06 novembro 2018

QUANDO SEGUIR ENVOLVE RENUNCIAR

Qualquer um de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo! (Lc 14, 33)
07 de novembro de 2018.
O chamado que Deus nos faz é para sermos discípulos de Jesus. Nós somos, por vocação, seguidores dele. Quando Jesus andava pela Palestina, segui-lo era logo compreendido como acompanhá-lo em suas andanças, andar atrás dele, literalmente. O convite dele era sempre “Vem e segue-me”.
Mas, é claro, hoje como ontem, o verdadeiro seguimento de Jesus não é andar atrás dele. Não é seguir com os passos, do ponto de vista da geografia. É seguir com a vida, do ponto de vista da história. Sou seguidor de Jesus, sou seu discípulo, porque minha vida está iluminada por sua palavra, porque procedo segundo os seus ensinamentos, porque ele é o meu guia.
No evangelho de hoje, o nosso Mestre nos chama a atenção para nossa condição de discípulos e suas exigências. Seguir Jesus comporta renúncia.  Renunciar a outro guia, por exemplo, renunciar a outro caminho, renunciar a qualquer amarra que possa nos prender ou reter no caminho.
E o que é pode nos prender ou nos reter no caminho, e nos impedir de seguir Cristo?  Os bens materiais, por exemplo, o apego exagerado às coisas. O jovem rico não quis renunciar à segurança do seu dinheiro. Sem essa renúncia, não podia seguir Jesus em sua vida de despojamento e pobreza.
Uma segunda coisa que pode nos afastar do seguimento de Cristo é o apego às pessoas. Pode acontecer que o amor a um pai, a uma mãe, a uma esposa ou esposo, aos filhos esteja acima do amor a Deus. Nesse caso, não podemos seguir Jesus. Sem ter Jesus como o primeiro amor, o amor acima de qualquer outro, não dá para ser discípulo dele.
E a terceira coisa que pode atrapalhar o seguimento de Jesus é o amor exagerado a si mesmo. É preciso desapegar-se até da própria vida para seguir Jesus que é caminho, verdade e vida. Neste sentido, ele falou: “Quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la”.
Guardando a mensagem
A grandeza de nossa vida está em sermos filhos de Deus, seguidores de Jesus Cristo. Como seus discípulos, nós o colocamos em primeiro lugar na nossa vida. Nosso amor por ele está acima das coisas, dos nossos entes queridos e até da nossa própria vida. É claro, possuímos as coisas, mas nosso amor não está nas coisas que temos ou que pretendemos ter. Nosso amor maior é Jesus, nosso Senhor e Salvador. Ele é o nosso maior bem. Por ele, podemos até renunciar aos bens deste mundo, se ele nos pedir isso. Podemos amar nossos parentes e familiares, mas nosso amor maior está reservado para ele, nosso Deus e Senhor. Por ele, podemos até renunciar a um amor neste mundo, se isto ele nos pedir. E ter amor próprio é coisa boa, querer-se bem. Mas, este amor a mim mesmo não pode estar acima do amor a Cristo Jesus. Seguimos Jesus. Ele não é apenas mais um na nossa lista de amigos e benfeitores, ele é o amor maior de nossas vidas.
Qualquer um de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo! (Lc 14, 33)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Tu nos chamas ao teu seguimento. É uma escolha de amor de tua parte. Tu nos dizes hoje: “Não foram vocês que me escolheram, fui eu que escolhi vocês”. A primeira resposta que podemos dar ao teu chamado de amor é amar-te. Amar-te acima de tudo e de todos. Hoje, tu nos lembras que não podemos seguir-te se não tomarmos a cruz contigo, se não te amarmos acima de nós mesmos, acima de qualquer bem deste mundo e acima de qualquer criatura humana desta terra. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Quando se ama, respira-se esse amor. Ele está em tudo na nossa vida: no pensamento, na fala, nos sonhos, nas fotos, no celular... Jesus é mesmo amado por você acima de tudo e de todos? Ele está mesmo presente em tudo na sua vida?

Pe. João Carlos Ribeiro – 07.11.2018