Meditação da Palavra

23 março 2011

Entre vocês, não seja assim

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) desaprova a aplicação da Lei do Ficha Limpa nas eleições de 2010, eu vou concluindo indignado... pouco conseguimos aprender com Jesus Cristo. Pouco de Jesus, o Brasil conseguiu de fato absorver. Logo ele que refutou o exercício do poder como fonte de privilégios.
Mas nem os discípulos da primeira hora conseguiram entendê-lo e levá-lo a sério. Lembro as palavras dele, apresentando o seu próprio exemplo. Eu não vim para ser servido, eu vim para servir. E não ficou só em palavras. Foi essa a sua prática. Sendo ele o Messias, o filho de Deus, o Mestre, escutava, se aproxima, dialogava,... um líder atento ao valor do outro, envolvendo pessoas na sua missão, distribuindo tarefas, ensinando a tolerância, o respeito, a honestidade. Eu vim para servir e dar a vida em resgate de muitos. O que ele era, o poder que tinha, tudo  estava a serviço da vida: defendendo, promovendo, estimulando, alimentando com o pão de cevada e o pão da Escritura. O exercício do seu poder de Messias era o de servir, evitando juízos, imposições, humilhações dos mais fracos, ou buscando benefícios pessoais.
Infelizmente, os discípulos não entendiam isso facilmente. Alguns achavam que ele iria assumir o comando do país ou ao menos algum alto comando. E apressavam-se a disputar os possíveis cargos maiores. Dois irmãos arrumaram logo uma inimizade no grupo dos discípulos: queriam sentar-se um à sua direita e outro à sua esquerda no seu reinado. Ó povo de cabeça dura. Jesus insistia: vou ser entregue aos chefes, eles vão me condenar à morte, vão me entregar aos pagãos... eu vou dar a minha vida em resgate de muitos. Mas, e o seu poder? Não era o poder de mandar, de dar ordens, de dominar. O poder ele exercia como serviço. Dar a vida em resgate de muitos. Os discípulos continuavam titubeantes. Lavou, então, os pés deles. Viram o que eu fiz? Eu sendo o Mestre, lavei os pés de vocês. É assim que tem que ser. O líder é o servidor. Quem quiser ser o maior, seja o servo de todos.
É só olhar para a sessão do STF pra ver que poucos aprenderam a lição. Não que os ministros não tenham aprendido a lição, vários com certeza sim. Muitos dos homens públicos é que não aprenderam a lição. São os ficha-sujas que abusaram de seus cargos para se enriquecerem ilicitamente, usaram a máquina pública para suas campanhas, compraram apoios, beneficiaram empreiteiros, parentes e apadrinhados. E ainda insistem em pretensos direitos políticos, arvorando-se em cidadãos honestos e comprometidos com o bem comum.
Bem que Jesus tinha insistido, com medo que os seus seguidores copiassem o estilo de exercício do poder corrupto e opressor que eles conheciam. Os chefes das nações as tiranizam, os poderosos fazem o povo sentir a sua força. Mas, entre vocês não seja assim.  
Pe. João Carlos Ribeiro - 23/03/2011