17 fevereiro 2013

O pão da tentação

Bem no início da quaresma, o evangelho nos apresenta Jesus sendo tentado por satanás. Mas, por que relembrar as tentações de Jesus? Bom, por um lado, podemos assim compreender melhor Jesus e as opções que ele fez, bem no início do seu ministério. Por outro lado, tomamos consciência que também nós somos tentados.  E que também podemos fazer opções em relação à direção a dar à nossa vida.

Uma das tentações refere-se ao pão, "transformar pedra em pão". O diabo aproveitou que Jesus estava com fome, depois de tantos dias de jejum. Toda a disciplina a que Jesus tinha se submetido naqueles dias se curvaria a uma solução mágica "transformar pedra em pão". Pra que tanto esforço, tanta penitência? Mas, seria essa a vontade de Deus? Esse procedimento honraria o Pai que enviou Jesus exatamente como um ser humano?

O pão representa o fruto do trabalho: nossa sobrevivência, o que conquistamos com o nosso suor. O pão é o básico para se viver: o alimento, a roupa, a moradia, o remédio, a segurança. São os itens de nossa sobrevivência, garantidos pelo trabalho. E a sobrevivência constitui a nossa primeira preocupação. Muitas vezes vivemos essa preocupação da sobrevivência colocando Deus em segundo lugar. Ou nos esquecemos dele. O ensinamento de Jesus foi o contrário: Vocês busquem em primeiro lugar o Reino de Deus. E tudo o mais lhes será dado por acréscimo. Deus em primeiro lugar.

Em nossas responsabilidades com a provisão das necessidades de nossas famílias, não podemos nos esquecer de Deus ou deixá-lo em segundo plano. Ele é a fonte de tudo. É ele que nos dá Inteligência, força de vontade, saúde para trabalhar.  É ele quem nos abre oportunidades, quem se preocupa conosco. Jesus falou dos pardais que o Pai alimenta e das flores do campo que ele veste. Se ele trata assim com tanto carinho essas criaturas pouco importantes, quanto mais não cuidará de nós seus filhos! Então, em nossa ocupação, e também preocupação, com o trabalho, a comida, as coisas necessárias para viver, voltemo-nos para o Senhor nosso Deus, de quem dependemos, com sentimentos de gratidão e amor. Demos a ele o primeiro lugar.

E Jesus desmontou a tentação de "transformar pedra em pão" com uma palavra da Escritura Sagrada: "Nem só de pão vive o homem". Essa é o argumento-chave que pode nos convencer a não deixar que os bens materiais, o alimento, o trabalho, a sobrevivência releguem Deus para um segundo lugar. "Nem só de pão vive o homem".  A comida material, a roupa, o remédio, a segurança não é tudo na vida da gente. E nem é isso que nos traz felicidade completa. Nós temos sede do amor de Deus, temos fome de sua palavra. A palavra de Deus é um verdadeiro alimento que nos sustenta no caminho dessa vida. A palavra nos abre o conhecimento da vida em Cristo, que começa aqui e se prolonga na eternidade. Ela nos comunica as razões de nossa existência e nos estimula na fraternidade. Ela nos consola e conforta nas horas difíceis e nos abre a esperança dos bens futuros. "Nem só de pão vive o homem".

Na oração que Jesus ensinou aos discípulos, como um modelo para a oração de todos nós, ele incluiu um pedido especial: "Não nos deixeis cair em tentação". As tentações existem em nossa vida. Uma delas nos faz viver tão preocupados como pão de cada dia, que podemos cair na tentação de dispensar Deus ou relegá-lo a quando tivermos tempo. "Nem só de pão vive o homem", lembrou Jesus. "Não nos deixeis cair na tentação", rezemos nós.

Pe. João Carlos Ribeiro – 17.02.2013

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