03 fevereiro 2014

A transmissão da fé na família

Um grande desafio que a Igreja enfrenta hoje é a transmissão da fé às novas gerações. Os pais desse início de século estão com dificuldade para transmitir a fé cristã aos seus filhos. Antigamente, parece que a coisa era mais fácil. Os pais ensinavam seus filhos a praticar a religião desde cedo. Era o normal, o que todo mundo fazia. Hoje, nós estamos correndo o risco que a nova geração não seja suficientemente evangelizada e inserida na Igreja.

E por que está tão difícil a transmissão da fé às novas gerações? Vejo logo três razões: os pais estão tendo menos influência sobre a formação dos filhos; os filhos crescidos estão cada vez mais independentes; e estamos apresentando a fé num ambiente de muita concorrência. Vou explicar melhor. 

Diminuiu muito o tempo de contato dos pais com os filhos, por causa do trabalho que os leva a ficar muito tempo fora de casa. E cresceu a influência dos meios de comunicação e das novas tecnologias de informação sobre a formação das crianças e jovens (televisão, internet, redes sociais, revistas, filmes, games,...). Resultado: os pais estão tendo menos influência na formação dos filhos.

A nova geração tende a ser mais autônoma, mais informada e mais independente. Desde pequena, a criança já decide o que vai comer, que roupa vai usar, em que Colégio estudar;  na adolescência, já tem que definir que curso universitário vai fazer e portanto já define seu futuro profissional. Se os pais não forem pessoas convictas de sua fé, encontrarão muita dificuldade para propor o seu caminho religioso aos seus filhos adolescentes, porque eles estão cada vez mais independentes.

Enquanto pais cristãos trabalham para que seus filhos se iniciem na fé cristã, outros agentes e agências estão propondo outros credos ou a negação de qualquer crença. Eles convivem com professores e colegas que frequentam outras igrejas ou praticam outras religiões; escutando rádio ou vendo televisão, deparam-se com outras formas de crença e outras vertentes religiosas. Novas ideias e tendências circulam instantaneamente, com enorme influência sobre eles. Enfim, estamos apresentando a fé num ambiente de muita concorrência.

Diante desse quadro de dificuldades para a transmissão da fé cristã, os pais precisam pelos menos de três novas posturas: mais testemunho, mais formação e mais empenho. Mais testemunho, porque a primeira pregação é o exemplo. “As palavras convencem, mas só os exemplos arrastam”. Pais que não vivem a fé cristã, que não praticam a religião terão pouca chance de ajudar seus filhos a se inserirem adequadamente na Igreja.  Mais formação, porque os novos tempos nos pedem conhecimento da fé, familiaridade com os textos bíblicos, entendimento do que se está propondo. E mais empenho, porque sem compromisso sério e perseverante, os pais não conseguirão ajudar os seus filhos a percorrer um sereno caminho de iniciação cristã.

Mais testemunho, mais formação e mais empenho.  É assim que poderemos garantir a transmissão da fé nesses novos tempos.


Pe. João Carlos Ribeiro - padrejcarlos@gmail.com
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