31 outubro 2011

Carga pesada e carga leve

Os adultos têm responsabilidade de repassar aos mais jovens muitos ensinamentos preciosos. Os valores da família, por exemplo o   amor e respeito aos pais, a fidelidade à palavra dada, a corresponsabilidade. Os valores da vida social: sentido do bem comum, participação, solidariedade. Os valores da prática religiosa: o temor de Deus, a oração, a caridade.  Os valores do trabalho: honestidade, laboriosidade, criatividade. Os responsáveis por esses ensinamentos são em primeiro lugar os pais, os avós, mas também os professores, os líderes religiosos, os comunicadores.
Ensinar os mais novos a se conduzirem na vida com honestidade, fidelidade, respeito aos direitos dos outros, entre outros, não é tarefa fácil. Nem pra quem ensina, nem pra quem tem que aprender. Muitas vezes sobrecarregamos os mais novos de tantas exigências, de tantas regras, de tantas restrições e obrigações, que acabamos como que atando cargas pesadas demais nas costas deles, pesos insuportáveis.
Jesus reparou como os fariseus faziam isso o tempo todo. Sobrecarregavam o povo de incontáveis normas, preceitos, mandamentos, obrigações. No final, sobrava, nas pessoas, o sentimento de impotência, de fracasso, de frustração. Não podiam carregar uma carga tão pesada. Pior ainda, observou Jesus, eles não faziam o que ensinavam. Atavam fardos pesados nas costas dos outros, mas nas deles mesmo não. Falavam, ensinam, mas não praticavam. Façam o que eles ensinam, mas não façam o que eles fazem, recomendou Jesus.
Jesus não somente alertou contra o mau exemplo dos fariseus do seu tempo, como também ensinou de uma forma diferente. Primeiro, ele colocou o amor antes da obrigação. Amar a Deus e ao próximo, como a si mesmo. E amor é sempre uma coisa gratuita, generosa. E é o amor que explica o trabalho diário dos pais para manter a família. É o amor que explica as noites insones quando o filho está doente. E o cuidado com quem está idoso e adoentado. O amor faz a obrigação virar uma coisa leve, prazerosa e cheia de sentido. Primeiro Jesus colocou o amor. É ele que dá sentido às regras, às normas, à obrigação.
Uma vez Jesus chamou a si os que estavam  cansados e sobrecarregados de fardos pesados. E prometeu: eu os aliviarei. E mais: carreguem o meu fardo, que é leve, o meu jugo que é suave. O fardo de Jesus é leve, o dos fariseus é pesado, massacrante. Onde está a diferença?  No amor. O amor gera liberdade e aceitação prazerosa das obrigações da vida. Mas, Jesus fez mais ainda: deu o exemplo. Não ensinou normas de conduta e obrigações, sem as estar vivendo com fidelidade. Ensinou a amar o próximo, e podia ser visto acolhendo os sofredores e tomando a defesa dos mais socialmente vulneráveis. Ensinou a dar o primeiro lugar ao Reino de Deus, e era isso que se podia ver em sua vida de missionário do Pai. Recomendou a compreensão com a fraqueza dos outros, o perdão, a não-violência e viveu isso tudo intensamente e com toda fidelidade, mesmo quando foi negado, traído e condenado à cruz.
Pra gente dar conta bem da tarefa de ensinar e educar as crianças, adolescentes e jovens de hoje é só fazer como Jesus. Primeiro, colocar o amor na frente da obrigação. Só o amor pode dar  sentido ao que temos que fazer e ao modo como devemos nos comportar na vida. Segundo, fazendo o que ensinamos, oferecendo o nosso exemplo. As palavras convencem, mas só os exemplos arrastam.
Pe. João  Carlos Ribeiro – 31.10.2011