27 abril 2018

OS PEREGRINOS E O CAMINHO

Eu sou o Caminho,a Verdade e a Vida (Jo 14,6)
27 de abril de 2018.
Vamos nos sentar com os discípulos e ouvir Jesus falando sobre sua partida e sobre a sua intimidade com o Pai. Vamos ficar atentos a quatro palavrinhas que Jesus está falando: Pai, eu vou, moradas e caminho. Escute bem o que ele está dizendo: “Na casa do meu Pai, há muitas moradas. Se não fosse, eu lhes teria dito, porque vou preparar-lhes um lugar (Jo 14, 2).  

Comecemos pela palavra “Pai”.  Na casa de meu Pai. Jesus revelou que o Deus da Aliança é Pai. Não é só o criador. Ele é eternamente Pai em relação a seu Filho único. E o Filho é eternamente filho em sua relação com o Pai. Jesus revelou o Pai. O Pai se revelou em Jesus. As primeiras comunidades ficaram pensando em tudo isso que Jesus falou e amadureceram uma compreensão que transmitiram às gerações seguintes. No ano 325, no Concílio Ecumênico de Niceia, a Igreja afirmou com toda clareza: o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer é um só Deus com ele.
Vamos à segunda palavra: “Vou”.  Para onde eu vou. Ele está tendo uma conversa de despedida, com os discípulos. Um pouco antes, tinha dito que para onde estava indo, eles não podiam ir. Pedro até queria ir também. Jesus disse: “mais tarde tu irás, agora não”. Quando entenderam que Jesus estava falando de sua morte, claro, ficou aquele clima de tristeza no ar. Então, Jesus insistiu para que não ficassem com o coração perturbado, não tivessem medo. Ele iria para o Pai. A morte é a sua partida para o Pai, a sua páscoa. Como os hebreus partiram do Egito para a liberdade da terra prometida, assim Jesus iria partir, passando pela morte e ressurreição. Estava indo para o Pai.  
A terceira palavra é “moradas.” Na casa do meu Pai, há muitas moradas. “Casa do Pai” e “Moradas” falam da intimidade com Deus, da união com ele. Esta intimidade com Deus só poderia ser alcançada com a sua ida, com a sua morte. A sua morte nos reconciliou com o Pai. Por sua morte, podemos viver agora em comunhão com ele. Por isso, ele tem que ir na frente, para preparar um lugar. Sem ele passar pela morte, não temos comunhão com Deus. Depois, ele virá e nos levará consigo. As primeiras comunidades logo entenderam: um dia, muito em breve, ele irá voltar e, então, será definitiva nossa comunhão com Deus.
E a quarta palavra é “caminho”. Eu sou o caminho, a verdade, a vida. Você sabe que essa forma de falar “Eu sou” é uma fórmula de apresentação de sua condição divina, de sua união com Deus. Ele está se auto-revelando aos discípulos. Ele é o caminho que leva ao Pai. Para chegar à comunhão com Deus, para viver em comunhão com o Pai, é preciso segui-lo e viver os seus ensinamentos. Aliás, é mais do que isso: é imitá-lo. Ele não só nos ensina o caminho para chegar ao Pai, ele é o caminho. O único caminho. Não é à toa que as primeiras comunidades eram chamadas de “comunidades do caminho”.
Vamos guardar a mensagem
Jesus é o caminho que nos leva ao Pai. A sua morte foi a partida para a Casa do Pai. Com essa partida (a gente poderia dizer “com essa páscoa”), Jesus abriu as portas da Casa do Pai. Todos os filhos pródigos agora podem voltar para casa e serem acolhidos pela misericórdia do Pai. O caminho pra chegar lá é um só: Jesus Cristo. A ele precisamos acolher, amar e imitar. Ele é o caminho. A comunhão com Deus, que começou em nós pelo batismo, será plena quando também nós partirmos para estar ao lado dele, nas moradas do Pai.
Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6)

Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Que bom podermos partilhar de um momento de tanta intimidade, ao teu lado. Tu nos dizendo coisas tão sagradas: falando-nos de tua relação de unidade com o Pai, de tua volta ao seio dele, da nossa unidade contigo que terá continuidade e plenitude quando estivermos ao teu lado na glória e do caminho para chegarmos lá. O caminho és tu mesmo: a tua vida, a tua palavra, a tua páscoa. Verdades que enchem de sentido nossa vida, nossas lutas e nosso futuro. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
Escreva as quatro palavras de hoje no seu caderno de anotações (o seu diário espiritual). E faça uma breve oração, falando com o Senhor sobre a meditação de hoje.

Pe. João Carlos Ribeiro – 27.04.2018