22 novembro 2018

UM DIA DE LÁGRIMAS E GRATIDÃO

Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar (Lc 19, 41)
22 de novembro de 2018.
Você já esteve em Aparecida?  Quando se avista, ainda longe, a cúpula do Santuário Nacional, vem um aperto no peito, uma emoção que leva o peregrino às lágrimas. Acontece o mesmo quando você vai chegando a Juazeiro do Norte ou à Basílica de São Pedro, no Vaticano.
O povo de Deus amava a cidade santa de Jerusalém. Os salmos falam disso: “se eu me esquecer de ti, Jerusalém,  que minha língua se cole na minha boca”. Em cada romaria, chegavam à cidade santa milhares de pessoas do país e de fora. Jesus mesmo, desde os 12 anos, participava anualmente de peregrinações  à cidade santa.
A cidade estava construída sobre o Monte Sião. De longe, ela era vista toda cercada de uma grande muralha, com seus portões altos, belos palacetes e o grande Templo de Deus. Quando o Peregrino vinha chegando, ao ver no horizonte a bela cidade de Davi, ficava emocionado. Estava chegando à Cidade de Deus, à casa da grande família do povo da aliança.
No evangelho de hoje, Jesus vinha chegando, como peregrino, com seus discípulos, depois de muitos dias de viagem a pé. Estavam chegando para a festa da páscoa. Quando Jesus avistou a cidade, ficou emocionado, começou a chorar. A primeira razão das lágrimas do nosso Mestre, com certeza, foi a emoção de estar chegando à cidade santa, por tudo que ela representava afetivamente para um judeu piedoso como ele.
Mas, havia uma segunda razão para aquela emoção tão forte. Olha o que ele disse: “Se tu compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!”. É que aquela cidade, representação do próprio povo de Deus, não o tinha reconhecido como o enviado do Pai. Apesar de todo o seu trabalho profético, por todo o país, Jerusalém continuava agressiva e impenitente.  Estava, na verdade, armando-se para entregá-lo aos estrangeiros romanos e para exigir a sua condenação como malfeitor. Que pena, que chance estava perdendo, não reconhecendo a visita que estava recebendo!
Mas, há uma terceira razão para as lágrimas do Senhor.  Ele sofre no coração por que enxerga mais: Jerusalém vai ficar entregue ao seu pecado. A consequência disso será a destruição, que em breve aconteceria pelas armas dos romanos. Não ficaria pedra sobre pedra. Jesus se entristece, se emociona, chora. Os discípulos ouviram o lamento dele: “Não conheceste o tempo em que foste visitada”.
Guardando a mensagem
A cidade de Jerusalém não acolheu Jesus, não reconheceu o dia que Deus marcou para o seu encontro com o Messias. Jerusalém  pode ser também uma representação de sua própria vida, de sua família, de sua comunidade. Hoje, o Senhor nos visita, porque hoje é o dia salvação. Faça como Zaqueu, abra as portas de sua casa e de sua vida para receber Jesus. Não faça como Jerusalém, que fechou as portas para ele, que o perseguiu e o executou fora da cidade. O fim de Jerusalém é o fim de qualquer pessoa, família ou comunidade que perca a grande chance de acolher Jesus, de se converter, de abrir seu coração para o Reino. O que o fechamento para Deus, o pecado, realmente produz é a destruição.
Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar (Lc 19, 41)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Estavas chegando, a pé, à cidade santa, depois de muitos dias de viagem, em que além da distância, estavas cuidando da formação dos teus discípulos.  Sentiste o coração apertado ao avistar Jerusalém, que aprendeste a amar como judeu piedoso que eras. A tua emoção de peregrino se misturou com a tristeza do fechamento do teu povo à tua presença de enviado do Pai. Antevias, com aflição, os dias da tragédia da destruição da cidade santa pelos exércitos romanos. Senhor, que nossas famílias e nossa sociedade não se fechem à tua presença ou fiquem indiferentes à pregação do teu Evangelho. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Sendo hoje o dia nacional de ação de graças, comece agradecendo ao Senhor Jesus porque tem visitado você, diariamente, com sua palavra. Depois, acrescente outros agradecimentos (razões não faltam, não é verdade?!).

Pe. João Carlos Ribeiro – 22.11.2018