01 outubro 2018

ELA VIVEU O CAMINHO QUE JÁ ESTAVA NO EVANGELHO

Aquele que entre todos vocês for o menor, esse é o maior (Lc 9, 48).
01 de outubro de 2018.
Tinha havido uma discussão dos discípulos sobre qual deles seria o maior. E não era a primeira vez. Estava acontecendo uma disputa de poder entre eles. Um puxava para um lado, outro puxava para o outro. Nesse tipo de discussão, logo se formam blocos em oposição e a discussão esquenta... E a esta altura, alguém fica logo com raiva, outro parte para a ignorância... Não é assim? Jesus já tinha falado várias vezes sobre esse negócio de ser o maior, o importante, o chefe. “Entre vocês, não deve ser assim. Vocês não devem imitar o que acontece entre as nações, o que fazem os poderosos deste mundo”.
Jesus chamou uma criança e a apontou como exemplo. “Aquele que entre todos vocês for o menor, esse é o maior”. Ele tinha dito em outra passagem: “Quem não se tornar como uma criança, não entra no Reino de Deus”.  A criança está sendo apontada por Jesus como o ‘menor’ que eles tinham que procurar ser. Em outra passagem, Jesus inclui a criança entre os pequeninos, os que estão em situação de necessidade, por sua fragilidade, por sua pobreza, por sua condição de não terem poder. O certo não é procurar ser o maior, mas tornar-se menor. Como ele disse: “Aquele que entre todos vocês for o menor, esse é o maior”.
O menor é o oposto do grande. Ser o menor é não procurar grandezas, é não ambicionar ser mais do que os outros. A criança é o oposto do adulto. Enquanto o adulto se move com autonomia, a criança põe sua confiança nos seus pais. Deles depende em tudo, neles confia inteiramente. Enquanto o adulto resolve sozinho a sua vida, a criança precisa sempre consultar seus pais, pedir sua autorização e seu apoio. Enquanto o adulto é um ser desconfiado e desencantado nos seus relacionamentos, a criança se sente amada pelos seus pais e os ama ternamente.
Essa passagem do evangelho encontra uma boa explicação na santa que celebramos hoje, Santa Terezinha do Menino Jesus. Tereza de Lisieux, na França, que viveu no final do século XIX, era uma jovem freira carmelita que faleceu de tuberculose, aos 24 anos de idade. Ela procurava um caminho para se santificar, um jeito para ficar unida a Deus, em completa comunhão com ele. Um dia, entendeu esse negócio de ser o menor, que Jesus estava falando no evangelho. Não se trata de ser grande, de fazer muitas coisas, de praticar muitas penitências ou realizar grandes obras de evangelização. Trata-se de ser pequena, de ser menor, de ser como criança. É assim que permitimos que Deus nos ame e só assim é que podemos amá-lo.
Se nos apresentamos a Deus, como quem realizou muitas coisas e se esforçou para ser bom e fiel, consideramos que merecemos o seu amor. Ele vai nos amar, porque ele é justo. Será um amor de justiça. Mas, se nos apresentamos com as mãos vazias, intuiu a jovem Teresinha, se nos reconhecemos falhos, pequenos, necessitados... aí, sim, ele vai nos amar com um amor de misericórdia, com um amor perfeito. É assim que agradamos a Deus, pensou ela. Essa é a entrega total amorosa que fazemos de nós mesmos a Deus, como uma oblação de amor. Foi isso que viveu a jovem religiosa. Com sua vida, com seus escritos, nos deixou a ‘pequena via’, o caminho curto para chegar ao céu. Um caminho que já estava no evangelho: ser menor.
O Papa João Paulo II, em sua homilia por ocasião da atribuição do título de Doutora da Igreja a Santa Teresinha, disse: “O caminho que percorreu para chegar a este ideal de vida não é o dos grandes empreendimentos reservados a um pequeno número, mas, ao contrário, uma via ao alcance de todos, a “pequena via”, caminho da confiança e do abandono total de si mesma à graça do Senhor”.
Guardando a mensagem
Jesus aproveitou a discussão dos discípulos sobre quem deveria ser o maior, para nos ensinar que o ideal não é ser maior, mas ser menor. E apontou a criança como exemplo.  Além da aplicação que sempre damos na área do poder, ser menor é estar diante de Deus como criança. Na criança, vemos a confiança, a comunhão, o amor para com os seus pais. Nós experimentamos o amor de Deus por nós como o amor dos pais pelos seus filhos pequenos, que se revela como proteção, doação de si, apoio, presença. Santa Teresinha, com apenas 24 anos, explica com a sua vida como viver esse grande amor. Na “pequena via” está o caminho mais curto para Deus: apresentar-se de mãos vazias, ser menor, ser criança.
Aquele que entre todos vocês for o menor, esse é o maior (Lc 9, 48).
Rezando a palavra
Vamos rezar um trechinho do Ato de oferecimento ao amor misericordioso de Deus de Santa Teresinha:
Ó meu Deus! Trindade Bem-aventurada!
Na noite desta vida, aparecerei diante de Vós com as mãos vazias, pois não Vos peço, Senhor, que conteis as minhas obras. Todas as nossas justiças têm manchas aos vossos olhos. Quero, portanto, revestir-me com a vossa própria Justiça, e receber do vosso Amor a posse eterna de Vós mesmo. Não quero outro Trono, nem outra Coroa, senão Vós, ó meu Bem-amado!...
Vivendo a palavra
Que tal hoje, com humildade, rezar o ato de contrição? Pode ser aquele que rezamos na Missa: “Confesso a Deus, todo poderoso, e a vós irmãos....”

Pe. João Carlos Ribeiro – 01.09.2018