02 outubro 2012

Os anjos da nova era

P João Carlos Ribeiro

Com a Nova Era, os anjos nunca estiveram tão em alta. Nas livrarias, vê-se livros sobre tudo quanto é anjo. Muita especulação, é bom que se diga. Anjos, gnomos, orixás, forças cósmicas ... vai tudo misturado pela Nova Era, no caldeirão místico do novo milênio. Anjos cabalísticos, bruxaria, astrologia, tarô, magia... em tudo um cheiro de paganismo, de religiosidade primitiva, longe da revelação bíblica e da fé cristã.

Bom, anjos estão na Bíblia, e eu não os estou pondo em dúvida. O que eu estou querendo dizer é que sua presença foi um tanto quanto inflacionada pela onda mística do início do terceiro milênio. E é bom a gente não se deixar levar por qualquer modismo. Desejo apenas chamar a atenção deste clima que tem levado gente não evangelizada a misturar as coisas.

Nós temos que manter os olhos e o coração no essencial, no fundamental, no que é central na fé cristã. Nossos olhos precisam sempre estar fitos no calvário: é lá que se desenvolve o drama que mudou a história e as nossas vidas. Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Ele é o centro de tudo. Sua morte redentora nos salvou. Nós fomos mergulhados na sua morte e na sua ressurreição. Nenhuma devoção a qualquer santo ou anjo pode nos distrair do fundamental: Jesus Cristo Salvador.

É a partir do mistério da cruz que vamos notando e conferindo valor a outras pessoas ou coisas. Por primeiro, ao pé da cruz encontramos a Virgem Maria. Ela está associada a Jesus, não somente por sua maternidade divina, mas particularmente por sua participação no mistério da redenção humana que se passa no calvário. Depois dela, os apóstolos, os mártires, as santas mulheres, os discípulos e discípulas santas, os anjos de Deus.

Nos Evangelhos, os anjos aparecem muitas vezes sublinhando a origem divina de Jesus e a assistência do Pai ao seu ministério. Um anjo anuncia a concepção virginal. Um coro de anjos glorifica a Deus no seu nascimento e anuncia a boa notícia de sua chegada aos pastores. Jesus avisa que os anjos que cuidam dos pequeninos estão diante de Deus, zelando por eles. Diz também que na volta do filho do homem, os seus anjos o acompanharão. E se refere aos anjos em muitas outras ocasiões.

Em toda a Bíblia, os anjos aparecem como seres espirituais criados por Deus. Eles, como nós homens e mulheres, são seres livres. Por isso, alguns rejeitaram o amor de Deus: os anjos decaídos, o diabo. Os anjos de Deus são seus mensageiros: são portadores das noticias, das orientações de Deus aos homens. Eles também concretizam a proteção de Deus em relação ao seu povo e aos seus filhos. Sua presença protetora, como o anjo que acompanhou Tobias, atualiza o carinho e o cuidado que o Senhor tem conosco.

Eles louvam a Deus de maneira maravilhosa. E nós até na Missa nos unimos aos seus louvores, naquela prece do Santo. E a cada dia invocamos sua proteção. Tudo isso é verdade. Mas, para que nos previnamos contra qualquer arapuca da Nova Era, cada um procure redimensionar suas devoções: no centro de tudo, acima de tudo e de todos precisa estar a pessoa de Jesus, filho de Deus, caminho para o Pai, comunicador do Divino Espírito. Os anjos são servidores desse mistério. É por isso que merecem nossa estima e nossa veneração.