07 setembro 2017

PORQUE VAI DAR CERTO

“Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos” (Lc 5, 5).
Essa é a experiência de todo dia. Experiência de muita gente. Você se mata de trabalhar, corre pr’um lado, corre pro outro, e não vê crescimento, não vê perspectiva no que está fazendo. A experiência dos pescadores no lago da Galileia resume bem isso. Eles passaram a noite toda pescando, remando, lançando rede, puxando rede, expostos ao vento frio... voltaram do mar ao raiar do dia, cansados, enfadados, sonolentos... e com as mãos vazias. Não conseguiram nada. É o retrato do fracasso, da luta inglória de tanta gente que, apesar do esforço, do trabalho duro, não vê as coisas irem pra frente, progredirem, melhorarem. Isso acontece no trabalho, na família e mesmo na vida cristã.
Jesus escolheu um daqueles barcos parados e subiu nele para falar ao povo reunido na praia. Sentou-se, como faziam os Mestres daquele tempo. Interessante é que ele escolheu a  barca de Pedro, o líder daquele grupo de pescadores que tinham voltado do mar de mãos abanando. Ali, na barca, Jesus proclamou a Palavra de Deus. Depois, mandou o grupo de Pedro voltar ao mar, pescar de novo, mas dessa vez em águas mais fundas. Mas, olha só. Jesus não era pescador, era carpinteiro. Sabia fazer algum móvel rústico ou a cobertura de uma casa, não sabia nada de pescaria. É claro que os pescadores não acharam aquilo razoável. Pedro mesmo disse logo que eles já tinham passado a noite toda pescando... e não conseguiram nada. O mar não estava pra peixe. Mas, Jesus insistiu: “vão para águas mais profundas e lancem as redes”. Xi.. e agora: Vão ou não? Se eles forem, irão por alguma razão que não está na lógica humana... eles sabem que que não iam conseguir nada. Se forem, irão em atenção  ao próprio Jesus, em confiança na sua palavra. “Como é, a gente vai?, devem ter se perguntado”. Só foi uma barca, a de Pedro. A outra não foi. Pedro e seus companheiros foram e pegaram tanto peixe que quase afundaram o barco. Foi preciso chamar o outro barco para ajudar a trazer os peixes.
Olha que cena maravilhosa. Não tinham pescado nada, a noite toda. Mas agora, tinham feito uma pescaria fantástica. O que mudou? Eles pescaram do mesmo jeito, não houve uma técnica nova. Com certeza, voltaram ao mesmo lugar onde já tinham estado. O que houve de novo? Vamos dizer assim: Eles foram seguindo a indicação de Jesus. A pescaria foi um gesto de obediência à palavra de Jesus. Permitiram que Jesus orientasse o seu trabalho. Isso é que é pescar em águas profundas. Não eram apenas trabalhadores esforçados realizando uma tarefa, eram trabalhadores orientados por Jesus, guiados por sua palavra, agindo na confiança em Deus.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Bom, talvez seja isso que esteja faltando na sua vida. Você corre muito, já está ficando de cabelo branco, planta muito e colhe pouco, trabalha exaustivamente e quase não vê nada prosperar. Está faltando alguma coisa, não acha? Jesus diria: você está precisando pescar em águas mais profundas. Deixar-se orientar por Deus. Agir em obediência à sua palavra.  Trabalhar em sintonia e em comunhão com o Senhor. Aí pode ter certeza, a sua pescaria vai ser surpreendente. A família que você está construindo vai ser uma bênção. A missão vai dar muitos frutos.
“Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos” (Lc 5, 5).
Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece

Senhor Jesus, divino pescador,
Estás nos encontrando exatamente como encontraste aqueles pescadores na margem do  grande Lago. O povo brasileiro está, neste feriado, como que chegando de uma noite de pescaria, de mãos vazias. Parece que toda a luta que tivemos desde a redemocratização resultou apenas numa longa noite de crise, desemprego, anulação de direitos, corrupção. Seria essa uma hora de festa na pátria, mas é apenas de lamento, suspeita, denúncia. Mas, estás nos mandando de volta ao mar. Pescar de novo, mas agora em águas mais profundas. O que pode fazer a diferença é se pescamos em atenção à tua Palavra, se construímos cidadania segundo o teu Evangelho, se lutamos animados pela vontade do Senhor nosso Deus. Então, vai triunfar a justiça, a fraternidade, a honestidade, a paz social. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.


Pe. João Carlos Ribeiro – 07.09.2017
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