PADRE JOÃO CARLOS - MEDITAÇÃO DA PALAVRA: discípulos de João Batista
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O JEJUM E A CONVERSÃO DO CORAÇÃO



Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão (Mt 9, 15)
08 de março de 2019.
Chegamos ao terceiro dia da Quaresma. É muito importante que a gente não perca nenhum dia desse programa de crescimento que é a Quaresma. O passo a ser dado hoje é sobre o jejum, como expressão de nossa conversão.  
A pergunta veio de um grupo muito querido de Jesus, os discípulos de João. Jesus tinha participado do batismo de João Batista, no rio Jordão. João o tinha apontado como cordeiro de Deus. E alguns dos discípulos do Batista tinham se tornado discípulos seus. Então, a pergunta deles era séria. Não tinha segundas intenções. E o que eles queriam saber? Queriam saber por que os seus discípulos não praticavam o jejum como eles e os fariseus? A resposta de Jesus foi essa: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”. O que Jesus quis dizer com isso?
Podemos entender todo o ministério de Jesus como a renovação da aliança com Deus. Jesus veio pra isso: para restaurar a comunhão com Deus que foi destruída pelo pecado (desde Adão) e pela infidelidade de Israel, o povo da Aliança. Não é à toa que o evangelho de São João praticamente comece com as bodas de Caná, o casamento que precisou da intervenção de Jesus para dar certo. A aliança, à moda do casamento, é entre Deus e o seu povo. Jesus é o noivo. Veja o que ele respondeu: enquanto o noivo está presente (ele), os amigos do noivo (os discípulos) não podem jejuar. Mas, depois que o noivo for tirado do meio deles (a sua morte), eles jejuarão.
O jejum é uma expressão de nossa conversão. Bom, nossa primeira conversão foi celebrada no batismo, na água. Lá, fomos lavados dos nossos pecados. Mas, infelizmente, continuamos a cair, a falhar, a pecar. Por isso, precisamos estar em permanente atitude de conversão. Deus sempre nos perdoa. Mas, para isso, precisamos da conversão do nosso coração. O jejum é uma forma de cultivamos essa conversão. Ficamos tristes pelo pecado que cometemos. Esse sentimento do reconhecimento de nosso pecado, da dor que sentimos por nossa infidelidade a Deus, é expresso também nas práticas externas do jejum, da esmola e da oração. Essas práticas nos ajudam a cultivar a conversão interior e a implorar a misericórdia de Deus, o seu perdão. Ele que já nos purificou pela água do batismo, pode também nos purificar pelas lágrimas do nosso arrependimento.
O jejum tem, então, essa conexão com Deus, a quem ofendemos e a quem demonstramos nosso arrependimento, cultivando a conversão do nosso coração. Mas, o jejum tem também uma conexão com minhas atitudes em relação aos meus irmãos. No livro do Profeta Isaías, o próprio Deus nos diz qual a verdadeira obra que ele espera de nós, o jejum que ele prefere. São obras pelas quais procuramos, em relação ao nosso próximo, o alívio do seu sofrimento, a libertação da opressão, a partilha do pão, do teto e da roupa com os mais sofridos.
Guardando a mensagem
O jejum é uma forma de penitência, pela qual me uno ao padecimento de Cristo, em sua paixão. É também um gesto de amor fraterno, no sentido de que me faço solidário com quem está em dificuldade. Você pode jejuar em qualquer dia na Quaresma. O mínimo está previsto pela disciplina da Igreja: na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira da paixão. A abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma também faz parte de nossa caminhada penitencial, nesse período. Além do alimento, a gente pode fazer jejum de televisão, de barzinho, de bebida alcoólica, de cigarro, de internet, de whatsapp. Renunciar, pra ficar mais resistente, pra ter mais força interior, para unir-se a Cristo em sua cruz e aos irmãos em suas necessidades.  
Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão (Mt 9, 15)
Rezando a palavra
Senhor nosso Deus,
Que te deixas comover pelos que se humilham e te reconcilias com os que reparam suas faltas, ouve como um pai as nossas súplicas. Derrama a graça da tua bênção sobre nós que estamos em Quaresma, desejosos de ouvir a palavra do teu filho Jesus, de ser fieis à vida de oração pessoal, e de praticar a penitência e a caridade, em preparação das celebrações da Santa Páscoa que se aproximam. Sendo hoje o dia internacional da mulher, queremos, Senhor, pedir que alcancemos, na justiça e na caridade, a igualdade de direitos entre homens e mulheres teus filhos e filhas, cidadãos e cidadãs da mesma terra e do mesmo céu. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Vivendo a palavra
Bom, não temos pra onde correr. A prática da palavra de hoje é o jejum, jejuar. Se você passou batido(a) na quarta-feira de cinzas, tem ainda a sexta-feira da paixão. E, hoje, como todas as sextas da quaresma, é dia de abstinência de carne. Você sabe, essas práticas externas têm valor se cultivarem a conversão do coração em relação a Deus e aos sofredores.

Pe. João Carlos Ribeiro – 08.03.2019

ESTAMOS NUMA FESTA DE CASAMENTO

Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum enquanto o noivo está com eles? (Mc 2, 19)
21 de janeiro de 2019.
Estamos começando a semana ainda com o gostinho do evangelho de ontem, o das bodas de Caná. Com aquele belo texto do evangelho de São João, entendemos que a missão de Jesus foi a restauração da aliança. Jesus, por sua morte redentora, no seu sangue, selou a nova e eterna aliança de Deus conosco. A lei da aliança está agora escrita em nossos corações, pelo derramamento do Espírito Santo, como água abundante que encheu as talhas de pedra. As talhas de pedra bem lembram as tábuas de pedra, onde Deus tinha escrito a Lei e as entregou a Moisés, quando celebrou a aliança com o antigo povo de Deus, no Monte Sinai. Jesus veio levar à plenitude a aliança de Deus com o seu povo, aliança que estava sendo vivida com grande infidelidade. E o fez pelo derramamento do seu sangue (o vinho excelente no casamento de Caná) e do Santo Espírito (a água abundante que encheu as talhas). Em cada Missa, celebramos a nova e eterna aliança que temos com Deus, por meio de Cristo.
Então, o clima de nossa vida agora é de alegria, de regozijo, de contentamento. É assim que a Santa Missa, que é memória do sacrifício redentor de Cristo, é celebração de ação de graças. Estamos em aliança com Deus. Somos a comunidade-noiva do Cordeiro, na grande festa do casamento. Somos bem-aventurados, como nos avisa o livro do Apocalipse: “Felizes os convidados para a ceia nupcial do Cordeiro”. Estamos mergulhados nesse clima maravilhoso da salvação, que nos chegou por meio de Cristo.
Tudo o que está quebrado em nossa vida pode ser restaurado em Cristo. São Paulo, na Carta aos Efésios fala do propósito de Deus “de restaurar todas as coisas em Cristo” (Ef 1, 10). É o seu casamento que está ameaçado? É a sua vida profissional que está dando sinais de fracasso? É o nosso país que está fora dos trilhos? É o que Maria disse: “eles não têm mais vinho”. Foi pra isso que ele veio: para nos reconciliar com Deus, para restaurar a nossa aliança com ele. Em Deus, podemos viver plenamente o amor, a justiça, a paz. E a restauração, a salvação, nos  vem pelo sacrifício de Jesus na cruz (o vinho excelente) e pelo derramamento do seu Espírito em nós (a água abundante). O tempo, então, é de alegria, de esperança.
É aí que chega o texto de hoje, em Marcos 2. Os seguidores de João Batista e os fariseus estavam jejuando. E ficaram intrigados com os discípulos de Jesus que, com ele, estavam em festas, banquetes... Jesus deu a melhor explicação. “Enquanto o noivo está presente, os convidados não podem jejuar”. Jejum, vai ter seu tempo. Mas, agora é tempo de alegria, de celebração, de festa de casamento. O noivo, você já sabe, é o próprio Jesus. E a noiva é a comunidade que ele redimiu pelo seu sangue, é a Igreja, somos nós. Tempo, sim, de roupa nova, não de roupa remendada. Essa novidade da presença salvadora de Jesus na história, que os outros evangelhos chamam de Reino de Deus, não é um remendo de pano novo em roupa velha. Estamos revestidos do homem novo que é Cristo, fomos restaurados, vivemos inseridos na nova e eterna aliança com Deus. Tempo de alegria. Estamos numa festa de casamento.
Guardando a mensagem
Os seguidores de João Batista e os fariseus estavam jejuando. O jejum é uma prática de todas as grandes religiões. O jejum tem um sentido de disciplina pessoal, de comunhão com o sacrifício de Cristo, de solidariedade com quem está em situação de privação. Os discípulos de Jesus estavam, naquele momento, em outra perspectiva. Jesus estava em plena atividade missionária, anunciando a chegada do Reino de Deus, como perdão, como alegria, como restauração da aliança. Nas bodas de Caná, já tinha ficado claro: não era hora de jejum, era hora de festa, de banquete, de alegria. O vinho da melhor qualidade foi providenciado por Jesus numa festa de casamento que caminhava para uma grande decepção, porque o vinho tinha se acabado. Na ausência de Jesus, vai haver lugar para o jejum. Mas, mesmo o jejum tem que ter relação com o tempo novo que começou, com Jesus. Para quem acolheu a novidade de Jesus, o tempo é de festa e de alegria. Deus, em Cristo, está restaurando todas as coisas.
Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum enquanto o noivo está com eles? (Mc 2, 19)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Há sempre um risco de sermos pessoas muito religiosas, mas não sermos cristãos de verdade, não expressarmos em nossa vida religiosa a grande alegria da redenção que nos alcançaste por tua morte e ressurreição. Por isso, precisamos estar ligados no evangelho. Ali, nos está comunicada a grande novidade da história: a tua presença salvadora. Essa novidade, centrada no mistério de tua vida, morte e ressurreição, ilumina todas as nossas práticas religiosas, a começar pela vida de oração, assim como o terço, a procissão, o jejum, a esmola, as promessas, as romarias. Tudo isso, Senhor, nos ajude a viver e a servir como pessoas trajadas com a roupa nova da ressurreição. Foi assim que fomos revestidos no batismo. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Na sua Bíblia, leia o texto do evangelho de hoje (Mc 2, 18-22) e conte quantas vezes aparece referências à palavra “jejum”. Na Bíblia, seis é um número imperfeito, incompleto. Sete é o número da obra perfeita, como a obra da criação feita em sete dias. Leia, conte e tire suas conclusões.
Minha nova música - CONFIAR EM DEUS - tem a ver com a Meditação de hoje. Viver com esperança, com confiança. Para você que recebe a Meditação pelas redes sociais, vou lhe enviar o clipe desta canção.

Pe. João Carlos Ribeiro – 21.01.2018

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