessoas de sua convivência que você reconhece com gente de grande valor.  

Pe. João Carlos Ribeiro – 04.03.2018

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