22 maio 2018

UM CAMINHO OU UMA CARREIRA?

Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos (Mc 9, 35).
22 de maio de 2018.
Jesus estava se dedicando à formação dos seus discípulos. Depois de um tempo de muita efervescência, ele foi se afastando daquelas multidões que viviam atrás dele. Era importante preparar os discípulos para os próximos acontecimentos. E para continuarem a missão, depois que ele se fosse. É muito importante perceber esse investimento de Jesus em tempo, atenção e formação das lideranças do seu movimento.
Mas, a postura de Jesus é completamente distinta da expectativa dos discípulos. Jesus está pensando na sua entrega total, como servidor. Ele se explica dizendo que será entregue, será morto e ressuscitará ao terceiro dia. O auge do seu caminho será a morte.
Os discípulos estão numa perspectiva diferente e contrária a de Jesus. Estão pensando em cargos, em privilégios. O auge do seu caminho não é a morte, a entrega total. O auge do seu caminho é a ascensão ao poder. No caminho, eles estão discutindo sobre quem será o maior, quem terá cargos mais prestigiados e maior participação no poder. Jesus quer ser o menor. Eles disputam sobre quem será o maior. Jesus está fazendo um caminho. Eles querem fazer carreira, não um caminho.
Essa incompreensão dos discípulos – um projeto bem diferente do de Jesus - fica clara nas palavras que aparecem no texto: eles não compreendiam, tinham medo de perguntar, ficaram calados quando Jesus perguntou sobre o que estavam conversando.
O evangelista informa que Jesus se sentou (sinal de que iri
a ensinar, sentado era a posição do Mestre). Sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos”. Foi quando Jesus pôs uma criança no meio deles e a abraçou. E disse que quem a recebesse em seu nome, o estaria acolhendo.

Além do sentido habitual que já damos a esse episódio, podemos pensar também que acolher Jesus como se acolhe uma criança é aproximar-se dele, desinteressadamente. Nós sempre nos aproximamos dele interessados em alguma coisa. Acolher Jesus é identificar-se com ele, partilhar o seu sonho e o seu compromisso de serviço até à entrega da própria vida.
Vamos guardar a palavra
É possível que nós, discípulos de hoje, continuemos pensando e agindo como os seus antigos discípulos. É que estamos mais facilmente de acordo com o espírito do mundo do que com o espírito do evangelho. Nas famílias, nas comunidades, na Igreja, estamos sempre disputando cargos, procurando os privilégios do poder ou alimentando essas disputas em nosso meio. Jesus se colocou, entre nós, como servidor. O seu caminho foi o do serviço, até a entrega de sua vida. Como seus discípulos, nossa vocação é o serviço. Somos servos uns dos outros, não senhores. É assim que devemos acolher Jesus, como servo. É assim que precisamos imitá-lo, como servidores.
Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e aquele que serve a todos (Mc 9, 35).
Vamos rezar a palavra
Rezamos  hoje o segundo dia do Tríduo de Nossa Senhora Auxiliadora, cuja festa é na próxima quinta, dia 24. Saudemos a Virgem, modelo dos discípulos servidores.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós.

Vamos viver a palavra
Aproveite o Tríduo de N. Senhora Auxiliadora para colocar em suas mãos um pedido especial. Ela é a nossa intercessora. Lembre o que disse Jesus: “Tudo é possível a quem tem fé”.


Pe. João Carlos Ribeiro – 22.05.2018