28 setembro 2012

O justo vive da fé

"O justo vive da fé".  Esta afirmação vem lá do Antigo Testamento, do livro do profeta Habacuc. Torna no Novo Testamento, na carta aos Hebreus. "O justo vive da fé".

De vez em quando, nos damos conta da fragilidade de nossa vida. Quando ficamos doentes, percebemos claramente isso. Com saúde, com disposição física, na flor da idade quase não nos damos conta dessa verdade. Mas, quando a doença vem... A nossa vida é muito frágil. E quando nos deparamos com a morte de alguém, e mais ainda de um ente querido? É como uma grande chamada de atenção. Um alerta. Logo tiramos essa conclusão: pra morrer, basta estar vivo. É o que todo mundo diz.  A nossa vida é uma coisa muito frágil. Viver por aqui é algo provisório. Não há seguro que nos garanta. É como uma canção que compus há uns bons anos: "A vida é tão breve, a morte existe".

Diante do quadro de nossa fragilidade humana, de nossa condição tão provisória, de que vale tanto orgulho que nós carregamos? Poder e riqueza podem ajudar a pessoa a se alimentar melhor, a descansar mais, a prevenir-se de doenças, ser medicado a tempo... mas riqueza e poder não barram a morte. Não compram a saúde. Nem pagam o débito de uma consciência pesada.

A pergunta é: "Onde você põe sua esperança?". Na beleza física? Na força juvenil? Nos seus planos para o futuro? No dinheiro da poupança? "Onde você põe sua esperança?" O salmo 131 nos alerta: "Põe tua esperança no Senhor. Desde agora e para sempre, põe tua esperança no Senhor".

É claro que confiar em Deus não é descuidar-se da saúde, do repouso necessário para o corpo ou deixar de lado a receita médica. Confiar em Deus é cuidar de tudo isso, com zelo, com responsabilidade, pois a vida é um dom que o Senhor nos concede. E dele vai nos pedir conta. Mas cuidar de tudo isso com todo o empenho olhando mais para frente, mirando mais para o alto. É de lá que nos vem a força para lutar, para trabalhar, para combater a doença e a morte prematura. É pra lá que nós vamos. É de lá que nos vem a certeza de que nessa vida passageira experimentamos já os primeiros frutos do dom da eterna vida.

A primeira vinda de Jesus, a sua encarnação, nos faz entender a importância de nossa vida humana. Ele assumiu nossa condição de pessoas humanas. Ele enfrentou até a morte. Ficamos então certos de que nossa existência na carne é importante. Aqui é o lugar de nossa santificação. Aqui, começamos a experimentar a felicidade que um dia será completa e eterna.

Beleza, riqueza, inteligência não nos garantem. Dinheiro não enrola a morte. Não podemos viver de ilusão. No meio dessa vida, embora valorizando-a, sabemos que estamos de passagem. Nossa vida está escondida em Cristo, como ensinou o apóstolo Paulo.

É como disse o profeta Habacuc: "O justo vive da fé".

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb
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