03 setembro 2018

JESUS FOI EXPULSO DO SEU POVOADO

Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir (Lc 4, 21)
03 de setembro de 2018.
Naquele sábado, Jesus estava em Nazaré, sua terra, com seus discípulos e foi com eles participar da celebração na sinagoga. Nas sinagogas, não havia sacerdotes, lá não se ofereciam sacrifícios. Sacrifícios e sacerdotes, só no Templo de Jerusalém. Na sinagoga, os leigos adultos podiam ler e pregar sobre a palavra de Deus, sobretudo os mestres da Lei. Foi assim que Jesus se levantou e leu uma passagem bíblica e falou sobre o Reino de Deus. O povo ali presente na assembleia, em grande maioria, o conhecia. Nazaré era um lugar pequeno, um povoado. Todo mundo se conhecia. E Jesus tinha vivido ali desde pequeno. Tinha saído já rapaz. Agora estava de volta e mostrando muita sabedoria e muita desenvoltura, como pregador. Além do mais, não paravam de chegar à Nazaré as histórias de curas e milagres que ele operava por onde passava.
Jesus leu uma passagem do Profeta Isaías. Nessa passagem, Jesus identificou a sua própria missão. O Espírito de Deus o consagrara para anunciar a boa nova aos pobres, para proclamar a libertação aos cativos. Quando sentou-se para ensinar (assim faziam os mestres), começou dizendo que aquelas palavras estavam se cumprindo nele. “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir” (Lc 4, 21).
Num primeiro momento, ali na sinagoga, ficou todo mundo admirado com ele, com sua sabedoria. Mas, logo começaram as críticas e resistências, uma má vontade impressionante. Outros evangelistas deram pormenores da reação. ‘De onde recebeu tudo isso?’ Se viesse da capital, se fosse uma pessoa das elites de Israel... mas nada, ele era dali mesmo, filho de José, filho de Maria, sua família toda conhecida. ‘Como conseguiu tanta sabedoria?. Fosse pelo menos um mestre da Lei, um judeu estudado, mas nada, tinha estudado apenas na escolinha da sinagoga quando menino. ‘E esses grandes milagres realizados por suas mãos?’. Um carpinteiro... mas olhe só! Que conversa de milagres?! Diz o evangelho: ficaram escandalizados com Jesus, isto é, ficaram irritados, revoltados, furiosos com ele. Eles o expulsaram do povoado.
O motivo da rejeição a Jesus, por parte dos seus conterrâneos, é claro. Eles não quiseram reconhecer que em Jesus agia o próprio Deus. E por quê? Porque em Jesus, eles viam a própria fraqueza (gente do interior pouco estudada, à margem do poder, um povoado de trabalhadores). E estavam certos que a manifestação de Deus não é na fraqueza, na pobreza, na marginalização. O lugar de Deus é nos centros de poder, nas classes privilegiadas, nas elites letradas. Deus habita no poder, na riqueza, na ciência. Esse é o pensamento de muita gente, não é verdade?
Nazaré, como muitos cristãos de hoje, não entende a dinâmica pela qual Deus está nos salvando. O Pai enviou o filho, em nossa condição humana. O verbo se fez carne, assumindo nossa vida em sua fragilidade e fraqueza. Jesus assumiu nossa fraqueza, nasceu, viveu e morreu humanamente, andando pelos nossos caminhos e morrendo na nossa morte. Para vencê-la, é verdade. Para nos conduzir pelos nossos caminhos humanos. É assim que ele reergueu o mundo decaído: por sua humilhação; por seu esvaziamento, como diz a carta aos Filipenses. É o mistério da en-car-na-ção. ‘O Verbo se fez carne e habitou entre nós’.
Guardando a mensagem
Sem acolhermos o mistério da encarnação - a dinâmica pela qual Deus está nos salvando em Cristo - nós nos negamos a reconhecer a presença atual de Jesus na história humana e na sua Igreja.  Mesmo ressuscitado, ele continua a ser o Emanuel, Deus-conosco. Ele mesmo disse que estava no faminto, no sedento, no maltrapilho, no migrante, no doente, no prisioneiro. Neles, podemos alimentá-lo, vesti-lo, visitá-lo, defendê-lo, acolhê-lo. Pela atuação do Santo Espírito, ele nos fala pelas palavras das Escrituras; ele nos alimenta com sua vida no sinal eucarístico do pão; ele nos pastoreia pelo ministério de pastores marcados pela fragilidade. É o mistério da encarnação. “É na fraqueza que a força de Deus se manifesta”, escreveu São Paulo.
Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir (Lc 4, 21)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Sem atenção ao mistério da encarnação, ficamos te procurando nos palácios, quando moras ao nosso lado; e aguardando o teu glorioso triunfo, quando passas carregando a cruz na subida do calvário; e preparamo-nos para ouvir a mais erudita pregação teológica, quando tu vens e nos contas parábolas e historietas populares. Ajuda-nos, Senhor, a acolher, na fé, o mistério da encarnação. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra

Estamos praticamente no início do mês da Bíblia. Posso lançar um desafio? Durante esse mês, ler a Bíblia, diariamente. Para sermos mais concretos, vamos fazer assim. Neste mês, leia o evangelho de São Marcos. É o evangelho da maior parte dos domingos deste ano. Então, o desafio está feito. Em setembro, todo dia ler um pedacinho da Bíblia, precisamente o evangelho de São Marcos. E quando você vai começar? Hoje! Ótimo.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.09.2018