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2018/06/10

A CASA E A NOVA FAMÍLIA DE JESUS


Aqui estão minha mãe e meus irmãos (Mc 3, 34)

10 de junho de 2018.

‘Jesus voltou para casa com os seus discípulos’. É o que está escrito no evangelho de hoje. ‘Jesus voltou para casa com os seus discípulos’. Depois de muitas andanças país afora, eles estão de volta. A casa é em Cafarnaum. Mesmo sendo a casa da família de André e Simão, ninguém lembra mais disso. É a casa de Jesus. Chama a atenção a quantidade de gente que o procura, que se reúne na casa. Aquele povão todo, sentado, ao seu redor o escuta com  atenção. Estão dentro da casa. Há um novo laço de parentesco naquela casa. No final dessa passagem do evangelho, Jesus esclarece: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos”. Uma nova família está reunida em torno de Jesus, percebe? O laço de parentesco com Jesus não é mais o convencional. É parente dele quem faz a vontade de Deus.

Na casa de Jesus, está reunida a sua nova família, gente que faz a vontade de Deus. Por alguma razão, o evangelista exagera dizendo: “Havia uma multidão sentada ao seu redor”. Por que será que fala de multidão? Mesmo que a casa fosse grande, “multidão” é gente demais. E olha que com Jesus já estavam os seus discípulos. Tanta gente e tanto trabalho que, como informa o evangelista, eles nem sequer podiam comer. Com certeza, fala-se de ‘multidão’ para acentuar o caráter de povo que está ali. Ali, na casa de Jesus, está um povo que acolhe a palavra de Jesus. Esta é a nova família de Jesus. Um povo que acolhe a vontade de Deus.

Talvez este seja um resumo de toda a atividade de Jesus. Senão, vejamos. O que Jesus andava fazendo país afora?  Conversando com as pessoas, pregando o reino de Deus, curando os doentes, expulsando os demônios. E tudo isso pra que? Boa pergunta. Tudo isso pra que? Vamos ariscar alguma resposta. Para restaurar o povo de Deus. Para congregar as ovelhas dispersas. Para reconstruir a aliança de Deus com o seu povo. Para comunicar a vida plena onde havia sofrimento e morte. Estamos no caminho certo, não acha? Ele  veio refazer a aliança com Deus. Boa resposta.

Afinal, qual é o sentido de toda a atividade de Jesus? Pra que ele liberta a pessoa de uma doença? A sogra de Pedro responde: para reintegrá-la na família, como servidora. Pra que ele expulsa um demônio? O rapaz do cemitério responde: para que ele, livre de qualquer dominação, possa segui-lo. Pra que ele ressuscita um morto? O filho da viúva de Naim responde: para restaurar a sua família. Por que ele perdoa os pecados? O paralítico que desceu com sua maca em cordas dentro daquela casa responde: para reintegrar no povo de Deus. Numa palavra: Toda a ação de Jesus visa reconstruir o povo de Deus, uma família de filhos livres, felizes e reconciliados. Então, na casa já está o resultado da ação missionária de Jesus: um povo restaurado em aliança com Deus, a nova família de Jesus.

Uma nova família está nascendo, ao redor de Jesus. Um povo libertado, em comunhão com a vontade de Deus está emergindo do antigo Israel, pelo trabalho missionário de Jesus. É claro que essa obra não acontece sem conflitos e oposição. No evangelho de hoje, estão descritas duas dessas oposições. Uma, nasce dos familiares. Outra, dos religiosos. Os parentes de Jesus suspeitam que ele tenha enlouquecido. Foram atrás dele, mas não entraram na casa, ficaram do lado de fora. Mandaram chamá-lo. Jesus indica, no entanto, que verdadeiros parentes são os que estão dentro da casa, não os que ficam fora. Um chamado à conversão dos seus parentes. Os mestres da lei acusam Jesus dele estar endemoniado, agindo em nome de satanás. Jesus alerta para não se fecharem ao Santo Espírito de Deus. O Espírito é quem conduz Jesus, o inspira, o sustenta na missão. Este povo renascido em comunhão com Deus é obra de Jesus e do seu Espírito. Opor-se ao Santo Espírito, pecar contra ele é perder a chance do perdão.

Vamos guardar a mensagem

Toda a atividade de Jesus visa restaurar o povo de Deus. De um povo disperso e sujeitado pela Lei e pelo pecado, vai nascendo um povo libertado, comprometido com a vontade de Deus. Na casa de Cafarnaum, já está reunido esse povo novo, ao redor de Jesus. Os mestres da lei, como todos os líderes religiosos, reconheçam a novidade do Espírito que age em Jesus. Os parentes de Jesus, como todos os que se sentem próximos dele por laços religiosos, lembrem-se que o laço de parentesco com Jesus que mais vale é, como ele, fazer a vontade de Deus.

Aqui estão minha mãe e meus irmãos (Mc 3, 34)

Vamos rezar a palavra

Senhor Jesus,
Obrigado, Senhor. De um rebanho disperso, fizeste um povo novo, reunido no teu nome, animado pelo Espírito Santo. Obrigado, Senhor. Somos a Igreja, o povo santificado pela tua palavra e pelo sacrifício de tua vida. Que estejamos sempre ao teu redor, sentados à tua volta, na tua casa, aprendendo a conhecer e realizar a vontade de Deus. Que não imitemos os mestres da lei que não reconhecem a atuação do Santo Espírito na tua obra. Que não imitemos teus parentes, que estavam do lado de fora da casa, quando os teus verdadeiros parentes são os que estão dentro da casa, na comunidade. Obrigado, Senhor.

Vamos viver a palavra

A melhor vivência dessa palavra, neste domingo, é a participação na Santa Missa. Participando ou não, será muito útil ler, em sua Bíblia, o evangelho de hoje: Marcos 3, 20-35.

Pe. João Carlos Ribeiro – 10.06.2018

2018/04/30

O ESPÍRITO SANTO NOS ENSINARÁ TUDO

O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo (Jo 14, 26).
30 de abril de 2018.
Aos poucos, neste tempo pascal, Jesus começa a nos apresentar a presença e a ação do Espírito Santo. Jesus parte da nossa comunhão com ele e com o Pai. Ele está no Pai, nós estamos nele e ele em nós. Essa nossa união com Cristo ficou bem explicada  quando ele usou a comparação com a videira. Ele é a videira. Nós somos os ramos, estamos enxertados na videira que é ele mesmo. Quanto mais estamos unidos à videira e limpos para aderir ao tronco, mais podemos dar frutos. Os frutos vêm dessa permanência em Cristo, dessa união prolongada nele.
Talvez você não tenha ainda se convencido suficiente disso. Você está unido(a) a Cristo, não por merecimento de sua parte, claro, mas pelo amor de Cristo. E sua união com Cristo, é, por ele, também comunhão com o Pai. O seu amor a Cristo manifesta-se na observância dos seus mandamentos. E o mandamento dele é o amor ao próximo, como ele nos amou. O mandamento não é uma obrigação. Faço a vontade de Deus, como Jesus a faz, na liberdade e no amor. Uno-me ao Pai e ao seu Filho, e realizo, no amor, a sua vontade.
Essas palavras de Jesus estão no contexto da despedida, capítulos  13 a 17 de São João. Por isso, Jesus revela que não nos deixará órfãos. Vai pedir e o Pai nos dará um outro Defensor. Ele é o Espírito da Verdade, que o mundo não conhece. Mas, nós o conhecemos. Nós o conhecemos porque ele permanece junto de nós e está em nós. O mundo é a humanidade decaída, subjugada pelo pecado, que reage contra Jesus e contra os seus seguidores. O mundo está sob o comando do pai da Mentira. Não reconhece Jesus que é a Verdade. Assim, não pode reconhecer o Espírito, que é o Espírito da Verdade. Mas, nós o conhecemos, porque conhecemos Jesus e seu amor por nós e pelo Pai.
Se voltarmos à comparação da Videira, podemos pensar que dessa sua comunhão com Cristo, como ramo na figueira, é-lhe comunicada a seiva, a vida. Podemos pensar no Espírito Santo, como essa comunicação da vida que lhe vem por meio de Jesus. Nas comunidades de Lucas, no seu evangelho e nos Atos dos Apóstolos, o Espírito é derramado no dia de Pentecostes. Mas, para o evangelista João, o Espírito nos é comunicado na cruz. É na cruz que o Senhor entrega o seu Espírito: “Pai, em tuas mãos, entrego o meu Espírito”. Do seu lado aberto, escorreram sangue e água: sangue do Sacrifício, que renovamos na Santa Missa; água da Vida Nova, que celebramos no Batismo. A carta de Pedro diz precisamente que Jesus morreu em sua existência humana, mas recebeu vida nova no Espírito. Foi o que aconteceu a você, no Batismo. Ali, foi-lhe aplicada a redenção que vem da cruz de Cristo e desceu sobre você a vida nova no seu Espírito. No batismo, a água é o sinal sacramental da ação do Espírito que nos regenera, nos dando vida nova.
Vamos guardar a mensagem
Então, podemos entender, com essas imagens do evangelho de São João, que o Espírito Santo, terceira pessoa da Trindade Santa, está em nós, permanece em nós. É o dom da vida nova que Jesus nos comunicou, com sua morte redentora. E é ele quem atualiza a presença de Cristo entre nós. Por sua ação, o Pai escuta a nossa oração elevada em nome de Cristo; a Palavra de Jesus que nós lemos torna-se palavra viva; a presença de Cristo na Eucaristia torna-se real; a missão de Jesus continua sua marcha por nossas pobres mãos. É o Espírito quem atualiza a presença de Cristo entre nós. De fato, Jesus não nos deixou órfãos.
O Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo (Jo 14, 26).
Vamos rezar a Palavra
Vinde Espírito Santo,  enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor.  Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis, com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos da sua consolação. Por Cristo Senhor Nosso. Amém
Vamos viver a Palavra
Durante o dia de hoje, invoque várias vezes o Espírito Santo. Jesus disse que ele nos ensinará tudo e nos recordará tudo quanto ele nos ensinou.

Pe. João Carlos Ribeiro – 30.04.2018