07 agosto 2011

Igreja do Filho

Muita gente se decepciona com alguma coisa na Igreja e se afasta. Às vezes, por causa de um padre antipático. Outras vezes, por um mau exemplo do qual teve notícia ou até mesmo por alguma norma com que não concorda. Mas, a Igreja não é uma organização qualquer, um clube do qual sou sócio e, por discordância, me retiro.
Algumas pessoas agem assim, sem um olhar mais profundo, sem o horizonte da fé.

A Igreja de Cristo vai além das fronteiras humanas que estamos acostumados a ver ou a criticar. A Igreja é uma iniciativa de Deus, formada por homens e mulheres com defeitos e virtudes, chamados à comunhão com Deus, em Jesus Cristo. A Igreja é uma realidade profunda e sagrada.

Tudo começou com o Pai, na criação. O plano era formar a grande família dos filhos de Deus, para partilhar a felicidade do Deus uno e trino. Veio o pecado. O plano do pai ficou desvirtuado.  A humanidade rejeitara a comunhão com o Pai e não tinha forças para vencer sozinha essa situação de distanciamento e rejeição. Foi aí que "o verbo se fez carne e habitou entre nós". O filho eterno do Pai veio a nós, assumindo nossa condição humana, sendo solidário conosco em tudo, menos no pecado. Por aqui, ele falou do amor eterno do Pai, de sua misericórdia, de sua disposição de mandar o Espírito Santo, da vocação divina de cada pessoa humana. A incompreensão, a perseguição, afinal o pecado, o levaram à cruz. Como homem verdadeiro, o filho eterno do Pai ofereceu a sua própria vida, em expiação pelos pecados do povo. Fez a oferta de si, do jeito que era oferecido o sacrifício de cordeiros no Templo, para pedir o perdão para os pecadores. A sua oferta foi aceita. O Pai o levantou dos mortos, ao terceiro dia.

O trabalho de Jesus nos três anos de ministério e sua morte e ressurreição construíram a Igreja. Vou explicar melhor. Jesus anunciou que o Reino de Deus estava chegando. Convidou as pessoas a viverem esse novo momento, em que Deus estava tão próximo e tão vizinho de todos. Com sua palavra, com curas e milagres, foi conduzindo muita gente para o caminho de Deus, para viver no seu amor. Com sua morte e ressurreição, deu aos que creram nele a possibilidade de viverem na completa comunhão com o Pai. O que Jesus estava fazendo? Estava construindo a Igreja. O que é a Igreja, senão a comunhão do povo com Deus Pai, por meio de Cristo, no seu Espírito? A obra de Jesus foi a reconciliação: fez as pazes entre o Pai e o povo. Fez o filho pródigo voltar pra casa. Proporcionou o abraço de reconciliação entre Deus e o pecador. Deus sempre quis abraçar o pecador e reintroduzi-lo em sua casa. O pecador é que se distanciou cada vez mais e não sabia mais retornar. Você lembra da ovelha perdida, em que o pastor teve que ir buscá-la, pois estava perdida, enganchada no matagal, impossibilitada de voltar ao redil? Foi o trabalho de Jesus: vir buscar a ovelha perdida.

Com a vinda do Espírito Santo, a missão de Jesus pôde ter continuidade na sua pequena comunidade. A pequena comunidade de Jerusalém, cheia do Espírito Santo, era já a Igreja de Cristo pronta para assumir a sua missão: dar continuidade à tarefa de Cristo. Ser um instrumento da salvação de Deus, da comunhão com o Pai, no meio da humanidade. Como disse o apóstolo Paulo: "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Ele a purificou com o banho da água e a santificou pela Palavra, para apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e imaculada". Isto está na carta aos Efésios, capítulo 5.

Olhemos então para a Igreja, com o olhar profundo e penetrante de quem crê, vendo nela a obra de Jesus Cristo, a sua esposa, reunida por sua palavra, santificada pelos seus sacramentos, habitada pelo Espírito Santo. Para além das falhas humanas que podemos nela perceber, ela é a comunidade dos que Cristo santificou, que continua sua própria presença salvadora na história.

Pe. João Carlos

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