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22 março 2020

UM CEGO EM QUARENTENA

Jesus lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9, 7)

22 de março de 2020.


Estamos mergulhados numa quarentena, que ainda muitos não estão levando a sério. Uma quarentena em plena quaresma. E está apenas começando.  O clima realmente é de quaresma a nos pedir sacrifício, oração e solidariedade. A realidade está aí: uns querem vê-la, outros se aborrecem com quem tenta mostrá-la e maltrata quem está enxergando.

De quem é a culpa desse homem estar cego, de ter nascido sem a visão? O pecado é dele ou dos pais dele? Foi o que perguntaram a Jesus no evangelho de hoje. No nosso caso, temos certeza de que a humanidade tem culpa sim. Um vírus não nasce do nada. Pode ter nascido do desequilíbrio que a nossa civilização provoca no mundo. Temos sido predadores da natureza, destruidores da obra de Deus. Entre nós, nos comportamos movidos pelo individualismo, pela concentração de bens, pela geração da miséria. Estamos manipulando perigosamente a vida e nos entupindo de substâncias químicas e tóxicas. Todo esse desrespeito à natureza, da qual somos parte, a poluição do planeta, a exaustão dos seus recursos (como a água, as florestas), tudo isso tem um preço. Pomos todo essa afronta às leis naturais e divinas na conta do pecado. E o pecado gera morte. É o que está na carta de São paulo aos Romanos.

A pandemia é um sinal da desordem que criamos no mundo. É a própria natureza se rebelando contra nós. Não é apenas uma epidemia, localizada. É uma pandemia, uma ameaça à toda humanidade. Depois do H1N1, deste Covid-19, virão outros, quem sabe ainda mais devastadores, Deus nos livre. Como uma vez disse Jesus, a respeito de tragédias e desastres do seu tempo: “Se vocês não se converterem, perecerão todos”.

O tom, reconheço, é um pouco pessimista. Mas, isto precisa ser dito, ou não? Andássemos no respeito à natureza e na fraternidade humana, não haveria pandemia nesses termos. Mas, calma, o evangelho de hoje pode levantar o nosso moral. Jesus encontrou um cego mendigando (é a nossa cara). Um cego mendigando – é o estado da humanidade hoje. Jesus molhou o barro com a saliva e o colocou nos olhos do cego. E o mandou lavar-se na piscina de Siloé. E ele foi e voltou enxergando. Uma cena um pouco estranha, não acha? Se o problema era curar o cego, bastava dizer “enxergue”. Vamos entender os gestos de Jesus.

Por que será que Jesus molhou o barro e o colocou nos olhos do cego? E por que o mandou lavar-se na piscina ou no tanque? Simples. A obra de Jesus é a restauração do ser humano. No primeiro livro da Bíblia, conta-se como o homem foi criado. Deus fez o homem do barro, modelou-o como um oleiro. Jesus não está só curando os olhos do homem. Ele está restaurando a obra prima de Deus, consertando o que foi estragado, deteriorado pelo pecado. Por isso, usa o barro molhado, como o oleiro do livro do Gênesis. E por que o mandou lavar-se na piscina? Por que é no banho do batismo, na piscina batismal, que Cristo nos restaura. É no batismo que somos lavados, perdoados dos nossos pecados. Na fé, somos mergulhados no mistério da morte e ressurreição de Jesus, renascendo com ele. Isto é o batismo, o banho restaurador. O batismo é a nossa participação na páscoa de Jesus. A história do cego de nascença é uma catequese sobre o batismo.    

Guardando a mensagem

É verdade que estamos na condição daquele cego mendigo. Somos esta humanidade pecadora, cega, colhendo de nossas más ações: a exaustão da criação, os grandes desequilíbrios produzidos na natureza (basta lembrar do aquecimento do planeta), a concentração de riqueza e a geração da miséria. Uma humanidade que vem se afastando cada vez mais de Deus e do seu projeto de fraternidade. Mas, Jesus vem ao nosso encontro para nos restaurar, para nos abrir os olhos. Crendo nele, acolhendo o seu Evangelho, convertendo-nos, podemos renascer, lavar nossos pecados na sua paixão e morte. Ele morreu para tirar o pecado do mundo. Assim, depois dessa quarentena de privações e de luto pela morte de irmãos e irmãs, poderemos emergir renovados, em páscoa. É a nossa grande chance.

Jesus lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou enxergando (Jo 9, 7)

Rezando a palavra

Senhor Jesus,
Nessa passagem da cura do cego de nascença, as comunidades cristãs meditam sobre o batismo, que celebra a tua obra de restauração de cada ser humano marcado pelo pecado. Em nossa condição de quarentena por causa da disseminação desse vírus, nos damos conta que este cego representa, hoje, a nossa humanidade decaída no pecado. Esta quarentena, vivida em clima de quaresma, é um convite à conversão. Somos filhos de uma civilização que agride a natureza e sacrifica os seus próprios semelhantes, movidos pela ambição, pela descrença e pelo stresse. Tua obra entre nós é a restauração. Na tua morte redentora, encontramos o perdão e a paz. Dá-nos Senhor viver essa quaresma como tempo de conversão. E renovarmos nossa vida pessoal e social na tua santa páscoa. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vivendo a palavra

Uma coisa importante. Mesmo não podendo participar presencialmente da Santa Missa, participe através do rádio, da televisão ou de uma rede social. Na hora sagrada de sua Missa, pare tudo, recolha-se com atenção e piedade. Eu já lhe enviei ontem o folheto litúrgico do quarto domingo da Quaresma. Se não encontrar, solicite.

Outra coisa. Para proteção de sua família, faça a novena extraordinária a Nossa Senhora Auxiliadora, cujo link estou lhe enviando.

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb